A morte de Pio XII

Numa entrevista concedida ao L’Osservatore Romano de 27 de agosto deste ano [leia a íntegra veiculada por Sandro Magister], o diretor das Vilas Pontifícias de Castelgandolfo, Saverio Petrillo, descreve a morte do Papa Pacelli há exatos cinqüenta anos:

Entrei pela primeira vez nas Vilas Pontifícias exatamente há 50 anos. Era o mês de junho de 1958. Devo dizer que o início não foi dos melhores. Em 9 de outubro morreu Pio XII. Foi um evento que me entristeceu muitíssimo e que todavia tenho gravado na memória. Antes de entrar neste ambiente, pensava que o Papa estava sempre rodeado de um seleto grupo de pessoas, pronto a responder a cada um de seus desejos. Quando entendi que Pio XII estava morrendo, me dei conta do quanto estava — pelo contrário — sozinho. Não havia nada. Também porque não estava o Secretário de Estado e faltava o Camerlengo, que logo foi imediatamente eleito pelos cardeais durante a vacância da sede. Com estupor vi que os restos mortais daquele grande pontífice eram tratados de modo superficial. O médico do Papa, Riccardo Galeazzi Lisi, fez um tipo de embalsamento usando apenas algumas pomadas. O corpo foi provisioriamente colocado na Sala dos Suíços. Só no dia seguinte, antes da exposição ao público, foi revestido com as roupas pontíficias. Me senti mal. Me consolou a grande corrente constante de pessoas que desde o dia da exposição do corpo desfilou frente à esquife. Recordo uma manifestação popular esplêndida. Muitíssimos regressavam pela segunda vez a este palácio. Como se sabe, Pio XII abriu as portas das Vilas para dar refúgio a quantos tratavam de escapar do cerco alemão no dias do desembarque dos aliados em Anzio. Estavam também muitas das mães às quais o Papa havia cedido seu próprio dormitório porque estavam grávidas. Naquele quarto nasceram cinqüenta crianças. Muitíssimos, hoje homens adultos, se chamam exatamente como ele, Eugênio ou Pio. Com dois deles, gêmeos, há uma graciosa anedota. A mulher que se encarregou deles apenas recém nascidos inadivertidamente retirou os braceletes que estavam com os nomes dados a cada um durante o batismo. Portanto, se fez impossível distingüí-los. Foi a mãe que em certo sentido os rebatizou, já que estabeleceu autonomamente quem se chamaria Eugênio e quem Pio.

Mais fotos dos funerais de Pio XII aqui.

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