Desconfia e foge.

Desconfia e foge, filho meu, daqueles homens que, debaixo da aparência de uma mansa ovelha, ocultam a crueldade de um lobo pérfido e devorador: observa com atenção os seus costumes antes de escutar as suas lições; assim como julgas da árvore pelos seus frutos, do mesmo modo deves julgar da sua doutrina pelas suas obras (S. Mat. 7.). Se entregues às suas paixões os maus provocam as santas leis, foge dele, filho meu, para que não te pervertas com os exemplos das suas péssimas obras. (Epist. 2. S. João).

Tampouco te deixes enganar pelas aparências de sabedoria e de virtude; nem te alucines a ti mesmo contando demasiado com as tuas forças. Assim nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega; porém Deus é o que dá o crescimento (Epist. 1. aos Corint. 3).

Nem todos que invocando o nome de Deus, exclamam Senhor! Senhor!, são dignos de serem contados no número de seus escolhidos. Deus se negará a conhecê-los. […] Homens há que sem a menor consideração lançam na cara do seu irmão o mais leve defeito; a menor falta provoca a sua indignação; mas muito indulgentes consigo mesmos ou não se conhecendo a si próprios, dissimulam os seus vícios e criminam os alheios (S. Mat. 7). […] Não imites, filho, a injustiça e a cegueira dos hipócritas e fariseus: mostra-te compassivo com os outros, e severo só contigo mesmo (S. Mat. 7). Honra os discípulos do Homem Deus, e assim honrarás a ele mesmo: o que os recebe, recebem a Jesus Cristo, e quem recebe a Jesus Cristo, recebe a Deus, que o enviou.

(Espírito da Bíblia ou Moral Universal Cristã, Abbade Antonio Marini, Arcebispo de Florença, traduzido por Cônego Luiz Gonçalves dos Santos, 1840, Rio de Janeiro, Typographia Americana)