Bento XVI, Pio XII e o Vaticano II.

Padre João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

Associação Civil Santa Maria das Vitórias

Padres Conciliares Na linha da hermenêutica da continuidade, Bento XVI declarou que uma das fontes mais importantes do Vaticano II é o magistério de Pio XII. Disse que, depois da Sagrada Escritura, os textos mais citados pelos padres conciliares são os documentos do papa Pacelli.

É muito louvável o empenho de Bento XVI de promover uma leitura do Vaticano II à luz da tradição, desautorizando assim aqueles que pretendem transformar o Vaticano II no marco inaugural de uma nova Igreja Católica, um “super-concílio” criado ex nihilo.

No entanto, é preciso reconhecer que o Vaticano II apresenta sérias dificuldades para ser interpretado na linha de continuidade do magistério da Igreja, ainda que se admita um desenvolvimento orgânico na vida eclesiástica. A Igreja está na história, mas sua doutrina não pertence à história e sim ao Verbo Eterno. Com efeito, como diz Romano Amério em Stat Veritas, ao que vem depois compete demonstrar sua continuidade com o precedente. E para tanto, não bastam citações de autores antigos. Os protestantes e os jansenistas citam, em tom elogioso, a Santo Agostinho. Todavia, seria grosseiro equívoco dizer que pertencem à mesma estirpe doutrinária de Santo Agostinho. Apenas o citam para corromper-lhe o pensamento ou para se cobrirem com o prestigio de um autor universalmente acatado.

Quanto ao Vaticano II, são conhecidas as lutas internas, os episódios dramáticos dos embates entre os padres fiéis à tradição da Igreja e os inovadores. Estes, depois de fulminados por São Pio X, passaram a viver homiziados à espera de uma ocasião oportuna para dar um golpe e revolucionar a Igreja. Em 1923, Pio XI pensou em convocar um concílio que pudesse concluir os trabalhos do Vaticano I, suspenso em 1870, em virtude de problemas políticos. Foi desaconselhado pelo cardeal Billot que lhe disse:

Eis a razão mais grave, aquela que me parece militar absolutamente contra a convocação.

A retomada do Concílio é desejada pelos piores inimigos da Igreja, isto é, os modernistas, que já se apressam – como o atestam os indícios mais certos – a aproveitar os estados gerais da Igreja para fazer a revolução, o novo 1789, objeto dos seus sonhos e esperanças.

Inútil dizer que não o conseguirão, mas veremos dias tão tristes como os do final do pontificado de Leão XIII e do início de Pio X; veremos coisa ainda pior, e seria a destruição dos bons frutos da encíclica Pascendi que os reduzira ao silêncio.[1]

Mas, enfim, por um desígnio insondável da Providência, o concílio realizou-se. Os seus frutos não são os melhores. Os próprios entusiastas do Vaticano II reconhecem que a situação da Igreja, após o VII, não é brilhante. Há problemas de toda ordem. Reina uma confusão enorme entre os católicos, a corrupção doutrinal é espantosa. Paulo VI chegou a falar em auto-demolição da Igreja e na penetração da fumaça de Satanás no templo de Deus.

Quanto à existência de uma crise na Igreja após o concilio há um testemunho concorde e unânime dos católicos dotados de um mínimo senso critico. O problema está em estabelecer uma relação de causa e efeito entre a crise e o próprio VII. Alguns chegam a admitir que a crise resulta de um espírito revolucionário dos anos Sessenta que invadiu toda a sociedade, inclusive a Igreja. O problema não estaria no próprio concilio. Nas atas conciliares não haveria nenhum problema, nada que justificasse uma reviravolta na vida da Igreja, nenhuma concessão à heresia, ao espírito mundano anti-católico.

Ora, isto não corresponde à verdade dos fatos. Está solidamente documentado que durante o Concílio houve uma tentativa de harmonizar correntes teológicas antagônicas, um esforço de operar uma síntese que lançasse a Igreja a um patamar mais alto, permitindo-lhe descortinar novos horizontes para a humanidade. Esse problema nos levaria longe demais, porque envolve toda a questão do humanismo de Maritain e da negação da ordem sobrenatural na obra de de Henri de Lubac e karl Rahner.[2] A questão merece estudo mais aprofundado e excede o objetivo deste modesto artigo.

O famoso livro O Reno se lança no Tibre do padre Ralph Wiltgen SVD (Editora Permanência, Rio de Janeiro, 2007) faz uma reportagem interessante dos momentos críticos do VII, quando, em face de um confronto doutrinário, optava-se por uma solução de compromisso mediante a redação de textos ambíguos. Wiltgen cita o dominicano holandês Schillebeeckx que disse: “A maioria tinha recorrido a uma terminologia deliberadamente vaga e excessivamente diplomática e o próprio padre Congar tinha bem cedo protestado contra a redação deliberadamente ambígua de um texto conciliar.” (o.c. p. 245)

Um concílio que não lança anátemas, não define pontos doutrinários, é algo inédito na história da Igreja. Um concílio que tenta ignorar o principio de não contradição para formular uma teologia à maneira hegeliana não pode prosperar. Se chegasse a uma síntese resultante de um compromisso de todos os envolvidos em tal concilio, essa síntese seria uma ruína geral.

Portanto, não causa admiração que o VII cite com profusão o magistério de Pio XII. Isto, porém, não significa que o VII esteja na linha de continuidade do magistério do grande papa. Com efeito, Pio XII na Mystici Corporis, aprofundando a doutrina perene dos papas sobre a constituição da Igreja, sobretudo a Satis Cognitum de Leão XIII, diz: “Afastam-se da verdade divina aqueles que imaginam a Igreja como se não pudesse ser alcançada nem vista, como se fosse uma coisa “pneumática” (como de fato o dizem), pela qual muitas comunidades de cristãos, se bem que separados entre si pela fé, todavia seriam entre si unidos por um vínculo invisível.”

Ora, é fato irrefragável que a Lumen Gentium atenta contra essa doutrina com sua tristemente célebre expressão subsistit e seus desdobramentos no campo da “política ecumênica” pós-conciliar, tais como os jargões “comunhão imperfeita entre as igrejas irmãs” Que significa isso? Para onde nos querem conduzir?

Igualmente, Pio XII reitera solenemente na encíclica Divino Afflante Spiritu, de 30 de setembro de 1943, a doutrina tradicional da Igreja sobre a inerrância absoluta da Sagrada Escritura como decorrência necessária da sua inspiração divina. Ao contrário, o VII se exprime em termos dúbios a respeito e o Catecismo pós-conciliar categórico ao reduzir a inerrância bíblica à verdade salvífca. (Cf. CIC nº 136).[3]

Concilio Vaticano IIOutrossim, o Santo Oficio, sob o pontificado de Pio XII, condenou a doutrina que equipara os fins do matrimônio: o auxílio mútuo não se subordinaria ao fim primário, o bem da prole (Cf. DS. Nº 3838). Ao contrário, a Gaudium et Spes do VII ignora essa hierarquia de fins. O Código de Direito Canônico de 1917, no cânon 1013, era claríssimo nessa matéria. O novo Código, de 1983, no cânon 1055, diz simplesmente que o matrimônio está ordenado ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole.

As conseqüências de todas essa inovações doutrinárias, de todas essas reformas, são desastrosas e estão aí para quem quiser ver. A grande maioria dos católicos hoje são ecumenistas radicais, irenistas ou quase sincretistas. Dizem com todas as letras, com a consciência tranqüila, que todas as religiões são boas. Que “o importante é o amor”. Que o importante é que haja paz para que a gente tenha vida boa aqui na terra. No campo da moral familiar, o que existe é um verdadeiro escândalo, consentido e apoiado por grande parcela do clero e do episcopado. Diz-se abertamente que se pode evitar filho por qualquer meio. A família católica tradicional está praticamente liquidada. É uma vergonha o que se vê!

Na verdade, esta questão é perfeitamente esclarecida pela desolação litúrgica vivida pela Igreja após o VII. A liturgia é a expressão da doutrina da fé. Ela não pode sofrer dilacerações, rupturas sem que o dogma seja ferido. A doutrina não pode ser alterada sem que a liturgia seja desfigurada. Após a reforma litúrgica o cardeal Benelli, de Florença, declarou que a missa tradicional não podia ser autorizada porque ela traduzia uma eclesiologia ultrapassada. Quer dizer, a Igreja da democracia e da colegialidade, na qual se obscurece o sacerdócio hierárquico e se corrói a autoridade suprema do Vigário de Cristo, é incompatível com a liturgia tradicional que se opõe a essas heresias.

Ora, o cardeal Ratzinger prefaciou a obra de Mons. Klaus Gamber La Réforme Liturgique en question (Édition Sainte-Madeleine, 1992). Ratzinger diz que a reforma litúrgica foi uma devastação, sustentando assim a tese do autor que diz que a reforma litúrgica de Paulo foi mais radical que a de Lutero.

Como se vê, é muito dificultoso, para não dizer impossível, pretender que o VII não ofereça nenhum problema de interpretação dos seus documentos ou simplesmente pretender que todos seus ensinamentos estão na linha da tradição. Há, sim, uma ruptura, que é urgente sanar. Como fazê-lo? Roma tem sabedoria milenar e a assistência do Espírito Santo para encontrar a forma adequada. Confiando ao Instituto do Bom Pastor a missão de fazer uma crítica construtiva ao VII, a Santa Sé admite a existência do problema e dá um passo importante na busca de um remédio. No momento, basta verificar que o VII é um concílio atípico.

Ademais, todo o espírito pós-conciliar é completamente oposto ao espírito de Pio XII. João Paulo II, por ocasião do Jubileu do Ano 2000, promoveu aquele infeliz e controvertido pedido de perdão por supostos pecados cometidos pelos filhos da Igreja que lhe teriam desfigurado o rosto.[4] Denegriu assim a história da Igreja. Consta que o cardeal Ratzinger foi contra esse pedido de perdão. Pio XII, ao contrário, lamentava: “Ouço em torno de mim inovadores que querem desmantelar a Sagrada Capela, destruir a flâmula universal da Igreja, rejeitar seus ornamentos, dar-lhe remorsos de seu passado histórico. Eu, meu caro amigo, tenho a convicção de que a Igreja de Pedro deve assumir seu passado ou ela cavará a sua sepultura.”[5]

Cardeal discutem no Concilio.

Pio XII, como bem o reconheceu o papa Bento XVI, foi, sem dúvida, um grande papa. Governou a Igreja em período de grande turbulência, não só durante a segunda guerra mundial, mas arrostou os desafios do pós-guerra, quando no mundo ocidental começava a acentuar-se a tendência laicista da sociedade contemporânea, de uma democracia atéia universal. Não cedeu um milímetro em matéria doutrinal, não negou um artigo do direito público eclesiástico. As várias concordatas assinadas pela Santa Sé em seu tempo são provas históricas da sua fidelidade.[6] Além disso, salvou a Itália da ameaça comunista em 1946. Até hoje os católicos italianos recordam com grande veneração o trabalho de mobilização, verdadeira cruzada, contra o comunismo, encetada por Pio XII.

Seria uma bênção para toda a Igreja a elevação de Pio XII à honra dos altares. Eu mesmo, segundo testemunho de minha mãe, fui salvo quando bebê por sua intercessão. Uma asma fortíssima e renitente me deixou à beira da morte e minha mãe invocou o papa Eugênio Pacelli. Desde pequeno o cultuo privadamente como um santo. Não é justo dizer que ele está para o VII assim como, por exemplo, um São Leão Magno, um São Gregório Magno, um São Bernardo de Claraval, um Santo Tomás de Aquino estão para Trento ou para o Vaticano I.


[1] Apud Spadafora, Francesco, La tradizione contro il Concilio, Roma, 1989.

[2] Aos interessados em aprofundar o tema recomenda-se a leitura de De Lamennais a Maritain, de Julio Meinvielle, Buenos Aires, 1945; Getsemani, Cardinale Giusppe Siri, Roma, 1987. Para uma leitura propedêutica, O humanismo integral de Jacques Maritain, disponível em www.santamariadasvitorias.com.br. Cf. Documentos.

[3] O cardeal Albert Vanhoye, ex-secretário da Pontifícia Comissão Bíblica, em entrevista à revista 30 Dias, confirmou a novidade exegética. (Cf. ano XXVI, n.6/7 -2008).

[4] Cf. João Paulo II, Carta Apostólica, Tertio Millennio Adveniente, § 35.

[5] Mgr. Roche, Pie XII devant l’histoire, p. 52-53.

[6] A propósito, recordo um interessante artigo do jornalista Fernando Pedreira, um verdadeiro trabalho de filosofia da cultura, em que o articulista de formação liberal dizia que o grande derrotada da Segunda Grande Guerra Mundial não foi o nazifascismo mas a Europa tradicional representada por Pio XII, pela Espanha de Franco e o Portugal de Salazar.

12 Comentários to “Bento XVI, Pio XII e o Vaticano II.”

  1. Ele só celebra a Missa tradicional?

    Creio que o Padre João Batista seja um padre diocesano de Anápolis, Goias, não é isso?

    Embora seja uma pergunta indelicada, mas necessária, ele tem regularização canônica com sua diocese, ou seja, não está suspenso?

    Porque demonstrará que o mesmo é uma raridade. O que ele faz, corajosamente, com este artigo e outros que existem dele, é criticar realmente o Vaticano II. Isso claramente é algo fora do ordinário em tempos de Vaticano II, principalmente no clero, onde só vemos, na maioria das vezes, crise, heresias, CNBB marxista,
    escândalos etc.

    Por que ele não faz parte da F.S.S.P.X e nem do I.B.P.(que, originalmente, tinha a missão de fazer a crítica construtiva, com sua regularização canônica reconhecida por Roma, mas… )e também não faz parte de nenhuma outra sociedade sacerdotal tradicionalista.

    Bom… se todas as respostas sejam positivas é algo assombroso (claro, no bom sentido) que vejo…

  2. Prezado,

    Vossa Reverendíssima o Padre João Batista tem autorização da Diocese. Está tudo canonicamente acertado.

  3. Esse padre é ótimo. Deus o livre de todo mal. Entretanto acho que o Vaticano II foi mesmo é mal interpretado; o que aconteceu na minha adolescência com as freiras e padres do meu colégio foi um horror, mas o tempo provou que eles não fizeram a leitura correta. As congregações que foram ponderadas ainda estão aí, as afoitas acabaram. A igreja não erra quando fala por meio de seus pastores e principalmente de Roma. Não existe isso de concílio estar errado, foi a TL que acabou com muita coisa aqui no Brasil. Felizmente Ratzinger vai aos poucos rever as interpretações exdrúxulas e modificar tudo. Não vamos nos contradizer, vamos rezar uns pelos outros, tenho certeza que Nossa Senhora fazia jejuns até por Judas. Os atrapalhados realmente perturbam mas ficam ao longo do caminho. Nossa igreja precisa de orações, de voluntários para irem para a China urgentíssimamente, vamos rezar pelos pontos fracos. Isso resolve tudo, obrigado pela publicação desta matéria.

  4. Texto excelente…
    Mas será que ainda está cedo em constatar que não é possivel conciliar de forma alguma os frutos do Concilio com a Igreja?
    O “Espírito” do Concílio nos deu os progressistas radicais, Teologia da Libertação etc.
    A “Letra” do Concílio nos deu os conservadores e neo-conservadores, que cada vez explicam menos como se conciliar definições que se chocam frontalmente com o Magistério da Igreja.
    E o Concílio “À Luz da Tradição” também tem se revelado menos desastroso, mas nem por isso como solução… Ao contrário, basta ver a capitulação diária de Campos, que tem padres que rezam missa nova na Catedral Diocesana.
    E quanto ao IBP? Independente da sua eficácia, e mesmo da boa vontade do Santo Padre em definir a interpretação correta do Concílio, sabemos que a única forma de corrigir textos como a Gaudim et Spes, Lumen Gentium e Dignitatis Humanae e simplesmente apagando-os ou recortando partes inteiras.
    Seria como se, em nossos dias, um escritor pedisse a seus colaboradores que recolhessem todas as suas publicações para passar uma borracha ou rasgar páginas inteiras de seu livro.
    Por outro lado, a Tradição da Igreja ensina que, diante de textos eclesiásticos ambíguos, estes devem ser condenados por favorecerem a heresia.
    Com efeito, Pio VI condenou o Sínodo de Pistóia, e condenou os seus escritos, justamente por terem sido feitos de forma a dar uma interpretação dúbia.
    Logo, este seria o caminho mais fiel à Tradição: condenar o Vaticano II solenemente.
    ***
    Será que ainda é cedo para se pedir isso? Será que, após a anulação dos decretos de excomuhão contra os bispos da FSSPX e D. Mayer, já não seria a hora de articular este passo?
    Porque “dar a correta interpretação ao Concílio Vaticano II” nas mãos do IBP é uma forma velada de SUBSTITUIR o que está escrito.
    Há uma diferença entre interpretar o Vaticano II “à luz da tradição – da TRAIÇÃO” de acordo com Campos, que o aceitou em todos os seus erros, e “fazer a crítica construtiva”…
    Fazer a crítica significa CORRIGIR.
    E corrigir significa SUBSTITUIR, adulterar o que está escrito, ainda que se reescreva na versão católica. Mas mesmo assim estaria indo contra a intenção de quem escreveu.
    Seria uma falsidade ideológica – ainda que aplicada para o bem da Igreja.
    E seria uma condenação velada.
    ***
    Pois bem: então, como condenar o Concílio? Seguindo os passos de Pio VI na Auctorem Fidei, ou seguindo os passos NOVOS de Bento XVI, passos vagarosos, diga-se de passagem?
    Bem, de uma forma ou de outra, deve-se mais do que nunca ter nas mentes que este concílio não será apagado da memória das pessoas num simples rabisco de caneta, mas a sua condenação seria um marco de retorno maciço à boa direção.

  5. Caro Santana,

    o senhor refere-se a Bula Auctorem Fidei, de 29 de Agosto de 1794 de Pio VI,não é isso?

    Pode me dizer onde posso encontrar esse documento na Internet, para guardar em meus arquivos?

    Deste já agradeço.

  6. Eu pequei, a Bula que coloquei no meu comentário acima, retirada no Orkut, de um usuário. Todavia, não sei se está completa e nem o mesmo citou a fonte para conferir.

    Auctorem Fidei, de Pio VI (excerto)
    “Eles [os Papas nossos predecessores, os Bispos, e certos Concílios Gerais] conheciam bem a arte maliciosa própria dos inovadores, os quais, temendo ofender os ouvidos dos católicos, se esforçam por encobrir sob fraudulentos jogos de palavras os laços das suas astúcias, afim de que o erro, escondido entre sentido e sentido (São Leão Magno., Carta 129 da edição Baller)[], se insinue mais facilmente nos espíritos e aconteça que – alterada a verdade da sentença por meio de um curtíssimo acréscimo ou variante – o testemunho que devia dar a salvação, em conseqüência de uma sutil modificação, conduza à morte. Se esta indesejável e falaz maneira de dissertar é viciosa em qualquer manifestação oratória, de nenhum modo deve ser praticado num Sínodo, cujo primeiro mérito deve consistir no adotar no ensino uma expressão de tal modo clara e límpida que não deixe espaço ao perigo de controvérsias. Porém, se no falar se engana, não se pode admitir aquela subdola defesa que se costuma aduzir e pela qual, quando tenha sido dita alguma expressão dura demais, se se encontra a mesma explicada mais claramente em outra passagem, ou ainda corrigida, como se esta desenfreada licença de afirmar e de negar a bel prazer, que sempre foi uma fraudulenta astúcia dos inovadores como cobertura do erro, não tivesse que valer antes para denunciar o erro mais do que para justificá-lo: como se às pessoas particularmente despreparadas a afrontar casualmente esta ou aquela parte de um Sínodo exposto a todos em língua vulgar estivessem sempre presentes as outras passagens a contrapor, e que ao confrontá-las cada um dispusesse de tal preparo a reconduzi-las sozinho, a tal ponto de evitar qualquer perigo de engano que eles difundem erroneamente. É danosíssima esta habilidade de insinuar o erro que Nosso Predecessor Celestino (São Celestino, Carta 13, n. 2, in Coust) descobriu nas cartas do Bispo Nestório de Constantinopla e condenou com duríssimo apelo.
    O impostor, descoberto, repreendido e alcançado por tais cartas, com o seu incoerente multilóquio envolvia o verdadeiro com o obscuro e, confundindo de novo uma coisa com outra, confessava aquilo que havia negado ou se esforçava em negar aquilo que tinha confessado.
    Contra tais insídias, apesar de tudo renovadas em toda época, não foi colocada obra melhor em ação do que aquela de expor as sentenças que sob o véu da ambigüidade envolvem uma perigosa discrepância de sentidos, assinalando o perverso significado sob o qual se acha o erro que a Doutrina Católica condena” (Pio VI, Bula Auctorem Fidei, de 29 de Agosto de 1794.

  7. Caro Marcio Vellati,

    O Concílio Vaticano II foi mal interpretado..por quem? Isso o Papa diz, os hermeneuticistas todos dizem.

    Ora, se foi mal interpretado, durante 40 anos, é porque alguma coisa de estranha tem nos seus escritos. Os concílios que foram ambíguos e heréticos, como Pistóia e o IV Concílio de Éfeso, foram condenados.

  8. Se foi mal interpretado por 40 anos mereceria, no mínimo, ser jogado no lixo por incompetência.

  9. Na verdade, durante o Concilio esqueceram de colocar um frase nos documentos. Foi uma falta de atenção, mas coisa simples.Para resolver todo esse problema, basta o Papa incluir um frase no começo de cada documento do Vaticano II:

    “Os seguintes erros estao condenados:”

    Pronto, sem mexer muito, sem precisar jogar nada fora. Basta incluir isso!

    :-)

  10. Esse padre é muito valente, mas em breve acho que os seus Superiores lhe passarão um “cala a boca”, afinal, contestar dogmas, alugar uma sala num prédio da Igreja para uma organização abortista pode, mas criticar o Concílio ahhh…..isso é quase uma blasfêmia!

  11. Aliás, as Católicas pelo Direito de Decidir continuam no mesmo endereço, num prédio da Igreja na capital paulista?

  12. Ricardo, ninguém mais falou do assunto, mas creio que continuam lá sim.