O Leão de Campos (I): A participação dos fiéis na Missa.

Iniciamos uma nova série de posts que apresentará excertos de alguns dos mais importantes documentos de Dom Antônio de Castro Mayer, saudoso e heróico bispo de Campos. Parte dos textos aqui publicados serão traduções de outros idiomas: lamentavelmente, hoje é mais fácil encontrar textos de Dom Antônio em Francês ou Inglês que encontrá-los no Brasil. De maneira irônica, em nosso país tem-se maior conhecimento dos escritos de Mons. Lefebvre que os de Dom Antônio.

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Há, de fato, em nossos dias, alguns que, avizinhando-se de erros já condenados, ensinam no Novo Testamento se conhece apenas um sacerdócio pertencente a todos os batizados, e que o preceito dado por Jesus aos apóstolos na última ceia – fazer o que ele havia feito – se refere diretamente a toda a Igreja dos cristãos e só depois é que foi introduzido o sacerdócio hierárquico. Sustentam, por isso, que só o povo goza de verdadeiro poder sacerdotal, enquanto o sacerdote age unicamente por ofício a ele confiado pela comunidade […]. Recordemos apenas que o sacerdote faz as vezes do povo porque representa a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo enquanto é Cabeça de todos os membros e se oferece a si mesmo por eles: por isso vai ao altar como ministro de Cristo, inferior a Ele, mas superior ao povo. O povo, ao invés, não representando por nenhum motivo a pessoa do divino Redentor, nem sendo mediador entre si próprio e Deus, não pode de nenhum modo gozar dos poderes sacerdotais. Tudo isso consta da fé verdadeira.

(Pio XII, Mediator Dei)

Proposição Falsa: Os fiéis concelebram com o Padre o Santo Sacrifício da Missa.
Proposição Verdadeira: Os fiéis participam no Santo Sacrifício da Missa.

As duas proposições necessitam de uma pequena explicação. Nunca se pode dizer que os fiéis “concelebram” com o padre, pois na Igreja a expressão “concelebrar” refere-se a Missas com vários celebrantes. Eles todos ativamente coincidem em oferecer o sacrifício e em efetuar a transubstanciação. Um exemplo disso é encontrado na Missa de ordenação sacerdotal, na qual os novos padres concelebram com o bispo.  Da mesma forma, a proposição na qual é dita que os fiéis participam no Sacrifício da Missa requer uma explicação. Muitos entendem que isso signifique que os fiéis “concelebram” o sacrifício… Outros entendem que significa que o padre não é além de um mandatário ou delegado do povo, e seus atos sacerdotais não tem valor exceto enquanto ele representa o povo. Não é nesse sentido que a proposição deve ser entendida, de acordo com o ensinamento de Mediator Dei. De fato, o padre não é delegado do povo, pois ele é escolhido por vocação divina e engendrado pelo sacramento das santas ordens. Isso não significa que o padre, em certo sentido, não represente o povo. Ele o representa  enquanto representa Jesus Cristo, cabeça do Corpo Místico, do qual os fiéis são membros, e quando o padre oferece o sacrifício no altar, ele o faz em nome de Cristo, Sumo Sacerdote, que oferece em nome de todos os membros de Seu Corpo Místico. Portanto, em certo sentido, o sacrifício é oferecido em nome do povo. É por isso [que os fiéis] devem participar no sacrifício. De que forma devem eles participar? Mediator Dei nos diz: “Une os seus votos de louvor, de impetração, de expiação e a sua ação de graças à intenção do sacerdote, aliás do próprio sumo pontífice, a fim de que sejam apresentados a Deus Pai na própria oblação da vítima, embora com o rito externo do sacerdote.” [Mediator Dei, 93]

Assim existe um significado definitivo à expressão “participar”, que pode ser usada se toma-se cuidado de excluir qualquer outro significado menos exato.

Dom Antonio de Castro Mayer, Carta Pastoral sobre os Problemas do Apostolado Moderno, 1953.

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