Felipe Aquino é contra a pena de morte; Lutero também era.

Felipe AquinoSegundo o senhor Felipe Aquino, a ‹‹Igreja, na prática, é contra a pena de morte ›› ; justifica-se o douto Professor: ‹‹ como S. Tomás de Aquino a aceitava, em casos raros, na Idade Média, a Igreja não fechou a porta definitivamente para a possibilidade dela ser usada em um caso extremo ›› . Por fim, conclui que hoje tornou-se ‹‹ claro que a Igreja Católica é contra a pena de morte ›› .

Contudo, o Magistério da Igreja (e não apenas Santo Tomás), ao longo de sua história, pronunciou-se de maneira contundente a respeito.

Com efeito, a Bula Exsurge Domine, do Papa São Leão X , ao condenar os erros de heresiarca Martinho Lutero (portanto, não apenas na Idade Média), listou a seguinte proposição que, entre outros erros, ‹‹ são ou heréticos, falsos, escandalosos, ou ofensivos ao ouvidos piedosos, assim como sedutores das mentes simples, originando-se de falsos intérpretes da fé que em sua orgulhosa curiosidade almejam a glória do mundo, e contrários ao ensinamento dos Apóstolos, desejam ser mais sábios do que poderiam ser ›› :

Lutero‹‹ É contra o desejo do Espírito Santo que heréticos sejam queimados. ››

Dos ‹‹ falsos intérpretes da fé que em sua orgulhosa curiosidade [se não em teoria, na prática] almejam a glória do mundo e desejam [se não em teoria, na prática] ser mais sábios do que poderiam ser ›› , afima o Santo Padre que ‹‹ É nossa esperança, tanta quanto podemos ter, que ele passe por uma mudança interior tomando o caminho da brandura que lhe propusemos, volte e se afaste de seus erros ›› . Na prática e na teoria, pois diz o ditado: Quem não vive como crê, crerá como vive.

[Atualização – 20 de janeiro de 2008, às 11:44] O Professor Felipe Aquino enviou-nos o seguinte comentário:

Felipe Aquino – 20 jan 09 às 11:22

O Vaticano reitera rejeição à pena de morte após execução de Saddam Hussein
VATICANO, 2006-12-30 (ACI).- A Santa Sé reagiu ao anúncio da aplicação da pena capital ao ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, mediante um comunicado do Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, S.J., que reiterou a posição da Igreja contra a pena de morte e auspiciou o início de um tempo de reconciliação e paz para o país. ?
“Uma execução capital é sempre uma notícia trágica, motivo de tristeza, inclusive quando este foi culpado de graves delitos”, diz a nota do Pe. Lombardi.
“A posição da Igreja católica, contrária à pena de morte, foi várias vezes reiterada”.
“A morte do culpado não é o caminho para reconstruir a Justiça e reconciliar à sociedade. Existe, pelo contrário, o perigo de que isto alimente o desejo de vingança e se semeie nova violência”, adiciona.
“Neste tempo escuro da vida do povo iraquiano não pode senão auspiciar-se que todos os responsáveis façam verdadeiramente todo esforço para que nesta situação dramática se abram finalmente caminhos de reconciliação e de paz”; conclui.
Hussein morreu na sábado em Bagdá pouco antes das 6h. -hora local-, executado na forca, conforme informou a televisão iraquianao.
O ex-ditador de 69 anos foi conduzido ao lugar da execução com um Corã entre as mãos algemadas e a cena foi filmada e fotografada.
A execução se realizou antes do esperado pela imprensa para antecipar-se à Festa do Cordeiro muçulmano, na qual se realiza a peregrinação anual a Meca; já que a atual lei iraquiana proibe que se execute a um muçulmano durante uma festividade islâmica.

Professor, com todo respeito, desde quando um pronunciamento da Sala de Imprensa da Santa Sé é ato magisterial? E mesmo que o senhor nos cite pronunciamentos de João Paulo II, que autoridade é empenhada num discurso que contraria o ensinamento constante na Igreja, desde Nosso Senhor Jesus Cristo até os dias de hoje?

Professor, leiamos o vosso site:

No artigo ‹‹ A Igreja recebeu o dom da infalibilidade ›› é dito:

Condições necessárias para que uma definição do Papa tenha caráter de dogma, sentença infalível:

1. É necessário que ele fale “ex-cathedra”, isto é, de maneira decisiva, como Pastor e Mestre dos cristãos, e não apenas de modo particular. Ele não é obrigado a consultar algum Concílio e ninguém, embora possa fazê-lo, e quase sempre o faz.

2. A matéria a ser definida se refira apenas à fé e à moral; isto é, se relacione com a crença e o comportamento dos cristãos.

3. Que o Sumo Pontífice queira proferir uma sentença definitória e definitiva, irrevogável, imutável, sobre o assunto em questão.

E logo em seguida são citadas diversas ‹‹ Proclamações dogmáticas dos Papas ››, dentre elas a seguinte:

‹‹ Em 1520, através da Bula “Exsurge Domine”, o Papa Leão X condenou 41 proposições de Lutero como heréticas ››

Professor, com humildade, reveja seu posicionamento. Não há nada de vexatório em corrigir-se e, especialmente, deixar de transmitir um falso ensinamento travestido de posição ‹‹ clara ›› da Igreja Católica.

[Atualização: 26 de janeiro de 2009, às 10:13] Indicamos link do blog do Professor Felipe Aquino em que somos citados: “O Vaticano reitera rejeição à pena de morte”

13 Comentários to “Felipe Aquino é contra a pena de morte; Lutero também era.”

  1. O Vaticano reitera rejeição à pena de morte após execução de Saddam Hussein
    VATICANO, 2006-12-30 (ACI).- A Santa Sé reagiu ao anúncio da aplicação da pena capital ao ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, mediante um comunicado do Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, S.J., que reiterou a posição da Igreja contra a pena de morte e auspiciou o início de um tempo de reconciliação e paz para o país. ?
    “Uma execução capital é sempre uma notícia trágica, motivo de tristeza, inclusive quando este foi culpado de graves delitos”, diz a nota do Pe. Lombardi.
    “A posição da Igreja católica, contrária à pena de morte, foi várias vezes reiterada”.
    “A morte do culpado não é o caminho para reconstruir a Justiça e reconciliar à sociedade. Existe, pelo contrário, o perigo de que isto alimente o desejo de vingança e se semeie nova violência”, adiciona.
    “Neste tempo escuro da vida do povo iraquiano não pode senão auspiciar-se que todos os responsáveis façam verdadeiramente todo esforço para que nesta situação dramática se abram finalmente caminhos de reconciliação e de paz”; conclui.
    Hussein morreu na sábado em Bagdá pouco antes das 6h. -hora local-, executado na forca, conforme informou a televisão iraquianao.
    O ex-ditador de 69 anos foi conduzido ao lugar da execução com um Corã entre as mãos algemadas e a cena foi filmada e fotografada.
    A execução se realizou antes do esperado pela imprensa para antecipar-se à Festa do Cordeiro muçulmano, na qual se realiza a peregrinação anual a Meca; já que a atual lei iraquiana proibe que se execute a um muçulmano durante uma festividade islâmica.

  2. “No que diz respeito ao poder secular, declaramos que pode exercer o julgamento de sangue sem pecado mortal, contanto que, na execução do castigo, não proceda por ódio, mas por ato judicial, não de modo incauto, mas com prudência.”

    “De potestate saeculari asserimus, quod sine peccato mortali potest iudicium sanguinis exercere, dummodo ad inferendam vindictam non odio, sed iudicio, non incaute, sed consulte procedat.”

    Papa Inocêncio III: Carta “Eius exemplo” ao Arcebispo de Tarragona. Dogmática, contém a fórmula de profissão de fé de Durando de Huesca, repetida ao Arcebispo de Terragona.

    Denzinger, 795.

  3. PS: Não acho que a declaração da Sala de Imprensa do Vaticano tenha o mesmo valor que a carta dogmática de Inocêncio III…

  4. Decepcionante a defesa do argumento contra a pena de morte postada pelo professor Aquino. Curioso como certos “teólogos” não conseguem seguir a Sã Doutrina da Salvação. Neste caso, para ele, vale mais a opinião de um diretor da Sala de Imprensa Vaticana ou de um ou outro discurso papal sem o caráter dogmático, do que uma carta de peso dogmático. Será que é porque tal carta é anterior ao Concílio Vaticano II e aí já está fora da esfera de interesses da Canção Nova e seus membros? Dois pesos e duas medidas…que vexame, professor!

  5. Caro Ferreti,

    é somente uma opinião minha, pode achar boa ou não. Respeitarei se tiver de acordo ou não comigo.

    Mas, argumentar com esse senhor é e pessoas desta seita é somente perca de tempo…

    Obrigado por colocar minha pobre opinião neste comentário.

  6. Caro Ferreti,

    é somente uma pobre opinião minha. Pode concorda ou não. Logo, respeitarei ambas, se concordar ou não comigo.

    Mas argumentar com esse senhor é perca de tempo. Além dessas “cabeças” que falam por essa seita que se diz carismática.

    Deste já, obrigado por liberar meu comentário.

  7. Caro André, seu comentário é mais que oportuno. Grande abraço.

  8. Não creio que Jesus ficasse feliz com esta forma de “julgamento”. Chamar a Renovação Carismática Católica, fonte de resgate de muitas almas perdidas para o protestantismo e para o mundo e responsável por tirar da “leiguisse” muitos “católicos” mornos, de SEITA, é ferir também a Santa Madre Igreja. Tolerância é uma das virtudes de Jesus, a qual devemos imitar.
    Que o Espírito Santo reinflame seus carismas em vossos corações e que Maria Santíssima vos cubra com seu manto. A quem servis? A Deus ou a suas convicções? Prof. Felipe Aquino é um homem de Deus e ajuda a pregação da palavra de Deus! Que Deus cubra de sabedoria a todos!

  9. Mas será o benedito que até aqui os defensores do carismatismo sectário vão meter a colher torta?

  10. Pelo visto, sim, Natália.
    “Tolerância é uma das virtudes de Jesus (…)”. Jesus foi tolerante ao surrar os vendilhões do templo? Foi também tolerante aos fariseus? Fica minha pergunta no ar.
    “Que o Espírito Santo reinflame seus carismas em vossos corações (…)”, seria uma alusão à heresia do “deus-imanente”? Um desejo de que “ele esteja no meio de nós”?

  11. O carismatismo nasceu DIRETAMENTE das denominações pentecostais americanas. Daí tentaram fazer um implante dentro da Igreja. Resultado: temos agora um pentecostalismo que pensa que é católico, e como hoje as pessoas preferem simplesmente acreditar no que os olhos vêem ou no que ouvem dizer, preferem portanto NÃO EXAMINAR A DOUTRINA DA IGREJA CATÓLICA, e por achar que quantidade de fiéis e apoio do clero são suficientes, se escandalizam quando ouvem dizer que o carismatismo é uma seita.
    Pois é uma seita, sim. E uma seita perniciosa, um corpo estranho dentro da Igreja. Não estou julgando os carismáticos, muitos procuram realmente uma vida de santidade. Mas o meio (o carismatismo) é o pior de todos. É um protestantismo, é um vírus dentro do corpo da Igreja que precisa ser liquidado.

  12. Haja paciência e estômago para o sentimentalismo pseudo-caridoso dos corifeus do carismatismo.