‹‹ Nós reconhecemos a autoridade do Papa ›› .

Por Andrea Tornielli

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Roma.  ‹‹ Se o Papa decidir retirar o decreto de excomunhão contra os quatro bispos da Fraternidade São Pio X, para nós será uma grande alegria …».  Don David Pagliarani, desde 2006 superior do distrito italiano da Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebvre, da qual dependem cerca de 25 celebrações dominicais segundo o rito antigo em nosso país, salienta com particular ênfase o ‹‹ se ›› . E ao telefone com Il Giornale insiste que não sabe nada sobre a notícia publicada ontem pelo nosso quotidiano. O levantamento da excomunhão pelo Papa Ratzinger será publicado já no sábado ou no máximo na próxima semana, na conclusão da semana de oração pela Unidade dos Cristãos. Os quatro bispos nessa hora esperam em silêncio, ainda que estejam rodando o mundo as declarações desprovidas e embaraçantes, próximas às teses negacionistas sobre o Holocausto, lançadas no último mês de Novembro por um deles, Richard Williamson, numa entrevista televisiva.

O superior geral da Fraternidade, Monsenhor Bernard Fellay, primeiro signatário da carta na qual é requisitado ao Pontífice retirar a excomunhão, nos últimos dias esteve em Roma e encontrou ainda o Cardeal Antonio Cañizares, novo prefeito da Congregação do Culto Divino. Vale lembrar que a retirada da excomunhão (imposta em 1988 pelo Papa João Paulo II depois que Monsenhor Lefebvre ter consagrado bispos ilicitamente quatro de  seus sacerdotes) é um ato de generosidade de Bento XVI, ainda que não signifique a solução de todos os problemas entre a Santa Sé e Fraternidade.

Don David, como reagiu à notícia? ‹‹ Não tenho nenhuma notícia, não sei se o que ela diz é verdade… ».  Perguntamos o seguinte: Se o Papa remover a excomunhão, como irão reagir? ‹‹ É claro que se trata de um ato que envolve toda a Fraternidade, mesmo se do ponto de vista canônico se refira apenas aos quatro bispos. Seria acolhido com grande alegria pelos sacerdotes e todos os nossos fiéis ›› .

Poderia explicar o que é a ‹‹ cruzada do rosário ›› que Monsenhor Fellay lançou nos últimos meses? ‹‹ A iniciativa foi proposta pelo superior da Fraternidade no último domingo de outubro, no qual segundo o calendário litúrgico do antigo rito romano se celebra a Festa de Cristo Rei. Naqueles dias houve uma peregrinação a Lourdes, na qual participaram, com os quatro bispos, cerca de vinte mil fiéis. Naquela ocasião, Monsenhor Fellay lançou a ‹‹ cruzada do rosário ›› , convidando os fiéis a recitar rosários à Virgem por uma intenção precisa: fazer com que o Pontífice acolhesse o pedido de retirada das excomunhões.

Se falou em mais de um milhão de rosários. É verdade? ‹‹ Graças a Deus, no final foram muito mais, um milhão e setecentos mil ››.  Com o levantamento da excomunhão se sentirá ainda mais unido ao Papa … ‹‹ Se a excomunhão for revogada, repito, será uma grande alegria para todos nós. Mas recordo que nunca a Fraternidade teve a intenção de se separar do Papa. Nós reconhecemos o Papa, rezamos por ele todos os dias. O próprio fato de pedir a retirada da excomunhão atesta essa vontade. A Fraternidade não rejeita a autoridade do Papa, nem daqueles que se sucederam antes do Concílio, nem daqueles que se sucederam depois do Concílio ›› .

Mas tanto Monsenhor Lefebvre quanto seus sucessores têm criticado asperamente tanto os Pontífices como alguns documentos conciliares.

« Sobre isso, a posição da Fraternidade é sempre deixada clara e não mudou. Desde 2001 pedimos que fosse devolvida a plena cidadania à Missa antiga e manifestamos a vontade de discutir algumas questões doutrinárias que surgiram com a reforma litúrgica e com alguns dos textos conciliares. Mas isso não significa rejeitar a autoridade do Papa. ››

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2 Comentários to “‹‹ Nós reconhecemos a autoridade do Papa ›› .”

  1. Salve Maria
    Está aí um exemplo típico do “outro lado” de toda essa história.
    As declarações tendeciosas por meio de pessoas que, ou não enentendem nada da situação ou têm mesmo uma má intenção, chegam a ser surpreendentes.
    Desde quando o levantamento/anulação das excomunhões seria um “ato de generosidade do Papa”?
    A excomunhão nunca existiu, é nula, inválida. Logo, o ato do Papa é simplesmente um ato de justiça para com Msr Lefebvre, D. Mayer e os 4 bispos.
    Já, já, caso o levantamento/anulação das excomunhões aconteça de fato, vamos ouvir os gritos de “Sejam bem vindos”… como aconteceu com os redentoristas Transalpinos que fizeram acordo.
    Sejam bem vindos de onde, nunca estiveram fora.
    É como o título do presente artigo, também muito estranho. Desde quando a FSSPX nega a autoridade do Papa? Lamentável…

    fausto

  2. Concordo com o amigo acima de que, canonicamente falando, a referida excomunhão nunca existiu,mas não podemos deixar de ficar felizes por esse gesto de boa vontade do nosso papa para com a Fraternidade. Isso pode ser o começo de uma restauração de que a igreja está preciando.