A preocupação do episcopado Francês.

Excerto de artigo publicado por Paolo Rodari, do Il Reformista. Segundo Rodari, o documento partiria do Conselho Pontifício para a Interpretação dos Textos Legislativos, assinado pelo arcebispo Francesco Coccopalmerio:

É difícil saber como o episcopado francês verá a notícia da decisão do Papa de revogar a excomunhão (o decreto, assinado pelo Pontifício Conselho para os textos legislativos, sairá nos próximos dias) dos quatro bispos cismáticos [sic] pertencentes à Fraternidade São Pio X fundada em 1970 por Marcel Lefebvre.

Uma coisa, porém, se pode dizer: em uma parte desse episcopado a notícia não suscitará emoções particulares. Realmente.

Não é nenhum segredo, na verdade, que nos últimos meses, antes mesmo que o Papa aprovasse em Setembro de 2007 o motu proprio Summorum Pontificum com o qual liberalizou o conhecido rito antigo (é o missal de São Pio V reformado em 1962 por João XXIII) o então presidente da Conferência Episcopal Francesa, Cardeal Jean-Pierre Ricard, exprimiu-se sobre tal decisão de modo muito crítico.

Este, de fato, temia (suas previsões em seguida revelaram-se bem fundadas), que com o Motu proprio estaria aberto o caminho para o reingresso dos lefebvrianos na Igreja Católica.

E a coisa não lhe andava bem: a Igreja francesa, de fato, vivia (e ainda vive) uma crise profunda.

As celebrações eucarísticas atingiram o mínimo histórico de presença dos fiéis. No ano passado, nos seminários de todas as noventa e uma dioceses francesas entraram apenas cento e vinte seminaristas, e quarenta deles provenientes da comunidade tradicionalista, não cismática como a lefebvriana, mas também vinculada a uma visão da Igreja semelhante àquela da Fraternidade São Pio X .

Em suma, para além dos Alpes são as comunidades tradicionais que estão cada vez mais tomando conta, e isso, para uma hierarquia eclesiástica que mais do que em outras partes da Europa inclinou-se sobre uma aplicação em bases intra-mundanas da reforma litúrgica do pós Concílio Vaticano II, faz preocupar.

Atualização: 23 de janeiro de 2009, às 15:27Rodari acaba de acrescentar em seu blog:

Como sabe, em breve (amanhã ou no máximo segunda) o Papa revogará a excomunhão dos quatro bispos cismáticos lefebvrianos. O decreto será assinado pela congregação dos bispos, tendo o parecer do pontifício conselho para os textos legislativos.

Os amigos do Blog notarão que  La Cigüeña de la Torre, que primeiro deu a notícia, foi informado exatamente pelo Cardeal Giovanni Battista Re, Prefeito da Congregação para os Bispos; departamento que  outrora emanou este decreto.

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10 Comentários to “A preocupação do episcopado Francês.”

  1. Essa notícia me faz rejubilar.
    Leiam bem a notícia! Em 91 dioceses entraram apenas 120 seminaristas.
    Destes, 40 seminaristas (+ ou – 33%) tem formação tradicional, ou seja, na pior das hipóteses é semi-modernista.
    Se a FSSPX continuar com a mesma prudência, devagar e sempre, nesse passo, o futuro é promissor.
    Qual o segredo para o êxito? Continuar como está. Firme nos princípios e na oração. Isso não pode constituir alvoroço para regularização canônica, ao contrário… Ao constatarmos que a igreja na França é agonizante, ou melhor, o modernismo está em agonia, deixemos que ele morra. Façamos o contrário dessa vez, e deixemos que o episcopado francês morra de velho… Com a quantidade de vocações que eles têm, será difícil encontrar modernistas até mesmo para indicar como sucessores… Quero ver o que será da Europa daqui a dez anos… Deixemos que Roma se volte para a Tradição, que retire excomunhões, que multiplique as Missas Tridentinas, e que tome a iniciativa de discutir o Concílio. Apesar dos horrores, em 4 anos Bento XVI progrediu mais do que João Paulo II em mais de 25. Bem, como resposta, deve-se rezar por ele e não pagar com entusiasmo ou com acordos a todo custo, mas demonstrar que tem o nosso apoio em tudo o que seja pró-vida, e pró-católico.

  2. O que eu queria mesmo é que o episcopado francês se convertesse, ou colaborasse, ou cismasse de uma vez. Seria tão fácil de resolver… Em 20 anos não haveriam nem bispos…

  3. E mais: rumores (sempre rumores) dizem que a Comissão Ecclesia Dei Afflicta deixaria de existir, ou ao menos seria englobada para a Congregação do Culto Divino.
    Isso é uma boa notícia. A FSSPX tem a Ecclesia Dei como uma ofensa.

  4. Prezado Ferretti,
    o que você acha, qual é a sua opinião: será simples levantamento das excomunhões aos quatro bispos ou declaração de nulidade que implica também Dom Lefebvre?

    Pelo que tem lido, o que pensa que será?

  5. PORQUE O BISPO DE MINHA DIOCESE PÕE TANTAS DIFICULDADES NA MISSA TRIDENTINA? CHEGUEI A CONVERSAR COM UM PADRE QUE DEU A ENTENDER QUE CELEBRARIA, MAS SÓ DEPOIS DE UMA AUTORIZAÇAO DO BISPO, COISA QUE NÃO CONSEGUIREMOS NUNCA. O QUE FAZER?

  6. Prezada Magdália, minha humilde OPINIÃO/PALPITE é que sairá um documento curto da Congregação dos Bispos (aprovado de ‘forma específica’ por Bento XVI), com alguma possibilidade de uma declaração anexa do Conselho para Interpretação dos Textos Legislativos.

    Um documento diplomático, que procurará não contradizer abertamente os atos do período 1988-2009; Do mesmo modo, imagino que saia, se não o desejado, algo próximo das requisições da FSSPX. Tal como Summorum Pontificum, que reconheceu a não-abrrogação da Missa e implicitamente condenou o abuso de poder que eram as restrições impostas pelos documentos de 84 e 88.

    Por fim, meu palpite é que o documento reconheça a nulidade das excomunhões com base no Cânon 1323 CIC/1983:
    – Não é passível de nenhuma pena, ao violar lei ou o preceito:
    4º: quem agiu forçado por medo grave, embora relativo, ou por necessidade, ou por grave incômodo, a não ser que se trate de ato intrinsecamente mau ou que redunde em dano das almas
    7° – quem sem culpa, julgou haver alguma das circunstâncias mencionadas nos ns. 4 ou 5.

    Você vê que por opinar sobre o tamanho, tipo de documento, órgãos que emanarão, motivos apresentados, etc, minhas possibilidades de erro são muito grandes :)

  7. Ao amigo ELCOLA aí de cima… Escrever um abaixo-assinado com, pelo menos, 30 assinaturas direcionadas à D. Dario Castrillon Hoyos, que preside a Comissão Ecclesia Dei, do Vaticano, solicitando a Missa Tridentina em sua cidade já é um bom começo. Mande o texto em espanhol, português e italiano (tem bons programas que fazem tradução automática na net). A resposta demorará, mas é certo que virá… Nós fizemos isto aqui em Salvador e, pelo que soube, já deixamos o cardeal inquieto…
    O endereço é o seguinte:
    Sua Em. Rev.ma Cardinale Dario CAstrillon Hoyos
    Piazza della Cittá Leonina, 00193,
    Roma – Itália

  8. A retirada ou nulidade das excomunhões é um tapa com luva de pelica na face descaradamente modernista de alguns ditos “católicos”.

    É um alento saber que boa parte das vocações na Europa são de seminaristas com verve tradicional… E a tendência é isto aumentar… É fato, o clero conciliar diminui aritmeticamente e o tradicionalista crescerá geometricamente!

    Talvez a Missa de Bugnini esteja fadada a desaparecer (o que é ótimo), pois em breve quase não haverá alguém para celebrá-la, enquanto a Liturgia Gregoriana ganhará cada vez mais espaço. Pelo que eu soube, o Motu Proprio em 2007 gerou uma verdadeira explosão de Missas Tridentinas por todo o globo.

    É tudo questão de tempo… E não vai demorar!

  9. AGRADEÇO AO AMIGO DIONISIO LISBÔA, SEGUIREI SUA ORIENTAÇAO.