La Croix: Como o Papa abre as portas aos integristas. “O Vaticano II não é dogma de Fé”.

Excertos de artigo da correspondente em Roma do jornal oficioso da Conferência Episcopal Francesa, La Croix, Isabelle de Gaulmyn. Sem corroborar algumas teses da autora, o importante é notar o que ela sabe sobre Roma:

[…]

Quais as conseqüências para a Fraternidade São Pio X?

Missa em Saint Nicholas du ChardonnetNenhuma no momento. Os quatro bispos estão doravante em plena comunhão com a Igreja Católica. Isto é, aceitam o ministério do Papa e dos bispos. O decreto cita assim essa garantia dada por Mons. Bernard Fellay ao Papa: “Cremos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas”. Podem agora, por conseguinte, administrar os sacramentos de maneira absolutamente lícita, e têm, de certo modo, o status de bispos eméritos (aposentados), aguardando que se lhes atribua uma sé titular.

E a própria Fraternidade? A pergunta permanece. A ordenação desses 500 padres da Fraternidade é considerada válida pela Igreja Católica (não será necessário refazer uma outra), mas ilícita. Juridicamente, continuam “suspensos”. Ao irem à Fraternidade São Pio X, cometeram um ato cismático, e os sacramentos que podem administrar (batismo, comunhão…) são ilícitos.

Tudo vai depender de sua atitude daqui em diante: a saber, se aceitam explicitamente a decisão dos bispos da Fraternidade, se a recusam e permanecem numa postura cismática. Mas então, não terão mais hierarquia episcopal em direção da qual se voltar. É por isso que, aos olhos de Roma, era muito importante que os quatro bispos da Fraternidade fossem reintegrados juntos. Se tivesse restado um, os padres “mais duros” teriam podido ir em direção dele, este último continuando a ordenar novos padres, criando, portanto, um novo cisma…

Que vai se passar agora?

Tudo depende dos padres. Para estar de novo em plena comunhão, devem declarar que seguem os quatro bispos. Mas será necessário em seguida lhes encontrar uma estrutura. Se pensa em Roma numa prelazia, como a do Opus Dei. Sem dúvida, com a Fraternidade São Pio X, essa prelazia não territorial teria uma base ritual, se celebraria exclusivamente segundo a forma dita extraordinária do rito romano. Nesta semana, o Cardeal Dario Castrillón Hoyos, presidente da Comissão Ecclesia Dei, que se ocupa dessa reintegração, deve se explicar publicamente na imprensa.

Essa reintegração passa por um reconhecimento dos ensinamentos do Vaticano II?

Isso é todo o problema. O decreto publicado sábado não fala do Vaticano II, mas evoca de maneira indireta o “problema colocado na origem”. Não mais que, segundo nossas informações, a carta enviada pelo cardeal Tarcisio Bertone aos responsáveis da Cúria, na qual esclarece esse gesto. Uma ausência que inquieta mais de um em Roma. “Há correntes que rejeitam o Concílio, se baseando sobre o famoso terceiro segredo de Fátima, falando de uma apostasia silenciosa da Igreja. Sua capacidade de transtornos não deve ser subestimada”, nota um membro da Cúria.

Desse ponto de vista, a menção de Mons. Fellay na sua carta aos fiéis de “apostasia silenciosa” é clara. A rejeição dos ensinos do Concílio é a verdadeira causa da ruptura dos integristas. Para a constituição do Instituto do Bom Pastor por antigos membros da Fraternidade, em 2006, seus membros se engajaram explicitamente “a propósito de certos pontos ensinamentos do Concílio Vaticano II ou concernentes às reformas posteriores da liturgia e do direito, e que nos parecem dificilmente conciliáveis com a Tradição (…) em ter uma atitude positiva de estudo e de comunicação com a Sé Apostólica, evitando toda controvérsia”.

Nada disso, conforme as nossas fontes, dessa vez: “Vaticano II não é um dogma de fé”, dizem eles. A partir do momento em que os bispos e padres da Fraternidade reconhecem o ensinamento da Igreja e o magistério do papa, tal valeria reconhecimento implícito.

[…]

Trata-se de uma decisão de Bento XVI?

Sem dúvida alguma, trata-se de uma decisão pessoal, insistiu o Padre Lombardi, porta-voz da Santa Sé, diante dos jornalistas. Em 1988, o Cardeal Ratzinger, que efetuava as negociações, foi profundamente ferido por essa ruptura. Nascido num país dividido em duas confissões, preocupado com a unidade da Igreja, sabe que um cisma raramente se reabsorve. E é sensível, como uma parte da Cúria, ao fato dessa Fraternidade contar com muitas vocações, enquanto faltam padres brutalmente.

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3 Comentários to “La Croix: Como o Papa abre as portas aos integristas. “O Vaticano II não é dogma de Fé”.”

  1. Interessantíssimas colocações…
    Ainda que sem tomar partido diretamente do tema, há ao menos, muito o que pensar a respeito.

  2. Hummm..e eles reconhecem isso..o Papa reconhece que no Vaticano II não há dogmas, João XXIII e Paulo VI já tinham reconhecido, como negar?

    Rezemos pelo o Santo Padre, e pela a FSSPX permanecer na continua rejeição aos erros do Vaticano II.

  3. O Vaticano II não é dogma de fé…
    É o começo do fim, agora não há mais dúvidas…
    Sabe-se quando chegaremos a bom termo, mas depois do ápice, agora chegou finalmente o ocaso do Vaticano II, as autoridades já confessam isso.
    Basta ver nos diversos blogues americanos, franceses, de língua espanhola… A Missa Tridentina está voltando, a Missa Nova versum Dei idem, estamos diante de uma redescoberta, de uma valorização dos costumes tradicionais, e melhor do que isso, de uma ofensiva católica e legítima.