Nota sobre a polêmica acerca dos comentários de Mons. Williamson.

Caríssimos leitores do blog Fratres in Unum,

Chegam-nos diariamente inúmeros comentários acerca da polêmica insuflada pela imprensa em torno das declarações feitas por Mons. Richard Williamson. Já tratamos pormenorizadamente do abuso das palavras de Dom Williamson utilizadas numa campanha orquestrada que objetivava demover o Santo Padre de publicar o decreto que levanta as excomunhões dos bispos sagrados por Mons. Lefebvre. Todavia, com a grande quantidade de comentários de leitores que buscam fazer apologia de tais idéias, se faz necessário esclarecer que este blog as repudia decididamente, enquanto pedimos de maneira encarecida a nossos leitores que concentrem seus sempre bem-vindos comentários em pontos que realmente concernem a vida católica.

Abaixo, publicamos trecho do artigo Triumph and Tribulation – Pope Under Fire for Lifting Excommunication of SSPX Bishops de Christopher A. Ferrara, publicado em The Remnant:

(…) De qualquer modo, existe uma montanha de provas de que os judeus foram asfixiados por gás em Auschwitz, Treblinka e outros locais. Por exemplo, qualquer um que conduziu uma pesquisa ainda que superficial sobre o assunto, encontrará o testemunho do julgamento de Nuremberg e as memórias do próprio Comandante de Auschwitz, o carniceiro Rudolf Franz Ferdinand Hoess (não confundir com Rudolf Walter Richard Hess, substituto de Hitler), que projetou e supervisionou a operação das câmaras de gás no infame local. Conforme admitido por ele no testemunho da declaração juramentada durante seu julgamento em Nuremberg:

Outra melhoria que fizemos em Treblinka foi que construímos nossas câmaras de gás para acomodar 2.000 pessoas de uma vez, ao passo que em Treblinka as 10 câmaras de gás só acomodavam 200 pessoas cada. A maneira que selecionamos as nossas vítimas era a seguinte: tínhamos dois médicos da SS de serviço em Auschwitz para examinar os transportes de prisioneiros que chegavam. Os prisioneiros tinham que marchar passando por um dos médicos que tomaria decisões rápidas à medida que caminhavam. Aqueles que estavam aptos para trabalhar eram enviados para o Campo. Outros eram enviados imediatamente para os locais de extermínio. Crianças de tenra idade eram invariavelmente exterminadas, uma vez que em razão de sua juventude eram incapazes de trabalhar.

Ainda uma outra melhoria que fizemos em Treblinka foi que em Treblinka as vítimas quase sempre sabiam que deveriam ser exterminadas e em Auschwitz nos esforçamos para induzir as vítimas a pensar que elas iriam passar por um processo de desinfecção. Naturalmente, elas percebiam com freqüência as nossas intenções verdadeiras e às vezes criavam tumultos e dificuldades devido a esse fato. Muito frequentemente as mulheres escondiam seus filhos sob as roupas, mas é claro que quando descobríamos, lavávamos as crianças para serem exterminadas. Éramos obrigados a realizar esses extermínios em sigilo, porém, é claro que o cheiro forte e nauseante da incineração contínua que emanava dos corpos impregnava toda a área, e todas as pessoas que moravam nas comunidades vizinhas sabiam que os extermínios estavam acontecendo em Auschwitz. [Rudolf Franz Ferdinand Hoess, Affidavit, 5 de abril de 1946; Julgamento dos Principais Crimes de Guerra Perante o Tribunal Internacional, Nuremberg, 14 de novembro de 1945­1;  outubro de 1946 (Nuremberg: Secretariado do Tribunal Militar Internacional, 1949), Doc. 3868­PS, vol. 33, 275­79, citado em “Rudolf Hoess, Comandante de Auschwitz:
Testimunho em Nuremburg, 1946, in Modern History Sourcebook,” http://www.fordham.edu/halsall/mod/1946Hoess.html, acessado em  23 de janeiro de 2009.]

Mais tarde Hoess lembrou que tinha asfixiado a gás judeus utilizando filtros de lã embebidos em ácido sulfúrico e jogados nas câmaras de gás, ou enchendo as câmaras com monóxido de carbono; porém, ele era capaz de aumentar a “eficiência” imediatamente utilizando gás cianeto Zyklon B. Ele alegou que em seu pico de eficiência as câmaras de morte em Auschwitz podiam comportar 10.000 homens, mulheres e crianças judias, em apenas 24 horas.

Antes que ele fosse julgado na Polônia e executado em 1947 fora de um crematório que ele tinha construído em Auschwitz, Hoess foi chamado como testemunha de defesa nos Julgamentos de Nuremberg por Ernst Kaltenbrunner, chefe da SS Austríaca. No curso de seu testemunho ele afirmou os seguintes conteúdos de sua declaração juramentada, em que estimou (com base nas cifras fornecidas ao mesmo por Adolf Eichmann) que sua operação de assassinato em massa havia exterminado cerca de 2,5 milhões de judeus somente em Auschwitz, mais meio milhão por doenças e fome no campo:

Tenho sido constantemente associado à administração de campos de concentração desde 1934, atuando em Dachau até 1938; então, como Ajudante em Sachsenhausen de 1938 até 1 de maio de 1940, quando fui nomeado Comandante de Auschwitz. Comandei Auschwitz até 1 de dezembro de 1943, e estimo que, pelo menos, 2.500.000 vítimas foram executadas e exterminadas lá vítimas de gás e incineração, e, pelo menos, meio milhão sucumbiu de fome e doença, perfazendo um número total de óbitos de aproximadamente 3.000.000. Esta cifra representa cerca de 70 ou 80 por cento de todas as pessoas enviadas a Auschwitz como prisioneiros, o restante foi selecionado e usado para trabalho escravo nas indústrias dos campos de concentração…[Testemunho na Sessão Matinal, abril 15, 1946; excerto do testemunho arquivado na Universidade de Missouri-Kansas City, sítio da Faculdade de Direito: http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/nuremberg/hoesstest.html, acessado em 24 de janeiro de 2009.]

Em suas memórias, escritas durante o tempo em que ficou encarcerado em Cravóvia, Hoess reduziu sua estimativa do número de judeus que ele tinha decretado à morte por gás e queimado em Auschwitz em cerca de 1,1 milhão, citando uma falta de registros precisos. Na verdade, uma pesquisa demográfica recente fixa a cifra em cerca de 1,1 milhão, com base no total de 1,3 milhão de deportados judeus para Auschwitz menos os 200.000 sobreviventes documentados. [ Piper, “Estimating the Number of Victims”, pp. 53, 54, 58, 59. Texto de USSR-008 em alemão aparece no Tribunal Militar Internacional, Trials of Major War Criminals (Washington D.C., 1947), Vol. 39, pp. 241-261.]