Sucessivos rumores apontam para a mesma direção.

Caros amigos do blog Fratres in Unum,

Como as notícias são muitas (e boa parte delas indicadas pela presteza dos caríssimos), pedimos vênia para não traduzí-las, mas analisá-las conjuntamente.

Nos últimos dias, diversas notícias apontam a uma rápida resolução do affair FSSPX x Vaticano. Desde a suposta pressa do Santo Padre até a ‘data-chave‘ 2 de Fevereiro no Vaticano, segundo Brian Mershon e os amigos importantes de Monsenhor Ignácio Barreiro. Também o Cardeal Re teria expressado seu descontentamento com os atos de Castrillon-Pasticcion, dizendo que seria melhor aguardar cerca de um mês para que se fizesse conjuntamente o anúncio do levantamento das excomunhões e da regularização canônica da FSSPX.

Às direitas da direita, sites sedevacantistas afirmam que Dom Fellay teria já se rendido à “Nova Igreja”. Ainda mais, afirmam que tal haveria se dado já há algum tempo, e que Dom Fellay agora apenas maquinaria junto às autoridades romanas uma maneira de abocanhar toda a FSSPX, evitando separações. Demonstrando um desespero infantil, expõem mensagens supostamente recebidas de fiéis e padres da FSSPX que exprimem suas angústias com a “queda da Fraternidade”. Embora alguns sedevancantistas acusem Dom Williamson de acobertar padres pederastas na FSSPX e de ser rosa-cruz, outros consideram-no o cabeça da oposição que surgiria contra o acordo entre Roma e FSSPX. Falam de reuniões de membros descontentes da Fraternidade em Paris, e embora possam ser verdadeiras, é indubitavelmente mais provável que outras reuniões ocorram, de fato, para as bandas do Sul de Minas Gerais, onde ativistas batedores de panela no orkut, sedevacantistas-de-passeata, costumam se encontrar. Certamente estão preocupados com o problema de consciência que terão de enfrentar ao ver a já deficiente Missa-Bugniniana-de-1962, que às duras penas suportam — e que sempre foi rezada pelos Padres da FSSPX una cum famulo tuo Papa nostro Benedicto — ser rezada por Padres canonicamente regulares perante a Roma-Sede-do-Anticristo, restando-lhes bradar contra a traição a Dom Lefebvre (que por sinal, nunca foi sedevacantista e nunca lhes daria mandato para designar quem são os traidores de sua venerável memória) e retirar-se dos priorados onde alguns se refugiam contra a possibilidade de ficar a vida inteira sem sacramentos.

O ridículo é tamanho que outra entre as inúmeras correntes da Babel Sedevacantista afirma que há um complô entre Roma e Dom Williamson: Roma espalharia os rumores sobre a iminente morte de câncer de Dom Williamson para lançá-lo à piedade dos católicos e da mídia, enquanto Dom Williamson escreveria uma carta fingidamente arrependida sem renunciar a nenhuma de suas teses; assim, se abafaria o caso e tudo ficaria por isso mesmo. Concluem pedindo a Dom Fellay expulsar publicamente Dom Williamson da FSSPX! De fato, Dom Fellay ameaça restringir as atividades de Dom Williamsom. O distrito da Alemanha já teria, segundo a imprensa, rejeitado a presença de Dom Williamson e cancelado as próximas ordenações a ser por ele conferidas. Também pudera! Há boatos de que a polícia teria “visitado” o seminário da Alemanha e que padres foram intimados a depôr numa investigação contra a Sociedade, o que explicaria, se confirmado, tanto o desejo de manter Dom Williamson bem longe como a última declaração do Padre Schmidberger (com a qual Dom Fellay disse concordar plenamente). Indo mais adiante, sedevacantistas apontam que até a próxima regularização canônica Fellay teria já se comprometido a evitar ordenar novos diáconos e padres…

Hoje, Golias repete exatamente a mesma história publicada em La Stampa, embora com uma imprecisão: a data estaria próxima, 3 de fevereiro, festa da Purificação de Maria, podendo ser adiada por conta da violenta reação contra as declarações de Dom Williamson. Golias esqueceu-se que a Festa da Purificação de Maria é hoje, dia 2. Parece-nos, portanto, uma imprecisão de Christian Terras, de Golias, ao retransmitir a informação de La Stampa e Brian Mershon.

Quanto à possível concessão da prelazia pessoal, parece-nos particularmente improvável a aceitação por parte da FSSPX se esta, tal como prevê o Código de Direito Canônico, necessitar da anuência do ordinário local para seu funcionamento cotidiano (como ocorre com o Opus Dei). Nada impede que o Papa inaugure uma nova espécie que preveja certa isenção ante os Bispos Diocesanos, algo parecido com (se não uma) Administração Apostólica; o fato é que, nas circustâncias atuais, seja através de uma Administração Apostólica Pessoal Universal, seja através de uma Prelazia, é ingenuidade imaginar que a FSSPX poderia atuar sem se moldar à mínima exigência episcopal que seja, o que torna as coisas ainda mais difíceis. A não ser que o Santo Padre propusesse algo até então nunca visto, e fizesse as atuais circustâncias submeterem-se à força da lei… Para tanto, é importante notar que o Santo Padre recebeu em audiência no último sábado três prelados intimamente ligados à questão: os Cardeais Joseph William Levada (Congregação para a Doutrina da Fé) e Giovanni Battista Re (para os Bispos) e o prelado do Opus Dei, Javier Echevarría Rodríguez…

Um acordo imediato aparentemente se chocaria com o sempre prudente Dom Fellay e seu plano de etapas proposto ao apressado Papa. Um acordo rápido e malsucedido certamente causaria enormes danos e divisões, e Dom Fellay seria considerado o maior culpado por aqueles que não o acompanhassem na nova empreitada. Certa vez, um Padre nos confidenciou que saíra da FSSPX por estar convencido de que Dom Fellay não desejava nenhum acordo com Roma. Outrora, Dom Fellay afirmava peremptoriamente ser contra qualquer espécie de acordo prático. Uma mudança repentina de quem se mostrava extremamente cauteloso em direção a um acordo abrupto nos mostra duas possibilidades: ou Dom Fellay teria, de fato, desistido do combate, tal como dizem os sedevacantistas; ou ele estaria plenamente convencido da boa vontade de Roma e do desejo do Papa de pôr fim aos escândalos do Vaticano II. Enfim, ou Dom Fellay teria se vendido ou teria recebido as mais altas garantias de que Roma está do lado da Fraternidade (ou ao menos permite “fazer a experiência da Tradição”). Ou, de fato, como disse Dom Tissier, ainda “levará tempo” para tudo se resolver.

Por fim, não deixa de ser interessante a notícia de que Dom Fellay teria comunicado em 1. de fevereiro a correção da imprecisão contida em sua Carta aos Fiéis, onde inicialmente ele afirmara que a FSSPX aceitava todos os Concílios até o Vaticano II, a respeito do qual ela teria suas reservas. A versão corrigida diz que ela aceita todos os Concílios até o Vaticano I, não podendo deixar de emitir reservas quanto ao Concílio que quis, nos dizeres de João XXIII e Paulo VI, ser diferente dos outros. Nosso caro leitor Paulo Ghetti havia já notado essa mudança.

No mesmo artigo, Golias não deixa de ressaltar o sermão pregado na missa do último domingo, às 9 da manhã (teriam assistido Missa Tridentina apenas para reportar o sermão?), em Saint Nicholas du Chardonnet, que ratifica: “Até o Vaticano I… e a reabilitação de Mons. Lefebvre em seguida”.

A Fraternidade tem, nos dizeres de Dom Fellay, convicção de não estar traindo seu fundador. Enquanto uns deixam seus fundadores a Deus dará, outros lutam para reabilitá-los. A alguns resta o silêncio e o mea culpa de ter sim, apesar das boas intenções, merecido a censura que os pôs fora da comunhão com o Sucessor de Pedro (quando o próprio Código de Direito Canônico afirma que a boa intenção atenua a pena de excomunhão). Se envergonham de quem deveriam orgulhar-se: esquecem-se que até neoconservadores da sua própria laia defendem certo fundador de instituto punido pelo próprio Magistério Vivo, Bento XVI, sob acusação de pederastia…

Amigos, rezemos pelo Papa Bento XVI. Rezemos por todos os bispos da Fraternidade.

PS.: Nosso blog não publica links e comentários com  teor sedevacantista. Favor não insistir. Salvo notícias importantes, não teremos atualizações amanhã.

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3 Comentários to “Sucessivos rumores apontam para a mesma direção.”

  1. Parabéns por não publicar links e comentários de teor dedevacantista.Afinal,não devemos dar espaço ao demônio.

  2. Obrigado Sr. Ferretti,
    Excelente artigo, bem contactenado e uma “retrô” para quem está, por ventura, chegando agora…
    Parabéns!