Meisner: ‘O Cisma da Fraternidade ainda persiste’.

Publicamos as recentes declarações do Cardeal Joachim Meisner, Arcebispo de Colônia, em que defende o Papa das críticas da mídia, ao mesmo tempo em que defende o Concílio com unhas e dentes e ataca a Fraternidade. Kath.net é liberal, ainda que disfarçada de conservadora; parecem querer botar lenha na fogueira e emprestam a voz para os prelados liberais fazerem a festa, sem fazer qualquer observação. As declarações de Dom Williamson caíram tão mal na mídia e entre o clero de língua alemã que só mesmo um milagre para esperarmos um próximo passo no sentido da plena regularização da FSSPX para breve.

Vale lembrar também que essa sofreguidão por defender os “resultados” do Concílio por parte dos bispos de lingua alemã encontra eco na formação da famosa Aliança Européia durante o desdobramento do Concílio. Isso junto com o terror que os alemães sentem pelo tema do Holocausto (terror esse plenamente conhecido pelo próprio Dom Williamson na lastimável entrevista) resultou no cataclisma que estamos assistindo. No Brasil não se tem idéia do que esse tema do Holocausto representa para os Alemães. Basta alguém frequentar a biblioteca do Goethe Institute para saber. As prateleiras estão sempre abarrotadas de livros e DVDs sobre tudo relacionado à guerra e ao nazismo. Os livros didáticos sempre fazem referência à guerra e ao pós guerra. Até o material didático preparatório para os grandes exames de KDS e GDS versam sobre esses temas.

 

 

 

O Cardeal Meisner, de Colônia, defende o Papa Bento contra ataques da mídia: o levantamento das excomunhões é por assim dizer um adiantamento de misericórdia para os quatro excomungados, a fim de que estes retornem novamente à plena comunhão com a Igreja

Cardeal Joachim MeisnerColônia (kath.net) O Cardeal Joachim Meisner, de Colônia, defendeu o Papa Bento em uma entrevista para o “Kölner Stadtanzeiger” contra os ataques dirigidos pela mídia relativamente ao levantamento das excomunhões dos quatro bispos da Fraternidade. Meisner disse que “a confusão resultante desse evento tomou grandes proporções, necessitando assim de uma palavra clara e tranquilizadora, para que os fatos verdadeiros se tornem visíveis. Dessa forma, eu, como Cardeal, também não posso assistir calado quando uma tal confusão se propaga. A princípio, uma excomunhão, bem como o seu levantamento, constitui um ato jurídico puramente eclesial sem qualquer intenção política. Ele diz respeito apenas a aspectos teológicos. Neste caso, deu-se uma confusão através das declarações inacreditavelmente estúpidas e totalmente inquestionáveis do bispo Williamson, que compreensivelmente irritou e indignou a muitos. Exatamente por essa razão é preciso prestar muita atenção: o levantamento das excomunhões possibilita aos quatro bispos somente uma participação na vida de Fé da Igreja tal como leigos católicos, porém, não como bispos. Assim, eles têm novamente a possibilidade de receber os sacramentos. Esse desejo tocou o coração do Papa. A suspensão continua existindo, que só afeta aos clérigos, proibindo aos mesmos qualquer eficácia como bispos da Igreja. Eles não têm permissão nem para presidir a Missa nem para administrar os sacramentos. Infelizmente, o furor causado pela entrevista com Williamson se justapôs aos anseios reais do Papa de servir à unidade da Igreja.”

Meisner declara então que a “missão mais importante do Papa” seria preocupar-se com a “unidade da Igreja”, ou seja, produzi-la novamente, onde ela foi destroçada. “Essa missão foi confiada a Pedro e, portanto, ao Papa pelo próprio Senhor, quando ele disse a Pedro: “Apascenta o meu rebanho” (Jo 21,15). Agora o Papa fez isso, e o Presidente da nossa Conferência de Bispos Alemães não fez outra coisa que também enfatizar isso em seu esclarecimento datado de 24 de janeiro. O levantamento de uma excomunhão não depende do pecado da pessoa afetada ou de suas declarações. O Papa corresponde à missão do Senhor como o Pastor da ovelha perdida. O Pastor – pastor latino – pensa em primeiro lugar em termos pastorais. Para falar isso mais uma vez: o levantamento da excomunhão é por assim dizer um adiantamento de misericórdia para os quatro excomungados, a fim de que estes retornem novamente à plena comunhão com a Igreja.”, salientou Meisner.

 

Quanto à pergunta se com esse gesto Bento não estaria voltando atrás no Vaticano Segundo, Meisner esclareceu: “Essa acusação não tem base alguma. O Papa é como o pai misericordioso da Bíblia, que foi ao encontro do filho perdido, na medida em que ele levantou a excomunhão, mas não a suspensão.” Em primeiro lugar, cabe à Fraternidade comprovar sua unidade com a Igreja, conforme seu desejo manifestado. O reconhecimento de seu Magistério diz respeito à unidade da Igreja Católica. Segundo Meisner, isso inclui a aceitação de todos os Concílios, inclusive o Vaticano Segundo.

 

Meisner espera também que a Fraternidade retire todas as críticas relativas ao Papa, no sentido de que ele não seria ortodoxo. “Quem nega afirmações magisteriais, no todo ou em parte, não pode permanecer na plena comunhão com a Igreja. Consequentemente, a Fraternidade permanece um grupo cismático e seus bispos continuam suspensos, até que eles reconheçam plenamente o Concílio Vaticano Segundo, incluindo o seu Decreto sobre a Liberdade Religiosa e o relacionamento perante os judeus, bem como a Forma atual válida da liturgia da Igreja Católica.”

 

Seria insustentável querer agora reprovar o Papa em seu serviço de unidade com “motivos teologicamente desonestos” ou dizer que ele desejasse relativizar os “resultados e intenções do Vaticano II”. “Tais críticos têm a sua contraparte na figura do irmão do filho perdido que ficou para trás na parábola do Pai misericordioso: ele ficou com raiva da atitude do pai, porque este prodigalizou muita misericórdia ao irmão. Com Bento XVI não será dado nenhum passo para trás no que tange o Concílio”, salientou Meisner.

 

O cardeal de Colônia também deixa claro que não devemos nos misturar “com pessoas como o bispo Williamson”. Quanto à pergunta se os católicos podem participar da Missa celebrada pelos padres da Fraternidade, Meisner enfatizou: “Não, isso não é possível, porque o cisma – a separação da Igreja – ainda persiste. As excomunhões que foram levantadas dizem respeito exclusivamente aos quatro bispos. Para terminar com o cisma, agora é preciso seguir-se a concretização da plena comunhão com a Igreja por parte de toda a Fraternidade Pio X.”

 

12 Comentários to “Meisner: ‘O Cisma da Fraternidade ainda persiste’.”

  1. Essa de que estão usando as declarações de Williamson para retardar a plena regularização da FSSPX é desculpa…

    Que as declarações foram absurdas, feita na hora errada e para as pessoas erradas é fato. Mas usar isso contra a regularização da Fraternidade é tão absurdo quanto… Coisa de modernistas mais ou menos disfarçados que não trabalham pelo bem da Igreja.

    []’s
    Luiz Henrique
    http://www.fides.blogspot.com

  2. Ah..claro. A fraternidade não pode administrar sacramentos, mas ela não podia desde da suspensão a divinis aplicada pelo o Papa Paulo VI.

    E como se a FSSPX fosse pensar duas vezes.. “o que fazer carissímos? deixaremos de administrar sacramentos e rezar missas católicas pelo o bem das almas ou…?”

    Ela deve aceitar o Concílio, e posteriormente suas reformas, não…se for assim, penso que o melhor pra FSSPX é ficar no seu quadrado.

  3. Meu Irmão Luiz,
    Prefiro pensar de outro modo a questão.
    Era uma vez uma Fraternidade com 4 Bispos, que tinha um Superior Geral, que estava negociando com Roma, que escreveu uma carta ao Santo Padre, que acolheu o pedido e suspendeu as excomunhões.

    Então aparece um dos Bispos, e mais ainda um jornal sensacionalista, que faz declarações anti-semitas, (em Novembro ) e “esqueceu” de avisar dessa GRAVIDADE a seu Superior Hierarquico e Maior.
    O Jornal publica, vem o cataclisma da imprensa…
    Depois outro Bispo chamado Tissier faz outra Declaração na imprensa, dizendo algo como : “nós não mudamos, vamos sim trazer Roma a nosso ponto de vista” – (a meu ver numa total falta de humildade e submissão ao Papa. (E mais uma vez, ESQUECEU de pedir licença a Seu Superior Maior (Dom Fellay).
    Ora, é evidente, que com toda essa desorganização na SSPX a coisa tem que ser refreada!
    Refiro-me – como aqui ja fiz neste ilustre lugar – que os discursos tem que se calar! Sobretudo se não há comunhão de idéias entre os 4 bispos.
    Acaso há um racha na SSPX?
    O senhor imaginaria o Porta Voz da Santa Sé dando discursos e entrevistas por aí, sem a licença do Papa, sem o aval do seu superior, e depois achar isso normal?
    Acho que os Bispos da SSPX foram precipitados, excessão feita a Dom Fellay que é o unico hábil a falar, pois para isso foi eleito como Superior Geral.
    Estaria havendo uma briga de poder dentro da SSPX?

    Portanto, não concordo com sua afirmativa:
    “Mas usar isso contra a regularização da Fraternidade é tão absurdo quanto… Coisa de modernistas mais ou menos disfarçados que não trabalham pelo bem da Igreja.”

    Portanto está aí, o pronunciamento da Sala de Imprensa cai como uma bomba, como um “puxão de orelha”
    quase colocando tudo a perder!
    Rezemos!!!

    Meus respeitos, amigo.

  4. O cardeal Meisner parece estar um pouco confuso e contradiz a Ecclesia Dei. Vejamos duas acusacoes falsas feitas por ele:

    Primeira acusacao:

    “Consequentemente, a Fraternidade permanece um grupo cismático e seus bispos continuam suspensos, até que eles reconheçam plenamente o Concílio Vaticano Segundo, incluindo o seu Decreto sobre a Liberdade Religiosa e o relacionamento perante os judeus, bem como a Forma atual válida da liturgia da Igreja Católica.”

    Ora, mas o proprio cardeal Hoyos Presidente da Comissao Pontifica Ecclesia Dei afirma que nao se pode dizer que existe um cisma. Alias, para ser cismatico e necessario negar o poder de jurisdicao do Papa e isso a FSSPX nunca fez. Palavras do Cardeal Hoyos no dia 13 de Novembro de 2005: “It cannot be said in correct, exact, and precise terms that there is a schism. There is a schismatic attitude in the fact of consecrating bishops without pontifical mandate. They are within the Church. There is only the fact that a full, more perfect communion is lacking — as was stated during the meeting with Bishop Fellay — a fuller communion, because communion does exist.” (Darío Cardinal Castrillón Hoyos. Fonte:http://www.cardinalrating.com/cardinal_17__article_2883.htm).

    Segunda acusacao:

    “Não, isso não é possível, porque o cisma – a separação da Igreja – ainda persiste. As excomunhões que foram levantadas dizem respeito exclusivamente aos quatro bispos. Para terminar com o cisma, agora é preciso seguir-se a concretização da plena comunhão com a Igreja por parte de toda a Fraternidade Pio X.”

    O Msgr. Perl, secretario da PCED quando questionado se um fiel pode assistir a Missa em uma capela da FSSPX ele disse: ”In the strict sense you may fulfill your Sunday obligation by attending a Mass celebrated by a priest of the Society of St. Pius X.”.

    Alguns legalistas de plantao vao tentar dizer que isso que o cardeal disse nao tem muito valor legal. Bem, felizmente o cardeal Hoyos teve isso a dizer sobre a autoridade das afirmacoes quanto a ir a Missa em uma capela da FSSPX: ““As we already stated to you in our letter of 4 July 2007: “This Pontifical Commission does its best to transmit responses which are in FULL ACCORD WITH THE MAGISTERIUM and the present canonical practices of the Catholic Church. One should accept them with docility and can act upon them WITH MORAL CERTAINTY.” We would further add that NO DICASTERY OF THE HOLY SEE WILL GIVE OTHER RESPONSES THAN THOSE WHICH WE HAVE GIVEN HERE.” (destaques meus fonte: http://www.unavoce.org/articles/2003/perl-011803.htm)

    O Cardeal Meisner deveria se informar melhor antes de fazer tais afirmacoes que contradizem a Comissao encarregada de tratar desses assuntos.

  5. Sr. Ferreti, concordo com o senhor.
    Dom Alfonso sempre foi de uma dignididade e de um senso de obediência ímpar. Muito bem lembrado.
    Obrigado pela oportunidade de compartilhar minhas pobres colocações. A honra é minha.

  6. Rapidamente:
    – o Vaticano e o mundo ficaram espantados com o revisionismo de dom Williansom por quê? não é nenhuma novidade que ele questiona há tempo o número de judeus mortos e o gaseamento, mas não a tentativa de genocídio dos judeus em si,
    – claro que divulgar a entrevista nesta hora foi armação de alguém muito bem informado dos bastidores do Vaticano e que queria criar constrangimentos ao Santo Padre.

  7. Irmão Emannuel,

    Seu ponto de vista é interessante e plausível.

    Concordo com quando diz que os discursos devem parar. O momento é delicado, palavras fora de hora podem por tudo a perder (como essas de Williamson, que estão prejudicando muito).

    De qualquer forma, me soa estranho que levantem como argumento contra a Fraternidade as declarações de Williamson. E o problema é a negação do Holocausto, não as declarações terem sido feitas à revelia de seu superior. Não parecem estar preocupados com a hierarquia e a obediência dentro da FSSPX.

    Bom, debaixo dessa ponte tem muita água passando… Vamos aguardar e rezar para que o Santo Padre administre toda essa situação da melhor forma possível, para o bem das almas e maior glória da Santa Igreja.

    []’s
    Luiz Henriqiue
    http://www.fides.blogspot.com

  8. Caro Luiz,
    Obrigado pelas palavras dirigidas a mim, mas imerecidas quanto ao elogio.
    O que me interroga é:

    – Existem pessoas dentro da SSPX que não querem o acordo! Ou seja, aqueles “do contra”, de igual modo, existem em Roma aqueles que também não o querem (Infelizmente!)
    Se não me engano, Fellay, chegou mesmo a dizer que se houvessem rupturas (dentro da Fraternidade ou com os afins) seriam mínimas.
    Sei por exemplo – por mera suposição minha – de que no Brasil existem “tradicionalistas” se opondo, e seu silêncio diz muito neste momento.
    Tá certo, apanharam D. Williams para “boi de piranha” como diz o ditado. (Mas ele foi infeliz nas suas declarações),mas se não fosse ele, seria outra a vítima ou outro o assunto.
    Trouxeram o assunto Holocausto, para prejudicar o Papa, pois o Santo Padre vai para Israel em breve.
    Poderiam por exemplo, ter evocado um DOGMA.
    Outro assunto qualquer, ou até a Transubstanciação.
    Ou seja, quando a “turma do contra” está de pé, qualquer assunto torna-se polêmico.

    Tenho para mim que por isso o Santo Padre resolveu agir sozinho o mais possivel, ou com poucos colaboradores, porque ele sabia que isso era polêmico e que muitas pessoas, mais atrapalhariam que ajudariam na questão.

    O Papa cumpriu muitissimo bem o seu Múnus de unir e santificar a Igreja.
    Rezemos pelo nosso Pontifice!

  9. O cardeal Meisner era tido como colaborador do papa na Alemanha, que ao menos até 2005 era dominada por um bispos e arcebispos totalmente modernistas.
    Tanto que, ao que consta, o único cardeal aliado de Bento XVI seria o próprio Meisner, assim como o Cardeal de Utrecht (Holanda – se bem que não sei se ele já foi aposentado)e o Cardeal de Viena, Schonborn.

    Então, se dentre os países germânicos, só se destacam esses três, sendo que Meisner e Schonborn já mostraram o seu pensamento através dessas declarações. Nossa, que tristeza.

    Na semana passada estávamos ainda comemorando. Agora as coisas parecem ainda mais dramáticas, basta ver o que escreveu o padre Ceriani. Somando isso ao endurecimento da Secretaria de Estado, humanamente falando, me parece que as coisas teriam tudo para entrar num impasse sem previsão de retorno ao ponto onde paramos (a revogação das excomunhões).
    Bem, espero estar errado. Não que eu deseje que as coisas congelem ou que se faça uma unidade jurídica plena de qualquer maneira, mas espero que as coisas ao menos não fiquem piores do que antes da retomada dessas conversações.

  10. Parece-me que, quanto mais se fala em aceitar (engolir) Vaticano II, p.ex. como esta nota de hoje, da Secretaria de Estado, mais se desorientam e se desestabilizam os católicos da FSSPX.
    Queira Deus que nosso Papa esteja firme em suas convicções, e que o que temos visto sejam apenas uivos modernistas desesperados

  11. Deixe ver se eu entendo. A Fraternidade segue a doutrina de sempre, obedece a Fé inteiramente e é classificada como cismática, seus bispos são excomungados e suspensos. O Vaticano embarcou no modernismo, desobedece a Lei, abandona a Fé, cultua ou deixa cultuar divindades pagãs, aceita as outras religiões, nega que Cristo seja Deus, etc, etc, e os religiosos que promovem essas heresias são prestigiados e promovidos.
    Será que não está na hora de chamar-mos as coisas pelos verdadeiros nomes, como elas são?