Os integristas querem rediscutir o Vaticano II.

Link para o original.Numa conferência organizada na quarta-feira, 11 de Fevereiro, em Paris, os responsáveis pela Fraternidade São Pio X detalharam o desafio de suas próximas “conversações” com Roma.

“Passamos de uma excomunhão canônica a uma excomunhão midiônica [ndt: cathodique, em referência à televisão e mídia em geral]”.  Esse gracejo do Padre Alain Lorans, responsável pela comunicação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), resume efetivamente o estado de espírito dos herdeiros de Mons. Lefebvre após três semanas de tempestade midiática. Quarta-feira, 11 de Fevereiro, mais de 500 entre outros afluiram à Mutualité, em Paris, para a conferência “Nouvelles de chrétienté” consagrada a essa atualidade incendiante.

Mons. Bernard Fellay, que não pôde fazer o deslocamento, lhes dirigiu uma mensagem de vídeo. Apresentando tranquila segurança, pesando cada palavra, o superior geral da FSSPX repassou ponto por ponto pelos acontecimentos das últimas semanas.

De imediato, ele se disse “surpreso pela rapidez do decreto”, os seis últimos meses que haviam sido “pelo contrário, frios com Roma”, desde o ultimato lançado em junho à Fraternidade. Em 15 de dezembro, Mons. Fellay anunciava ao Vaticano a sua intenção de reatar o diálogo e exigia o levantamento das excomunhões. “Essa carta era severa, eu não esperava uma resposta rápida”, explicou. Início de janeiro, ele reencontra o Cardeal Dario Castrillon Hoyos, presidente da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, que lhe informa da iminência do decreto…

“Nenhuma contrapartida”

Retornando em seguida sobre o espinhoso dossiê Williamson, Mons. Fellay criticou uma “instrumentalização midiática”, “um plano orquestrado” pela “coalisão progressista que utiliza essas palavras infelizes para pressionar o Papa”. No entender do Superior dos lefebvristas, se trata de uma “vingança para obrigar Roma a voltar atrás” e “desmantelar” a Fraternidade. “Mal se liberta de um rótulo e nos colam outro, muito mais grave”, lamentou.

Quanto às modalidades do diálogo, Mons. Fellay afirma não ter prometido “nenhuma contrapartida” ao Papa. Se reconhece que “Bento XVI deseja um retorno à plena comunhão”, ele se interroga sobre o sentido desses “termos elásticos e mal definidos”: “Quando se vê a maneira como os bispos trataram o Papa nesses dias, a gente se pergunta quem está em comunhão…” para ele, o essencial agora está em jogo nas “conversações” com Roma, que incidirão sobre aspectos “doutrinários, disciplinares e morais”.

A crise da Igreja, martela ele, não pode se resolver a não ser “por uma purificação do pensamento”. Noutros termos, uma reconsideração do Vaticano II, fonte de todos os “desvios”, crê o Padre Régis de Cacqueray-Valmenier.

Ecumenismo e colegialidade, “catástrofes”

Para o superior do distrito da França da FSSPX, liberdade religiosa, ecumenismo e colegialidade são as “catástrofes” mais manifestas. Sobre esta última noção, ele considera que Cristo “instituiu uma monarquia, com o Papa como monarca, e que os bispos dependem hierarquicamente dele”. Ora, o atual modo de governo o impede de “comandar” sua Igreja. “As conferências episcopais foram um meio para institucionalizar a desobediência”, fulmina.

Para esse padre, no entanto, “todas as portas” estão doravante abertas: “Justamente se viu a queda do muro de Berlim, as estátuas de Stalin derrubadas… Por que não pôr em questão o Vaticano II?” Porque – e esse ponto não deixará de causar debate – a FSSPX manteve sempre que “esse concílio pastoral não pode pretender a infalibilidade”. “Seria um erro fundamental fazer do Vaticano II um monólito intocável, como sugerem os bispos da França. Em Roma, todo mundo não é desse parecer”.

François-Xavier MAGRO