Hans Kung dá os parabéns. Bispos da Áustria não querem voltar a 1918, e dão suas… orientações. E o Papa ainda não decidiu.

Hans KungAcima de tudo, esse episódio mostrou que a oposição pode dar certo. A autoridade do Papa sofre mais uma perda, uma vez que ele manifestadamente não pode fazer valer um bispo já nomeado, e estou contente por isso – primeiramente, pelo próprio Sr. Wagner, o qual, acredito, agiu da maneira certa. Nesse sentido, podemos parabenizá-lo. Porém, parabenizo, sobretudo, as pessoas, os fiéis e o clero de Linz, que declaram uma oposição enérgica, que também a formularam bem e que planejara medidas, e dessa maneira impedindo a escolha.

O ex-teólogo e sacerdote suíço em alta, Pe. Hans Küng, em entrevista a Rádio Alemã

Fonte: Kreuz.net – Tradução: T.M. Freixinho

Houve problemas de comunicação também na recente nomeação de um bispo auxiliar para a Diocese de Linz. Os bispos estão cientes de que Pe. Wagner pediu ao Papa que retirasse a indicação. O tema das nomeações Episcopais é portanto importante porque desde meados da década de 80 na Áustria isso foi associado com um número de problemas. Para muitos, a controvérsia sobre as nomeações episcopais levam a um doloroso conflito, e elas provocaram divisões na igreja. É precisamente nessa área que sensibilidade é mais apropriada. Não há dúvidas de que o Papa é livre para nomear bispos. Os bispos não querem voltar na tempo onde — como em 1918 — o Imperador sozinho escolhia os bispos. Mesmo uma “escolha do povo” dos bispos dividiriam a igreja em partidos e conflitos seriam inevitáveis. Nós bispos estamos convencidos que o procedimento provido pelo direito canônico para a selação e exame dos candidatos provou seu valor, se o procedimento for realmente seguido. Então, antes do Santo Padre tomar sua decisão final, informações básicas confiáveis e verificadas a fundo devem ser fornecidas nas quais ele possa contar. Na Áustra nos próximos anos um número de bispos estão para ser nomeados. Os fiéis estão legitimamente preocupados de que o processo de procura de candidato, exame das propostas e decisões finais devam ser cuidadosamente empreendidos e com toda sensibilidade pastoral possível. Isso pode assegurar que os bispos nomeados não sejam “contra” mas “pela” igreja local. Nós bispos faremos todo esforço possível para apoiar a próximas nomeações episcopais no sentido de monitorar esses procedimentos em próxima cooperação com os órgãos Vaticanos competentes.

"O que eu fiz para merecer isso?"É um sinal altamente desejável de unidade na igreja se a nomeação de um bispo significar para os fiéis alegria e encorajamento. Apesar de reservas, é possível numa boa atmosfera humana e Cristã, receber um bispo recentemente nomeado com boa vontade. É também esperado que um bispo vá encontrar os fiéis com sensibilidade e então adquira sua confiança.

A situação na vasta diocese de Linz faz os bispos se preocupar — isso mesmo depois da resignação do Padre Gerhard Wagner. Há muito boas notícias dessa diocese, que é comumente muito pouco vista, mesmo se alguns problemas devam ser mencionados. A Áustria Superior tem uma igreja muito vibrante, com uma densa rede de paróquias ativas e centros pastorais, um apurado sentido da dimensão social da fé Cristã, fornece grande ajuda na solidariedade na igreja por todo o mundo com os pobres e marginalizados. Grandes mosteiros e comunidades religiosas dominam a região. Organizações católicas leigas são especialmente ativas. Nós também nos comovemos enquanto bispos pela diocese de Linz mais uma vez ter tido significantes tensões com a nomeação recente. Não é só sobre diferenças de opinião em termos de estruturas e métodos, mas em última análise a questão de identidade sacramental da Igreja Católica. Especialmente isso concerne a ordenação para padres e diáconos em relação ao sacerdócio geral de todos os batizados. O caminho pastoral pode apenas ser seguido se está de acordo com a igreja universal. Para todas as diferenças, este caminho da igreja perseverando em oração e em diálogo com a Igreja universal deve ser executado sobre as bases do Concílio Vaticano Segundo.

Excerto da Carta Pastoral dos Bispos Austríacos por conta do encontro excepcional para discussão da crise de 16 de fevereiro de 2009

Como o Papa Bento vai decidir?

Até agora o Vaticano ainda não recebeu nenhum pedido de revogação de Gerhard Wagner – O Papa ainda não decidiu sobre a resignação

O Vaticano até agora ainda não recebeu nenhum Pedido de Revogação do Pároco de Windischgarstner, Gerhard Wagner, que recentemente havia sido nomeado bispo auxiliar de Linz. O Papa não teria tomado absolutamente nenhuma decisão, dizem os círculos do Vaticano, segundo informações da agência de notícias italiana ANSA, na segunda-feira, como informado pela APA.

É possível que Bento XVI ainda não tenha aceito oficialmente a resignação de Gerhard Wagner. O boletim de imprensa do Vaticano não informa nada a respeito. No domingo à noite a diocese de Linz e a “kathpress” veicularam o anúncio de que resignação já teria sido aceita.

Fonte: Kreuz.net

11 Comentários to “Hans Kung dá os parabéns. Bispos da Áustria não querem voltar a 1918, e dão suas… orientações. E o Papa ainda não decidiu.”

  1. Caro Ferreti e demais amigos,

    como diz o autor do Rorate Caeli comentando essa mesma notícia acima da postagem, se o Papa voltar atrás com o Padre Wagner, nenhuma dessas conferencias modernistas episcopais aceitaram nada vindo de Roma. Porque somente sofismaram, conforme lemos o exemplo acima, para “justificar” sagrações de padres de características semelhantes do padre austríaco.

    Por isso, acho que o Papa colocou novamente sua estratégia de boatos para saber o tamanho da alcatéia para refletir e depois agir até de maneira drástica, conforme o senhor colocou a postagem de uma opinião de um comentarista de linha inglesa de outra postagem sobre o mesmo assunto.

    Por que drástica?

    Bom, é só uma opinião de um leigo. Mas, se não tiver enganado, o próprio papa dizia que um cisma (esse sim verdadeiro, e não como diziam em relação a F.S.S.P.X) era inevitável em relação o já mencionava quando era o até então Cardeal Ratzinger.

    Vamos rezar ao Papa.

    E não posso negar que estou preocupado e um pouco angustiado com isso, pois, se concretizar o que imagino, será outra bomba atômica que brevemente vai cair…

    Mas é necessária.

  2. Seguindo os santos efeitos da colegialidade do CVII, só mesmo o milagre de um herege em aplaudir tudo isso!! Isso é que é primavera, um novo pentecostes!

  3. Prezados(as),

    Também compartilho da angústia informada pelo colega nos parágrafos acima. O que um teólogo, “destemido” e que fala a bel prazer, ajuda os pobres e ignorantes católicos a imaginar que o papa é tão um presidente de um estado chamado Vaticano – Estado Democrático na idéia dele – e não o Sumo Pontífice, doce Cristo na Terra.
    Felicita os que charqueiam o Santo Padre com idéias de igreja democrática que expõe o que o monarca deve ou não fazer…e pior, se vão aceitar as suas decisões.
    O Papa, extremamente prudente e inteligente, observa para depois agir. Espero em Deus, e rezo a Ele para tal, que ele em toda a sua força e destra iluminada pelo espírito Santo de Deus, faça o que deve ser feito, como um médico quando extirpa um tumor.

    Comparar Mons. Fellay ao Jesuíta rebelde Sobrino, só podia ser coisa do Sr. Hans Kung.

    “No fim, o meu coração Imaculado triunfará” (Nssa. de Fátima)

    Ad Majorem Dei Gloriam,

    RVGarcia

  4. São os frutos do CVII.

    O CVII foi a maior prova que o Espírito Santo assiste à Igreja nos seus concílios. E neste, não dogmático, o Espírito disse… “tô fora!”

    Um concílio é Católico enquanto vive no corpo; com a participação de protestantes, torna-se herege. o Espírito não segue um concílio amputado.

    É assim que vejo as coisas!

  5. Hans Kung deve ser um daqueles “bons frutos” nascidos do CV II a que se referiu Bento XVI em um de seus discursos protocolares sobre o Concílio.
    Aliás,alguém aí já procurou saber a veracidade de um comentário de Jean Guitton no leito de morte de João XXIII?
    Consta que JG (único leigo a participar de todas as seções do CVII) teria comentado que João XXIII no último de dia de vida, em seu leito de morte teria gritado:
    -Parem o Concílio! Parem o Concílio!
    Não sei se esta informação é verdadeira.

  6. Se o cisma é a saída dessa corja da comunhão com a Verdadeira Igreja de Nosso Senhor, apliquemos para eles o que Nosso Senhor já dizia: “QUEM NÃO AJUNTA COMIGO, ESPALHA” (Mt 12,30)

  7. Prezada Cleir,

    Ao ler o livro “O Reno se Lança sobre o Tibre” percebe-se que o Papa João XXIII estava entusiasmadíssimo com o andamento do Concílio. Até agora não vi provas concretas de que essa frase seja verdadeira. No entanto nesse mesmo livro a famosa frase ‘Vamos abrir a janela para entrar ar fresco dentro da Igreja’ aparece relatada pelo próprio Hans Küng. Pessoalmente tenho uma certa cautela com essas frases famosas que só tiveram uma única pessoa por testemunha.

    DFL, quanto a sua explicação da ausência do Espírito Santo no Concílio, creio que essa formulação é muito perigosa e não corresponde com a nossa Fé, pois as Escrituras nos dizem “Onde dois ou três estiverem reunidos no meu nome, eu estarei no meio deles” Mateus 18,15-20. Ora sabemos que orações foram feitas e missas celebradas constantemente.

    Dos mais de 2.400 nem todos eram lobos maus. Houve uma minoria conservadora que realmente trabalhou duro para as coisas não ficarem piores.

    Talvez a maior prova da presença do Espírito Santo no Concílio foi o fato dele ter sido declarado pastoral e não dogmático. Pense nisso.

  8. Corrigindo: ” “O Reno se Lança no Tibre”

  9. Agora o Cardeal Cormac Murphy-O’Connor, creio que seja presidente da conferência episcopal da Inglaterra, barra literalmente a celebração de uma autoridade da Cúria Romana, Cardeal Raymond Burke, a celebrar a Missa de sempre.

    O cisma é claro e aberto desses bispos com Roma.

    Agora vamos vê quem é realmente, no pós-levantamento da “excomunhão”, o cismático…

    http://secretummeummihi.blogspot.com/2009/02/card.html

  10. Realmente, uma boa faxina na hierarquia vaticana se faz extremamente oportuna e necessária! Devemos nos associar ao Santo Padre, ao sofrimento e humilhações às quais ele tem sido submetido, rezando continuamente por ele, para que ele seja fortalecido pelo Divino Espírito Santo para que, corajosamente, saiba expulsar essas serpentes da Casa de Deus!
    Que São Pio X, que tão corajosamente fulminou os modernistas e defendeu a ortodoxia interceda pelo Santo Padre.

  11. Maria, não me refiro às orações e celebrações. Falo do concílio em sí, das forças negativas e da intenção, de alguns, em prejudicar a Igreja. Você mesma reconhece que “nem todos eram lobos maus.”(sic).

    Mas de fato existiu lobos influenciando o concílio para aprovar textos com a intenção de facilitar a caça dos carneirinhos.(rs)

    Por tudo que se vê Hoje na Igreja pos conciliar continuo achando que o Espírito Santo não aprovou este concílio. A maior prova é que não foi dogmático. Quanto a Mateus 18,20 é preciso ver o versículo anterior SE DOIS DE VÓS…. (MEUS APÓSTOLOS) Cristo está no meio daqueles que se reunem em torno dos SUCESSORES DOS APÓSTOLOS.

    E desde quando os Protestantes que participaram do concílio são Apostólicos?

    “Alguns se enganam a si mesmos com uma presunçosa interpretação das palavras do Senhor, que disse: “Onde quer que se encontrem dois ou três reunidos em meu nome, eu mesmo estou com eles” (Mt 18,20).2. São falsificadores do Evangelho e intérpretes mentirosos. Apegam-se ao que é dito depois, esquecendo o que foi dito antes, lembram-se de uma parte da frase e, astutamente, deixam do lado a outra. Assim como eles se separaram da Igreja, do mesmo modo truncam o sentido de uma única sentença.3. De fato, o que queria dizer nosso Senhor? Para inculcar aos seus discípulos a união e a paz, diz ele: “Eu vos afirmo que, se dois de vós concordarem na terra em pedir qualquer coisa, ela lhes será outorgada por meu Pai que está nos céus” (Mt 18,19). E continua: “Onde quer que se encontrem dois ou três reunidos em meu nome, eu mesmo estou com eles”, mostrando que o que mais vale na oração não é o número dos que oram, mas a sua união de espírito.” (Cipriano de Catargo)

    DFLD