Dom Fellay: “a Igreja deve ser uma mãe responsável que ilumina e guia nossas mentes limitadas e freqüentemente obscurecidas”.

Entrevista concedida por Dom Bernard Fellay ao jornal suíço Le Courrier:

Dom Bernard FellayA condição imposta por Roma para reintegrar a Fraternidade na Igreja é o reconhecimento do Vaticano II. A SSPX está pronta para dar esse passo?

Não. O Vaticano reconheceu a necessidade de encontros preliminares a fim de tratar as questões de fundo advindas justamente do concílio Vaticano II. Fazer do reconhecimento do concílio uma condição preliminar seria colocar o carro na frente dos bois.

O senhor disse querer, em encontros com as autoridades Romanas em vista de uma reintegração, alcançar uma sólida restauração da Igreja. Sua esperança é, portanto, de que a Igreja possa voltar atrás quanto às conquistas do Vaticano II?

Sim, porque estas conquistas são puras perdas: os frutos do concílio foram o esvaziamento de seminários, igrejas e noviciados. Milhares de padres abandonaram seu sacerdócio e milhões de fiéis deixaram de praticar ou se voltaram para seitas. A crença dos fiéis foi desnaturada.  Realmente, é estranho entender!

A esse respeito, a SSPX ainda é hostil à liberdade de consciência em matéria de religião, ecumenismo e diálogo inter-religioso?

É bem evidente que a adesão a uma religião necessita de um ato livre. Então, muito comumente quando se diz que a SSPX é contra a liberdade de consciência em matéria de religião, se atribui à SSPX uma teoria que ela não sustenta. A consciência é a último julgamento sobre a bondade de nossas ações. E neste sentido ninguém pode agir contra sua consciência sem pecar. Mas a consciência não é um absoluto, ela depende do bem e dos verdadeiros fins, e, portanto, todo homem tem o dever de formar, de educar autenticamente sua consciência. Então a Igreja deve ser uma mãe responsável que ilumina e guia nossas mentes limitadas e freqüentemente obscurecidas. Com relação a ecumenismo e diálogo inter-religioso, tudo depende do que se quer significar com essas palavras. Reina uma grande confusão sobre isso. É claro, como qualquer ser humano e pelo bem da sociedade, nós queremos viver em paz com todos os homens, nossos semelhantes. Em matéria religiosa, desejamos responder ardentemente ao desejo de Nosso Senhor: “Que todos sejam um”, a fim de que não haja senão “um só rebanho, um só pastor…”. Se ecumenismo significa a continuação deste nobre objetivo, somos evidentemente a favor. Se pelo contrário se pode ver um caminho que não procura esta unidade fundamental, unidade que conduz necessariamente a uma visão da verdade – que a Igreja Católica se diz ainda hoje a única possuidora em sua integridade! – então nós protestamos. De fato, se vê que atualmente o ecumenismo permanece num nível muito superficial de compreensão e de vida em sociedade, mas sem ir ao fundo das coisas.

De que status no seio da igreja poderia a SSPX se beneficiar?

Veremos se essas discussões doutrinais produzem algo positivo. Seja o que Deus quiser! 

4 Comentários to “Dom Fellay: “a Igreja deve ser uma mãe responsável que ilumina e guia nossas mentes limitadas e freqüentemente obscurecidas”.”

  1. Eu tenho o testemunho de um padre bem velho (80+) sobre a debandada pós-CV-II. Ele disse que não foi devido as inovações, mas sim por causa da timidez de tais inovações. Ele citou o fim do celibato sacerdotal como uma das esperanças da época. De fato, muitos sacerdotes, alguns conhecidos da minha família, abandonaram a batina e casaram.

    Outro ponto é a queda no número de fiéis e que estes foram para as seitas. Pois bem, se esses fiéis realmente prezavam a Igreja pré-conciliar, e se escandalizaram com as inovações, porque não seguiram o caminho dos tradicionalistas? Por que simplesmnente, na ausência de católicos pré-conciliares em suas regiões, não ficaram em casa ao invés de compactuar com o que consideravam um erro? Colocaria também perguntas semelhantes aos sacerdotes. Por exemplo, porque aqueles que se escandalizaram com os devios do concílio não se juntaram a SSPX, a Dom Mayer?

    O meu ponto não é a defesa do concílio, mas os argumentos usados para atacá-lo, tais como essas estatísticas. Não acredito que o Vaticano II tenha sido a causa principal da crise dos n;umeros, mas parte do processo que já se arrastava há algum tempo.

  2. Boa Dom Fellay! É isso aí, concordo e assino em baixo. O Concílio evidentemente não foi responsável pelo o modernismo dentro da Igreja, ele já estava bem instalado aos arredores do Vaticano. O que o Concílo fez foi legalizar os modernistas lá dentro. Realmente é muito estranho essa defesa ultra-extremista ao Concílio que se definiu pastoral.

  3. Caro Giusebio,

    Suas colocações são bastante interessantes; permita-me, porém, corrigir a dizer que o último Concílio foi o triunfo dos erros que vinha antes dos membros da igreja. Foi o ápice que pessoalmente testemunhou e muitos, creio eu, também testemunharam.

    Eu tinha vocação capuchinha, mas os padres eram liberais demais e fiquei com a má impressão que lá só tinha anarquia; eu não fui mais até hoje. Tinha um amigo meu que, depois de sair dos capuchinhos, há mais de 10 anos, anda até hoje em convento e convento para ficar, pois, dizia ele, só vê bagunça e casos de homossexualidade…

    Fiz parte de um grupo de oração, mas depois vi que era uma verdadeira seita para até controlar “que namorada é essa que você arrumou”…

    Na vida de paróquia, e tinha amigos que deixaram a Igreja, embora dissessem que eram “cheios do Espírito Santo”. Há ainda hoje muitos hoje nas suas paróquias, mas pela conversa sobre doutrina com os mesmos, nota-se a falta de catequese de coisas básicas e uma mentalidade muito protestante por influência da R. C. “C”. e da Missa Novus Ordo Missae…

    É, caro… Tristes lembranças…

    Rezemos pelo nosso Papa.

  4. Caro Ferreti,

    na reunião de costume do Santo Padre, como bispo de de Roma que é, encontrou-se com os padres da sua diocese. E o Padre Marco Valentini, pároco da igreja de Santo Ambrósio, perguntou lhe sobre Fátima:

    Es a resposta do Papa:

    “No me parece, ahora, el momento de entrar en todos los detalles”

    Então, vamos rezar que seja em breve.

    Rezemos pelo Papa.

    Confira abaixo a fonte:

    http://la-buhardilla-de-jeronimo.blogspot.com/2009/02/el-obispo-de-roma-responde.html