Distrito Alemão da FSSPX comenta declaração da Conferência dos Bispos: declaração oficial do Superior do Distrito, Padre Franz Schmidberger, e comentário de Padre Andreas Steiner.

FSSPX - Distrito da Alemanha

Nota do Superior do Distrito, Pe. Franz Schmidberg.

Como Superior do Distrito da Alemanha gostaria de declarar o seguinte:

1. A FSSPX não rejeita o Concílio como um todo. O próprio Arcebispo Lefebvre participou do Concílio. Ele esteve nas comissões preparatórias e aprovou a maioria dos documentos.

2. A Conferência dos Bispos Alemães impõe como condição a adoção plena do Concílio, incluindo os pontos contenciosos e ambíguos.

Isso significa nada menos que cessar o diálogo antes mesmo de tê-lo começado. Vemos que os bispos alemães não querem discutir os pontos controversos do Concílio, mas querem construir zonas de discussão proibida.

3. O comportamento dos bispos alemães não está apoiado no espírito de fraternidade. Em vez de buscar e promover o diálogo de maneira pacífica e construtiva, eles agem contra o sinal de Roma, que foi dado pela retirada dos Decretos de Excomunhão, rejeitando toda oferta de diálogo da FSSPX.

4. Os bispos também estão obrigados pelo oitavo mandamento, que diz: “Não levantarás falso testemunho”.

Portanto, exortamos a Conferência Episcopal a retirar a acusação difamatória de sentimentos anti-semitas ou anti-judaicos dentro da FSSPX. No caso Williamson, os Superiores da FSSPX reagiram imediatamente. Imediatamente após a publicação das terríveis afirmações, o Distrito Alemão condenou de maneira clara e inequívoca qualquer tipo de banalização dos crimes nazistas e desculpou-se àqueles que foram ofendidos pelas declarações. Gostaríamos de mencionar novamente que o pai do Arcebispo Lefebvre faleceu no Campo de Concentração de Sonnenburgo.

5. Os bispos exigem que a FSSPX reconheça a autoridade do Papa, embora a FSSPX nunca tenha duvidado dessa autoridade. Isso demonstra que os bispos não encararam de maneira substancial a posição da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X e nem desejam esse debate.

6. A FSSPX, pelo contrário, afirma que existe dentro do episcopado alemão uma rejeição sutil da autoridade papal. A atitude diante de decretos papais do passado recente dá  a entender isso.

a. O desejo do Papa de corrigir as palavras de consagração erroneamente traduzidas foi ignorado pelos bispos alemães.

b. O Motu Proprio para a liberação da Missa Antiga é tratado por alguns bispos tão restritivamente que ele quase permanece ineficaz.

c. As orações da Sexta-Feira Santa do Papa foram também erroneamente descritas como anti-semitas por alguns teólogos na Alemanha.

d. A posição clara do Papa em relação ao conceito de Igreja dentro das comunidades protestantes deparou-se com uma incompreensão preponderante na Alemanha.

e. Apesar de repetidas exortações, os bispos alemães não retiraram a declaração de Königstein, que torna inútil a encíclica “Humanae Vitae” do Papa Paulo VI.

f. Finalmente, a declaração “Dominus Jesus” foi fortemente criticada pelos teólogos alemães porque ela apenas falava sobre o único caminho para a salvação oferecido pela Igreja.

7. Em vista destes fatos, vemos que alguns bispos rejeitam o caminho de clareza e reconciliação proposto pelo Papa. Aparentemente eles querem a eliminação completa de todas as atitudes conservadoras dentro da Igreja. Esta oposição ao Papa (ainda) não está desvelada, mas por muito tempo esteve presente de maneira subliminar em muitos discursos.

8. Confrontados com esta situação, agradecemos ao Santo Padre por sua paterna compreensão. Faremos todos os esforços de nossa parte para formular as posições da Fraternidade — que não são suas, mas sim aquelas do Magistério da Igreja — de uma maneira compreensível, abnegada e amável, para que seja possível uma discussão frutuosa com todos os católicos de boa vontade. Alegramo-nos porque agora existe uma base para discussão teológica.

9. Para expressar o nosso o desejo de servir amorosamente à Roma eterna e verdadeira, a Fraternidade gostaria sobretudo de rejeitar as acusações indefensáveis de ordenações ilícitas. Estas ordenações previstas nunca foram proibidas, como já foi confirmado em conversas pessoais em Roma. Neste caso os bispos são flagrados em contradição óbvia: eles enfatizam que ainda não há unidade com a FSSPX, enquanto ao mesmo tempo querem proibir as ordenações. Nesse sentido, podemos apenas mencionar o que o próprio Arcebispo Zollitsch afirmou em sua declaração: cabe somente a Santa Sé estabelecer e decidir sobre as condições para a plena unidade — e não às Conferências Episcopais.

Pe. Franz Schmidberger

Fonte: Distrito Alemão da FSSPX.

Comentário do Padre Andreas Steiner

Os bispos da Alemanha desejam rejeitar qualquer diálogo com a SSPX.

Esta é a impressão dada pelas declarações da Assembléia Geral dos Bispos Alemães. Antes de qualquer coisa ser discutida, todo o concílio deve ser reconhecido. Retorno de outra maneira, “para fora com a SSPX”.

Mas suavemente falando, isso é “um pouco ilógico”. É como se ao começar um diálogo com os Ortodoxos se requisesse a resolução de todos os pontos sob debate.

Estão eles em Hamburgo e Friburgo com medo de uma conversação?

Como os Bispos fazem diálogo sobre tudo, eles perderão credibilidade com esta atitude.

Acima de tudo, o Arcebispo Zollitsch — como agora é feito — faz do Concílio um super dogma.

Todo Católico sabe que o Concílio Vaticano Segundo claramente só quis ser um concílio puramente pastoral. Não foram promulgados dogmas.

Aparentemente, uma zona proibida que não pode ser rompida está para se levantar. Esta aproximação completamente não-teológica não pode ser apoiada por Católicos completamente auto-conscientes e de pensamento tradicional.

Nota: Isso não é sobre a rejeição do Concílio como uma assembléia legítima da Igreja Católica!

Para a FSSPX é sobre uma correção das redações ambígüas e do fato de que o concílio como um todo e em todas as partes deve ser trazido ao acordo com a eterna tradição da Igreja.

Em outras palavras, nós queremos uma interpretação do Concílio que não rompa com a tradição de 2000 anos da Igreja, mas se conforme a ela.

E isso não é sobre a FSSPX: eles lutam pela credibilidade da Igreja Católica.

Depois de tudo, como pode uma comunidade ser crível se seus princípios mudam com o tempo?

Original: Distrito Alemão da FSSPX. Tradução a partir da versão inglesa de Catholic Church Conservation.

4 Comentários to “Distrito Alemão da FSSPX comenta declaração da Conferência dos Bispos: declaração oficial do Superior do Distrito, Padre Franz Schmidberger, e comentário de Padre Andreas Steiner.”

  1. Parabéns, Distrito Alemão da FSSPX! Estava passando da hora de deixar a atitude defensiva, e partir para o ataque direto.
    Roma poderia aproveitar o momento e forçar a Conferência alemã a refutar todos os argumentos. Assim, eles precisariam se reformar, e isso seria terrível para aqueles heréticos. Teriam que demonstrar que são obedientes, revisando as palavras de consagração, abrindo mais locais para a Missa Tridentina, retirar a declaração de Königsteinque, apoiar a Dominus Iesus… De outra maneira, ficaria evidente que eles sim são os heréticos.
    Roma lucraria muito se os pressionasse agora, e lançasse isso na mídia, no Osservatore Romano, para que o mundo todo visse.

  2. Sensacional! Os números 4, 5 e 6 foram no gogó dos bispos alemães.

    Schmidberger: Cardeal já!

  3. Gostei muito desse pronunciamento.

    Mais claro do que isso impossível. O número 3 é excelente. Os liberais querem dialogar com todo mundo menos com a Fraternidade, cujos membros muitas vezes são tratados como leprosos pelos demais católicos ao mesmo tempo em que se fomenta a condescendência com as maluquices que ocorrem nas dioceses.

    Vamos aguardar que esse diálogo sobre os pontos controversos do Concílio ocorra o mais breve possível e que o Espírito Santo ilumine as partes envolvidas.

  4. Aqueles que pedem da Fraternidade a plena aceitação do Concílio, são aqueles que não se ocupam mais com a verdade ou a mentira, mas tão somente com progresso e retrocesso. Quando foi feita a declaração conjunta entre católicos e luteranos sobre a doutrina da justificação, não se exigiu previamente que os luteranos aceitassem a doutrina católica. É incrível, eles tratam questões dogmáticas com os protestantes, anglicanos e ortodoxos, como se fossem questões pastorais. Mas em se tratando de questões pastorais, eles tratam com os verdadeiros católicos, como se fossem dogmáticas. Creio que de tanto pensar em progresso e retrocesso, eles sequer consideram a verdade e a mentira dentro deste contexto. É tudo para os que estão fora da Igreja e nada para que os estão dentro!

    Nosso Senhor veio para os seus e estes o rejeitaram, então ele escolheu outro povo, como disse certa vez um profeta: “Chamarei meu povo, aquele que não é meu povo”. Não dá nem para tentar uma analogia entre a vinda de nosso Senhor e o Concílio Vaticano II. Porque o segundo veio para os não católicos e em muitos casos expulsou os própios católicos da Igreja. Seja implementando a “Missa Pastoral” (Melhor definição que se pode dar a Missa Nova) de Paulo VI pela força, desrespeitando os fiéis do Rito de São Pio V ou como agora vemos claramente, não querendo tratar de questões pastorais com católicos e tratando de questões dogmáticas católicas com não católicos, como se fossem questões pastorais.

    Não é preciso pensar muito para se chegar a conclusão de que estes tais não acreditam mais nos dogmas católicos, mas sim que as questões pastorais EXTRAORDINÁRIAS tratadas pelo CVII, são dogmas absolutos de fé. Isto é um verdadeiro absurdo! A propósito, questões extraordinárias devem ser tratadas pelo Magistério Ordinário ou pelo Magistério Extraordinário?

    Pergunto me também se este não é o resultado direto do diálogo (método bem hegeliano). Digo isto porque São João Apóstolo, recomenda que não recebamos aqueles que não trazem a doutrina de Nosso Senhor para não absorvermos o seu erro. De tanto dialogar as Conferências Episcopais acabaram por absorver os erros a que pretendiam aplicar o remédio da misericórdia. Já pensaram se as Conferências Episcopais resolvem aplicar o remédio da misericórdia em questões como o aborto?

    Tudo isto já passou a muito tempo dos limites do bom senso… lamentabili!