Ordens menores no IBP.

Por Marcelo de Souza e Silva

Ordens menores - IBP

No último dia 28, quatro seminaristas já tonsurados do Instituto do Bom Pastor (na foto acima, primeira fila a partir da segunda pessoa: Abbé Michel Calmel, Abbé Giorgio Lenzi, Abbé Édouard Le Conte, Abbé Renaud de Cazenove) receberam ordens menores, na bela igreja de San Salvatore in Lauro, centro histórico de Roma. O celebrante foi o Bispo D. Marcelo Sanchéz Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia de Ciências.

Além de outros seminaristas da casa do IBP em Roma, estiveram presentes os Padres Roch Perrel, Guillaume de Tanoüarn, René Fournié, e o Superior Geral do IBP, Padre Philippe Laguérie. Também marcaram sua presença, o pároco de San Salvatore in Lauro, e Monsenhor Battista-Pansa, da Paróquia da Transfiguração, em cujo território se situa a casa do IBP, e onde os seminaristas atuam como catequistas de mais 300 crianças romanas.

Ordens menores - IBP

Após a cerimônia das ordenações menores, houve um buffet festivo na casa do IBP em Roma, em que compareceram aqueles que haviam participado da missa de ordenação, para festejar mais esse passo avante dos quatro seminaristas do IBP rumo ao sacerdócio.

Com relação às quatro ordens menores (porteiro, leitor, exorcista, acólito) que esses quatro seminaristas do IBP receberam, cumpre deixar a seguinte questão para que aqueles mais entendidos nos esclareçam: O papa Paulo VI aboliu as ordens menores e o subdiaconato, na festa da Assunção de 1972, pelo Motu Proprio Ministeria Quaedam. Um terrível golpe contra a Tradição católica, como tantos outros que seguiram o Concílio Vaticano II. Já em 1983 pelo novo Codex Juris Canonici (Código de Direito Canônico), do papa João Paulo II, ficou definido que se entraria para o estado clerical a partir da ordenação diaconal. No entanto, pelo Motu Proprio Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI restabeleceu as ordens menores segundo o Pontifical Romano de 1962. Por outro lado, segundo o Magistério de sempre, como sempre lembrava D. Marcel Lefèbvre, de venerável memória, é a partir da tonsura, que se entra na clericatura, ou seja, passa-se do estado de leigo para o estado de clérigo. Sendo assim, eis a questão: Qual é hoje a situação dos seminaristas tonsurados diante do direito? Eles são ou não membros do clero, de direito, já que nos institutos tradicionais e para os tradicionalistas eles o são ao menos de fato?

No caso acima, sabemos qual foi o resultado do anticlericalismo modernista da própria autoridade eclesiástica: hoje os leigos, sobretudo as leigas, invadem cada vez mais funções que por sua natureza deveriam ser exercidas somente pelos clérigos validamente ordenados.  Há casos, como numa diocese do leste de Minas Gerais, em que os padres quase que apenas consagram a hóstia sobre o altar e deixam todo o mais para as leigas (casamentos, batizados, proclamação do Evangelho, etc.). Até mesmo a bênção do Santíssimo!

Ordens menores - IBP

Voltando o olhar para os bons exemplos das sociedades de outrora e para a beleza da história da Santa Igreja, como não louvar o tempo feliz em que a sociedade era hierarquizada e orgânica, sem confusões, e “em que a filosofia do Evangelho governava os Estados” e “a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil.”, como nos lembrou o Papa Leão XIII, na encíclica Imortale Dei.  É nesse sentido que todos nós que amamos a Tradição católica, a Verdade enfim, devemos propugnar! Por uma sociedade em que a Santa Igreja tenha seu lugar de direito e brilhe em santidade como jamais. É isso que somos chamados a fazer, cada um segundo sua função, começando por lutar contra os desvios do Concílio Vaticano II, até chegar à época em que ele caia no ostracismo, e que os Santos Concílios até o Vaticano I saiam dele. Quando veremos sua lembrança causar tanto mal-estar como hoje o causa a história do período do Papado cativo em Avinhão e dos antipapas em Roma.

Supliquemos à Santíssima Virgem Nossa Senhora, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que nos faça firmes na Fé e nas outras virtudes para combatermos o bom combate!

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3 Comentários to “Ordens menores no IBP.”

  1. Comentários muito bem colocados.

  2. Sei que não tem nada a ver com o assunto, mas divulguem:

    o sítio verdadeiro é este:

    http://januacoeli.wordpress.com/2009/03/15/urgente-aborto-em-recife-brasil/#comments

  3. Ah… bem que estas ordenações poderiam estar acontecendo aqui no nosso Brasil né?! Mas se não existe pecado ao sul da linha do Equador, deixe que a CNBB mesmo pastoreie a “nação santa”…