A guerra na Alemanha continua: pelo Reinado Social de Nosso Senhor, contra o salário dos bispos.

Há poucos dias o presidente da Conferência Episcopal Alemã, Arcebispo Robert Zollitsch, acusou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, entre outras coisas, de “atacar e reduzir nosso entendimento sobre a democraria”, enquanto exigia da mesma a aceitação irrestrita do Concílio Vaticano II. É evidente que um pronunciamento como este visa instigar as autoridades alemãs contra as instituições de ensino mantidas pela Fraternidade naquele país. Curiosamente, outro bispo que há pouco debateu na televisão com um Padre da Fraternidade a obrigatoriedade da adesão aos ensinamentos do Concílio Vaticano II criticou a posição do Papa acerca do uso de preservativos.

Dada à usual infidelidade ao Magistério da Igreja daqueles que exigem a íntegra aceitação dos documentos e do espírito do Vaticano II, torna-se importantíssima a declaração do Pe. Franz Schmidberger que abaixo publicamos.

 

Padre SchmidbergerEm 25 de março de 2009, a Catholic News Agency noticiou que o Presidente da Conferência de Bispos Alemães, o Arcebispo Robert Zollitsch, teria acusado a FSSPX de atacar e reduzir o seu entendimento de democracia durante uma palestra para o Círculo Cardeal Höffner do Grupo Parlamentar da CDU (União Democrata-Cristã). A idéia de “uma Igreja Católica Estatal” seria ultrapassada, teria dito o Arcebispo de Friburgo em vista da atitude da FSSPX.

Se esta declaração foi realmente feita, o Arcebispo, consciente ou inconscientemente, levantou falso testemunho.

A FSSPX obviamente reconhece a Constituição da República Federal da Alemanha, que reconhece claramente a responsabilidade perante Deus, a lei moral e opiniões legais baseadas na lei natural. Católicos importantes cooperaram na formulação da Constituição, que se mantém inteiramente na base do magistério tradicional social dos Papas. Muitos católicos fiéis à Tradição estiveram entre os co-fundadores da CDU, trabalhando em várias posições em nossa sociedade, seja como cidadãos ou servindo a República Federal como funcionários.

 

Obviamente, reconhecemos a fidelidade à ordem constitucional, tal como aprovada, por exemplo, pela Santa Sé e expressa no Juramento de Lealdade prestado na Concordata, como, aliás, todo bom católico.

 

Reconhecemos também a doutrina da Igreja sobre as formas de governo, especialmente, as declarações magisteriais do Papa Pio XII sobre a democracia.

 

Depreciamos um pouco o “conceito de democracia”, tal como os católicos antes do Vaticano II.

 

A FSSPX rejeita de todo coração a idéia monstruosa de uma “Igreja Estatal”, uma vez que a Igreja Católica é uma “sociedade perfeita” e deve ser sempre livre para a sua missão divina.

 

Vemos as implicações quando a Igreja é instrumentalizada pelo Estado no terrível fracasso dos bispos alemães no escândalo do aborto relativamente ao debate sobre a Donum Vitae. Sob esse ângulo, a FSSPX saúda o debate sobre o imposto-Igreja e o salário estatal dos bispos alemães. Quem tem telhado de vidro não atira pedra no vizinho.

 

Como uma sociedade sacerdotal católica, o que a FSSPX defende é o reconhecimento dos Dez Mandamentos e dos Direitos de Deus sobre cada indivíduo, sobre as famílias, associações cívicas, magistrados, tribunais de justiça, cultura e educação, reconhecimento esse expresso também de muitas maneiras na liturgia tradicional – que foi restituída à vida da Igreja pelo Vaticano.

O que a FSSPX não pode aceitar são os falsos princípios sociais e morais que sempre foram rejeitados pelo Magistério dos Papas e pela Tradição e que devem ser descartados por todo católico para estar em comunhão com a Igreja Católica, até mesmo qualquer bispo alemão.

 

Esses falsos princípios são rejeitados, por exemplo, no documento magisterial pontifício Quanta Cura, do Beato Pio IX, Immortale Dei, de Leão XIII, Quas Primas, de Pio XI e nas numerosas declarações de Pio XII sobre a doutrina social da Igreja.

 

O concílio pastoral Vaticano II também deve ser avaliado em vista desses pronunciamentos do Magistério Supremo. Esperamos que os bispos alemães reconheçam claramente o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme o Papa Pio XII e seus predecessores obrigaram todos os católicos a fazê-lo.

Stuttgart, 26 de março de 2009

Padre Franz Schmidberger, Superior Distrital

Fonte: Cathcon e Distrito Alemão da FSSPX

 

3 Comentários to “A guerra na Alemanha continua: pelo Reinado Social de Nosso Senhor, contra o salário dos bispos.”

  1. Mais uma vez o episcopado alemão mostra suas unhas e sua “caridade”.
    Exigir que a FSSPX aceite “irrestritamente” o Concílio Vaticano II é, ao meu ver, um claríssimo sinal da divisão que estes mesmo senhores bispos provocam, encastelando-se numa igreja pós-conciliar e rejeitando tudo o que veio antes do concílio. Talvez não tenham entendido bem (para usar de caridade com eles, já que eles não a usam)as palavras de S.S.Bento XVI em sua recente carta endereçada ao episcopado: “Não se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade. Mas, a alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja.”

  2. Tem sido sempre uma grande alegria ler as cartas do P. Schmidberger. Precisamos mais disso. Clareza em se rebater os argumentos falaciosos daqueles que querem construir uma nova igreja sobre uma nova fé!

  3. A que ponto chega o atrevimento da Conferência Episcopal Alemã: atropelar a autoridade do Santo Padre e colocar condições que nunca foram impostas à FSSPX. É preciso enquadrar esses Bispos e botá-los (é esse verbo mesmo, que eu uso) em seus devidos lugares de subordinados.