Notas: entrevista de D. Fellay ao seminário St. Thomas Aquinas.

Apresentamos algumas notas tomadas da entrevista concedida por Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, ao seminário americano da mesma em 5 de abril, Domingo de Ramos, deste ano. Não se trata de uma transcrição ipsis litteris, mas de anotações que buscam resumir o que há de mais importante nas quase duas horas de entrevista. Caso nossos amigos encontrem algo relevante que não tenha sido relatado abaixo, poderá nos informar na caixa de comentários.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Primeira parte da entrevista aqui.

É fato, Dom Williamson não atua mais como bispo na FSSPX. O “silenciamento” de Williamson é conseqüência de suas palavras “altamente imprudentes” que infringem leis em vários países de Europa. Segundo Dom Fellay, em fevereiro um homem foi sentenciado a 6 anos de prisão por dizer o mesmo que Dom Williamson. Com a União Européia, a possibilidade de Dom Williamson ser preso na Alemanha, mesmo estando na Inglaterra, é “muito grande”. As afirmações não trouxeram apenas limitações para dom Williamson, mas também problemas civis para a Fraternidade , que chegou a perder centros de missas e capelas, cujos locadores se recusaram a continuar tendo a FSSPX em suas dependências. Também outros projetos de expansão da Fraternidade foram perdidos. Conforme Dom Fellay, a FSSPX é uma organização da Igreja Católica e trabalha pelos propósitos da Igreja, que é a salvação das almas através da pregação da Revelação. Adentrar em matérias históricas não faz parte deste objetivo.

Pressão sobre Bento XVI: Dom Fellay crê que a entrevista feita em novembro foi usada exatamente no momento do levantamento das excomunhões para pôr pressão sobre o Papa, “tentando bloqueá-lo em seus esforços para fazer alguma restauração na Igreja e ir na direção correta”.

Questionado se Dom Williamson poderá servir a FSSPX de maneira ativa novamente, respondeu: “É uma questão difícil”. Se ele permanecer em sua posição, é difícil pensar que poderá realizar ordenações ou coisas importantes, pois a má fama de Dom Williamson se espalhará facilmente e atingirá a Fraternidade. “Posso dizer que o único modo que aparece agora, ao menos que essas circunstâncias mudem, seria que Dom Williamson se retratasse”.

“Mesma necessidade, mesma solução”: Sobre consagrar novos bispos numa nova “operação sobrevivência”, afirma que se as mesmas circunstâncias e necessidades se realizassem novamente e não existissem outras possibilidades, sim. Mas não crê que estas circunstâncias estejam já presentes.

Aos que crêem que qualquer contato com Roma constitui um compromisso e um perigo para a conservação da Fé Católica, Dom Fellay responde que o propósito em se manter relações deve ser a unidade na única Igreja Católica, que tem as promessas de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, e à qual devemos pertencer para ser salvos. Também sabemos que na Igreja há problemas e que eles sempre existiram em toda sua história. Comparando a crise da Igreja com um câncer, Dom Fellay diz que se deve combater o câncer, mas não a pessoa que dele padece. Temos que sustentar que a Igreja é um corpo visível. Quando se diz “igreja moderna”, “igreja conciliar”, “igreja oficial”, se faz uma simplificação que estritamente não é correta. As conversações não são fáceis e sem perigos, mas quando se espera que a Igreja melhore é necessário ajudar. A FSSPX conseguiu grandes feitos de Roma sem sequer uma concessão.

Ainda o caso Williamson: Dom Fellay diz que Roma teria inicialmente acolhido o pedido de desculpas de Dom Williamson, mas com o passar dos dias a pressão teria aumentado muito. Para aliviar a pressão sobre o Papa, Roma teria diminuído a importância da FSSPX e feito uma exigência até então nunca realizada com tal vigor: a plena aceitação do Concílio Vaticano II. Dom Fellay considera tal postura autoritária e muito estranha, que teria se dado para tranqüilizar os progressistas. Muitas conferências episcopais temem perder o que conquistaram desde o Concílio. Também considera muito estranho que se peça a aceitação da “Shoah”, quando a Igreja só deve exigir a fé católica. Não sabe como as coisas continuarão, já que a Fraternidade não esperava tudo isso, mas considera que essas ações sejam sinais para que ajam com muita prudência.

Na cúria: há aqueles muito favoráveis à verdadeira restauração da Igreja, têm um real entendimento da crise, mas são poucos. Contudo, as coisas estão muito melhores que há dez anos.

Devemos esperar que a situação se reverta. No Concílio, inicialmente, os liberais não eram maioria e manobraram para tomar a liderança. As pequenas coisas que vemos atualmente talvez sejam o começo de uma reviravolta que Dom Fellay espera que seja similar àquela. O progressismo está morrendo e não tem futuro, enquanto há força nos tradicionalistas. Cristo é a cabeça da Igreja e o Espírito Santo sua alma; Deus pode permitir que a Igreja sofra, mas também que seja curada, do modo que Ele quiser, quando quiser, aconteça o que acontecer. Deus pode permitir que da situação difícil venha a “ressurreição” da Igreja para provar ainda mais sua divindade.

Coragem e Fé: Não há dúvida que o levantamento do decreto das excomunhões foi um ato corajoso do Papa. Mas alguns questionam: ele tem Fé? Dom Fellay está certo que ele quer ter a Fé, mas alguns de seus livros de quando era jovem são “verdadeiramente embaraçosos, preocupantes”. O modo filosófico com que expressa sua fé pode inquietar algumas pessoas. É necessário fazer distinções, pois há heresias diretas onde se perde a fé ao pronunciá-las, pois heresia é contradizer um dogma, o que não é o caso. Dom Fellay crê que se alguém perguntar ao Papa se ele crê em determinado dogma, receberia a resposta católica, embora em determinados livros se tenha teses embaraçosas.

Discussões doutrinárias: Sua Excelência crê que começarão logo, pois todos querem que comecem. Não há elementos concretos. Não sabe onde serão realizadas e prefere textos em vez de conversas. A idéia é apresentar os problemas que a FSSPX tem com relação ao Concílio e esperar esclarecimentos.

Princípios que guiarão a FSSPX : a Fé e a Tradição. João Paulo II e hoje Bento XVI defendem uma ligação entre o Concílio e a Tradição.  Mesmo não havendo consenso sobre a palavra Tradição, Dom Fellay pensa ser uma boa direção. Direção esta que a FSSPX sempre seguiu. Afinal, o que seria mais importante: o Concílio ou o que a Igreja disse até agora? É claro que a Igreja não pode começar no Vaticano II; se é assim, há uma “nova Igreja” e os que a defendem não são católicos. Na Igreja não há nada novo, mas apenas crescimento homogêneo (precisões ou novos termos para eliminar erros, por exemplo, o uso do termo “transubstanciação”).  Portanto, deve-se considerar o concílio à luz da Tradição, isto é, seguindo o critério da Tradição. É absolutamente necessário que a luz da Tradição ilumine a Igreja hoje. Não se pode excluir que, por se estar tratando com filosofia moderna, é possível se ter um final não esperado. Neste caso a FSSPX continuaria seu caminho, colocando tudo nas mãos de Deus.

Novos padres podem se aproximar da FSSPX por causa do levantamento das excomunhões. A FSSPX reordenará estes padres sob condição?  A idéia de que toda ordenação no Novus Ordo seria inválida é errada. A posição correta é a mesma com relação à nova missa. “Em si mesma, estritamente falando, se todas as condições requeridas pela natureza dos sacramentos são respeitadas, temos que contar com a validade, embora experimentemos que certo número dos sacramentos são distribuídos  invalidamente por falta de um dos elementos”. São bispos que têm um conceito errôneo do que é ser padre. Em casos onde as dúvidas eram muito sérias, e considerando que a Igreja requer que se tenha certeza neste aspecto, realiza-se a reordenação sob condição. Dos que não há dúvidas, não há porque reordenar.

– Dom Fellay ouviu em Roma que se pretende impor o latim no cânon da nova missa.

O estado de necessidade ainda existe, pois a missa não é o único problema. É necessário ter uma visão ampla da situação da igreja. De jure há missa, mas na prática não. O Papa na carta aos bispos diz a fé corre o risco de desaparecer (“No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento”) . Isso prova o estado de necessidade.

Para se evitar posições extremas (se referindo aos que não querem contato algum com Roma) basta rezar pelo Papa, que tem o trabalho mais difícil da terra.

Maior desafio a ser ultrapassado na Igreja: sair da crise sem provocar uma maior. Colocar o trem nos trilhos quando há muita resistência. O risco de se despedaçar é enorme. Deve-se ir em direção à restauração sem sofrer maiores danos do que os atuais. É como ter um grande trem ou navio e uma grande curva.  Não se impõe a um trem em alta velocidade uma curva acentuada.

Sítios sedevecantistas americanos:  Dom Fellay não vê grandes diferenças entre internet, televisão, rádio e imprensa em geral. São meios que darão frutos conforme seu bom ou mau uso.  Os fiéis que colocam sua confiança em pseudo doutores sem autoridade nem missão na Igreja correm sério risco de pecar. Alguns sites citam palavras de Mons. Lefebvre ao cardeal Ratzinger onde ele diz, em suma, que mesmo se Roma desse a ele tudo que fosse necessário, não poderiam trabalhar juntos por Roma não aceitar a doutrina de Cristo Rei. Dom Lefebvre relatou este diálogo que se deu no verão de 1987 numa conferência aos seminaristas. Depois disso, Dom Lefebvre ainda diria numa carta entre julho-agosto de 1987 aos futuros bispos que Roma estava ocupada por ‘anticristos’.  Todavia, estes sites nunca citam que após estes acontecimentos Dom Lefebvre pediu uma visitação canônica de Roma, cujas discussões aconteceram em abril de 1988. Tais citações devem ser analisadas, portanto, em seu contexto. É prática atual analisar as coisas sem suas circunstâncias. É questão de honestidade intelectual procurar compreender o que quis dizer o autor da frase. Tivemos um tempo difícil com Roma e hoje o problema persiste. Dissemos ao Cardeal Castrillón o mesmo que Lefebvre disse em 1987: “Se nos querem, devem respeitar nossa identidade. Não vai dar certo se nos pedir para mudar nossa identidade”. Nosso Senhor é Senhor, e todos os poderes Lhe devem ser dados no céu e na terra. “Definitivamente não vamos mudar isso”.

– Por conta das manifestações de Dom Williamson a FSSPX chegou a perder centros de missas e capelas, cujos locadores se recusaram a continuar tendo a FSSPX em suas dependências. A FSSPX é uma organização da Igreja Católica e trabalha pelos propósitos da Igreja, que é a salvação das almas através da pregação da Revelação. Adentrar em matérias históricas não faz parte deste objetivo.

– Dom Fellay crê que a entrevista feita em novembro foi usada exatamente no momento do levantamento das excomunhões para pôr pressão sobre o Papa, “tentando bloqueá-lo seus esforços para fazer alguma restauração na Igreja e ir na direção correta”.

– Questionado se Dom Williamson poderá servir a FSSPX de maneira ativa novamente, respondeu: “É uma questão difícil”. Se ele permanecer em sua posição, é difícil pensar que poderá realizar ordenações ou coisas importantes, pois a má fama de Dom Williamson se espalhará facilmente e atingirá a Fraternidade. “Posso dizer que o único modo que aparece agora, ao menos que essas circunstâncias mudem, seria que Dom Williamson se retratasse”.

– “Mesma necessidade, mesma solução”: Sobre consagrar novos bispos numa nova “operação sobrevivência”: se as mesmas circunstâncias e necessidades se realizassem novamente e não existissem outras possibilidades, sim. Mas não crê que estas circunstâncias estejam já presentes.

– Aos que crêem que qualquer contato com Roma constitui um compromisso e um perigo para a conservação da Fé Católica, Dom Fellay responde que o propósito em se manter relações deve ser a unidade na única Igreja Católica, que tem as promessas de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, e à qual devemos pertencer para sermos salvos. Também sabemos que na Igreja há problemas e que eles sempre existiram em toda sua história. Comparando a crise da Igreja com um câncer, Dom Fellay diz que se deve combater o câncer, mas não a pessoa que dele padece. Temos que sustentar que a Igreja é um corpo visível. Quando se diz “igreja moderna”, “igreja conciliar”, “igreja oficial”, se faz uma simplificação que estritamente não é correta. As conversações não são fáceis e sem perigos, mas quando se espera que a Igreja melhore é necessário ajudar. A FSSPX conseguiu grandes feitos de Roma sem sequer uma concessão.

– Dom Fellay diz que Roma teria inicialmente acolhido o pedido de desculpas de Dom Williamson, mas que com o passar dos dias a pressão aumentou muito. Para aliviar a pressão sobre o Papa, Roma teria diminuído a importância da FSSPX e feito uma exigência até então nunca realizada com tal vigor: a plena aceitação do Concílio Vaticano II. Dom Fellay considera tal postura autoritária e muito estranha, que teria se dado para tranqüilizar os progressistas. Muitas conferências de bispos temem perder o que conquistaram desde o Concílio. Também considera muito estranho que se peça a aceitação da “Shoah”, quando a Igreja só deve exigir a fé católica. Não sabe como as coisas continuarão, já que a Fraternidade não esperava tudo isso, mas considera que essas ações sejam sinais para que ajam com muita prudência.

– Na cúria: há aqueles muito favoráveis à verdadeira restauração da Igreja, têm um real entendimento da crise, mas são poucos. Contudo, as coisas estão muito melhores que há dez anos.
– Devemos esperar que a situação se reverta. No Concílio, inicialmente, os liberais não eram maioria e manobraram para tomar a liderança. As pequenas coisas que vemos atualmente talvez sejam o começo de uma reviravolta que Dom Fellay espera que seja similar. O progressismo está morrendo e não tem futuro, enquanto há força nos tradicionalistas. Cristo é a cabeça da Igreja e o Espírito Santo sua alma; Deus pode permitir que a Igreja sofra, mas também que seja curada, do modo que Ele quiser, quando quiser, aconteça o que acontecer. Deus pode permitir que da situação difícil venha a “ressurreição” da Igreja para provar ainda mais sua divindade.
– Não há dúvida que o levantamento do decreto das excomunhões foi um ato corajoso do Papa. Mas alguns questionam: ele tem Fé? Dom Fellay está certo que ele quer ter a Fé, mas alguns de seus livros de quando era jovem são “verdadeiramente embaraçosos, preocupantes”. O modo filosófico com que expressa sua fé pode inquietar algumas pessoas. É necessário fazer distinções, pois há heresias diretas onde se perde a fé ao pronunciá-las, pois heresia é contradizer um dogma, o que não é o caso. Dom Fellay crê que se alguém perguntar ao Papa se ele crê em determinado dogma, receberia a resposta católica, embora em determinados livros se tenha teses embaraçosas.
– Discussões doutrinárias: Sua Excelência crê que começarão logo, pois todos querem que comecem. Não há elementos concretos. Não sabe onde serão realizadas e prefere textos em vez de conversas. A idéia é apresentar os problemas que a FSSPX tem com relação ao Concílio e esperar esclarecimentos.
– Princípios que guiarão a FSSPX : a Fé e a Tradição. João Paulo II e hoje Bento XVI defendem uma ligação entre o Concílio e a Tradição.  Mesmo não havendo consenso sobre a palavra Tradição, Dom Fellay pensa ser uma boa direção. Direção esta que a FSSPX sempre seguiu. Afinal, o que seria mais importante: o Concílio ou o que a Igreja disse até agora? É claro que a Igreja não pode começar no Vaticano II; se é assim, há uma “nova Igreja” e os que a defendem não são católicos. Na Igreja não há nada novo, mas apenas crescimento homogêneo (precisões ou novos termos para eliminar erros, por exemplo, o uso do termo “transubstanciação”).  Portanto, deve-se considerar o concílio à luz da Tradição, isto é, seguindo o critério da Tradição. É absolutamente necessário que a luz da Tradição ilumine a igreja hoje. Não se pode excluir que, por se estar tratando com filosofia moderna, é possível se ter um final não esperado. Neste caso a FSSPX continuaria seu caminho, colocando tudo nas mãos de Deus.
– Novos padres podem se aproximar da FSSPX por causa do levantamento das excomunhões. A FSSPX reordenará estes padres sob condição?  A idéia de que toda ordenação no Novus Ordo seria inválida é errada. A posição correta é a mesma com relação à nova missa. “Em si mesma, estritamente falando, se todas as condições requeridas pela natureza dos sacramentos são respeitadas, temos que contar com a validade, embora experimentemos que certo número dos sacramentos são distribuídos  invalidamente por falta de um dos elementos”. São bispos que têm um conceito errôneo do que é ser padre. Em casos onde as dúvidas eram muito sérias, e considerando que a Igreja requer que se tenha certeza neste aspecto, realiza-se a reordenação sob condição. Dos que não há dúvidas, não há porque reordenar.
– Dom Fellay ouviu em Roma que se pretende impor o latim no cânon da nova missa.
– O estado de necessidade ainda existe, pois a missa não é o único problema. É necessário ter uma visão ampla da situação da igreja. De jure há missa, mas na prática não. O Papa na carta aos bispos diz a fé corre o risco de desaparecer (“No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento”) . Isso prova o estado de necessidade.
– Para se evitar posições extremas (se referindo aos que não querem contato algum com Roma) basta rezar pelo Papa, que tem o trabalho mais difícil da terra.
– Maior desafio a ser ultrapassado na Igreja: sair da crise sem provocar uma maior. Colocar o trem nos trilhos quando há muita resistência. O risco de se despedaçar é enorme. Deve-se ir em direção à restauração sem sofrer maiores danos do que os atuais. É como ter um grande trem ou navio e uma grande curva.  Não se impõe a um trem em alta velocidade uma curva acentuada.
– Sítios sedevecantistas americanos:  Dom Fellay não vê grandes diferenças entre internet, televisão, rádio e imprensa em geral. São meios que darão frutos conforme seu bom ou mau uso.  Os fiéis que colocam sua confiança em pseudo doutores sem autoridade nem missão na Igreja correm sério risco de pecar. Alguns sites citam palavras de Mons. Lefebvre ao cardeal Ratzinger onde ele diz, em suma, que mesmo se Roma desse a ele tudo que fosse necessário, não poderiam trabalhar juntos por Roma não aceitar a doutrina de Cristo Rei. Dom Lefebvre relatou este diálogo que se deu no verão de 1987 numa conferência aos seminaristas. Depois disso, Dom Lefebvre ainda diria numa carta entre julho-agosto de 1987 aos futuros bispos que Roma estava ocupada por ‘anticristos’.  Todavia, estes sites nunca citam que após estes acontecimentos Dom Lefebvre pediu uma visitação canônica de Roma, cujas discussões aconteceram em abril de 1988. Tais citações devem ser analisadas, portanto, em seu contexto. É prática atual analisar as coisas sem suas circunstâncias. É questão de honestidade intelectual procurar compreender o que quis dizer o autor da frase. Tivemos um tempo difícil com Roma e hoje o problema persiste. Dissemos ao Cardeal Castrillón o mesmo que Lefebvre disse em 1987: “Se nos querem, devem respeitar nossa identidade. Não vai dar certo se nos pedir para mudar nossa identidade”. Nosso Senhor é Senhor, e todos os poderes Lhe devem ser dados no céu e na terra. “Definitivamente não vamos mudar isso”.

19 Comentários to “Notas: entrevista de D. Fellay ao seminário St. Thomas Aquinas.”

  1. Por favor, alguém pode me ensinar a respeito desses livros com teses embaraçosas do Papa, quando era Cardeal?

  2. Muito esclarecedor. Mas o ponto nevrálgico continua sendo a postura de D Williamson em relação ao superdogma do holocausto. Que pena! Eu gosto tanto desse Bispo por seu sim, sim, não, não! Rezarei ainda mais por ele a partir de agora.

  3. Prezado Ferretti, Salve Maria!

    O senhor teria mais informações sobre isso aqui:

    “- Dom Fellay ouviu em Roma que se pretende impor o latim no cânon da nova missa.”

    Se for verdade, é uma notícia maravilhosa!
    Mas, como se daria essa imposição? Pois, a missa nova sempre foi oficialmente em Latim, evidentemente há uma permissão para ser celebrada em vernáculo. Então, a imposição do Latim no Cânon se refere justamente as missas novas celebradas em vernáculo? A concessão ao vernáculo seria reduzida e a tornaria parcial.
    É uma ótima notícia! No entanto, receio como seria a reação dos liberais. E levando-se em conta que os padres hoje em dia não estudam Latim…
    Deus permita que seja verdade esta notícia!

    Abraços,
    Eduardo

    • Caro Eduardo, Salve Maria! Na entrevista Dom Fellay apenas aborda esse assunto de passagem e com poucos detalhes. Também não imagino como poderia se dar tal imposição, dentro das circunstâncias atuais.

  4. “Posso dizer que o único modo que aparece agora, ao menos que essas circunstâncias mudem, seria que Dom Williamson se retratasse”.

    Oxe! De novo? Com todo respeito e admiração que tenho por Sua Excelência, quantas vezes mais Dom Williansom terá que pedir desculpas?

  5. Retratar-se não é pedir desculpa. É afirmar claramente que estava errado.

  6. Caro Ferreti,

    Na sua opinião, o que seria se retratar?

    • Caríssimo Ricardo, no contexto da entrevista fica mais ou menos claro que Dom Fellay só vislumbra um retorno à ativa de dom Williamson se ele realmente retirar sua posição sobre o holocausto, não pelo fato de Dom Fellay ser um adepto do “dogma do holocausto”, mas simplesmente porque as posições de Dom Williamson trarão enormes problemas para a FSSPX.

    • Caríssimo Ricardo, no contexto da entrevista fica mais ou menos claro que Dom Fellay só vislumbra um retorno à ativa de dom Williamson se ele realmente retirar sua posição sobre o holocausto, não pelo fato de Dom Fellay ser um adepto do “dogma da Shoa”, mas simplesmente porque as posições de Dom Williamson trarão enormes problemas para a FSSPX.

    • Caríssimo Ricardo, no contexto da entrevista fica mais ou menos claro que Dom Fellay só vislumbra um retorno à ativa de dom Williamson se ele realmente retirar sua posição sobre o holocausto; não pelo fato de Dom Fellay ser um adepto do “dogma da Shoa”, mas simplesmente porque as posições de Dom Williamson trarão enormes problemas para a FSSPX.

  7. Luiz, leia com atenção:

    “O Santo Padre e meu superior, bispo Bernard Fellay, pediram que eu reconsidere as declarações que fiz num canal de televisão da Suécia há quatro meses, pois suas conseqüências foram muito fortes.

    Observando estas conseqüências, posso dizer verdadeiramente que lamento ter feito estas declarações, e que se tivesse sabido com antecedência todo o dano e as feridas que provocaram, especialmente à Igreja, mas também aos sobreviventes e entes queridos das vítimas de injustiça sob o Terceiro Reich, não as teria feito.

    Na televisão sueca só dei uma opinião (”Creio que…”, “Creio que…”) de uma pessoa que não é historiador, uma opinião formada há vinte anos em virtude dos dados que então estavam disponíveis, e que desde então havia expressado raramente em público. De todo modo, os eventos das últimas semanas e o conselho de membros da Fraternidade São Pio X me persuadiram de minha responsabilidade por tanta angústia causada. A todas as almas que ficaram honestamente escandalizadas pelo que eu disse, ante Deus, peço perdão.

    Como disse o Santo Padre, todo ato de injusta violência contra um homem fere todo o gênero humano”.

    +Richard Williamson,

    Londres, 26 de fevereiro de 2009

    Mais claro do que isso, na minha opinião, é querer rebaixar a dignidade deste grande bispo. Não sei no que consiste “retratar-se”, será que ele teria que aparecer (mais uma vez) na televisão? Ou reconhecer a Shoá? Isso seria péssimo para a Igreja. Desta vez não estou de acordo com Dom Fellay.

  8. Preste atenção:

    “Observando estas conseqüências […] lamento ter feito estas declarações…”

    “…e que se tivesse sabido com antecedência todo o dano e as feridas que provocaram […] não as teria feito.”

    Isto é, ele lamenta ter dito o que disse por causa das conseqüências, não porque tenha mudado de opinião no assunto. Isso nem faria sentido.

    O que se espera, aí sim, é que tendo ele revisto suas opiniões, reconheça a inverdade de suas colocações e, assim, mostre que não mais as sustenta.

    Não se trata de rebaixar a dignidade de bispo algum. O fim da FSSPX (e da Igreja) é salvar almas. Se uma opinião dessas prejudica a missão da FSSPX, inclusive fazendo-os perder locais de missa, que dizer? O dano causado foi enorme!

    Gosto de D. Williamson. Lamento muito o ocorrido (ou arquitetado), foi triste ver o que se armou contra ele. Mas isto era quase previsível diante das declarações feitas, isto é, uma tremenda imprudência!

  9. Meu caro Eduardo Monteiro, com todo o respeito, mas “impor o Latim no cânon da missa nova” é como listrar o cavalo para tentar passá-lo por zebra. Que diferença faz (para nós católicos) narrar, de modo protestante, a “Ceia do Senhor” em vernáculo, ou em latim, ou em aramaico?

    Quanto a “considerar o concílio à luz da Tradição”, acho muito intrigante essa expressão. Na época do Acordo de Campos, escrevi e disse aqui em Campos que, a considerar o CVII à luz da Tradição, deve-se, antes de mais nada, condenar grande parte dele. Pois, indubitavel e inevitavelmete, ela o condena. Condena a Liberdade Religiosa (do jeito que está posto nele); condena a ação do Espírito Santo, em detrimento dos Sacramentos; condena a Colegialidade; etc, etc…

  10. Bem, se o cânon da Missa Nova passar a ser em latim, pior para os progressistas.
    Não resolve a questão.
    Mas se for para ter uma Missa “comportada”, então para que duas liturgias?
    Espero que essa reflexão chegue às pessoas.

  11. Boa tarde a todos.

    Um dos pedidos feito por Roma era que a FSSPX não fica-se a criticar o Santo Padre em público, estou certo?

    As vezes tem a impressão que é a Sé Romana que deve se submeter aos tradicionalistas.

    Parece absurda está tese, eu seu, mas muitos ( não aqui) fala e escreve de uma forma que da a entender isto!

    E o CVII (se eu não estiver errado) é competência do Romano Pontífice e de ninguém mais, correto?

    Pax Vóbis !

  12. Muito Prezado Adilson, Salve Maria!

    Estou convicto que a imposição do Latim no Cânon para a missa em vernáculo é uma ótima notícia sim! ( caso a notícia se confirme, é claro)
    E agora lhe explico o porquê.
    O senhor me pergunta qual diferença faz para nós católicos a missa nova em Latim.
    Pois, caríssimo Adilson, eu lhe digo que faz muita, mas muita diferença mesmo. A primeira e mais importante é que os padres seriam obrigados a aprender o Latim. O que já causaria grande celeuma. Resultado imediato é que o seminários seriam forçados a ensinar o Latim. Então prepararíamos as próximas gerações de sacerdotes com domínio da língua da Igreja. E isso faz muita, mas muita diferença. Pois teríamos padres aptos a celebrar a missa tridentina, levando-se em conta a questão da língua.
    Meu caro Adilson, de que adiantaria o Papa abolir hoje a missa nova e só permitir a missa tridentina se não temos padres que saibam o Latim?
    Portanto, as coisas devem ser feitas por ETAPAS. E nisso, a FSSPX concorda plenamente. Tanto é que foi a FSSPX que sugeriu uma mudança por etapas: summorum pontificum, anulação das excomunhões… e agora as conversações…
    Será que estou explicando didaticamente? Estou tentando.
    Em suma, tornar obrigatório o Latim no Cânon da missa nova em vernáculo é um passo importantíssimo. Tentar entrar no mérito se a missa nova é zebra ou cavalo pintado com listras não faz parte da questão. O que importa são as consequências de um ato papal exigindo o Latim no Cânon. E as consequências são ótimas, conforme mencionei acima.
    É isso meu caro, não vou me estender mais no assunto, embora muito mais coisas poderiam ser ditas, para não tornar o comentário muito grande.

    Forte abraço!

  13. Acredito que além do Canon em latim, ele deveria ser retificado, no sentido de que as palavras “Mysterium Fidei” estivessem dispostas da forma como tradicionalmente eram colocadas. Deveriam ser reintroduzidas as orações do Ofertório e retirada a aclamação “…enquanto aguardamos vossa vinda”. Além é claro, de obrigar que o Canon fosse rezado da forma de sempre, ao contrário do tom narrativo que hoje se emprega. Isso já amenizaria muitos dos problemas. Seria um tapa-buraco, é verdade, mas um primeiro passo rumo ao retorno completo e universal do rito de S. Pio V.

  14. Aprender latim!?
    Não! Esses padres (e seminaristas) tem de aprender a Doutrina Católica, tem de apreender a verdadeira Liturgia. Isso sim.
    Vão aprender latim e vão continuar a celebrar essa missa protestantizada.

    Na verdade, o objetivo dessas medidas é a criação da temível “3ª Missa”. Isso devemos temer, pois ela será pior do que a missa de Paulo VI, caso venha a ocorrer.

  15. As colocações de Dom Fellay são muito sensatas e prudentes, como sempre.
    O caso é delicado (diplomaticamente falando), mas deve ser tratado à luz da doutrina de Nosso Senhor (Revelação, Tradição e Magistério) e não apenas com soluções externas, que ajudam mas não são essenciais. Como é o caso do latim.
    S. Pio X, fiel ao seu lema “instaurare omnia in Christo”, decidiu que a disciplina dos seminários devia ser revista (cf. Encíclica E Supremi Apostolatus). Mais tarde, na Encíclica Pascendi, continuou a alertar contra os erros modernistas a partir dos Seminários. Portanto, na minha opinião, a normalização da atual crise da Igreja passa obrigatoriamente pelos seminários onde se ensine doutrina, boa filosofia e teologia escolástica. Aliás, o Papa Paulo VI, citado por Dom Antônio de Castro Mayer na Carta Pastoral “Aggiornamento” e Tradição, já indicava esta escola como garantia contra o perigo de cair em erros doutrinários.

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