Bispo consultor jurídico da CNBB discursa em loja maçônica.

Bispo Emérito e Consultor Jurídico da CNBB proferiu palestra para platéia de 200 pessoas, no Templo da Loja Maçônica União de Ipatinga

Bispo discursa em loja maçônicaJVA – DA REDAÇÃO – O Bispo Emérito da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano, Dom Lelis Lara, foi o centro das atenções de um eclético e seleto público, na noite da última segunda-feira, 01, quando proferiu inédita palestra sobre as relações entre a Igreja Católica e a Maçonaria, no Templo da Loja Maçônica União de Ipatinga, no centro da cidade. O religioso palestrou a convite do Venerável Mestre da Loja União de Ipatinga, Ednaldo Amaral Pessoa, que tem como um dos pilares de sua gestão a realização de sessões públicas onde são realizadas palestras, abertas à comunidade, sobre temas diversos e de grande interesse de toda sociedade, não apenas dos maçons e seus familiares.

Segundo Dom Lara, o Concílio Vaticano II (1963-1965) escancarou as portas e janelas da Igreja para o mundo, e que depois do Concílio o propósito da Igreja Católica é se aproximar de todas as pessoas do mundo, sem preconceito, sejam elas cristãs ou não. E foi exatamente no espírito do Concílio Vaticano II que o Bispo se inspirou para falar da relação entre a Igreja Católica e a Maçonaria.

Dom Lara disse que “quando se fala de Igreja e Maçonaria, muitas vezes se estabelece ou se imagina um confronto entre essas duas entidades, mas não  deveria ser assim, porque católicos são cristãos e os maçons também, senão todos, certamente grande parte. E Jesus, ao final de sua vida, deixou para os seus seguidores o testamento de que devemos amar uns aos outros. Mas, segundo o bispo, esta palavra de Jesus não foi sempre bem entendida, e que às vezes é entendida de acordo com a índole das pessoas, e as pessoas mais radicais muitas vezes ficam com o coração armado, na defensiva ou no ataque, quando, como filhos de Deus, deveriam viver como irmãos, com o coração desarmado, respeitando as diferenças.




Ritos

Inicialmente, Dom Lara apresentou, de forma objetiva, a história da Igreja Católica, destacando a caminhada da Igreja – que já dura mais de dois mil anos – e que a instituição é como um barco no meio do oceano, que passou por muitos escolhos e superou muitas tempestades, e que procura sempre se adaptar aos tempos. O bispo lembrou ainda que o Papa João XXIII, responsável pela convocação do Concílio do Vaticano II, foi o grande responsável por colocar a Igreja Católica no caminho da atualização. Entretanto, segundo Dom Lara, este trabalho de atualizar a Igreja não é fácil, porque há várias correntes ou tendências dentro da própria Igreja, o que dificulta a caminhada.

Dom Lara destacou também que a Igreja Católica mundial adota dois ritos (maneira de celebrar a liturgia e de organizar a vida da Igreja) distintos: o rito latino e o rito oriental, sendo que na Igreja Católica oriental existem padres casados exercendo o ministério, o que não é admitido pela disciplina da Igreja Católica Latina. Esta postura, de dois ritos distintos, de acordo com o Bispo, é em respeito às grandes tradições e costumes dos orientais católicos. Dom Lara apresentou também à platéia o índice esquemático do Código de Direito Canônico, dando uma ideia de como se constitui, se organiza e funciona a Igreja Católica, destacando que o Povo de Deus está em evidência na sociedade eclesial. Ele finalizou seu breve relato da história da Igreja dizendo que estava ali “em simples pinceladas, um retrato da Igreja Católica, que nós dizemos ‘santa e pecadora’.

Maçonaria Operativa

Em seguida, Dom Lara discorreu sobre a origem da maçonaria, na idade média, quando a sociedade civil se constituía de corporações, entre as quais se destacaram as associações religiosas e as de operários. Dentre as de operários tinha destaque especial a dos pedreiros, que, por causa dos seus serviços apreciados em edifícios públicos, especialmente em igrejas, gozava de certas prerrogativas, de isenções e de franquias. Daí a origem de franc-maçon, ou pedreiros livres. Todos eram profundamente religiosos e cada associação queria firmar seus alicerces na religião, que dominava a sociedade, a fim de garantir sua estabilidade e proteger seus membros, proporcionando-lhes bem-estar físico, desenvolvimento intelectual e eterna felicidade à alma.

Maçonaria Filosófica ou Especulativa

Citando vasta bibliografia consultada, Dom Lara lembrou que o pastor protestante James Anderson foi o responsável pela elaboração das “Constituições” maçônicas, que em 1723 foram adotadas pela Grande Loja de Londres, que havia sido fundada em 1717. Dom Lara não deixou de citar também que foi James Anderson que distinguiu a Maçonaria Operativa, já extinta àquela época, da Maçonaria Especulativa, que pretendia plasmar o século das luzes, tendo por base Liberdade, Fraternidade e Igualdade. A grande diferença entre as duas fases da Maçonaria, a Operativa e a Especulativa ou Filosófica, é que na segunda os ofícios (pedreiros, carpinteiros, etc) passaram a ser simbólicos. Em vez da construção de catedrais de pedra, o ideal devia ser a partir de então a edificação de catedrais humanas, ou homens ideais, para honra do Grande Arquiteto do Universo (Deus).

Aproximação

Já entrando na questão das divergências entre as duas instituições, Dom Lara lembrou que a partir do século XIX, mais precisamente em 1877, o Grande Oriente da França suprimiu de suas constituições o dever de acreditar em Deus e na imortalidade da alma, e admitiu em seus quadros irreligiosos e ateus, caindo na irregularidade. Em função disto, a Loja Mãe da Maçonaria, Grande Loja Unida da Inglaterra, cortou relações com ela e ainda as mantém cortadas.

Assim, constatado que o anticlericalismo e o anticatolicismo se verificam apenas na Maçonaria irregular e não são da essência da Maçonaria Universal, é cada vez mais forte o movimento de aproximação entre a Igreja Católica e a Maçonaria. Ainda segundo o Bispo, é neste contexto que devem se colocar os pronunciamentos da Igreja Católica após o Concílio Vaticano II.

Dom Lara citou ainda um trecho bíblico … “não deixes tua mão esquerda saber o que a direita faz” (Mateus 6,3) para enaltecer uma das convicções dos maçons, que é a de praticar a filantropia sem dar publicidade ao ato. O que, segundo ele, é um princípio louvável. O Bispo foi enfático também ao afirmar que “muitas vezes a Maçonaria é vista como associação envolta em mistérios, segredos, como por exemplo, sinais para se identificarem como maçons; e isso faz com que muitos imaginem ou fantasiem coisas estranhas, ridículas e absurdas, como pactos com o diabo e coisas assim”.

Relação tensa

Ao discorrer sobre o relacionamento entre a Igreja e a Maçonaria, Dom Lara disse que “ao longo da história, aconteceu muita coisa que¸ infelizmente, devemos lamentar. As relações entre estas duas instituições foram tensas. Mas essas tensões não tinham a mesma intensidade em todas as regiões. Antes do Concílio Vaticano II o posicionamento da Igreja Católica em relação à Maçonaria era muito severo. O cânon 2335, do antigo Código de Direito Canônico, estabelecia excomunhão para quem ingressasse na Maçonaria ou em outras associações que maquinassem contra a Igreja ou autoridades civis legitimamente constituídas.

No atual código de Direito Canônico esta penalidade não consta. Aliás, a palavra Maçonaria não é conhecida no atual código de Direito Canônico. O cânon 1374 desse Código penaliza o católico que ingressar em associação que maquina contra a Igreja. Não se refere explicitamente à Maçonaria”, enfatizou o religioso.
Para Dom Lara, na Região Metropolitana do Vale do Aço as relações entre Igreja Católica e Maçonaria parecem tranqüilas, e que o Bispo Diocesano, Dom Odilon Guimarães Moreira tem a mesma impressão.

Ele citou ainda dois acontecimentos recentes que definem bem a boa relação entre as duas instituições. “Um que teve grande repercussão nacional, e mesmo fora do Brasil, a missa celebrada, no Natal de 1975, na Loja Maçônica Liberdade, de Salvador, pelo Emo. Sr. Cardeal Avelar Brandão Vilela, Arcebispo daquela cidade, já falecido. Naquela oportunidade, o Cardeal foi agraciado com distinta honraria da Maçonaria.

No ano seguinte, 1976, semelhante homenagem recebeu o Cardeal Arcebisbo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns”, destacou.
Mas Dom Lara deixa claro que a relação Maçonaria e Igreja Católica não é a mesma em todos os lugares, e que depende da orientação de seus responsáveis ou dirigentes. Segundo ele, coisa semelhante acontece com a Igreja Católica e Igrejas protestantes, citando como exemplo casos em que pretende-se realizar a celebração ecumênica de um casamento entre uma parte católica e a outra de religião cristã não católica. Há pastores que o permitem e há os que se opõem radicalmente a tal celebração.

Segundo ele, dentro da própria Igreja Católica, em questões não definidas pela doutrina ou autoridade da Igreja, a orientação ou decisão dos bispos não é sempre a mesma.

O Bispo Emérito da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano finalizou sua palestra com uma mensagem de união para os presentes: “o desejo ardente de Jesus Cristo é que todos sejam UM. E que todas as pessoas da terra se enlacem num grande abraço. Este sonho de Jesus Cristo deve encontrar eco e ressonância no coração de todos nós, seus seguidores. Ao longo da história sempre surgiram pessoas sensíveis ao projeto de Deus ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança”.

Para o presidente da Loja Maçônica União de Ipatinga, Ednaldo Amaral Pessoa, a visita de Dom Lara proporcionou momentos de rara felicidade a todos aqueles que compareceram à sessão. “A manifestação de Dom Lara foi simplesmente louvável, pois proporcionou oportunidade para que misticismos acerca da Maçonaria e da Igreja Católica fossem esclarecidos” destacou. Ednaldo destacou ainda que a mensagem de Dom Lara mostrou-nos a lição de que a relação com DEUS, para quem crê, é terapêutica e nos leva a viver a cura de nossas feridas interiores e físicas. Por fim, ressaltou que a presença de Dom Lara na Loja Maçônica demonstrou o quão grande é a sua coragem, restando constatada a erudição, sabedoria, inteligência e simplicidade, tão peculiar em Dom Lara.

A palestra de Dom Lara foi acompanhada por cerca de 200 pessoas, representantes de vários setores da comunidade, como Lions, Rotary, Judiciário, OAB e padres, além de membros de várias Lojas Maçônicas da região metropolitana do Vale do Aço.

A palestra despertou de tal forma o interesse da comunidade que a administração da Loja União de Ipatinga teve que colocar um telão no salão que antecede seu Templo para que várias pessoas não voltassem para casa sem assistir a palestra, visto que o interior do Templo já estava completamente lotado.
Ao final da cerimônia, Dom Lara foi homenageado com uma placa de agradecimento e reconhecimento aos relevantes serviços prestados à comunidade, bem como por seu desprendimento em realizar a inédita palestra.

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20 Comentários to “Bispo consultor jurídico da CNBB discursa em loja maçônica.”

  1. Essa participação de um prelado em uma sessão maçônica já não me escandaliza mais, infelizmente…
    Tornou-se via de regra, após o Concílio Vaticano II,o favorito dos maçons, os flertes de certos setores do epsicopado, do clero e laicato com a maçonaria em total contradição às disposições doutrinárias da Santa Igreja relativas à essa sociedade secreta satânica.
    Será que Dom Lara versou também sobre o derramamento de sangue católico durante a perseguição religiosa do govern maçom do México dos anos 20? E a campanha difamatória perpetrada pela maçonaria contra a Santa Igreja ao longo dos séculos? Isso não seria muito bem digerido pelos “irmãos da loja”, certamente.
    Desde quando maçons são cristãos? Pode-se adorar à Deus e à Satanás?

  2. Víbora pertinaz!

  3. É o fim da picada.
    Esse bispo velhaco obviamente está excomungado. Ele não é bispo, um apóstolo de Cristo, um príncipe da Igreja; ele nem mesmo é católico.
    É por isso que Nossa Senhora pediu para que rezássemos e fizéssemos sacrifícios pela santificação dos sacerdotes (e bispos) nas suas aparições em Garabandal-Espanha.
    Vejam aí o que afirmam as testemunhas das aparições:

  4. Viram só: em 1975 D. Avelar, cardeal de Salvador, foi condecorado na maçonaria…

    Quando eu digo q a Igreja daqui há muito foi arrasada…

  5. O que é isso?!!!!!

    O Rodrigo Ruiz resumiu bem o problema. Esse bispo chutou o ensinamento da Igreja sobre a maçonaria.

  6. A respeito da palestra:Dom Lara

    Achei que fosse brincadeira de alguém,mas é verdade.
    Estou chocada.Mas Jesus disse que não haveria comunhão entre as trevas e a luz e no final dos tempos viria a apostasia que tentaria dominar a Igreja,mas ela prevaleceria contra todo mal,e este é um deles infelizmente.

  7. Nem sei se esse meu comentário seu autorizado pelo moderador, se não for, entenderei.

    Odeio o Vaticano II, não consigo ver João XXIII como Beato (se ele for canonizado, não me submeto). Não me submeto ao doentio caráter de Paulo VI, porque qualquer homem mediano seria capaz de antever os males que o Concílio viria a fazer. Bugnini? Esse tenho como o pior dos piores, o mais baixo, mais corrupto, mais infectado com a espírito liberal. Bispos pró tragédia conciliar? Esses não passam da escola farisaica moderna e serão os primeiro a serem julgados por defecção. Uma tragédia Dantesca que só terá fim com a intervenção sobrenatural. Antes a Igreja reduzida aos guetos do que vê-La nas mãos desses homens cheios do espírito do século, cheios do 1789, cheios de Voltaire, Sartre, Montesquieu, Diderot, Kant (o mais baixo de todos os “iluminados”), Foucault, Rahner, Guardini, Lubac, Frings, von Baltazar, Suenens, inebriados pelas águas do Tibre.

    Suma da Igreja Lara, Ela não precisa de gente do seu nível, nem de sua palavras, nem do seu pastoreio. Gregório VII, Gregório X, Inocêncio III, Alexandre III, Leão XIII, Pio IX, Pio X, Pio XII (o último Papa inteiramente ortodoxo), que falta vocês fazem, e que drama vivemos que só vocês saberiam solucionar.

  8. Caros:

    Salve Maria!

    Não me canso de ficar indignado com este tipo de coisas!

    Me consome a tristeza de ter que rezar pedindo a Deus proteção contra os próprios “bispos” da Igreja.

    Um abraço

  9. Caríssimos,
    Salve Maria!

    A Igreja santa e pecadora, não é a Igreja que é o corpo de Cristo e tem seu corpo santo e incorruptível. Tal Igreja é a humanidade irremediavelmente corrompida pelo pecado original, a que tem o homem decaído pelo pecado como cabeça.

    Não nenhum pecado naqueles que estão em Cristo Jesus, disse o apóstolo. A problemática gira em torno de considerar aqueles que não estão em Cristo, como membros da Igreja. A Igreja que eleva homens que pontos essenciais do Credo Apostólico, tais como o Cardeal Kasper, Lehman, Zollist, etc é incapaz de afirmar quem fez e quem não fez parte da Igreja em seu passado, crêem exatamente que a Igreja é a humanidade.

    Outro problema neste sentido, é a questão do subsist in. A correção feita pela Congregação para a doutrina da fé foi insuficiente para apagar o significado que se lhe atribui. Se a Igreja Católica é pecadora quanto a seus membros, como a Igreja de Cristo pode subsistir plenamente nela?

    A concepção de Igreja “Santa e Pecadora”, nada mais é do que a aplicação da Sola Fides, a Igreja. Talvez disso resulte a série de absusos que vemos principalmente na litúrgia, pois conforme diz Maritain:

    “A natureza humana terá que rechaçar como um inútl acessório teológico o manto de uma graça que não é nada para ela e cobrir-se com sua fé-confiança para converter-se em uma bela besta livre, cujo infalível e continuo progresso encanta hoje o universo inteiro”.Trois Reformateurs, pág 25

    O que temos visto com nossos olhos na Igreja Conciliar, é exatamente o que diz Maritain. Este é um dos motivos pelos quais a racionalidade católica, esta ausente em boa parte do clero e na litúrgia. É profundamente triste e deplorável… fiquem com Deus.

    Abraços

    Gederson

  10. Oremos..oremos!!!é o fim dos tempos!

  11. “O Concílio Vaticano II escancarou a Igreja para o mundo”

    Nisso o bispo filomaçom tem toda a razão, mas o que me angustia mesmo é que esse discurso só dói nos nossos ouvidos tradicionalistas. A mesma frase ganha conotação heróico-romântica aos ouvidos da multidão moderna…

  12. Esses são os eminentes frutos do aggiornamento… e a igreja de satanás cresce a cada dia!

  13. Verdade, Pedro.
    O povo miúdo acha que isso é bom.

  14. Justiça! A Santa Igreja de Deus foi mais uma vez ultrajada por mais um de seus pastores… Até quando, Deus meu? Onde estão as autoridades? Basta de escândalos, basta! Se não houver punição exemplar, quantas mais almas serão arrastadas para o precipício, por se afastarem escandalizadas da Igreja, ou por pensarem ser lícita a maçonaria? Levantai-vos ó Deus e julgai a vossa causa!

  15. Está na hora destes satélites do demônio serem punidos por todo o mal que tem feito e fazem às almas! Basta de canalhices! A hierarquia católica está agonizando, poucos ainda permanecem fiéis à sua missão episcopal, ao pastoreio do rebanho de Nosso Senhor!Deus não dorme!

  16. Será que adianta alguma coisa reclamar para Roma? E, especificamente, quem receberia a reclamação do escândalo? (Para qual Bispo reclamar????)

  17. Que pena, que ninguém segue mais o orientação do Apóstolo: “Increpa illos dure”! (Ep. Tito, I, 13). Se hoje na Igreja, não imperasse o culto à impunidade, a postura dos nossos pastores seria outra, porque se grande é a vontade de desobedecer e de ser infiel, por outro lado, grande é também o medo de perder as regalias que se tem na qualidade de bispo… Regalias essas, que muitas vezes são o único estimulo e objeto de muitos que querem “seguir ao Senhor”. Que falta faz o Tribunal do Santo Ofício!Sem ele não teriamos bispos maçons e nem padres que negam a ressurreição! Tenho que fazer minha as palavras do venerável Mons. Marcel Lefebvre “J’accuse le concile!” Desde S.S. Clemente XII, os Pontífices Romanos sempre condenaram a Maçonaria! Até depois do Concílio, e do Código Canônico de 83 permaneceu a condenação, basta ver a nota do então Cardeal Prefeito da Congregação para Doutrina da Fé, isto é, o Cardeal Joseph Ratzinger:

    “Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo fato de que, no novo Código de Direito Canônico, ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior.
    Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a uma critério relacional, seguindo também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.
    Permanece, entretanto, imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja, e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave, e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.
    Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçônicas, com juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, PP. 240-241).
    O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação.”

    Só Sua Santidade Leão XIII publicou 226 documentos contra a maçonaria! Dentre esses documentos a Encíclica Humanum genus, que com extrema clareza demonstrou a constituição herética e satânica de tal seita. Mas infelizmente, a maçonaria hoje já conseguiu boa parte de seus objetivos… A secularização dos Reinos, a falsa idéia de igualdade, a cultura de “verdades subjetivas”, o indiferentismo religioso e por fim adentrou na própria Nau de Pedro, pelas “janelas e portas escancaradas” como confessou sua Excelência Reverendíssima Dom Lélis Lara… Ou seja, agora o que vale não é converter o mundo à Igreja, mas sim converte à Igreja ao mundo… É retratos da Igreja Pós-Conciliar!

    “Em primeiro lugar, arrancai à Maçonaria a máscara com que ela se cobre, e fazei-a ver tal qual é. Em segundo lugar, por Vossos discursos e por Cartas pastorais especialmente consagradas a esta questão, instruí Vossos povos; fazei-lhes conhecer os artifícios empregados por essas seitas para seduzir os homens e atraí-los às suas fileiras, mostra-lhes a perversidade das suas doutrinas e a infâmia dos seus atos. Lembrai-lhes que, em virtude das sentenças várias vezes proferidas pelos Nossos predecessores, nenhum católico, se quiser permanecer digno do seu nome e ter da sua salvação o cuidado que ela merece, sob qualquer pretexto, pode filiar-se à seita dos mações. Que ninguém, pois, se deixe enganar por falsas aparências de honestidade. Algumas pessoas, com efeito, podem crer que, nos projetos dos mações, não há nada formalmente contrário à santidade da religião e dos costumes. Todavia, sendo condenado pela moral o princípio fundamental que é como que a alma da seita, não pode ser permitido aliar-se a ela, nem auxiliá-la de qualquer modo.” (LEÃO XIII, Humanum Genus. N. 28)

  18. Caríssimos,
    Salve Maria!

    O problema de se considerar a humanidade como Igreja, é que o episcopado se transforma em testemunha da unidade do gênero humano. Consequentemente o episcopado ainda que afetivamente esteja unida ao Papa, efetivamente ele estará unido ao povo, de onde as necessidades deste apresentaram-se como as ordens do Romano Pontífice. É muito complicado, mas é certo que o episcopado conciliar testemunha em seus atos a unidade com o gênero humano ao invés da unidade de fé. Fiquem com Deus.

    Abraço

  19. Caríssimos,
    Salve Maria!

    Reparem no trecho do texto “A evangelização a serviço do mundo” de Dom Benedito Beni dos Santos:

    “4. Igreja a serviço de todos os seres humanos

    A constituição pastoral Gaudium et Spes forma um todo com a Lumen Geuntium. Materialmente é o documento mais longo do Vaticano II. Com ele, o Concílio quis mostrar claramente que o caminho da Igreja passa pelo ser humano. A Gaudium et Spes apresenta, por assim dizer, a base antropológica da eclesiologia conciliar. A Igreja é Igreja do Verbo Encarnado. É, em certo sentido, a continuação da encarnação. Pela encarnação, o Filho de Deus, afirma a constituição pastoral, se uniu a cada ser humano (14). Assim, a revelação de Deus é, ao mesmo tempo, revelação do homem.
    Cristo revela, antes de tudo, a dignidade sagrada do ser humano. Ele possui uma vocação divina (15). Encontra-se numa relação única com Deus. É seu filho não só no sentido de que Deus é criador de tudo o que existe. O ser humano é filho no Filho de Deus que se encarnou. Com seu mistério pascal, Jesus demonstrou ainda que a nossa condição definitiva não é morte. É a ressurreição.
    Ao entrar numa comunidade humana, o Filho de Deus tornou-se solidário a nós. Santificou as relações humanas. Usou as categorias humanas para nos falar do amor do Pai, para anunciar o seu projeto de justiça, de fraternidade e de paz (16).
    Com a Gaudium et Spes a Igreja dá mais um passo qualitativo na compreensão de sua missão. Ela está a serviço não só de seus membros, mas de todos os seres humanos, independente, de raça, de religião, de regime político.

    5.Apresento, agora, algumas conclusões na linha de princípios:

    a) A pessoa de Jesus Cristo deve ser a medida da dignidade da pessoa humana e o fundamento de sua promoção.
    Se, pela encarnação, ele se uniu a cada ser humano, a sua dignidade, a do ser humano, não significa apenas que ele não possa ser tratado como meio, não possa ser manipulado como se fosse uma coisa. Significa que possui uma dignidade sagrada, que envolve a nossa relação com Deus. A promoção humana, por sua vez, não deve restringir-se apenas ao econômico, ao político, ao cultural. Deve envolver também a dimensão transcendental e religiosa do ser humano.
    b) Vinculação íntima entre evangelização e promoção humana.
    Trata-se, segundo a Evangelii Nuntiandi, daquelas razões de ordem antropológica, teológica e evangélica. No plano antropológico, se recorda que o homem e a mulher a serem evangelizados não são seres abstratos, mas inseridos na realidade social e econômica. No plano teológico, não podemos dissociar a ordem da criação da ordem da redenção. No plano evangélico, podemos citar a caridade. Ela envolve a relação não só entre indivíduos, mas também entre os grupos sociais, entre as categorias de sexo, entre os povos. A caridade tem uma dimensão política, econômica, pedagógica e, até mesmo, ecológica.
    A caridade pode ser expressa também pelo vocábulo solidariedade. Esta não é mero serviço ao próximo, mas comunhão com ele, com seu sofrimento, com seu anseio de libertação. É fidelidade a Jesus Cristo, que repartiu o pão multiplicado a multidão, curou enfermos, passou fazendo o bem na expressão do livro dos Atos (cf.10,38), ele o Bom Samaritano, que, não fim dos tempos, nos julgará, tomando, como critério, o amor para com os pequeninos da terra. Esta passagem do evangelho mostra claramente que a caridade, a solidariedade, tem uma dimensão soteriológica.
    A introdução do pecado na história rompeu com a solidariedade, atingiu negativamente a harmonia ecológica, provocando tantos males individuais e coletivos. Restaurar, pela caridade, a harmonia do mundo criado, em sua dimensão social e ecológica, é, pois, uma questão de fidelidade a Deus.
    c) A Opção preferencial pelos pobres, não exclusiva nem excludente, deve iluminar a nossa ação evangelizadora, como iluminou a de Jesus.Trata-se de uma exigência, até mesmo, espiritual. Na carta apostólica Novo Millenio Inneunte, a contemplação do rosto de Cristo como primeiro pilar da espiritualidade do evangelizador. No mesmo ano da publicação dessa carta apostólica, por ocasião da mensagem pelo dia mundial das missões, ele afirmou que a contemplação do rosto de Cristo deve levar-nos à contemplação do rosto dos irmãos, principalmente dos pobres e sofredores. Por causa do mistério da encarnação, nos seus rostos sofredores se refletem os traços do rosto sofredor do Verbo encarnado. Rostos desfigurados pela fome, conseqüência da injustiça social; rostos desiludidos pelas promessas políticas não cumpridas; rostos humilhados pelos preconceitos e desrespeito à cultura; rostos cheios de pavor por causa da violência diária: rostos angustiados dos menores abandonados, que caminham pelas ruas e dormem nas caçadas e debaixo de pontes; rostos humilhados de tantas mulheres marginalizadas; rostos envelhecidos precocemente por trabalhados realizados em condições desumanas; rostos cansados de migrantes que não encontram acolhida e trabalho.

    Dom Benedito Beni dos Santos” A Evangelização a serviço do mundo http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/a_evangelizacao_servico_mundo.doc

    Corrijam me se eu estiver enganado, mas isto também não é a negação do dogma da redenção?

    Fiquem com Deus.

    Abraço