“Em caso nenhum se permita a Comunhão na mão”.

Dom Antônio de Castro MayerNa Igreja Latina, a fé viva na Presença Real se ostenta mediante a genuflexão e a postura genuflexa, quando se passa diante ou quando se está em presença da Santa Hóstia Consagrada, ou solenemente exposta, ou em reserva no sacrário. Semelhante atitude baseia-se na Sagrada Escritura. Nela. de fato, lemos que tal atitude é, no fiel, o sinal da adoração. Assim, são louvados os milhares de judeus que “não curvaram os joelhos diante de Baal” (Rom. 11, 4); e, a respeito do Deus verdadeiro, diz o Senhor em Isaías, que “a Ele se curvará todo joelho” (44, 23 – cf. Rom. 14, 11 ). Mais diretamente a Jesus Cristo, declara o Apóstolo que ao seu nome “dobra-se todo joelho, no Céu, na terra e nos infernos ” (Fil. 2, 10). Aliás, era a maneira como externavam sua fé no Salvador aqueles que Lhe pediam algum benefício (cf. Mat. 17, 14; Marc. 1, 40). Na Santa Igreja, o costume de dobrar os joelhos diante do Santíssimo Sacramento, além da adoração devida a tão excelso Senhor, tenciona, outrossim, manifestar reparação pelas injúrias com que a soldadesca infrene ludibriou do misericordioso Salvador, após a flagelação e coroação de espinhos: “de joelhos diante d’Ele, d’Ele zombavam” (Mat. 27, 29).

Fixa-se assim numa Tradição Apostólica o hábito de manifestar, mediante a genuflexão e a postura ajoelhada, nossa fé viva na Divindade de Jesus Cristo, substancialmente presente no altar. Eis porque recebe o fiel a Sagrada Comunhão de joelhos. Não o faz o Sacerdote na Missa, porque ele aí está representando a pessoa de Jesus Cristo. ‘Agit in ,persona Chisti”. faz as vezes de Cristo como sacrificador, ofício que de modo algum compete ao fiel. Fora da Missa, também o Sacerdote comunga de joelhos.

Não há por que deixar uso tão excelente

Não somente porque é um costume imemorial, com base na Bíblia Sagrada, como peia mesma natureza do ato, a genuflexão raros compenetra de humildade, leva-nos a reconhecer nossa pequenez de criaturas diante da transcendência inefável de Deus, e mais ainda, nossa condição de pecadores que só pela mortificação e a graça chegaremos a dominar nosso orgulho e demais paixões, e a viver como verdadeiros filhos adotivos de Deus, remidos pelo Sangue preciosismo de Jesus Cristo.

De onde, a substituição de semelhante costume piedoso por outro só poderia justificar-se, no caso de uma excelência superior tão grande que compensasse também o mal que há em toda mudança, como ensina Santo Tomás de Aquino (1. 2. q. 97, a. 2) com relação aos hábitos que dão vida às leis. Fiel a esta doutrina do Aquinate, o II Concílio do Vaticano estabelece que não se devem introduzir modificações na Liturgia, a não ser quando verdadeiramente necessárias, e assim mesmo, manda que as novas fórmulas dimanem organicamente das já existentes (Const. “Sacrosanctum Concilium”, n° 23).

Ora, o novo modo de comungar não oferece a excelência que sua introdução está a pedir. De fato, comungar de pé é coisa que não apresenta a seu favor textos da Sagrada Escritura, não tem as vantagens espirituais que a postura de joelhos traz consigo, como acima observamos, e tem os inconvenientes de toda mudança, que relaxa em vez de afervorar os fiéis.

Por isso, deve-se conservar o hábito de comungar de joelhos. […]

Recomendamos, portanto, a todos os caríssimos Sacerdotes que exercem o ministério no nosso Bispado, que se atenham a esta disposição diocesana: só distribuam a Sagrada Comunhão aos fiéis ajoelhados, admitindo apenas exceções em casos pessoais, quando alguma enfermidade torna impossível, ou quase, o ajoelhar-se. Em caso nenhum se permita a Comunhão na mão.

Dom Antônio de Castro Mayer, Circular sobre a Reverência aos Santos Sacramentos, 21 de novembro de 1970.

6 Comentários to ““Em caso nenhum se permita a Comunhão na mão”.”

  1. Dom Antonio: “Recomendamos, portanto, a todos os caríssimos Sacerdotes que exercem o ministério no nosso Bispado, que se atenham a esta disposição diocesana: só distribuam a Sagrada Comunhão aos fiéis ajoelhados, admitindo apenas exceções em casos pessoais, quando alguma enfermidade torna impossível, ou quase, o ajoelhar-se. Em caso nenhum se permita a Comunhão na mão.”

    Ir. Emmanuel: “Ainda acho que “há poesia demais com coisa tao seria” – admiro a Tradição, mas em certos aspectos a “nostalgia” por si só não explica muita coisa…prefiro ficar entao “relativista” como alguns queiram dizer. Continuo dizendo que nao faz diferença se na mão ou na boca…o mistério eucarístico está alem disso…”

  2. Que retórica barata dizer que “o mistério eucarístico está além disso”. Esta frase me lembra uma de João XXIII, igualmente retórica: “o que nos une é maior do que o que nos separa”. E por que que tem que ser necessariamente assim? Por que não pode ser o oposto: “o que nos separa é muito maior do que o que nos une”? Estas idéias estão fundadas na retórica, na simples ordenação de conceitos sem um nexo lógico permitindo estas conclusões.
    É muito elegante e bonito dizer que “o mistério eucarístico está além disso”; mas, para demonstrar que esta frase não quer dizer absolutamente nada, eu a repito no seu exato oposto, e convenço da mesma maneira: “faz diferença a comunhão na boca do que na mão…o mistério eucarístico está muito além da comunhão na mão”. Por que as duas frases parecem fazer sentido? Porque as duas não argumentam com a lógica, mas com a retórica, com o doce e sedutor falar.
    Para compreender a comunhão na boca é preciso entender que o mundo é uma Teofania, uma manifestação de Deus. Cada ser e cada ato do homem estão relacionados com a nossa aceitação dos planos de Deus. Ajoelhar-se é manifestar a idéia de servidão a Deus por meio do corpo, pois o que se ajoelha está em situação passiva, submissa. Começar a pensar que podemos ter idéias boas sem praticar certos símbolos destas idéias–isto é, as suas manifestações concretas–é dissociar o serviço do corpo e da alma a Deus. Não podemos simplesmente comungar de pé e na mão porque “não há mau nisso”…mas também não há nenhum bem. Afinal, eliminando o símbolo exterior, aos poucos, a idéia interior também se acabou…eliminando a manifestação concreta e simbólica da idéia de adoração a Jesus eucarístico, aos poucos a própria idéia contida no ajoelhar-se também foi desaparecendo.
    Não podemos eliminar o caráter material, simbólico e visível dos atos litúrgicos. O homem é alma, mas também é corpo. E este corpo precisa servir a Deus, manifestando esta servidão nos gestos.

  3. Sabemos que a atitude ajoelhar-se por si mesma não implica em culto de Latria, ou seja, adoração. Se fosse assim a Igreja não permitiria que se ajoelhassem diante das imagens de Maria e dos santos. Quando os judeus se ajoelhavam diante de Jesus, o faziam reconhecendo nele alguem que merecia honra; era o gesto exterior da época para honrar um superior, já que para os judeus que creram em Cristo, antes da Ressurreição, Jesus era um profeta de Deus e não o próprio Deus, segunda pessoa da Trindade. Mas quando nos ajoelhamos diante do Cristo em seu sacramento do seu corpo e sangue estamos sim prestando um de ato de adoração porque sabemos que ele é o superior todos até à nossa própria vida. Adoração não se limita a gestos externos. Apenas a manifesta. Protestantes entendem adoração como inclinar-se ou ajoelhar-se diante de uma imagem. Por isso acusam os católicos de idolatras. Realmente isso pode confundir. Precisa o católico saber que ao ajoelhar-se diante uma imagem ele o faz como uma homenagem a alguem superior a ele mas não como um ser de valor absoluto, a quem deva mais que tudo até mais do que a vida; faz porque ele esta representa servo de Jesus. Não se adora nem mesmo uma imagem de Cristo. Adora-se o Cristo simbolizado na Imagem. Mas diante da eucaristia não há um simbolo. Estamos na presenta do próprio Cristo. Ao nos ajoelharmos estamos realmente externamente manifestando a adoração absoluta a Ele. E há muitos católicos que ao entrarem numa igreja , por ignorância se ajoelham diante das imagens do santos e não diante do Senhor no sacrário,(Mesmo quando o sacrário ficava no centro, muitos nem sabiam que era. E nem o significado da luz vermelha acesa. Sei disso porque fui catequista e me preocupava em esclarecer. Na paroquia o sacrário ainda é no centro atrás do altar.) o fato de a comunhão ser dado de joelhos serviria parai indicar isso. Perante uma imagem podemos ou não nos ajoelhar desde que sabendo que uma mera homenagem com o era antigamente pretor-se diante de um rei ou profeta. Mas perante o santíssimo sacramento é um gesto de adoração pois é o próprio Deus que reconhecemos como o Senhor , o bem maior mais de que nossa vida; ao qual temos obrigação de amar sobre todas as coisas. A igreja poderia insistir nesse aspecto, ate mesmo incentivando prostração apenas perante o Santíssimo Sacramento; evitaria mal entendidos para católicos e os protestantes, já que o externo e visível e não o interno…Amar Deus sobre as cosias, reconhece-lo com supremo não o é. Daí mais um grande motivo para comunhão de Joelhos.

  4. PAX

    Obrigado por citar a fonte do artigo: Site FSSPX-Brasil; nem a foto engana: tem até a escrita da parte de trás no fundo.

    Porque os senhores não gostam de citar o site do Brasil e sempre citam o do Distrito e o da França?

    Algum problema pessoal com a FSSPX no Brasil?

    • Caro Rodrigo, Laudetur Iesus Cristus!

      Recebemos este arquivo de um leitor amigo de Campos, que sempre comenta por aqui e poderá confirmar. Quanto a todas as outras publicações que mencionam Dom Antonio de Castro Mayer, sairam de nossos arquivos pessoais.

      Com relação a algum problema em citar a FSSPX no Brasil, bastaria lhe lembrar da recente propaganda que fizemos da peregrinação organizada pelo priorado de São Paulo e a entrevista com o Pe. Joel Danjou.

  5. Qualquer contribuição que divulgue a sã doutrina da Santa Igreja, sem deturpações ou diminuições, é sempre benvinda. Venha de quem vier.