Ditos e não ditos – A reforma da reforma litúrgica. Tornielli se manifesta.

(Kreuz.net) Itália. Recentemente, o vaticanista Andrea Tornielli informou que no início de abril os cardeais da Congregação para o Culto Divino entregaram sugestões ao Papa para uma reforma litúrgica. Pouco tempo depois, o Vice-Presidente da Sala de Imprensa do Vaticano, Padre Ciro Benedettini, esclareceu que não estava planejada nenhuma modificação dos livros litúrgicos. Na edição de hoje do jornal britânico “The Catholic Herald”, a jornalista Anna Arco escreve o contrário, ou seja, que “Tornielli permanece com a sua versão [dizendo que interpretava a negação de “propostas institucionais” pelo Pe. Benedittini como indicativa de “projetos (por ora) não oficiais]”.

[Atualização – 29 de agosto de 2009, às 20:53] Andrea Tornielli se manifesta. Do blog Oblatvs:

Quero dizer-lhes que o desmentido do Padre Benedettini, mais do que pelo meu artigo, foi provocado pela sua repercussão em muitos blogues (depois do caso Williamson, os blogues e os sites da internet têm sido constantemente monitorados pela Santa Sé) que davam como iminente a “reforma da reforma” e modificações na missa num sentido mais tradicional (ou de “marcha-ré”, segundo a expressão usada pelo Cardeal Bertone).

Antes de tudo, no meu artigo jamais falei de reformas iminentes ou de documentos já preparados, e no final dizia claramente que se tratava do começo de um trabalho. Um trabalho longo, que não quer impor as coisas do alto, mas envolver os episcopados. Falava da votação feita pela plenária da Congregação, do fato de o Cardeal Cañizares ter levado os resultados ao Papa, do fato de que se começou a estudar, não “propostas institucionais de modificação dos livros litúrgicos”, mas sim indicações mais precisas e rigorosas relativas à modalidade de celebrar com os livros existentes e há pouco publicados.

Tudo isto para dizer-lhes que não acreditem que o que hoje lhes escrevo seja insignificante, que o Papa e a Congregação do Culto não estejam pensando em nada, que a “reforma da reforma” e a recuperação de uma maior sacralidade da liturgia seja uma notícia falsa publicada por mim. Desde que me tornei vaticanista tenho cometido muitos erros e muitos cometerei, mas o artigo em questão, creiam-me, não é um deles. De resto, o fato de que “no momento” não existam “propostas institucionais” de reforma não desmente que hoje já existam propostas em estudo que ainda não se tenham tornado “institucionais”. E basta ler aquilo que em determinado momento escreveu o Cardeal Ratzinger e o que escreveu o Papa Bento XVI na carta que acompanha o Motu proprio “Summorum Pontificum” para dar-se conta de quanto este tema está lhe é caro.

Fonte: Il Blog di Andrea Tornielli

Tradução: OBLATVS

5 Responses to “Ditos e não ditos – A reforma da reforma litúrgica. Tornielli se manifesta.”

  1. Andrea Tornielli não estava cotado para assumir a direção da Sala de Imprensa da Santa Sé?
    Creio que as fontes dele são (e foram sempre) muito confiáveis… é ver para crer…

    Como alguém ja disse aqui no fórum, a Santa Sé permite “vasar” informações para ter um feedback da imprensa e sociedade em geral e tempos depois, aquilo que era apenas murmúrio de bastidores, torna-se real.
    Isso foi o que aconteceu com a suspensão da exomunhão e o Motu Proprio, não?

  2. Questão de estrategia ou ação temerária?

  3. A estratégia de se “tomar a pressão” através da mídia vem sendo há muito tempo utilizada, inclusive no Concílio Vaticano II, onde a imprensa divulgava os fatos com rapidez, obviamente dando uma versão sempre simpática às reformas progressistas e antipática às tradicionais, ou, apenas omitindo, como bem analisou P. Wiltgen (O Reno se lança no Tibre) e também Frei Klopemburg (depois bispo) nas sua notas sobre sua participação neste Concílio.

    Como diz um ditado popular: “O povo aumenta, mas não inventa”.

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