Objetivos indefinidos das discussões teológicas.

Yves Chiron, em seu boletim Aletheia, dá outros detalhes sobre as discussões teológicas:

Segunda-feira, 26 de outubro de 2009. Membros da delegação da FSSPX, ao fundo no centro, chegam ao Vaticano. AP Photo/Gregorio Borgia

Segunda-feira, 26 de outubro de 2009. Membros da delegação da FSSPX, ao fundo no centro, chegam ao Vaticano. AP Photo/Gregorio Borgi

Uma vez mais, vê-se que não é o Concílio Vaticano II todo inteiro que a FSSPX rejeita. Mons. Fellay o dizia claramente, há alguns meses, em uma carta ao cardeal Castrillón Hoyos, então presidente da comissão Ecclesia Dei:  “Nós não recusamos o concílio em bloco. O que é retomado do Magistério constante da Igreja nós aceitamos, mas recusamos as novidades – e sobretudo um certo espírito – que são contrários ao Magistério da Igreja” (carta, inédita, de 15 de dezembro de 2008).

A duração destas discussões doutrinais não está determinada: “vários anos”, estima Mons. de Galaretta, um dos três representantes do FSSPX na Comissão; “não muito mais de um ano”, espera o lado romano. Um ponto muito importante permanece ainda a se determinar, o mais importante talvez. Se um acordo doutrinal for encontrado, que forma ele tomará? Tomará simplesmente a forma de uma declaração comum das duas partes, como existem várias com a Comissão Internacional Anglicana-Católica (ARCIC), com a Comissão mista católica romana e evangélica luterana, e com outras comissões? Ou ele conduzirá a um ato magisterial, solene e vinculante para a fé? É justamente porque o objetivo final das discussões Santa Sé-FSSPX não está definido, que um teólogo romano, eminente, que tinha sido sondado para ser um dos representantes da Santa Sè na Comissão, recusou[…].

4 Comentários to “Objetivos indefinidos das discussões teológicas.”

  1. Recusou o que???

  2. Eis aí a questão:

    Será lícito para a Tradição da Igreja conformar-se a ser mais uma no meio da diversidade?
    É certo admitir que a Tradição equivale em valor às demais interpretações conciliares?

    É certo manter uma gaveta para a Tradição, como se fosse uma mostra de zoológico?

    Creio que essa discussão teológica será em vão se a medida for meramente a de união a todo custo. Se resolveram discutir doutrina, então o propósito é fazer prevalecer a verdade.

    Se Roma deseja apenas correção canônica, então eu aconselho a todos que parem agora, pois estarão perdendo tempo e dinheiro para uma obra frusta.

  3. Lembro de um certo comentário de Mons. Lefebvre sobre o CV-II; dizia ele: “Querem que acreditemos que uma sopa com uma gota de veneno seja ainda sopa… Uma sopa com uma gota de veneno é veneno e não sopa! Mudou-se a substância: é outra coisa! O Concílio é a sopa com uma gota de veneno; e não podemos tomá-lo!!!”
    Não me lembro onde li, mas acho que a comparação é muito pertinente.
    Creio que a “mescla”, o hibridismo entre a letra [pseudo]tradicional e o espírito revolucionário são inseparáveis! Ambas não se coadunam com a verdadeira Doutrina – só à força de sofismas e/ou cegueira…
    Creio que as declaração de D. Fellay visam mais criar um ambiente sadio para as conversações do que catalizar uma má-vontade prévia à todo o colóquio.
    As posições já estão definidas: de um lado toda uma idéia liberal que precisa ser desencravada do seio da Igreja; de outro o último bastião da Tradição.
    Antes que qualquer apressadinho venha dizer alguma besteira, esclareço que não julgo índoles, mas fatos!
    O que se inicia será decisivo para o destino do mundo, já que define o rumo da Barca de Pedro…

  4. Quem teria sido esse que rejeitou compor o grupo Vaticano nas discussões?

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