Em Cluny, restaurou-se a observância da Regra de São Bento, com algumas adaptações já introduzidas por outros reformadores. Sobretudo, quis-se garantir o lugar fundamental que a liturgia deve ocupar na vida cristã. Os monges cluniacenses se dedicaram com amor e grande cuidado à celebração das Horas litúrgicas, ao canto dos Salmos, a procissões tão devotas quanto solenes e, sobretudo, à celebração da Santa Missa. Promoveram a música sacra; quiseram que a arquitetura e a arte contribuíssem para a beleza e a solenidade dos ritos; enriqueceram o calendário litúrgico de celebrações especiais, como, por exemplo, no começo de novembro, a comemoração dos fiéis defuntos, que também nós celebramos há pouco; incrementaram o culto a Nossa Senhora. Reservou-se muita importância à liturgia, porque os monges de Cluny estavam convencidos de que esta era participação na liturgia do céu. E os monges se sentiam responsáveis por interceder diante do altar de Deus pelos vivos e pelos defuntos, dado que muitíssimos fiéis lhes pediam com insistência que rezassem por eles. […] Não surpreende que rapidamente uma fama de santidade envolveu o mosteiro de Cluny e que muitas outras comunidades monásticas decidiram seguir seus costumes. Muitos príncipes e papas pediram aos abades de Cluny que difundissem sua reforma, de maneira que, em pouco tempo, estendeu-se uma rede enorme de mosteiros ligados a Cluny ou com verdadeiros e próprios vínculos jurídicos, ou com uma espécie de afiliação carismática. Assim, ia se desenhando uma Europa do espírito nas várias regiões da França, Itália, Espanha, Alemanha e Hungria.
[…] O êxito de Cluny foi assegurado antes de mais nada pela elevada espiritualidade que se cultivava lá, mas também por algumas outras condições que favoreceram seu desenvolvimento. Ao contrário do que havia acontecido até então, o mosteiro de Cluny e as comunidades dependentes dele foram reconhecidas como isentas da jurisdição dos bispos locais e submetidas diretamente à do Pontífice Romano. Isso comportava um vínculo especial com a Sé de Pedro, e graças precisamente à proteção e ao ânimo dos pontífices, os ideais de pureza e de fidelidade, que a reforma cluniacense pretendia buscar, puderam difundir-se rapidamente.
[…] A reforma cluniacense teve efeitos positivos não somente na purificação e no despertar da vida monástica, mas também na vida da Igreja universal. De fato, a aspiração à perfeição evangélica representou um estímulo para combater dois graves males que afligiam a Igreja daquela época: a simonia, isto é, a compra de cargos pastorais, e a imoralidade de clero leigo. Os abades de Cluny, com sua autoridade espiritual, os monges cluniacenses que se converteram em bispos, alguns deles inclusive papas, foram protagonistas desta imponente ação de renovação espiritual. E os frutos não faltaram: o celibato dos sacerdotes voltou a ser estimado e vivido e, na assunção dos ofícios eclesiásticos, foram introduzidos procedimentos mais transparentes.
[…] Dessa forma, há mil anos, quando estava em pleno desenvolvimento o processo de formação da identidade europeia, a experiência cluniacense, difundida em vastas regiões do continente europeu, ofereceu sua contribuição importante e preciosa. Exigiu a primazia dos bens do espírito; manteve elevada a tensão aos bens de Deus; inspirou e favoreceu iniciativas e instituições para a promoção dos valores humanos; educou para um espírito de paz. Queridos irmãos, oremos para que todos aqueles que estão preocupados por um autêntico humanismo e pelo futuro da Europa saibam descobrir, valorizar e defender o rico patrimônio cultural e religioso desses séculos.
Audiência geral do Papa Bento XVI, quarta-feira, 11 de novembro de 2009







"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mau humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey