“Os bispos e os padres são exortados a acolher bem as legítimas exigências dos fiéis, uma vez que não se trata de uma concessão aos fiéis, mas de um direito”.

Excertos da entrevista de Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, a L’Homme Nouveau – 18 de novembro de 2009:

Eu sempre manifestei interesse e sensibilidade espiritual pela liturgia gregoriana, do mesmo modo como sou sensível – e isso não é de hoje — aos problemas e às controvérsias teológicas relacionadas às interpretações do concílio Vaticano II e da necessidade restaurar e reforçar a tradição e a identidade católica em nossa civilização. […] A especificidade da estrutura da Comissão pontifícia Ecclesia Dei, à luz do Motu Proprio Ecclesiae Unitatem de julho de 2009, vem do fato que ela é estreitamente ligada à Congregação para a Doutrina da Fé. O Cardeal presidente é o Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e seus membros são os cardeais e arcebispos membros da mesma congregação. Eu diria que a Comissão Pontifícia que, por um lado, foi reforçada, por outro, que ela viu aumentar as obrigações que lhe são atribuídas.

Os deveres que a Comissão pontifícia Ecclesia Dei recebeu, primeiramente do motu proprio do Papa João Paulo II em 1988 e posteriormente integrados pelo motu proprio de Bento XVI Summorum Pontificum, permanecem inalterados. As competências da Comissão no que diz respeito à aplicação das disposições do motu proprio Summorum Pontificum concernentes à forma antiga do rito romano estão plenamente confirmadas. Do mesmo modo está confirmada, no âmbito das faculdades atribuídas à Comissão pelos Soberanos Pontífices, a missão de exercer, em nome da Santa Sé, a autoridade sobre os diversos Institutos e Comunidades religiosas erigidas por esta mesma Comissão que tem por rito a forma extraordinária da liturgia romana e praticam as tradições precedentes da vida religiosa. A isso foi acrescentado, com o motu proprio Ecclesiae Unitatem, o ônus de tratar as questões doutrinais relativas às dificuldades que ainda subsistem com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para alcançar a plena comunhão.

[…] As dificuldades de responder às exigências dos fiéis que solicitam a celebração da santa missa na forma extraordinária são, por vezes, devidas às atitudes de hostilidade ou preconceito, outras vezes a obstáculos práticos, como a insuficiência do clero, a dificuldade de encontrar padres capazes de celebrar dignamente segundo o rito antigo. Além disso, dificilmente se vê como a harmonizar a pastoral e a catequese da celebração dos sacramentos no rito antigo com a pastoral e a catequese ordinárias das paróquias. É claro que os bispos e os padres são exortados a acolher bem as legítimas exigências dos fiéis, segundo as normas estabelecidas pelo motu proprio, uma vez que não se trata de uma concessão aos fiéis, mas de um direito dos fiéis de poder ter acesso à liturgia gregoriana. Por outro lado, é evidente que temos de ser realistas e operar com a habilidade necessária, pois se trata também de trabalhar pela formação e educação na perspectiva introduzida pelo Papa Bento XVI com Summorum Pontificum.

[…] No artigo 11 do motu proprio se diz entre outras coisas que “esta Comissão tem a forma, as funções e normas que o Pontífice Romano quiser lhe atribuir”. Uma instrução deveria seguir oportunamente para precisar certos aspectos concernentes à competência da Comissão pontifícia e a aplicação de algumas disposições legislativas. O projeto está em estudo.

[…] A idéia de uma “reforma da reforma litúrgica” foi sugerida por diversas vezes pelo então Cardeal Ratzinger. Se me lembro bem, ele acrescentou que esta reforma não seria o resultado de um trabalho administrativo de uma Comissão de peritos, mas que demandaria um amadurecimento em toda a vida e realidade eclesial. Creio que no ponto em que chegamos, é essencial agir na linha que indica o Santo Padre na carta de apresentação do motu proprio sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma de 1970, a saber que “as duas formas do uso do rito romano podem se enriquecer mutuamente” e que “o que era sagrado para as gerações anteriores permanece sagrado e grande para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar”. Assim se exprimiu o Santo Padre. Promover esta linha significa, portanto, contribuir efetivamente a este amadurecimento na vida e na consciência litúrgica que poderia levar, num futuro não tão distante, a uma  “reforma da reforma”. O que é essencial hoje para recuperar o sentido profundo da liturgia católica, nos dois usos do missal romano, é o caráter sagrado da ação litúrgica, o caráter central do padre como mediador entre Deus e o povo cristão, o caráter sacrifical da santa missa, como dimensão primordial da qual deriva a dimensão de comunhão.

3 Comentários to ““Os bispos e os padres são exortados a acolher bem as legítimas exigências dos fiéis, uma vez que não se trata de uma concessão aos fiéis, mas de um direito”.”

  1. Como Deus é bom, paciente e misericordioso, Ele nos ensina e tem paciencia para que aprendamos.
    Viva o Papa Bento XVI!!!!

  2. O abismo que separa o rito tradicional do moderno é tão grande que, nas palavras do Monsenhor, “dificilmente se vê como a harmonizar a pastoral e a catequese da celebração dos sacramentos no rito antigo com a pastoral e a catequese ordinárias das paróquias”.

    Uai! Se ambas são formas do mesmo rito, por que tanta dificuldade?!?!

  3. Precisam de força para viverem mais santamente a vossa missão aqui na terra? vejam esse video.