Discussões doutrinais, a face oculta.

Por Ennemond, 1º de novembro de 2009 – Le Forum Catholique

A face oculta das discussões doutrinais é talvez a mais aparente, a mais perceptível, embora seja a menos esperada destas conversações abertas em Roma em 26 de outubro passado. Há um ano, enquanto o Cardeal Castrillón Hoyos, grande partidário dos acordos práticos, impunha à Fraternidade São Pio X um “ultimato” com prazo determinado, as relações entre a Santa Sé e a obra de Mons. Lefebvre atravessavam uma pequena tempestade. Os ânimos se inflamavam, os jornalistas caricaturavam, das autoridades diocesanas a alguns responsáveis das comunidades Ecclesia Dei, os homens da Igreja espinafravam: a Fraternidade não tinha de exigir falar de igual para igual. Estes obstinados deviam se dobrar, ou mesmo se curvar… pior, deviam rastejar. Deviam se contentar com uma regularização que estava ao alcance da mão. Tudo dependia deles. Já as Cassandras [ndt: referência à personagem da mitologia grega que previa desgraças sem que ninguém lhe desse crédito] decretavam os dias de luto em face dos superiores que chamavam cegos e desligados, em frente aos padres e fiéis a quem atiravam sempre a palavra mágica para fazer medo: “cisma”!

No entanto, em 21 de janeiro, uma bomba acertou a Igreja romana. Ao aceitar levantar as excomunhões que atingiam os quatro bispos da Fraternidade, o Papa Bento XVI sofria de pleno açoite uma campanha de difamação sem precedentes conduzida com maestria pelo jornalismo mais vermelho, ajudado por alguns prelados não menos avermelhados. Assim fazendo, se aproveitava do mundo católico que se encontrava mais alterado em três longos meses que durante os últimos vinte anos. O tempo esteve curiosamente acelerado em Roma. Esperou-se dois anos a liberação da missa tradicional, um ano o levantamento das excomunhões, seis meses a abertura das discussões doutrinais.

Portanto, o que ontem se provava impossível no entender de muitos, de repente se tornou desejável e sensato para a maior parte destes. Discussões ontem julgadas absurdas e fora de lugar constituíam aos olhos dos meios de comunicação, assim como dos prelados, a chave para abrir a porta do desfecho da crise. Doravante, aquele que era chamado um ano antes de “policial suíço” [referência à alcunha dada pelo Abbé de Tanoüarn a Dom Fellay] recebia em sua casa jornalistas do catolicismo pensante e era descrito como um chefe diplomático, moderado e habitado pelo senso da Igreja.

Acima da confusão, o vigário de Cristo continuava seu plano como um jogador de xadrez persegue resoluta e pacientemente seu objetivo. Ao começar o seu pontificado, ele indicava que era impossível desconectar o Magistério do restante da Tradição e afirmou algumas semanas depois que Concílio Vaticano Segundo, no entanto, já com mais de quarenta anos, ainda não havia sido compreendido, e que sua recepção permanecia por ser feita. Entretanto, até então, salvo algumas exceções, jamais o Papa nos proporcionou este esquema de leitura tão necessário para compreender os textos conciliares.

Este “jamais” dura, contudo, até o fim do outono de 2009. Em 26 de Outubro passado, o Papa abriu as conversações que têm por objetivo dar uma interpretação reta e justa do Concílio. O comunicado da sala de imprensa da Santa Sé não se equivoca. Todos os temas evocados pelo padre Lombardi, seu porta-voz, são, nem mais nem menos, os grandes assuntos do Vaticano II. É exatamente a uma releitura desse Concílio que se vai proceder. E a este grande canteiro de obras da reinterpretação e salvação pela Tradição onde as notae previae vão sem dúvidas se multiplicar como bases ou sustentação, o Papa decidiu – algo inaudito — confiar a metade dos pareceres a… padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X!

Mas as discussões doutrinais, se parecem confinadas em alguma sala — por mais prestigiosa que seja — do Palácio do Santo Ofício, na realidade se dão por toda a parte na Igreja, nas colunas dos jornais, mesmo na Internet, nos blogs e fóruns. É a face oculta — e no entanto a mais visível — das discussões doutrinais que reorientam toda a catolicidade à direção que vai a Fraternidade, isto é, à teologia tal como foi pensada até a introdução de uma nova linha na Igreja.

Os espíritos tomam consciência que o Soberano Pontífice fez da Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebvre, mais que uma sociedade a ser regularizada, uma instância que tem sua palavra a dar na reinterpretação do Concílio. Por conseguinte, se discute, se negocia. Olhando o passado, se chega a exceder o Vaticano II. O padre italiano Giovanni Scalese dava a conhecer o que espera: “Trata-se sobretudo de um problema de clareza. Uma clareza que Mons. Fellay e os lefebvristas não são os únicos a esperar, mas da qual toda a Igreja sente uma urgente necessidade”. Fazendo certa introspecção, se chega a considerar o caos no qual está mergulhada a Igreja. Julgando sua formação, percebe-se os erros que se acumularam. A esse respeito, os recentes propósitos de Mons. Patrick Chauvet são bastante sintomáticos. Pelas antenas da Rádio Notre-Dame há três dias, o vigário geral da arquidiocese de Paris não hesitava em criticar os extravios teológicos do seu seminário: “Não posso pôr uma cruz sobre dois mil anos de Cristianismo”, disse prosseguindo: “A questão do vocabulário! Eu fui formado dessa maneira. Têm-se nos repetido: a noção de natureza, de essência, de pessoa, tudo que se move, isso não existe mais. Sim, mas o problema é que os concílios falaram de Cristo com a noção de pessoa e de duas naturezas. Quero efetivamente que mude, mas se mudam as palavras, é necessário que haja o mesmo conteúdo por detrás de cada palavra. Quando me falam sobre Eucaristia, a palavra transubstanciação, isso não existe mais, ninguém compreende mais nada sobre a substância, então dizem “transignificação”. Eu não posso aceitar esta palavra como teólogo, porque “transignificação” não quer dizer transubstanciação. Então, vai haver os diálogos. Portanto, que haja uma investigação teológica, depois de tudo, é normal, mas esta investigação teológica não deve perturbar a fé do fiéis. Que, entre si, eles reflitam, mas no momento em que se proclamar algo, é necessário que seja para os fiéis, realmente, um conjunto teológico para avançar em direção à salvação”. Era possível ouvir estas confissões há apenas um ano, há apenas seis meses? Podia-se ouvir esta crítica velada ao espírito conciliar antes do verão? Chegamos ao coração do problema doutrinal, criando uma onda de choque feita impossível se tivessem se contentado em resolver as regularizações canônicas para esta ou aquela sociedade religiosa.

Naturalmente, as Cassandras de ontem não desapareceram totalmente, assim como os que não juravam que pelos acordos práticos não querem crer no sucesso deste projeto de restauração. Falta-lhes, parece, esta pitada de sobrenatural que muda a face da terra. “Sine tuo nomine, nihil est in homine, nihil est in innoxium”, diz a seqüência ao Espírito Santo: “Sem o teu socorro, não há nada no homem, nada que seja inocente”. Em 2000, quando o padre Paul Aulagnier encontrou em Campos o Cardeal Castrillón Hoyos, este último o indicou que o pedido da liberação da missa era inacessível. No entanto, houve o 7 de julho de 2007. Os campos da Igreja não são manobras eleitorais. Se são colhidos frutos divinos, é porque as almas creram e estão unidas ao sacrifício de Cristo que dispensa graças insondáveis. O Veni Sancte Spiritus continua desta forma: “Flecte quod est rigidum, fove quod est frigidum, rege quod est devium – Torna flexível o que é rígido, aquece o que é frio, retifica o que está transviado”. Não é nisso que crêem hoje o Papa Bento XVI e Monsenhor Bernard Fellay, dois homens que passam mais tempo diante do tabernáculo que nos jornais?

Tradução sujeita a revisão.

20 Comentários to “Discussões doutrinais, a face oculta.”

  1. Quanto a resposta do Cardeal Castrillón Hoyos ao padre Paul Aulagnier a respeito da liberação do missal tridentino:se tornou “acessível” devido à cruzada do Rosário iniciada pela FSSPX. Rezemos agora pela nova cruzada que tem por objetivo a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria!

  2. “Podia-se ouvir esta crítica velada do espírito conciliar antes do verão? Chegamos ao coração do problema doutrinal, criando uma onda de choque feita impossível SE TIVESSEM SE CONTENTADO EM RESOLVER AS REGULARIZAÇÕES CANÔNICAS PARA ESTA OU AQUELA SOCIEDADE RELIGIOSA”.

    Verdade solar… Eis aí o fruto do “cisma de Lefevbre”: agora as cabeças se erguem novamente e ousam questionar o que era tido como superdogma…

  3. “Cismáticos!”, “Excomungados!”, “Dissidência!”, “Loucos!”, “Neo-Protestantes!” e demais apodos foram bradados, não faz muito tempo, por aqueles que, hoje, gostam de se auto-vangloriar [com humilíssima humildade…] de “ponderados”, “prudentes” e “no passo da Igreja”…
    O que se vê hoje são as críticas que, em privado, os neo-conservadores sempre nutriram, mas não tinham a coragem de dizer! Hoje há uma verdadeira reviravolta nos “pareceres” sobre a atual realidade eclesial: o que antes era considerado “anátema” hoje é brandido com natural candura teológica, como se o óbvio e ululante fosse uma presença constante naquelas lindas cabecinhas de melão-ecumênico, e nos corações cheios de tolerância para com o “progresso na continuidade da Tradição”…
    Bastou o Santo Padre dar o seu aval para as discussões que começaram pipocar os “novos cruzados”, isto é, bastou um “calorzinho” naquelas almas mornas para que virassem do avesso!
    Diz o ditado popular: “Antes tarde do que nunca!”, mas… pensemos. Foi preciso aguentar muitas cusparadas cheias de “caridade”, [in]tolerâncias disciplinares, medo do “diferente”, ódio que se dizia “santo” para se perceber que havia algo errado!
    Não sei como classificar esses aderentes de última hora: se são apenas burros, se são mais um sintoma dessa nova cosmovisão ou se agem de má-fé por covardia…
    O que eu sei é que aos poucos, bem devagarzinho, a verdade – e a sanidade – começa a retornar nas mentes e nos corações dos homens que deveriam, desde há muito!, salvaguardar aquilo que diziam amar, mas que deixavam escorrer pelo ralo da história o senso-comum da fé, o bom-senso da caridade e o senso daquilo que nos faz acreditar, contra toda esperança, que, ao fim e ao cabo, o Imaculado Coração triunfará!!!
    Mas não graças à estes esperantes às avessas…
    Foi preciso um grupo de fibra – e fibra católica! – para preservar a Tradição mesmo às custas das mais torpes calúnias!

  4. Comigo aconteceu exatamente assim: flexível, quente e no caminho que poderá salvar minha alma. Através do trabalho amoroso do Papa Bento XVI e da FSSPX, este ano recebi a Graça de voltar para a Igreja. Só de joelhos glorificando a Deus, Jesus e Maria para poder demonstrar meu agradecimento à FSSPX pela sua perseverança na Verdade. Encerro citando palavras Reinaldo Azevedo, “a convicção da maioria não torna verdadeira uma mentira”. Graças a Deus!

  5. O que significa o texto abaixo, especialmente a parte final:
    “E a este grande canteiro de obras da reinterpretação e salvação pela Tradição onde as notae previae vão sem dúvidas se multiplicar como bases ou sustentação, o Papa decidiu – algo inaudito — confiar a metade dos pareceres a padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X!”
    Alguém encontra-se apto para explicar?? Sr. Ferreti??

  6. Caro sr. Robisson, muito melhor que os “em plena comunhão” – que esperam uma solução pronta para aderir, sem trabalho e mérito – está a FSSPX a exercer o seu dever: ajudar o Papa!
    Muito pelo contrário do que os expectantes possam querer ou sonhar, não está o Papa tentando convencer a FSSPX de que o CV-II é ortodoxo e deve ser aderido na sua inteireza, mas está solicitando o obséquio para descobrir a verdadeira hemenêutica – daquele Concílio que “ainda não foi devidamente recebido e entendido”…
    Como a comissão mista é composta na base da representação de 50% para cada parte, vê-se que a FSSPX tem meia-voz com o Papa; e ambas fazem um excelso canto polifônico para a maior glória de Deus!!!

  7. E assim, após muita oração e paciente perseverança, o que era impossível anteriormente, tornou-se característica desse pontificado: uma sincera disposição (por parte do Soberano Pontíficie) em desvendar os “enigmas” do Concílio, procurando ouvir o que tem a dizer justamente aqueles à quem o espírito conciliar mais perseguiu: a FSSPX, os defensores e baluartes da Tradição.
    O que parecia intocável, hoje é posto à mesa e destrinchado, verdadeiramente dissecado, para que dele se possam extrair (ou à princípio)identificar os cânceres que tanto mal fizeram e ainda fazem na vida da Igreja.
    Isso já é um começo e longe vai, entretanto, a paciência medicinal é necessária e o apoio de todos nós através da oração se faz obrigatório.

  8. Pois é, Sr. Marcus… O que dizer destas vozes subitamente concordantes?

    Porque não nos esquecemos: são as mesmas vozes que há bem pouco tempo diziam exatamente o contrário. Que éramos cismáticos, “rad-trads”, que víamos pêlo em ovo, que confundíamos os excessos dos progressistas com o inviolável concílio, etc.
    São os mesmos que, diante da patente contradição dos textos conciliares, não titubeavam em providenciar as mais loucas acrobacias para provar que estava tudo respaldado na Tradição, que não haviam rupturas, que éramos nós quem de nada entendia.

    E muitos não cometiam o fiasco de defender os erros. Limitavam-se a viver como avestruzes. Nada diziam, nada faziam, como se nada de fato estivesse errado…

    Agora, “a barra está limpa”. Agora é sentar e esperar pelos benefícios, frutos do sacrifício de uma minoria.

  9. Veja como se amam!

  10. Bruno, é tragicômico ver como essas alminhas são pequenas, mesquinhas… Inflam-se de “coragem” quando há sangue derramado – mas que não seja o deles, já que são uma “elite”, cheios de galhardia; fidalgos, em suma. Que outros sujem as mãos no seu lugar: eles são bons demais para isso… Precisam “estudar”…
    Sentando-se sobre o seu portentoso traseiro os neo-conservadores, cheios de erudição e garbo, agora que “a barra está limpa”, ficam soltando análises “ponderadas” sobre a situação atual: agora eles vêem mais claramente, já que a trave lhes foi graciosamente retirada por um bando de “cismáticos”…
    Mas não pense você que eles possuem gratidão: tão logo as [pseudo]excomunhões foram retiradas, percebi uma clara e irrefreável tara pelo legalismo positivista ressurgir com as perguntas da atual “legitimidade de jurisdição” e a “legalidade de ministério”. Como bem podemos perceber é impossível conter o desejo inconfesso pela burrice (fideísmo cego) e a inclinação apetitiva pelo mais tacanho modernismo enrrustido!

  11. Essas vozes… onde estão as vozes “veritáticas” que se enchiam ao chamar a FSSPX de ‘cismática’ e a alguns de ‘rad-trad’? E agora, como disse bem o Bruno, estão sentados esperando os benefícios, sem derramar uma gota de suor e sangue sequer?

  12. Vocês ignoram completamente o Concílio Vaticano II. Vocês satanizam o Concílio Vaticano II justamente porque não o conhecem. Duvido que leram alguma página do Concílio! Vocês criticam e falam mal do que não sabem! Vocês na verdade tem é muito medo do Vaticano II!

  13. O CV-II é um verdadeiro “enigma de esfinge”: Decifra-me ou te devoro!
    Os neo-católicos que não tem a disposição de enfrentar esse desafio de virilidade e conhecimento (virtudes da força e da caridade), padecerão daquele gosto amargo quando a verdade refulgir na Igreja: o CV-II é um concílio legítimo, dentro do magistério autêntico, mas falível – pelas suas características declaradas e de fundamento; sem a nota de engajamento de autoridade necessária, muito menos do gozo de uma plenitude docente, mas dialogal.
    Veremos estes “combatentes de última hora” estremecerem pela oportunidade perdida e pela luta não travada! Fugiram do bom-combate e preferiram o bom-mocismo.
    Por “boa-educação”, foram devorados pela sua covardia…

  14. Justamete por termos lido os documentos do Concílio e por sabermos como se realizou é que temos nossas diversas ressalvas quanto a ele! Criticamos do que sabemos e o que sabemos é que o Concílio Vaticano II fere em diversos aspectos aquilo que foi pregado pela Igreja por quase 2000 anos! Ele, embora legítimo, não é infalível e tampouco foi realizado sob a assistência do Espírito Santo! Nõs não satanizamos nada, apenas pomos em discussão o CV II, exatamente como o papa está fazendo com a Fraternidade São Pio X…

  15. Bem amigos, como não sou neo-conservador, ou qualquer outro título referente, sou apenas católico apostólico romano, que ama e sempre amou a tradição da Santa Igreja, penso que deva ser providencial deixar uma coisa bem clara. O Espírito Santo não abandonou nem abandonará qualquer momento a Santa Igreja de Jesus Cristo, nosso Senhor e Deus.
    O fato, é que os homens de “boa vontade” de posse do livre arbítrio e muitas vezes contra a vontade de Deus, agiram sob o impulso e sobre as rupturas não tão patentes ao escrito do concílio, mas enebriadas há algum tempo antes do concílio, de um espírito revolucionário e aprovaram, inclusive, a missa atual.
    Ao que me consta, em 1969 (se não erro na data) o sínodo dos bispos reprovou a nova missa (olha a ação de Deus aí), MAS que, por uma segunda chancela foi aprovada e ratificada pelo S.S Papa Paulo VI após uma consulta à autoridades duvidosas. No fim das contas, o Sumo Pontífice afirmou que o fumo do anjo caído adentrou-se na história deste concílio, etc. e tal (e volta a consciência). Desta forma, houve sim manifestações das quais o Espírito Santo agiu e sempre agirá em sua igreja.
    Lembremos que de grandes perdas e pecados, nosso bom Deus tira grandes obras.

    AMDG,
    RVGarcia

  16. Senhores(as),
    Se minha intepretação foi equivocada, por caridade, agradeço que me elucidem.

    Grato,
    AMDG.
    RVGarcia

  17. Caro Peter, fica uma outra pergunta no ar: você, pelo menos leu, algo de antes do Concilio?…
    De minha parte, estudei muito esses documentos já que fui aluno de expoente da neo-catolicidade e docente de uma instituição “conceituada”; lá o modernismo era avassalador – com raríssimas e meritórias excessões.
    De sua parte não posso afiançar nada, mas pelas suas declarações parece que você só conhece a “Igreja Pós-Conciliar”; ente bizarro que se materializou no mundo graças aos traidores da fé.
    Não quero dizer que você seja um traidor! Claro que não!!! Mas quero lhe alertar para um fenômeno sui generis na catolicidade hodierna: muitas vezes, quando se fala da ‘Igreja de antigamente”, as pessoas, antes de formar um juízo, conluem um entimema teológico capenga, isto é, “chegam a mesma conclusão que todo mundo” no coro e aplauso de uma idéia que não é sua, mas pensada como algo “óbvio” já que “a maioria” assim “sente”…
    Chegamos finalmente naqueles tempos onde a coletividade tem mais valor e inteligência que a pessoa.

  18. Caro Bruno e caro Jorge, é necessário um verdadeiro malabarismo mental para negar o óbvio!
    Mas há quem ainda tente…
    Rezemos.

  19. Caro Robson, o Espírito Santo, o Paráclito, o Consolador, acompanha e sempre acompanhará a Igreja!
    Façamos uma pequena digressão: se os neo-reformadores não deram o passo definitivo ao abismo, deveremos dar graças ao guiamento do Espírito Santo que os inspirou para não declararem a vitória do Inferno perante a Verdade! Digamos que o Espírito Santo “obstaculizou” a apostazia definitiva.
    A doutrina modernista, à golpes de contradição, refuta-se a si mesma, já que liberdade plena e irrestrita de auto-referência carece de fundamentos e finalidade, pois ela é teleológica e firmada na dependência metafísica dAquele que é o Alfa e o Ômega, Princípio e Fim; Aquele que, enfim, é a razão de nossa existência e a meta de nossa vida.
    Uma “liberdade” como valor sacro-santo, imaculado e elevado ao nível da igualdade divina – como se fosse um novo deus… – é o supremo desejo do Inimigo, já que ele declarou o “Não servirei!”.
    Sabemos as consequências desse ato de rebeldia.

  20. Uma palestra extremamente ilustrativa, à luz de Fátima, sobre a doutrina liberal que se aboletou na hierarquia.
    Peço só que se destaque dois pontos aludidos na referida palestra: a supressão da Oração Exorcista ao final da Missa, decretado por Leão XIII e a milagre do sol presenciado por Pio XII algumas vezes.
    Uma pesquisa na internet pode clarificar melhor esses dois temas.
    A palestra: