Sobre ser um “ultracatólico”.

Por Pe. James V. Schall, SJ – Inside Catholic

Um amigo meu escreveu-me sobre a diretora de uma escola. Tratava-se de uma freira que falava a um pai e estava angariando fundos. O cavalheiro era descrito como um “ultracatólico”. Meu amigo me perguntou: “O que é isso, você sabe?” Evidentemente, a “não ultra” diretora achou que estava tudo bem em sugar o caixa necessário do “ultra” pai. Sem nenhuma exigência em troca. Uma vez que os fundos eram doados, o não ultra-estabelecimento procederia da sua maneira. O ultra era bom para o seu caixa, caso ele ainda tivesse algum. Suas idéias eram, bem, ultra.

Obviamente, não posso resistir a dar um palpite na definição do que significa um ultracatólico. É difícil resistir a algumas tentações. Em poucas palavras, no mundo hodierno de múltiplas descrições, um ultracatólico é um católico crente, um pássaro bem raro.  O país está repleto de ex-católicos, católicos discordantes, católicos não praticantes, católicos que acreditam no direito de escolha e católicos do tipo deixem-me sozinho. Eles nos dizem que estão em melhor situação do que seus infelizes pares religiosos que inocentemente acham que o catolicismo é a coisa mais inteligente no cenário público ou privado. Na esfera pública, a “autoridade” mais frequentemente citada sobre o que os católicos acreditam é o dissidente. Os católicos são o grupo sobre o qual ninguém tem que falar com precisão.

Um ultracatólico que vai ser sagrado cavaleiro acredita que o Credo Niceno é verdadeiro. Ele acha que existe autoridade divina na Igreja. Ele sabe que ele, como pecador, precisa de perdão. Porém, ele não transforma os seus pecados num tipo de cruzada de justiça social. Ele faz coisas estranhas como ir à Missa aos domingos, mesmo em latim. Ele acha legal ter filhos. Ele prefere trabalhar para sobreviver. Ele também sabe que a Igreja está sitiada na cultura. Ele pertence à minoria real.

A palavra “ultra” em latim significa “além de”. Temos coisas como ultravírus, ultra-som e raios ultravioletas.  Na Idade Média, o papa era chamado “ultramontano” caso ele não viesse da Itália, mas sim das montanhas. Na França da era moderna, os ultramontanos eram aqueles católicos que mantinham aliança com Roma. Acreditava-se que os jesuítas (nem pensar) pertenciam a esse grupo estranho no regime galicano. Os ultramontanos não achavam que o governo francês era divino. Esta última maneira de pensar era considerada como bastante extrema. Sei que esta visão negativa da glória francesa é difícil para o homem contemporâneo médio captar. Não encontramos autoridade divina nem em Roma nem em Paris, mas somente em nós mesmos.

Entretanto, um ultracatólico hoje em dia é aquele que se esforça para fazer o que Aquino fez: Ele distinguia entre aqueles que praticavam a virtude de boa vontade, porque compreendiam que é a coisa nobre a fazer, e aqueles que a praticavam somente para observar o mínimo da lei.

Num esforço esperançosamente pioneiro, temos até mesmo um bispo que explica a Kennedy o que significa ser um católico. O Bispo Thomas Tobin em Providência leu o que o senador Kennedy havia dito no Registro do Congresso que era católico, mas que não “concordava” com tudo o que a Igreja dizia – uma atitude altamente não original, para falar a verdade. O bispo ficou especulando no que o parlamentar não acreditava e se as coisas “não cridas” eram questões essenciais na Igreja – que, obviamente, eram. Desde o início, quando essa visão seletiva do catolicismo apareceu pela primeira vez, os bispos locais não indagam de maneira semelhante os políticos que invocavam essa doutrina confusa de si mesmos ao decidir o que é ser católico, como se o político fosse ele mesmo o papa.

Agora, com relação a este caráter ultracatólico: Todos já rimos de pessoas que eram chamadas “mais santas do que a Igreja.” Esta última observação não é um elogio. Diferentemente do parlamentar de Rhode Island, alguns católicos acrescentam coisas em vez de subtraí-las, conforme a moda atual. Em geral, os acréscimos não são realmente bons ou maus. Muitas devoções, como, por exemplo, escapulários, são acréscimos neste sentido. Aquino disse que acrescentar à lei não era o problema, mas sim tirar coisas dela.

No mundo contemporâneo, o inimigo real da cultura liberal é o “fanático”. Ele crê em alguma coisa. Agora chegamos ao ponto em que o fanático está bastante identificado com o ultracatólico. O perigo não é alguma noção herética de cristianismo; é o próprio cristianismo, especialmente, na sua forma católica. Quando muitos católicos não sabem eles mesmos quem são e no que acreditam, distinguimos o cristão que define as suas próprias crenças daquele que crê nas verdades auto-evidentes e verdades reveladas da Fé.

Quando os não ultracatólicos se identificam com uma cultura desordenada, o ultracatólico é deixado à própria sorte. Os papas dirigem seus documentos aos “homens de boa vontade”. Lemos no Evangelho de João: “Dei-lhes a vossa palavra; e o mundo os odiou.” Evidentemente, nem todos os homens têm boa vontade.


Rev. James V. Schall, S.J., leciona ciências políticas na Universidade Georgetown. Seu livro mais recente The Mind That Is Catholic, foi publicado pela Universidade Católica da America Press.

6 Comentários to “Sobre ser um “ultracatólico”.”

  1. Veja isso:

    http://www.cristaos.com/

    CNBB Se compromete a divulgar nota sobre matérias intolerantes contra a Igreja Evangélica em sites católicos amadores.

    Após denúncia feita pela equipe cristaos.com entramos em contato com a CNBB (Conferência nacional dos bispos católicos do Brasil) solicitando divulgação de uma nota mostrando qual a posição oficial da religião Católica no Brasil em relação aos sites católicos amadores que pregam ódio e intolerância para com os Cristãos. Fomos atendidos pelo padre Elias Wolff que se prontificou a nos dar essa posição no final da semana que vem. Vamos aguardar e tão logo recebermos esse comunicado estaremos esclarecendo, tanto aos nossos visitantes evangélicos como os visitantes católicos que, muitas vezes, são vítimas dos sites “amadores católicos” como Veritatis, Lepanto, Montfort, Defesa Católica entre outros.

    —-

    Ao mesmo tempo a mesma página tem seção de apologética com artigos de “porque não ser católico”:

    http://cristaos.com/pages/apologetica/apologetica.htm

    —-
    Quanto à Conferência Nacional dos Bispos Bolcheviques, ops, quer dizer, do Brasil, sem comentários… ¬¬

  2. Que absurdo neste site denominado “cristaos.com”
    “Santa Morte” mexicana e a religião católica tem uma única coisa em comum…os mexicanos que pensam que são católicos com este sincretismo religioso.
    Como sempre, a falácia protestante mostra suas garras…não podemos parar de lutar. Depois esta dita “apologética” pede e-mails para que os ofendidos, possam se defender.
    Duvido que são honestos em mostrar a defesa.
    Já vai com estórias de igreja constantina e outras coisas…quantos mais padres da igreja vamos ter que mostrar para estes entendam de uma vez por todas que Cristo Jesus colocou sobre PEDRO a sua igreja, pedindo para ele apascentasse suas ovelhas, sendo ele que operou em público após o pentecostes o primeiro milagre, e lidera toda a igreja de Cristo?

    Rogai por nós e por estes protestantes, Santa Mãe de Deus, tabernáculo fiel de Nosso Senhor!

    AMDG,
    RVGarcia

  3. Esses hereges não estão interessados em conversar, e sim em debates infruteros e justificações orgulhosas de ódio cego, como sempre.. resumindo, encontraram um meio para divulgar o site deles…não vale a pena lhes dar atenção!

    Deixem que reclamem..

    Mas se a CNBB por acaso resolver a atender as reivindicações de seus “irmãos”, teremos todo o prazer de combatê-la com a espada da verdade em honra da única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

  4. E autor da site se declara indiretamente seguidor do catolicismo e nem se deu conta. Pois no texto sobre as testemunhas de Jeová ele afirma que esta é uma seita falsa. Ora, os Testemunhas de Jeová recusam a Santíssima Trindade e a Divindade de Jesus que foi definida no Concilio de Nicéia, data apresentada para o inicio do catolicismo romano. Se ele crer na Trindade deveria saber que a palavra Trindade não se encontra na Beblia que pela mesma Bíblia os Testemunhas dE Jevá dizem que Jesus não é o Deus feito homem. Então els crrem num dogma defenido no Cocelio em que veeem o niico da Religião falsa que para eles é a Catolica. E se apenas a Biblia fosse necesaria para firmar tudo o que se crer por que Ario , que era bispo negou a divindade de Cristo? Por que os apostolos se reuniram em Jerusalem para defnir a situação dos gentios e se a Igreja começou com Constantino por que antes ja havia bipso em Roma e em todo mundo. Vá entender a contradição desse povo. Eles apelaram para a CNBB por que suas mentiras estão sendo desmascarados pelos fieis sites católicos. Rezemos para que a CNBB não perca a chance de dizer claramente. A Igreja de Cristo é a Igreja Católica…que bom seria se lêssemos uma declaração formal assim desta Conferencia. Rezemos…A Deus nada é impossível.

  5. Meus caros amigos. Salve Maria!
    É muito simples essa situação…
    A CNBB mostra que não está em comunhão com a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, à qual estes bibliólatras hereges tanto atacam com as mesmíssimas acusações falsas de sempre!
    Estes bsipos marxistas não são católicos. Como combater a CNBB? Basta começarmos a boicotar suas campanhas da fraternidade e outras iniciativas da Conferência Bolchevique. Quando um bispo mostra sua desobediência à Sé de Pedro e à Sagrada Doutrina, ele deve ser repudiado e combatido. Combatamos então esses infelizes!

  6. Para mim esses ”cristãos.com” foram procurar ajuda no lugar certo.

    Todo mundo que conhece a história da CNB do B sabe que essa ”Conferência Episcopal” gosta de defender mais os inimigos da Santa Igreja Católica do que defender a Santa Igreja dos inimigos!

    Eu particulamente não estou surpreso em ler que esses ”cristãos” vão pedir ajuda da CNB do B em relação aos católicos de sempre, para que eles possam ter o ”direito” de continuar em atacar a Santa Igreja, e que também não sejam importunados por isso.