Thiberville: bispo demite padre tradicional e fiéis se enfurecem.

La Revue Item

Thiberville, França: domingo, 3 de janeiro de 2010.

O senhor bispo, de "paramentos arco-íris", anuncia a demissão do cura tradicional de Thiberville. Foto: Dominique Bro - Le Forum Catholique

O senhor bispo, de "paramentos arco-íris", anuncia a demissão do cura de Thiberville. Foto: Dominique Bro, Forum Catholique

Hoje, todos tinham os olhos fixos sobre este caso exemplar de uma comunidade paroquial campestre local que quer aplicar as decisões do papa e cujo bispo quer dizimar.

O espetáculo excedeu tudo o que se podia imaginar: uma comunidade unânime que grita (fisicamente) sua cólera contra a sua condenação à morte  pelo “pastor”, o bispo local.

Monsenhor Nourrichard, bispo de Évreux, um dos prelados mais progressistas da França, chegou nesta manhã à Thiberville às 9:30h, com seu vigário-geral, cura de Bernay, Pe. Vivien, para anunciar a demissão de um padre muito papista para o seu gosto. Ele se enfurnou na igreja e, a princípio, se escondeu na sacristia. Todos os paroquianos locais do Padre Michel estavam lá. A igreja estava abarrotada, a nave, o coro, o próprio púlpito, uma parte dos paroquianos não pôde sequer entrar. Na primeira fila estava presente o presidente da câmara municipal e o conselheiro geral com todo o conselho municipal; no coro, a confraria de caridade com suas vestes solenes.

O padre Michel então sai da sacristia para os últimos preparativos da missa do bispo: ele é acolhido por uma ovação interminável, como quando o Papa entra em São Pedro, Roma.

Em seguida, entra o bispo de Évreux. Ele está tão perturbado pelo ambiente alvoroçado que explica, por um lapso infeliz, que veio à Thiberville celebrar o “dia de todos os Santos”. Zombaria geral. Em seguida, quando quis anunciar a demissão injusta do Padre Michel, a piedosa revolta dos camponeses, semelhante às que sofreram certos padres constitucionais da Revolução, tomou uma proporção máxima (uma paroquiana foi vista lançando velas da parte superior do púlpito). De certa forma, uma “preparação litúrgica penitencial” improvisada.

Padre Michel celebra missa no rito tradicional; diz que permanece cura da região e que Roma não hesitará em confirmá-lo no cargo.

Padre Michel celebra missa no rito latino-gregoriano; diz que permanece cura da região e que Roma não hesitará em confirmá-lo no cargo. Foto: Dominique Bro, Forum Catholique

O bispo, então, continua a missa. Os pais se levantam e vão buscar as suas crianças que servem à missa. Os políticos locais se levantam e saem. O bispo, que não sabe mais onde está, interpela os fiéis, dando ciência aos que não estão de acordo a ordem de sair. O que todos fazem, exceto 21 pessoas, das quais apenas 3 são de Thiberville.

Dentro e fora da igreja, o bispo de Évreux pôde medir a cólera do Povo de Deus, cada um, os mais velhos mas não menos engajados, se aproximam dele para lhe dizer umas boas verdades [sobre o que pensam do bispo] e lhe aconselhar a rever o seu catecismo. Ao que ele opõe um despeito total a estes camponeses normandos que decididamente nada compreenderam do Concílio.

Padre Michel então anunciou que iria celebrar uma missa em Bournainville-Favrolles, às 11:15h. Os políticos e os paroquianos o seguiram em tão grande multidão que a igreja não pôde comportar a todos. Missa “reforma da reforma” voltada para Deus. O bispo furioso perseguiu sua vítima friamente, mas não pôde adentrar a nave [da igreja]. Nesse ínterim, o Padre Michel anunciava que permanecia cura do local, que uma decisão romana certamente não deixará de confirmá-lo, assim que um recurso for impetrado contra o decreto do bispo.

Último ato da peça do dia, esta noite, às 17:00, em Thiberville, onde o padre Michel celebrará, como todos os domingos, uma missa de forma extraordinária. O bispo, que não cede, anunciou que estaria lá…

Em frente, a televisão e os jornalistas locais. Também presentes os jornalistas parisienses, que não se pode taxar de tradicionalismo, estavam particularmente estupefatos e concluíam que o bispo, que teria se mostrado totalmente incapaz de gerir uma situação que ele tinha provocado, deveria logicamente se demitir.

23 Comentários to “Thiberville: bispo demite padre tradicional e fiéis se enfurecem.”

  1. Que confusão armou este bispo em? Qual seria o motivo de tantas cores em suas vestes? Guarda alguma relação com o movimento gay?
    De qualquer maneira foi bom ver que na França, logo na França, as coisas não estão tão ruins.

  2. Ah, o povo fiel…
    Quando decido pela fidelidade ao Divino Salvador o que não pode fazer?
    Esta paróquia normanda merece ser tomada como um exemplo salutar para todos nós.
    Que benefícios não traríamos à nossa vida religiosa se tivéssemos a postura corajosa desse povo fiel!
    Se todos se mobilizassem, boicotando a CNBB e suas celebrações, esta conferência aggiornata não teria mais voz para fazer calar a ortodoxia, esses bispos travestidos de arco-íris, cocares, bombachas, paletó e gravata, etc, não teriam a cara-de-pau de defender suas “meias verdades”, suas invencionisses pós-conciliares!
    É bem provável que a resposta de Roma não tarde a chegar e mantenha esse bom e digno sacerdote francês em seu posto, para humilhação desse bispo “up-to-date”.
    Depois desse boicote, seria bom que esse prelado enfiasse “a viola no saco” e fosse cantar desafinado noutra freguezia…

  3. Mudança de paróquia de padres é comum e corriqueiro. Se for algo planeado (e não uma sabotagem do prelado), Roma confirmará a transferência do cura.

  4. Impagável!

    Deveriamos fazer igual aqui quando acontecerem essas coisas…mas é preciso coragem e quebrar com o escrupulos desnecessarios!

  5. Nós que estamos acompanhando este caso que causa grande comoção na França sabemos que o bispo simplesmente demitiu o padre por suas posições nada “conciliares” e não o nomeou para nenhuma outra paróquia. Portanto, não se trata de transferir o padre, mas de demití-lo e lançá-lo no ostracismo.

  6. Neste momento eu queria saber melhor o francês para ver que versão o “Golias” dá do barraco.

  7. Há uma batalha sendo travada dentro da Igreja. A Europa é o campo de Guerra… No Brasil poucos tiros… e muitos alvos… Na verdade, os tiros são muitos, mas faltam atiradores nas paróquias…
    Faltam bons soldados seculares como esse “cura” francês. Aqui, os fiéis à Tradição estão fora das paróquias (até dá pra imaginar porque),mas é preciso tomar esse campo de batalha…

  8. esse bispo se perdeu, ainda mais com aquele paramento doido.Que Deus lhe conceda as graças necessárias para ele voltar atrás de sua pérfida decisáo.

  9. Grande iniciativa desses fiéis, já está mais do que na hora de se diferenciar obediência de servilismo (http://apologetica.ning.com/forum/topics/ideias-claras-sobre-o).

  10. Qual foi a justificativa formal do bispo para demitir o pároco?

  11. Este padre era pároco de lá há mais de 20 anos. Esse bispo assumiu em 2006 e só aí começaram os problemas.

    Por escassez de padres, a tal diocese de organiza em “agrupamentos paroquiais”, isto é, várias cidades se unem num pacote e é dada à cura de um padre. Neste caso, padre Michel era encarregado de 14 outras localidades.

    Contrariamente ao panorama francês atual, as igrejas do pe. Michel estavam sempre lotadas e dava bons frutos… a isso, o progressismo não poderia ter clemência.

    Por prevenção contra o conservadorismo do padre Michel, logo ao chegar, o bispo ressuscitou uma norma da diocese onde os padres não poderiam ficar muito tempo numa paróquia exatamente para atingir o padre Michel. Desde então o impasse persiste.

    Evidentemente, o padre Michel criou laços com o povo da cidade. O próprio prefeito interviu e disse que a cidade não existiria sem seu cura.

    Contra a política diocesana, pe. Michel opõe o padre modelo do ano sacerdotal, o cura d’Ars, que permaneceu mais de 40 anos em sua paróquia.

    Não conseguindo transferir o padre, o bispo foi mais longe. Decidiu dissolver a paróquia e incorporá-la a uma outra, de um padre absolutamente modernista.

    Ao padre Michel restou apenas a vaga proposta, sempre indefinida, de ser um vigário em alguma outra localidade.

    Em suma: o bispo ressuscitou tal norma simplesmente como um subterfúgio para acabar com este resquício de catolicismo que ainda restava em sua diocese.

  12. Graças a Deus. O povo destaq cidadezinha é verdadeiramente católico. Ser cátólico é ‘crer na Igreja una, santa, católica e apostólica’ como dizemos no Credo. Portanto só há uma Igreja; não há muitas. Se há uma só Igreja há uma só Cabeça que é Jesus Cristo representado pelo Seu vigário, o Papa. Os bispos só representam algo se estiverem em união com o Papa e se não estiverem são anti-católicos.
    Portanto, cabe aos católicos afrontar os bispos e os párocos, se necessário, para que as normas de Roma se cumpram. Não é católico quem, contra o papa, obedece ao Bispo.
    Deus deu coragem aquele povo. peçamos-Lhe que aceitemos a coragem que Ele nos dá para tornar a veste da Igreja pura e alva como Ela é.

  13. Em todo caso, reconhecendo a injustiça, ele não poderia fazer em outra paróquia o que havia feito onde Estava? A gora, competiria aos paroquianos resistir e rejeitar a qualquer inovação do novo pároco ou exigir do bispo um padre tradicional, se houvesse um nem que fosse um pouquinho….por ao agir desse forma o bispo pode alegar desobediência as leis da Diocese a qual estava ciente. Pensemos num caso inverso. Do bispo tradiconal e padre progressista… algo parecido ocorre no Brasil se não me engano em Goiás por causa das missas do Vaqueiro…aqui os paroquianos se revoltariam com um padre conservador ( A maioria) e o bispo também seria pressionado. Neste caso agir com sabedoria não seria colocar bem calar as normas da diocese e para manter a a autoridade do bispo. E só então e esclarecer os fieis sobre as diretrizes de Roma…

  14. Esse é o problema em que pensei Francisco. Por mais que goste do que o povo fez por lá, é evidente que esse é um precedente perigoso.

    Aqui em Recife, o arcebispo anterior, D. José Cardoso, retirou vários padres progressistas de suas paróquias e, muitas vezes, encontrou a resistência do povo. Ele, inclusive, usava a estratégia de nunca nomear párocos, mas apenas administradores, para movê-los quando bem entedesse (o que era algo canônicamente exótico).

    Se D. José podia fazer isso aqui (algumas vezes injustamente) e os progressistas tiveram de se organizar de algum modo, o mesmo se pode dizer desse caso na França, mas se invertendo os pólos. O bispo, que eu saiba, tem todo direito de mover o pároco; a igreja local é a diocese, não as paróquias (achar o contrário é entrar numa espécie de “mentalidade congregacional”).

  15. Mentalidade congregacional é fazer uma igreja de acordo de um pensamento modernista e nada ortodoxo.

  16. Quando li essa matéria, não pude deixar de ter sentimentos contraditórios diante de tudo isso. Me alegrou ver as pessoas de certa forma defendendo a Fé Apostólica, como sempre foi de praxe do bom e católico povo francês.

    Não precisamos ir aos tempos da Vendeia. Há 105 anos atrás, existem relatos impressionantes do que aconteceu nos momentos mais nevrálgicos que culminaram na separação Igreja – Estado, onde em certas regiões os camponeses amarravam até ursos nas portas da igrejas, para evitar a entrada dos agentes de polícia enviados pela maçonaria para profanar os santuários sob pretexto de fazer o inventário dos bens materiais encontrados nos templos.

    Mas a rebelião, ainda que justa, é sempre uma medida amarga, especialmente se os próprios católicos rejeitam seu bispo. Sim. É uma rebelião justa… Infelizmente, contudo, assemelha esses cristãos aos pagãos que vemos por aí fazendo revolução aos quatro cantos.

    E também não resolve a questão. No máximo alerta e enfurece os modernistas, que já estão cientes de que não conseguiram destruir a Igreja. Só que estes mesmos modernistas ainda têm poder e são maioria!

    Essa perigosa polarização precisa urgentemente de intervenção da Santa Sé, pois nota-se claramente que a realidade destas pessoas – católicas e praticantes – está em profunda contradição com as crenças do seu bispo. Pergunto: diante desta amostra local, seria despotismo afastar esse bispo e pôr um novo e tradicional? Pergunto isso porque com certeza os tradicionalistas não constituem a maioria dos diocesanos… Mas como sabemos que a frequência dos não-tradicionais às Igrejas da França é irrisória, então seria arbitrário pôr à frente deste bispado um prelado tradicionalista, já que a maior parte dos “católicos” não se faz representar, visto só comparecerem às igrejas em certos momentos da vida?

    Bem, não está em nossas mãos leigas… O que é patente é que os católicos verdadeiros não são os apenas batizados, mas os que vivem segundo a Fé. Esta situação não poderá continuar. Não pode haver duas mesmas “fés” para uma mesma Igreja.

    Em tempo: Anápolis seria uma cidade tão propícia para um motim desses…

  17. Não creio que quando uma paróquia opta por permanecer na defesa do que lhes é sagrado, nesse caso, a permanência na ortodoxia (ameaçada pelo progressismo demolidor) seja algo grave. Grave é vilipendiar a Sã Doutrina, a Liturgia, etc. Aliás, a paróquia francesa apenas defendeu seu pároco de uma injustiça bem clara, um abuso de autoridade por parte do bispo local. Puro ato de preconceito e “caça às bruxas” tão comum por parte dos modernistóides. Ele foi afastado por sua adesão à Missa de Sempre, um direito garantido pelo Motu Proprio Summorum Pontificum.
    Aguardemos a decisão de Roma.

  18. “Para a glória da Santíssima Trindade, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela devoção á Santíssima Virgem Maria, por amor da Igreja e por amor ao Papa, por amor aos bispos e aos sacerdotes, para a salvação do mundo, para a salvação das almas, guardai este testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo! Guardai o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo! Guardai a Missa de Sempre!” (Dom Marcel Lefebvre)

  19. Acho e pouco,os fieis aqui do Brasil,tem que tomar de Thiberville,como exemplo!

  20. Bem, se o bispo tiver feito tudo em conformidade com o direito canônico a Santa Sé não intervirá.

  21. Vejam se não seria uma boa solução: o povo receberia um novo pároco e pediriam a ele a Santa Missa Tridentina, se o Padre e o Bispo não os atendesse reclamariam junto a Eclesia Dei.

    O Sacerdote expulso por sua vez ao receber nova paróquia implantaria lá a Missa Tridentina, caso não fosse designado para nenhuma paróquia teria o tempo livre para rezar Missas particulares e escrever muito enaltecendo o Rito Romano sob a forma extraordinária.

    Agora que o Excelentíssimo Bispo está usando suas prerrogativas canônicas para combater a Santa Missa Tridentina não adianta a Santa Sé analisar o caso somente sob a formalidade do direito… Basta ela também exercer o seu direito canônico contra a astúcia do Bispo o demovendo de sua Diocese… oras, se é uma questão de conformidade com o direito, assim como o Bispo tem o direito de “transferir” o Padre a Santa Sé tem o direito de “transferir” o Bispo. Assim a disciplina canônica encobriria a verdadeira guerra que está sendo travada na Santa Igreja… e isso sem melindrar os legalistas.

  22. Que eu saiba o Direito Canônico não prescreve penalidade alguma contra quem celebre no Rito Tridentino…
    Assim sendo, a resposta da Santa Sé virá e esta, certamente, contemplará as concessões feitas pelo Motu Proprio Summorum Pontificum.

  23. A questão não é de penalidade a quem celebra no rito gregoriano, pois o bispo não deve ter justificado sua decisão assim. O fato é que ele tem direito de mudar os párocos de lugar, por mais que certas comunidades não gostem. Não dá para buscar uma alternativa achando que a Santa Sé vai passar por cima de uma prerrogativa dos pontífices locais.