Audiência geral do Papa Bento XVI: a renovação da Igreja não se dá “sem ou contra o Papa, mas só em comunhão com ele”.

O sonho de Inocência III - Giotto

O sonho de Inocêncio III - Giotto

“Vai, Francisco, e restaura a minha Igreja em ruínas.”

Este simples evento da palavra do Senhor ouvida na igreja de São Damião esconde um profundo simbolismo. Imediatamente, São Francisco é chamado a restaurar aquela igrejinha, mas o estado de ruínas daquele edifício é um símbolo da situação dramática e preocupante da própria Igreja naquele tempo, com uma fé superficial que não forma e não transforma a vida, com um clero pouco zeloso, com o arrefecimento do amor; de uma destruição interior da igreja, que envolve também uma decomposição da unidade, com o surgimento de movimentos heréticos.

Todavia, no centro daquela igreja em ruínas está o Crucifixo e fala: convida à renovação, convida Francisco ao trabalho manual para restaurar concretamente a igrejinha de São Damião, símbolo do chamado mais profundo a renovar a própria Igreja de Cristo, com a sua radicalidade de fé e com o seu entusiasmo de seu amor por Cristo.

Este acontencimento, ocorrido provavelmente em 1205, traz à mente um outro incidente semelhante ocorrido em 1207: o sonho do Papa Inocêncio III. Ele vê em sonho que a Basílica de São João de Latrão, a igreja mãe de todas as igrejas, está desmoronando e um pequeno e insignificante religioso sustenta em seus ombros a igreja para que não caia.

É interessante notar, por um lado, que não é o Papa que dá o auxílio para que a igreja não desabe, mas um pequeno e insignificante religioso, que o Papa reconhece em Francisco que lhe visita.

Inocêncio III foi um Papa vigoroso, de grande cultura teológica, como também de grande poder político, no entanto não é ele que renova a Igreja, mas o pequeno e insignificante religioso: é São Francisco, chamado por Deus.

Por outro lado, contudo, é importante notar que São Francisco não renova a Igreja sem ou contra o Papa, mas só em comunhão com ele. Os dois realmente caminham juntos: o Sucessor de Pedro, os bispos, a Igreja fundada sobre a sucessão dos Apóstolos e o carisma novo que o Espírito Santo cria naquele momento para renovar a Igreja. Ao mesmo tempo cresce a verdadeira renovação.

O Pobrezinho de Assis havia compreendido que cada carisma é dado pelo Espírito Santo a serviço do Corpo de Cristo, que é a Igreja; por isso agiu sempre em plena comunhão com a autoridade eclesiástica. Na vida dos santos não há contradição entre o carisma profético e o carisma de governo e, se alguma tensão vem a se criar, eles sabem esperar com paciência o tempo do Espírito Santo.

[…]

Em 1219, Francisco obtém permissão para ir falar, no Egito, com o sultão muçulmano Melek-el-Kamel, para pregar também lá o Evangelho de Jesus.

Desejo enfatizar este episódio da vida de São Francisco, que tem uma grande atualidade. Numa época em que estava em curso um confronto entre o Cristianismo e Islã, Francisco, armado voluntariamente apenas de sua fé e de sua mansidão pessoal, percorre com eficácia a via do diálogo.

As crônicas nos falam de uma acolhida benévola e cordial por parte do sultão muçulmano. É um modelo ao qual ainda hoje devemos inspirar as relações entre cristãos e muçulmanos: promover um diálogo na verdade, no respeito recíproco e compreensão mútua (cf. Nostra Aetate, 3).

[…]

Francisco sempre mostrava uma grande reverência para com os sacerdotes, e recomendava respeitá-los sempre, mesmo no caso em que fossem pessoalmente pouco dignos. Trazia como razão para este profundo respeito o fato de terem recebido o dom de consagrar a Eucaristia. Caros irmãos no sacerdócio, não nos esqueçamos nunca deste ensinamento: a santidade da Eucaristia nos chama a ser puros, a viver de forma coerente com o mistério que celebramos.

Excertos da audiência geral do Papa Bento XVI de hoje, 27 de janeiro de 2010.

20 Comentários to “Audiência geral do Papa Bento XVI: a renovação da Igreja não se dá “sem ou contra o Papa, mas só em comunhão com ele”.”

  1. A renovação não se dá “sem ou contra o papa”…
    Estaria fazendo alusão aos cismáticos de Martini, que lançaram mais um novo desafio, sob pretexto de renovar a Igreja?
    Não é justamente renovar o ensinamento conciliar – tido por ameaçado – o que eles propõem? Por outro lado, Bento XVI, que é expoente da interpretação segundo a LETRA, quer com isso dizer que cabe a ele fazer a renovação?
    Apontar isso como um recado à FSSPX parece cada vez menos provável, pois não faz sentido agora fazer essa advertência, se ela está num grau de pacificação em relação à Sé Romana nunca antes registrada… Além do mais a FSSPX nunca se arvorou em renovadora da Igreja, e nunca pregou reformas onde a pessoa do Santo Padre devesse ser direta ou indiretamente relegada a segundo plano.

    Enfim, um texto assim pode servir para os mais variados públicos, ou mesmo para a simples instrução de fiéis. Claro! Também é possivel que o papa tenha apenas ensinado algo sem mensagens subliminares…

    Bem, só ressaltando a questão acerca do diálogo de São Francisco com o sultão: este diálogo jamais possuiu a mais longínqua semelhança com o que se registra hoje, nos abomináveis encontros ecumênicos. São Francsico não queria amizade inter-religiosa. Ele foi com o intuito de converter o inimigo, visando antes de tudo a Salvação das almas dos infiéis maometanos.
    Até mesmo Daniel-Rops, escritor contrário ao “integrismo católico” e apontando até como filo-modernista, deixou registrado o que ocorreu entre São Francisco e os muçulmanos:

    “São Francisco, então, resolveu ir até os maometanos, para tentar convertê-los ou morrer mártir. Foi até as tropas maometanas cantando os versículos do Salmo XXII: “Mesmo que esteja entre as sombras da morte, nada temerei, Senhor, porque Tu estás comigo”. É desnecessário dizer que, assim que viram os dois frades, os mulçumanos se precipitaram sobre eles para matá-los. “Sultão! Sultão!”, gritava Francisco com todas as forças. Os guardas julgaram que se tratavam de homens que vinham parlamentar e então acorrentaram e aprisionaram ao santo e ao frade que o acompanhava (o irmão Iluminado), batendo muito nos dois frades, até conduzí-los depois ao acampamento.
    Levado diante do sultão do Egito, Malek-al-Kamil, São Francisco pregou valentemente o cristianismo, a Santíssima Trindade, e atacou Maomé de modo nada ecumênico. Queriam matá-lo por isso, mas o Sultão não deixou. O sultão era o mesmo que mantinha relações amistosas com Frederico II. Curioso e um pouco cético, não lhe desagradava discutir com um sábio cristão os méritos comparados do Alcorão e do Evangelho. Ordenou, pois, que trouxessem à sua presença os inesperados parlamentares e, para se divertir um pouco, mandou estender na sua frente um tapete cheio de cruzes desenhadas, para obrigar os dois cristãos a pisarem o símbolo sagrado, o que Francisco fez sem a menor hesitação. “Como? Tu caminhas sobre a cruz de Cristo?”, exclamou o muçulmano, troçando. “Não sabes”, respondeu-lhe o santo, “que no Calvário havia várias cruzes, a de Cristo e a dos ladrões? Nós adoramos a primeira, mas, quanto às outras, deixamo-las com todo o gosto para vós, e, se vos apraz semear o chão com elas, por que havemos de ter escrúpulo em pisá-las?”.
    Assim iniciado, o relacionamento entre os dois homens logo se tornou cordial. Melek-al-Kamil chegou a propor a Francisco que viesse morar em sua casa. “Com muito prazer”, respondeu o santo, “se te fizeres cristão!”. E, para provar ao sultão a incontestável superioridade do seu Deus, propôs-lhe submeter-se a uma prova.
    “Manda acender uma grande fornalha. Os teus ulemás e eu entraremos nela e, pelo que acontecer, poderás saber qual das duas religiões é a mais santa e mais verdadeira!”
    Quem saísse vivo da fogueira teria provado que seu Deus era o verdadeiro.
    Nenhum ulemá aceitou entrar na fogueira.
    “Então eu entrarei sozinho”, respondeu Francisco. “Se eu morrer, atribuirás isso aos meus pecados; mas se o poder divino me proteger, juras reconhecer Cristo como verdadeiro Deus e Salvador?”. E, nesse caso, o sultão deveria se fazer batizar com todo o seu povo.
    Desta vez, o sultão ficou com medo…
    O Sultão Malek Kamel, de medo de ser deposto pelos seus homens, não aceitou nem essa proposta. A muito custo o sultão tentou convencê-lo de que, como chefe dos crentes do Islã, lhe seria difícil batizar-se. Depois, quis cumular de presentes aquele homem maravilhoso, mas Francisco recusou-os todos, aceitando apenas uma pequena corneta que lhe serviria para chamar a sua gente para o sermão”.

  2. Unidade de fé e unidade de governo ! Somente desta maneira iremos ajudar a Santa Igreja Católica. Que todos sigam o exemplo da ADM e IBP !

  3. Bruno,

    Que historia fantastica sobre São Francisco…

    Muito boa!

  4. Perfeito Lucas! O Papa zela pela unidade. Infelizmente existem aqueles que insistem em ficar separados, como os protestantes. Quando leio aqui nos comentários ofensas ao Papa e sua Igreja fico triste por ver que pessoas mesmo se dizendo católicas, dão armas aos inimigos da Igreja.
    Tenho certeza que após essas conversações a Fraternidade estará em comunhão com a Igreja e ajudará muito a combater as heresias e rros de pessoas malévolas.

  5. Retirando a frase do Sr.Paulo Morse e trocando algumas palavras temos:

    Quando leio aqui nos comentários ofensas a FSSPX e a sua Igreja fico triste por ver que pessoas mesmo se dizendo católicas, dão armas aos inimigos da Igreja.

    Fácil não? Para aqueles que tem problemas em ver catolicidade na FSSPX só basta ir a um oftamologista e dar um jeito na miopia ou estigmatismo.

  6. Só falta agora aparecer o especialista em direito canônico e discussões doutrinais Vitor José, que infelizmente, parece que a cegueira já tomou conta da sua visão…

  7. De um pós-acordo que implique capitulação e guerra contra a Tradição ininterrupta, libera nos Domine.

    De entrarmos na regularização canônica e saírmos da Fé Una, Santa, Católica e Apostólica, que até o momento com a Vossa Graça não abandonamos, libera nos, Domine.

    Para que acordos práticos não nos amordaçem e nos tornem obrigados a fazer a vontade dos modernistas, libera nos Domine.

    Se for para a FSSPX fazer coisas diferentes do que hoje ela faz, não vejo vantagem num acordo prático.

    Bem, se a FSSPX considerada por tantos aqui conseguiu de Roma o direito de debater junto com a Santa o concílio, então só este benefício para a Igreja Universal já demonstra que, sozinha – e sem legitimação canônica – a FSSPX NESSE MOMENTO contribui para um feito maior do que todas as comunidades Ecclesia Dei juntas.
    Porque nenhuma delas conseguiu um alfinete em relação à revisão deste concílio, tanto em sua letra como em seu espírito, e que serve como a base sólida para todos os hereges infilitrados.

    Pois bem: se é para receber concessões e frutos desse tipo, e se a única forma de conseguir tantos benefícios para a Igreja como um todo, se isso for condicionado ao estado em que a FSSPX se encontra atualmente, que a FSSPX fique assim por longuíssimos anos.
    Agora, se a legitimação canônica significar pausa neste processo, e a FSSPX se acomodar como todas as outras comunidades, fechada em sua rotina, então será um dia de grande pesar.

    O rabinato de Roma não protesta contra ninguém que está sob a Ecclesia Dei. Porque será? Decerto porque sabem que estão todos mais ou menos nas mãos das autoridades diocesanas, e estas podem silenciá-los. Então, não veremos os rabinos protestando contra a FSSP, contra Le Barroux, etc.
    Se a Santa Sé aceitar o ultimato do sionismo e se pôr do lado dos tradicionalistas, será mais uma vitória fruto da “separação” física da FSSPX. O dia em que desmoronou a indiferença religiosa entre os batizados e os descendentes dos fariseus.

  8. Prezado Bruno,
    Onde eu assino?

  9. sr Paulo Morse, seria muito bom este acordo se concretizar. Como vc. eu rezo e espero. Como o Santo Padre disse: a renovação da Igreja não se dá “sem ou contra o Papa, mas só em comunhão com ele”. Claro, não ? Mas para alguns sedevacantistas teóricos…esta declaração foi dolorosa… infelizmente ,Paulo, quando o acordo sair muitos sedevacantistas teóricos serão práticos…

  10. Perfeito Lucas! Os que não pensam em estar dentro da Igreja para ai sim, combater as heresias, é que são míopes.

  11. Prezada Natália,
    Rezar para que a Igreja de Deus, a Igreja que tem uma só palavra e uma só ação triunfe é a melhor assinatura que se pode dar.

    Rezar para que a FSSPX continue como um instrumento a serviço da Igreja, também.

    E diante de um acordo, rezar para que não haja em nenhuma das partes quaisquer espírito de enganação ou de problema de consciência, para que a Fraternidade não vire um celeiro de escândalos, e um lugarzinho onde se semeia indiferentismo religioso e relativismo moral e doutrinário, à semelhança da Administração Apostólica de Campos.
    Com efeito, aquele estabelecimento tornou-se um lugar tão modernista, que nem os tradicionalistas que aceitam a Ecclesia Dei e apoiam grupos como a FSSP ou Instituto Cristo Rei se atrevem a usar aquele vestígio de União Sacerdotal como referência a ser seguida.

    E note que, pelo direito canônico, a Administração é o melhor acordo que existe. Tecnicamente, todos dependem do Administrador, que por sua vez responde direto à Santa Sé.
    Se o mesmo fosse pela Igreja, aproveitaria a autoridade que tinha sobre toda a Administração para mantê-la na mais firme otrodoxia, já que não precisaria pedir favor a bispo algum, nem teria superior além do papa para responder diretamente.

    Por mais que não concordássemos, poderíamos entender e nos calar, pois ninguém é obrigado a ser da FSSPX. O acordo que um grupo porventura faça com Roma, e que garanta ao seu rebanho uma vida católica sem liberalismos, mas que abandona o resto dos batizados à própria sorte é lamentável, mas até compreensível, pois tenta-se salvar ao menos os que estão sob os cuidadoes de uma fraternidade, instituto ou administração… Seria lamentável, porém, compreensivo.

    Ninguém combate um Instituto Cristo Rei, pois, apesar de não unir forças contra o erro, ao menos mantêm na ortodoxia os seus sacerdotes e os seus dirigidos…

    Já Campos. Meu Deus, o que é aquilo? Eles tinham tudo para serem – depois do IBP – o melhor instituto sob a Comissão Ecclesia Dei. Poderiam se organizar na prática como as Igrejas Orientais, que são católicas, mas NORMALMENTE não misturam costumes, ritos, disciplina e coisas do gênero com os latinos… Mas não!

    A ereção da Administração não foi uma capitulação diante do erro, porque Roma nunca exigiu que se propagassem os escândalos que lá se verificam hoje. Ao que parece, certamente aderiram primeiro ao modernismo, e para ajudar na destruição da Fé, solicitaram comunhão com Roma, para poder legalmente se juntar aos demais progressistas, e confundir o que restou dos católicos tradicionalistas, para que assim a destruição ficasse completa, com a CNBB mantendo a ruina dos últimos 40 anos lá fora, e a Administração pevertendo uma boa parte dos católicos fiéis que estavam sob sua autoridade…

    Campos não deveria ser mencionada ao se falar em questões entre tradicionalistas e a Santa Sé, porque aquele lugar é neoconservador. É uma ofensa tratar Campos como lugar da Tradição, ofensa para todos os católicos tradicionalistas, tanto entre os “juramentados” como entre os “refratários”.

    Se se pudesse comparar os católicos tradicionalistas com a classe de católicos dos tempos da Revolução Francesa, os refratários seriam da linha da Fraternidade, os que juraram a constituição seriam os Ecclesia Dei… E Campos seria do grupo dos apóstatas, com Talleyrand como chefe.

    Então, Natália, rezar pelo papa e pelas conversações doutrinárias é o melhor a se fazer. Para que possam ser expelidos todos os corpos estranhos, para que possam ser erradicados todos os destruidores da religião, para que os hipócritas sejam subjugados, isso sim merece uma oração, ainda mais que uma assinatura…

  12. O sr. Lucas tem razão. Na minha opinião, há muitos, sem tacha-los de sedevacantistas, mas, desobedientes aos ensinamentos da Santa Igreja que fazem ouvidos de mercador não seguindo o que o Papa manda ou deixa como exemplo, como, no caso, o cardeal Martini, os redatores de revistas católicas, algumas Conferências Episcopais, etc., que, assim que forem divulgados os resultados das conversações com a FSSPX se mostrarão indignados, assim como o rabino judeu.

  13. Paulo e Lucas,

    Como podem com tanta facilidade dizer quem está dentro ou fora da Igreja, indo até mesmo contra o que disse a própria autoridade eclesiástica?

    Não vêem a contradição?
    O óbvio?

    Defendem tanto a Igreja e agem como se a autoridade eclesiástica não tivesse se pronunciado!

    É óbvio que a FSSPX está dentro da Igreja! Sobre eles, se antes havia alguma dúvida, agora acredito que ninguém em boa fé diga que estão excomungados.

    Ora, se não estão excomungados, então estão dentro da Igreja. A comunhão se dá pela fé. A fé deles é plenamente católica, sem rejeitar coisa alguma. Como dizer que estão fora da Igreja? E nem me venham com os termos “plena comunhão” e “comunhão imperfeita”. Há aqui um curto-circuito de significados que não vou comentar agora.

    Não se iludam, pois o status canônico irregular é questão de menor importância e há de ser resolvido em breve.

    A lei é para a salvação das almas, não para colocar gente fora da Igreja em comentários de blogue!

  14. Salve Maria!

    Sr. Bruno Santana, enumere aqui para nós os escândalos que o sr. viu ou vê no Clero da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney e nos fiéis de modo geral para que possamos comentar. É bom que o sr. prove, já que suas acusações sobre existência de escândalos naquele Grupo são GRAVES. Peço que o sr. detalhe e descreva o assunto aqui nos comentários do Post deste Blog, ao invés de colocar somente links ou recursos que obscureçam as informações. Digo ainda, que não venho aqui em nome do Clero ou do Povo da Administração Apostólica, mas somente por iniciativa individual minha.

  15. Entendeu, Sr. Bruno?

    O Sr. Vitor José lhe intima a elaborar um relatório de tudo que aconteceu e acontece em Campos desde a sua ereção em 2002, com direito a perícia, laudo e parecer e mandar tudo devidamente documentado via fax.

  16. sr Luiz CMF pode ser óbvio na sua opinião.
    Porém, não é o que a Santa Sé diz :”A extinção da excomunhão libertou os quatro Bispos de uma pena canónica gravíssima, mas não mudou a situação jurídica da Fraternidade São Pio X que, no momento actual, não goza de qualquer reconhecimento canónico na Igreja Católica. Também os quatro Bispos, embora livres da excomunhão, não têm uma função canónica na Igreja nem exercem licitamente nela um ministério…O Santo Padre pede que todos os fiéis o acompanhem na oração, para que o Senhor ilumine o caminho da Igreja. Cresça o empenho dos Pastores e de todos os fiéis no seu apoio à delicada e gravosa missão do Sucessor do Apóstolo Pedro como «guardião da unidade» na Igreja.

    Vaticano, 4 de Fevereiro de 2009.”

    Na sua opiniào óbvia ,em qual igreja a FSSPX está dentro ?
    Na sua opinião óbvia, qual é a autoridade eclesiástica se pronunciou ?
    Por acaso existe um magistério paralelo ao da Santa Igreja Católica Romana ?

  17. Caro Lucas,

    1. A situação não pode ser inteiramente compreendida com base nesta declaração. Segundo a sua lógica, as almas que estão sob o cuidado da FSSPX deveriam ser privadas dos sacramentos e da sã doutrina. Ou não? Como resolver o impasse? Apenas para demonstrar que as coisas não são tão simples como você tenta fazer-nos crer.

    2. A FSSPX está, como sempre esteve, dentro da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, fora da qual não há salvação. Nunca quiseram opor-se ou usurpar poderes papais. Não o fazem nem na teoria, muito menos na prática.

    Se fosse o oposto, não se permitiria a um fiel cumprir preceito dominical ou ouvir pregações nas suas capelas. Tampouco se permitiria a bispos e padres da FSSPX celebrar em igrejas “em comunhão”, dentre as quais, pode-se citar nada menos que a própria Basílica de S. Pedro.

    Confuso, não?

    3. Magistério paralelo não há e nunca houve.

  18. Sobre o contagiante e divertido diálogo de São Francisco de Assis com o Sultão Melik-el-Kamel citada pelo Bruno Santana, é uma pena que a biografia de Johannes Joergensen na qual ainda leio(original de 1952 e reeditado pela mesma Editora Vozes em 1982) simplesmente a omite. Não sei ao certo o principal motivo, mas acho dificil que os principais biográfos consultados por ele não tenham pelo menos mencionado o fato.

    Algo também estranho é o autor apontar os cruzados como “bestas selvagens” (p.226) ao supor que pela violenta precipitação contra os muçulmanos e a conquista parcial da Terra Santa, São Francisco teria supostamente se horrorizado com isso, dando a entender que o santo tinha aversão à guerras (e guerras justas, como se S. Francisco fosse um pioneiro do espírito do Concílio Vaticano II.)

    É certo que (na página 225) ele diz que: “Francisco teve muito que fazer no próprio campo dos Cruzados, onde a moralidade se achou em estado mui deplorável.”

    Tá tudo bem, até se admite isso, mais compará-los a bestas selvagens? Muito estranho.

    De qualquer forma, referente ao colóquio S. Francisco versus Melik-el-Kamel, o autor o confirma, porém omitindo o diálogo e o “castigo” do Sultão.

    Em geral, é um bom livro, mas é uma pena!

    Alguém conhece uma biografia do Santo que narra esse episódio, exceto a que foi citada pelo Bruno?

    alguém conhece uma outra boa biografia de S. Francisco

  19. Vamos então comentar sobre os “escândalos” que o sr. Bruno Santana viu ou vê no Clero e nos fiéis da Administração Apostólica S. João Maria Vianney.

    1)Sobre o Link: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20081008110121&lang=bra.

    Vou dar aqui um bom conselho, vejam o artigo no http://www.adapostolica.org/modules/wfsection/article.php?articleid=538, porque aqui está o artigo de Dom Fernando como ele escreveu, sem as análises dos apologetas da FSSPX ou do “bispo” da “diocese” Monfort, que como é “bispo”, é claro que é “independente” dos Bispos Católicos e por isso tem “poder” para “cristianizar” os leigos.

    É engrassado que pessoas que me acusam de usar citações “descontextualizadas” e “isoladas” pertencem ao mesmo grupo que possui pessoas que também gostam de usar declarações “descontextualizadas” e “isoladas”. É engrassado também que pessoas que me acusam de “cuspir” “ódio” da FSSPX pertencem ao mesmo grupo que possui também pessoas que gostam de “cuspir” “ódio” da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, ou como eles gostam de dizer dos “Padres de Campos”, como se em Campos só tivesse padres da Administração Apostólica.

    Vejamos também o que Dom Fernando também declara, para termos a interpretação do autor do escrito, ao invés das interpretações dos “apologetas tradicionalistas” de plantão.

    SOBRE A LIBERDADE

    “Em sua Encíclica “Caritas in veritate”, Bento XVI nos ensina que “o desenvolvimento humano integral supõe a liberdade responsável da pessoa e dos povos, pois nenhuma estrutura pode garantir tal desenvolvimento fora e acima da responsabilidade humana”.”

    “Como a palavra “liberdade” está sujeita a muitas interpretações errôneas, a Igreja, no seu Catecismo, faz questão de nos ensinar o seu correto significado:
    “O exercício da liberdade não implica o direito de dizer e fazer tudo. Fugindo da lei moral, o homem prejudica sua própria liberdade, acorrenta-se a si mesmo, rompe a fraternidade com seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina. O direito ao exercício da liberdade é uma exigência inseparável da dignidade do homem, sobretudo em matéria religiosa e moral. Mas o exercício da liberdade não implica o suposto direito de tudo dizer e fazer. ‘É para a liberdade que Cristo nos libertou’ (Gl 5,1).””

    “Todos os homens estão obrigados a procurar a verdade, sobretudo naquilo que diz respeito a Deus e à sua Igreja e, depois de conhecê-la, a abraçá-la e praticá-la.”

    SOBRE A LIBERDADE RELIGIOSA

    “O dever de prestar a Deus um culto autêntico diz respeito ao homem individual e socialmente.”

    “Evangelizando sem cessar os homens, a Igreja trabalha para que estes possam penetrar de espírito cristão as mentalidades e os costumes, as leis e as estruturas da comunidade em que vivem.”

    “O dever social dos cristãos é respeitar e despertar em cada homem o amor da verdade e do bem. Os cristãos são chamados a ser a luz do mundo.”

    “Assim, a Igreja manifesta a realeza de Cristo sobre toda a criação e particularmente sobre as sociedades humanas.”

    “O direito à liberdade religiosa não significa nem a permissão moral de aderir ao erro nem um suposto direito ao erro, mas um direito natural da pessoa humana à liberdade civil, quer dizer, à imunidade de coação externa nos justos limites, em matéria religiosa, da parte do poder político.”

    ““A Igreja convida os poderes políticos a referir seu julgamento e suas decisões a esta inspiração da verdade sobre Deus e sobre o homem: ‘As sociedades que ignoram esta inspiração ou a recusam em nome de sua independência em relação a Deus são levadas a procurar em si mesmas ou a tomar de uma ideologia os seus referenciais e os seu objetivos e, não admitindo que se defenda um critério objetivo do bem e do mal, arrogam a si, sobre o homem e sobre seu destino, um poder totalitário, declarado ou dissimulado, como mostra a história’ (João Paulo II, encíclica Centesimus Annus).” ”

    Vide http://www.adapostolica.org/modules/wfsection/article.php?articleid=603

    ALGUMAS BEM AVENTURANÇAS DO POLÍTICO

    “4. Bem-aventurado o político que se mantém fielmente coerente, com uma coerência constante entre sua fé e sua vida de pessoa comprometida na política; com coerência firme entre suas palavras e suas ações; com coerência que honra e respeita as promessas eleitorais.”

    “5. Bem-aventurado o político que realiza a unidade e, fazendo de Jesus Cristo seu ponto de partida, a defende. Eis porque a divisão é auto-destruição.”

    “6. Bem-aventurado o político que está comprometido na realização de uma mudança radical, e a faz lutando contra a perversão intelectual; o faz sem chamar de bem o que é mal; e não relega a religião ao privado; estabelece as prioridades de suas eleições baseando-se em sua fé; tem uma carta magna: o Evangelho.”

    Vide http://www.adapostolica.org/modules/wfsection/article.php?articleid=512

    Será que os membros da FSSPX defendem que devemos sair dando tiros em todos os que não são católicos??? Será que os membros da FSSPX defendem o terrorismo religioso???
    Não me surpreenderia!!!

    2) Sobre o Link http://www.youtube.com/watch?v=JKnMCp6LBoE.

    Sinceramente sr. Bruno, eu me envergonharia de colocar um vídeo editado com inúmeras citações, textos e opiniões de pessoas que não estão na entrevista. O sr. colocou partes da entrevista, omitindo informações e colocando somente o que lhe interessa. O sr. não especificou o que o sr. vê como sendo escândalo e nem provou que o que o sr. considera escândalo seja realmente escândalo.
    Não existe nenhum escândalo neste vídeo. O sr. Bruno dá somente sua opinião ao dizer que a Administração Apostólica vive escândalos, e é claro que sua opinião é a mesma dos “ortodoxos”, “doutores” e “verdadeiros católicos” da FSSPX.

    Cabe de minha parte fazer algumas considerações:
    1.Não é ensinado aos fiéis da Administração Apostólica, pelo seu Clero e Bispo, que os referidos fiéis possam indiferentemente frequentar as paróquias de Missa Nova da Diocese de Campos como frequentam as paróquias de Missa Tridentina da Administração Apostólica. A Verdadeira Orientação por parte do Clero por aqui é que os fiéis inscritos na Administração Apostólica, embora não proibidos de assistirem a Missa Nova, deêm total e integral preferência pela Missa Tridentina. Até mesmo porque o motivo da existência da Administração Apostólica é conservar a Missa Tridentina como Forma Ordinária de Culto na mesma Administração. Ou seja, na Administração Apostólica não se celebra a Missa Nova, nem como Forma Extraordinária. Na Administração Apostólica é celebrada SOMENTE a Missa Tridentina e os fiéis da Administração Apostólica frequentam normalmente somente as paróquias da Administração Apostólica, onde se celebra somente a Missa Tridentina. Não existe a suposta “mistura” que a FSSPX quer inculcar na cabeça das pessoas para impressioná-las.

    2.Quem disse que o Concílio de Trento proibiu a Igreja de no futuro fazer maior uso do Vernáculo???
    Dom Fernando defende que a Missa deva ser celebrada somente em Vernáculo??? Não é isso que ele diz na entrevista!!!

    3. Não foram todos os padres de Campos da época de Dom Antônio que preservaram a Missa Tridentina. Vários passavam a celebrar a Missa Nova ainda no tempo de Dom Antônio a frente da Diocese de Campos e Dom Antônio não os proibiu.

    4.Dom Antônio de Castro Mayer foi sempre a favor da Regularização Canônica e jamáis se viu satisfeito ou tranquilo com a situação irregular da União Sacertodal. Os esclarecimentos e tratativas com a Santa Sé serviram para tornar o sonho de Dom Antônio pela Comunhão Plena com a Igreja realidade.

    5.Como os membros da FSSPX defendem que as palavras sejam absolutas em si, é claro que interpretaram temerariamente a “verdade do Vaticano II” pronunciada pelo entrevistador. É bom lembrar que o entrevistador não é isoladamente isento de erros.

    6.O Concílio Vaticano II possui predominantemente Verdades Não Irreformáveis, mas usou da mesma Autoridade Magisterial da Igreja que os Concílios anteriores. É um Concílio Ecumênico da Igreja como o de Nicéia, o de Trento, o Vaticano I. Os Ensinamentos do Vaticano II são Ensinamentos da Igreja aprovados e promulgados pela Autoridade Magisterial da Igreja aos fiéis do mundo inteiro e, como a Igreja não pode nem tem como falhar ou ensinar errado, comprometendo a salvação das almas, os Ensinamentos da Igreja, ainda que passíveis de Reforma, não podem nem têm como serem heréticos ou perigosos à Fé e à Moral. É a Assistência Divina do Espírito Santo que impede que a Igreja de Deus aprove, transmita, defenda ou sustente qualquer ensinamento herético ou perigoso à salvação das almas.

    3)Sobre o Link http://www.youtube.com/watch?v=icwRY_-uFEY

    Não existe, pelo menos no vídeo, qualquer atitude escandalosa, muito menos praticada pelo Clero ou fiéis da Administração Apostólica.

    4)Sobre o Link http://www.fsspx-brasil.com.br/page%2003-2c.htm

    É um texto da FSSPX e não fala nem mostra qualquer possível escândalo cometido pelo Clero ou por fiéis da Administração Apostólica.

    5)Sobre o Link http://www.fsspx-brasil.com.br/page%2005-6d-carta-aberta-padres-de-campos.htm

    Atenção, muita Atenção!!!
    A FSSPX avisa que:
    Quem assistir a Missa Nova poderá perder a Fé e se condenar.
    O padre que celebrar a Missa Nova estará sendo escandaloso e fomentando a heresia.
    Os Bispos que assistirem ou concelebrarem a Missa Nova estarão sendo escandalosos e promotores do modernismo.
    Quem disser que a Missa Nova não é herética ou heretizante estará apostatando da Fé.
    Cuidado com o Papa e com os Bispos em comunhão com ele, porque eles podem ensinar heresias, enquanto a FSSPX conserva a Verdadeira Fé.
    Cuidado com Dom Tissier e Dom Williamson que podem condenar o Papa e a Igreja se a Igreja não aceitar que a FSSPX ajude-a a retomar a sua Fé e Tradição.
    A FSSPX é a mestra da verdade.

    6) Sobre “Fora os padres que rezam missa nova na Catedral de Campos assistidos por mulheres acólitos, toqueiros carismáticos, etc etc etc.”

    Sr. Bruno Santana, que coisa feia!!!
    O sr. precisa primeiro provar que os padres da Administração Apostólica celebram a Missa Nova, antes de o sr. acusar. E se eu lhe disser que os padres da Administração Apostólica não sabem celebrar a Missa Nova? Vai ficar minha palavra contra a do sr. Porque o sr. não trouxe aquele vídeo do Pe. Hélio que está ou pelo menos estava no site da FSSPX? Ah, não se esqueça de mostrar o vídeo completo com o Ofertório e a Consagração na Missa.