O Magistério Ordinário da Igreja Católica, por Dom Paul Nau, O.S.B. – Vários modos de apresentar a regra de Fé.

Posts anteriores da série:
  1. Apresentação.
  2. O Concílio Vaticano I e o Ensinamento Ordinário do Soberano Pontífice

* * *

Vários modos de apresentar a regra de Fé

Não há necessidade de fundamentar nosso caso nessa única citação de Santo Irineu, que tem, de fato, sido objeto de numerosos comentários doutos [11], particularmente nos últimos anos; nem trazer à baila testemunhas ao longo das épocas para o pensamento da Igreja no que tange a função de seu Magistério. Nós preferiríamos retornar diretamente ao Concílio do Vaticano para questionar como aqueles sucessores dos Apóstolos procuravam renovar a apresentação do depósito revelado da verdade.

Ao definir a regra de fé, a Constituição Dei Filius (O Filho de Deus) aproveitou a oportunidade para tornar definitivo o procedimento duplo para a apresentação doutrinal, à qual os fiéis estão obrigados a responder crendo na verdade a eles apresentada em nome de Deus.

Deve-se, pois, crer com fé divina e católica tudo o que está contido na palavra divina escrita ou transmitida pela Tradição, bem como tudo o que a Igreja, quer em declaração solene, quer pelo Magistério ordinário e universal, nos propõe a crer como revelado por Deus. [12]

O depósito revelado pode ser apresentado de duas maneiras. Ele pode consistir em um juízo solene cercado pelas garantias necessárias para protegê-lo contra qualquer equívoco, que em si mesmo pronuncia conclusiva e infalivelmente sobre o objeto da Fé.

Mas este método de apresentação, às vezes chamado o Magistério extraordinário, é apenas uma ocorrência excepcional. Ele é mais comumente usado para responder a um erro, colocar fim a uma controvérsia [13] ou, quando a intenção é evitar antecipadamente toda dúvida possível, solenemente pronunciar que uma verdade já admitida torna-se agora um dogma de fé.

A maioria das verdades que se deve crer é proposta pelo Magistério Ordinário [14] da Igreja.

Este não consiste em uma proposição isolada, pronunciando-se irrevogavelmente sobre a Fé e contendo suas próprias garantias de verdade, mas em um conjunto de atos que podem concorrer ao comunicar um ensinamento.

É o procedimento normal pelo qual a Tradição, no sentido pleno do termo [15], é transmitida; foi praticamente o único procedimento conhecido nos primeiros séculos, e também é o que mais geralmente alcança todo o conjunto de cristãos.

O Magistério Ordinário, assim como o juízo solene, igualmente demanda crença na doutrina proposta. Portanto, ambos carregam segurança contra o erro. Se faltasse esta certeza, com efeito, ninguém estaria obrigado a lhe dar seu assentimento leal, isto é, a aderir a ele na autoridade da verdade suprema [16]. Considerados do ponto de vista de obrigar a crença, esses dois métodos de exposição são apresentados pelo Concílio como equivalentes, ao menos na obrigação moral de crer. Ninguém pode, de fato, suspender a crença no que lhe é revelado de maneira certa: mas não é apenas aquilo que é definido como tal que é revelado certamente, mas tudo que é manifestadamente ensinado como tal pelo Magistério Ordinário da Igreja. A nota teológica de heresia tem de ser aplicada não apenas ao que contradiz uma verdade revelada, mas também ao que conflita com uma verdade claramente proposta pelo Magistério Ordinário [17].

Continua…

[11] Além do artigo de Bostein (vide nota 9) c.f.: R. Jacquin, “Le témoignage de Saint Irenée sur l’Eglise de Rome”, in L’Anne Theologique IX, (1948) pp. 95; C. Mohrmann, “About Irenaeus Adv. Haer.” 3, 3, I, em Vigiliae christianae III, (1949) pp. 57; R. Jacquin, “Comment comprendre ‘ab his qui sunt undique’ dans le texte St. Irénée sur l’Eglise de Rome.” Revue Sr. XXIV. (1950) pp. 72; F. Sagnard, O.P., “Irénée de Lyon, Contre les Hérésies, Livre III,” Sources chrétiennes, 34, (Paris-Lyon, 1952).

[12] CL. c. 252 bc. Latin text — nesta tradução, usada a versão portuguesa publicada pela Associação Cultural Montfort em http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=concilios&artigo=vaticano1&lang=bra.

[13] Non pro veritate cognoscenda erant necessariae synodi generales, sed ad errores reprimendos” CL, c 397 Be; isto é: “Sínodos gerais (assembléias eclesiásticas) não são necessários para conhecer a verdade, mas para reprimir erros”.

“Por este uso extraordinário do Magistério nenhuma invenção é introduzida e nenhuma coisa nova é acrescentada à soma de verdades que estando contidas, pelo menos implicitamente, no depósito da revelação, foram divinamente entregues à Igreja, mas são declaradas coisas que, para muitos talvez, ainda poderiam parecer obscuras, ou são estabelecidas coisas que devem ser mantidas sobre a fé e que antes eram por alguns colocados sob controvérsia”. (Papa Pio XI, Mortalium Animos, 6 de janeiro de 1928).

Pe. H. de Lubac, Catholicisme, (Paris, 1938) p. 241, descreve o caráter do Magistério Extraordinário como “ocasional, fragmentário e normalmente mais negativo que positivo”.

[14] “Esse modo de expor a doutrina (visto em si mesmo) é aquele encontrado na profissão e pregação eclesiástica normal e permanente”. J.B. Franzelin, relatório ao Concílio do Vaticano sobre o esboço da constituição dogmática”, CL c. 1611.

[15] Cf. M.L. Guérard des Lauriers, op. cit. 1, p. 298.

[16] Cf. ibid. t. II p. 151, nota 661;

[17] Segundo H. Dezinger, Enchiridion Symbolorum, (1921) prefácio p. 7; e B.H. Merkelbach, in Angelicum, T. VII, (1930) p. 526. Cf. também: Código de Direito Canônico, cânones 1323 e 1325.

4 Comentários to “O Magistério Ordinário da Igreja Católica, por Dom Paul Nau, O.S.B. – Vários modos de apresentar a regra de Fé.”

  1. Muito prezado amigo, Salve Maria Santíssima!

    Abri um documento no Word com tabela de três colunas: na primeira, vou colando esta sua tradução da tradução em inglês, à medida que vai sendo publicada aos sábados no Fratres in Unum; na segunda coluna, a do meio, fica a tradução literal integral (que acabei terminando neste meio tempo…) do original em francês, o qual, por sua vez, se encontra na terceira coluna.

    Assim, fica bem fácil de, lendo uma versão ao lado da outra, notar rapidamente as diferenças. Ei-las então:

    1. TERMOS TÉCNICOS:

    (a)

    Onde você escreve “o marco teológico de heresia”, “marco teológico” parece-me melhor traduzido como “nota teológica”, que é o termo técnico consagrado (às vezes se usa também “qualificação teológica”).

    Assim, por exemplo, no título da obra clássica do Pe. CARTECHINI sobre o tema: De Notarum theologicarum, cuja tradução italiana (disponível no sítio TotusTuus) é intitulada: Dall’opinione al domma – Valore delle note teologiche; ou ainda, na tradução inglesa, também facilmente encontrada na rede, somente de sua lista das “theological notes”.

    Noutro clássico tratamento escolástico “acerca de las Notas de valor y de censura de las proposiciones en Teología”, o do Pe. SALAVERRI, mais acessível à maioria posto que disponível em tradução para o espanhol, lê-se:

    “Las denominaciones, con las que se expresan el valor o la censura de las proposiciones, son varias. Se llaman Notas, porque notifican la importancia teológica que tienen las proposiciones; se denominan Calificaciones, porque indican la cualidad teológica de las proposiciones; reciben el nombre de Valores o Censuras, porque muestran la categoría de la estima o desaprobación que merecen las proposiciones teológicas.”

    Incidentalmente, observe ainda como o “mark” inglês traduz-se como “nota” também na expressão “the four marks of the Church” (= as quatro notas da Igreja., i.e. Una, Santa, Católica, Apostólica).

    (b)

    Julgamento solene” parece-me melhor traduzido como “juízo solene”.

    Facilmente, pelo Google, você pode confirmar que, por exemplo, nos documentos em português que constam do site http://www.vatican.va, é essa a tradução consagrada.

    “Juízo”, palavra que, ao contrário de “julgamento”, significa “proposição enunciativa”. (Ambas, em inglês, “judgment”, daí a confusão.)

    Há ocorrência disso também nas traduções anteriores: perdoe-me não o ter avisado antes.

    (c)

    ONDE: “O Magistério Ordinário, assim como o julgamento solene, igualmente demanda crença na doutrina proposta. Portanto, ambos carregam segurança contra o erro. Se faltasse esta certeza, com efeito, ninguém estaria obrigado a lhe dar seu fiel assentimento, isto é, a aderir a ele na autoridade da verdade suprema.”

    PARECE-ME DEVERIA SER: “O Magistério Ordinário, assim como o juízo solene, igualmente demanda fé na doutrina proposta. Portanto, ambos carregam segurança contra todo o erro. Se faltasse esta certeza, com efeito, ninguém estaria obrigado a lhe prestar sua fé [ou: a lhe dar seu assentimento de fé], isto é, a aderir a ele sob a autoridade da Verdade primeira.”

    [Magistère ordinaire, comme jugement solennel, exigent également la foi pour la doctrine qu’ils proposent. C’est donc qu’ils la peuvent assurer contre toute erreur. Faute de cette certitude, en effet, nul ne pourrait être tenu d’y accorder sa foi, c’est-à-dire d’y adhérer sur l’autorité de la Vérité première.]

    No inglês, chutando, estaria “faithful assent” (fiel assentimento)? Se for, não me parece nada bom:

    Pois “assentimento fiel” parece-me expressão que poderia se referir meramente ao assentimento interno que damos àquelas doutrinas propostas pelo Magistério sem a garantia absoluta contra o erro, cuja negação faz incorrer na censura de temeridade e não de heresia. (Ambas as negações, para o simples fiel, igualmente pecado mortal, e portanto conducentes ao inferno, apresso-me em notar!)

    (Nosso Pe. PENIDO, em sua introdução à Teologia para leigos, trata dessa distinção aqui:
    http://www.veritatis.com.br/article/5609)

    (d)

    ONDE: “É o procedimento normal pelo qual a Tradição, no sentido pleno do termo [15 Cf. M.L. Guérard des Lauriers, op. cit. tomo 1, p. 298], é transmitida”,

    O ORIGINAL DIZ SIMPLESMENTE: “É o procedimento normal da tradição no sentido forte do termo

    [C’est le procédé normal de la tradition au sens fort du terme; ce fut le seul que connurent pratiquement les premiers siècles et c’est encore celui qui atteint le plus généralement l’ensemble des chrétiens.]

    Ocorre que o sentido forte do termo “Tradição” é justamente “transmissão”, de modo que, como está, esse trecho de sua tradução (e do inglês?) significa: “É o procedimento normal pelo qual a transmissão…é transmitida”!

    Note como a página da obra do Pe. Guérard de Lauriers que Dom Paul Nau cita aí é a mesma que ele já havia citado no capítulo anterior por você traduzido, ocasião em que ele já havia explicitado o mencionado “sentido forte do termo” (permita-me citar aqui, em vez da sua, minha própria tradução literal, e seguida do original em francês, pois nela se vê melhor como o A. emprega o próprio termo em latim – tradere – para designar a “Tradição” em sentido forte):

    “‘Guardar inviolavelmente, sancte custodirent, o depósito revelado’, não será isso, para os membros da Hierarquia docente, escondê-lo na terra como o talento do Evangelho. Será, pelo contrário, o ‘entregar’, tradere, à Igreja e destarte o ‘transmitir’, tradere, à geração seguinte e a seus próprios sucessores. [Cf. M.-L. GUÉRARD DES LAURIERS, Dimensions de la foi, t. I, Paris, 1950, p. 298]. Estes, consultando-o para, por sua vez, o entregarem só farão acrescentar um novo elo à cadeia ininterrupta que conecta em qualquer época a fé da Igreja com os primeiros discípulos de Cristo.”

    [“« Garder inviolablement, sancte custodirent, le dépôt révélé », ce ne sera pas, pour les membres de la Hiérarchie enseignante, l’enfouir dans la terre comme le talent de l’Évangile. Ce sera au contraire le « livrer », tradere, à l’Église et par là le « transmettre », tradere, à la génération suivante et à leurs propres successeurs [Cf. M.-L. GUÉRARD DES LAURIERS, Dimensions de la foi, t. I, Paris, 1950, p. 298]. Ceux-ci en y puisant pour le livrer à leur tour, ne feront qu’ajouter un maillon nouveau à la chaîne ininterrompue qui rattache à toute époque la foi de l’Église aux premiers disciples du Christ.”]

    Com mais tempo, seria interessante consultar, para confirmar isso definitivamente, aquele livro do Cardeal Billot sobre a noção de Tradição contra o modernismo, que há em espanhol no sítio Stat Veritas e me parece, inclusive, ter lido em algum lugar estar terminando de ser traduzido para o português.

    2. UMA OMISSÃO:

    No penúltimo parágrafo, tudo o que vem depois de “equivalentes” faz parte de uma longa nota de rodapé, no original em francês.

    Seria isso mera picuinha, não fosse pelo fato de, dessa longa nota, faltar na tradução em inglês (a julgar por sua tradução feita com base nela) o seguinte trecho extenso do final, que portanto viria imediatamente após o último parágrafo desta sua tradução:

    “A esta obrigação moral, o juízo solene acrescenta uma obrigação jurídica, fundamento das penas eclesiásticas lançadas pela Igreja contra os contraventores. Essas penas só podem ser urgidas quando foram cumpridas as condições postas pelo direito. Mas a obrigação de consciência pode permanecer mesmo que faltem essas condições. Sobre a utilidade das definições, cf. supra, n. 1. [nota 13 da versão do Fratres]”

    3. OUTRAS DISCREPÂNCIAS NOTÁVEIS:

    (a)

    ONDE: “Nós preferiríamos retornar diretamente ao Concílio do Vaticano para questionar como aqueles sucessores dos Apóstolos procuravam renovar a apresentação do depósito revelado da verdade.”

    O ORIGINAL, PORÉM, DIZ: “Cumpre-nos antes retornar ao Concílio do Vaticano para perguntar-lhe de que modos pode revestir-se a proposição, pelos sucessores dos Apóstolos, do depósito revelado.

    [Il nous faut bien plutôt revenir au concile du Vatican pour lui demander quels modes peut revêtir la proposition, par les successeurs des Apôtres, du dépôt révélé.]

    (b)

    ONDE: “A maioria das verdades que se deve crer é proposta pelo Magistério Ordinário da Igreja.”

    O ORIGINAL, PORÉM, FAZ UMA PRECISÃO IMPORTANTE:
    “Na maioria das vezes, as verdades a crer são propostas somente pelo magistério ordinário da Igreja”

    [Le plus souvent, les vérités à croire ne sont proposées que (literalmente: não são propostas senão) par le magistère ordinaire de l’Église].

    (c)

    ONDE: “Este não consiste em uma proposição isolada, pronunciando-se irrevogavelmente sobre a Fé e contendo suas próprias garantias de verdade, mas em um conjunto de atos que podem concorrer ao comunicar um ensinamento.”

    LEIA-SE: “Este não consiste em uma proposição isolada, pronunciando-se irrevogavelmente sobre a Fé e garantindo-a por si só, mas em um conjunto de atos que podem concorrer a [ou: para] comunicar um ensinamento.”

    [Celui-ci ne consiste plus en une proposition isolée, prononçant irrévocablement sur la foi et la garantissant à elle seule, mais dans l’ensemble des actes qui peuvent concourir à communiquer un enseignement.]

    4. PICUINHAS:

    (Se bem que duas coisas que eu havia descartado como picuinhas em meu comentário anterior, afinal de contas não me pareceram tais agora – cf. itens 1-b e 1-c, acima.)

    (a)

    ONDE: “Não há necessidade de fundamentar nosso caso nessa única citação de Santo Irineu, que tem, de fato, sido objeto de numerosos comentários doutos, particularmente nos últimos anos.”

    O ORIGINAL DIZ: “Não é preciso que nos detenhamos nesse texto de Santo Ireneu que foi, sobretudo nos últimos anos, objeto de numerosos e doutos comentários.”

    [Nous n’avons pas à nous arrêter à ce texte de saint Irénée qui a fait, depuis quelques années surtout, l’objet de nombreux et savants commentaires]

    (De onde surgiu esse “única”, que soa quase desprezador de uma citação que, pelo contrário, tem para o A. enorme peso, como se vê pelo que seguirá e também por seu outro estudo afim, sobre a infalibilidade das encíclicas?)

    (b)

    ONDE: “Ao definir a regra de fé, a Constituição Dei Filius (O Filho de Deus) aproveitou a oportunidade para tornar definitivo o procedimento duplo para a apresentação doutrinal”

    O ORIGINAL: “Foi ao definir a regra da fé que a Constituição Dei Filius teve ocasião de precisar o duplo procedimento de exposição doutrinal”

    (c)

    ONDE: “conclusiva e infalivelmente”

    O ORIGINAL: “definitiva e infalivelmente”

    (Há controvérsia entre tradicionalistas sobre o sentido de “definitive” nos termos do Concílio: resumindo demais, se delimitar somente, como pensa o Pe. Lucien, com quem me inclino em concordar nesses pontos, ou se além disso também concluir, como pensam os Padres Pierre-Marie e Calderón).

    (d)

    Na nota 14, a pregação e profissão “ordinaria et continua” (no latim do Cardeal FRANZELIN) tornou-se pregação e profissão “normal e permanente”.

    Minha picuinha é com o “permanente”, em vez de “contínua”, donde a pergunta: no inglês está assim?

    E outra pergunta: essas traduções que você vem fazendo, das citações em latim que há em todo este ensaio, são suas ou estão também no inglês? (É que o original francês, infelizmente, deixa o latim sem traduzir…)

    5. DESFECHO:

    Enfim, foram quatro páginas que me tomaram a melhor parte desta tarde de sábado… Como lhe disse no início, acabei terminando há uns dias minha tradução literalíssima do francês: que lhe parece de eu publicá-la em meu blogue, para tornar, quem sabe, seu trabalho (e o meu) um pouco mais fácil? (Como tradutor, sei bem que ter outras traduções à mão para comparar, muitas vezes, facilita o trabalho).

    Pergunto-lhe porque, de início, pareceu-me mais correto esperar você concluir esta ótima série, mas depois pensei que uma tal publicação, de minha parte, além da ajuda que acabo de mencionar, também não o prejudicaria em nada, pois:

    (a) A maioria jamais leria um texto tão longo publicado de uma só vez (ainda mais com meu costume, para alguns detestável, de inserir as notas de rodapé no corpo do texto, em fonte cinzenta), mas é possível que muitas dessas pessoas leiam o mesmo texto se dividido em breves capítulos publicados semanalmente, como você vem fazendo;

    (b) Falando francamente, seu blogue tem muito mais credibilidade que o meu: como me disse certa vez o Sr. Carlos Caetano, ninguém confia em traduções de sedevacantistas…

    (c) Dentre os que leem as postagens, nem todos, aliás provavelmente poucos, acompanham as discussões que se seguem na caixa de comentários, de modo que jamais lerão isto aqui nem encontrarão minha tradução pela Net.

    Mas me interessa a sua opinião, mesmo assim.

    Enfim, espero ter-lhe sido útil, bem como aos demais leitores de seu blogue, pois este estudo de Dom Paul Nau está entre o que de melhor já se escreveu sobre o assunto.

    E quem sabe não consegui também com isto, de quebra, as orações do insigne teólogo beneditino lá do alto do Céu… ainda que após uma sua eventual breve estadia no Purgatório por citar benevolamente (como se vê) os De Lubac, Daniélou, Murray e Congar? (Se bem que, cumpre notar, obviamente o fez para captar a benevolência desses neomodernistas cujo minimalismo magisterial Dom Nau está, justamente, refutando aqui e tentando convencer de erro.)

    Um grande abraço,
    Em JMJ,
    Felipe Coelho

  2. PS: Relendo uma última vez, onde “cuja negação faz incorrer na censura de temeridade e não de heresia”, leia-se “no pecado” em vez de “na censura”. Perdão. Outra coisa que ia dizer mas me esqueci: devo admitir que estas suas traduções, caro amigo, também têm me ajudado bastante a melhorar a minha! AMDGVM, FC

    • Caro Felipe, Salve Maria!

      Peço desculpas pela resposta sucinta, mas as dificuldades (afazeres profissionais) que impediram a publicação da tradução nas últimas semanas permanecem… tanto que a publicação deste sábado quase não veio ao ar! E infelizmente não é possível dar toda a atenção merecida às suas sugestões e correções.

      Vamos lá: com relação aos termos técnicos e correções que eram possíveis dentro daquilo a que se propõe esta série — que é a tradução da versão publicada pela Angelus Press –, adotei as sugestões: 1 “(a)” e “(b)”; quanto à “(c)”, o texto diz “loyal assent”, que a princípio nos pareceu mais adequado traduzir por ” fiel assentimento” e que, procurando evitar, ou ao menos atenuar, o problema levantado pelo senhor, acabamos de corrigir para, literalmente, “assentimento leal”; já a sugestão “(d)”, nossa tradução é a literal do texto em inglês. Sobre o ponto 2, a omissão apontada é real; não há essa referência na edição da Angelus Press.

      Todas as outras observações (3 e 4) foram verificadas e, de fato, a divergência está na própria publicação da Angelus Press. Procuramos fazer também uma tradução literalíssima, dentro das dificuldades e limitações que nos são peculiares, como dito anteriormente.

      Pergunto: haveria possibilidade de a tradução da Angelus Press ter sido feita com base em outra versão francesa, diferente da sua? Sendo a resposta negativa, talvez fosse o caso do senhor traduzir a versão francesa ao inglês e enviar as discrepâncias para eventual correção por parte da Angelus.

      Sua publicação seria mais que oportuna. Fique totalmente à vontade. O importante é fazermos um bom trabalho para a maior glória de Deus. De nossa parte, pretendemos concluir a tradução da edição publicada pela Angelus Press; já nos é penoso conseguir tempo para concluí-la — nosso blog funciona mais pela colaboração dos amigos do que por este editor que lhe escreve — e o seria ainda mais ter de cotejá-la com todos os detalhes que tal trabalho faz jus. É claro que todas essas deficiências, que, a nosso ver, não alteram a compreensão dos leitores não especializados como os nossos, devem ser relatadas à Angelus Press. Seria um grande serviço prestado.

  3. Neste verdadiero diálogo entre discípulos de S. Jerônimo está a chave da caridade: fecundidade. Não é aquela ciência que incha, mas a sabedoria que edifica!
    Só espero que este encontro de mentes e corações seja também produtivo para o trabalho de tradução, ora “suspenso”, do livro de Mons. Brunero Gherardini – Concilio Ecumenico Vaticano II: Un discorso da fare.

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