“Liturgia criativa… nos aliena de Deus e nos conduz ao pecado.”

De uma entrevista com o Monsenhor Nicola Bux publicada no mês passado na blogosfera italiana:

Então, não muito surpreendente, ele afirma: “O sentido de pecado foi enfraquecido pela diluição da sacralidade da liturgia. Existe um elo estreito entre etos e louvor.” O que o senhor quer dizer com isso? “Que hoje em dia perdemos valores porque frequentemente não damos a Deus um louvor digno na Missa. E muitos ateus também devem viver como se Deus existisse.” (E molti anche atei dovrebbero vivere come se Dio esistesse). Mas voltemos ao aspecto litúrgico: “As pessoas precisam do sentido do sagrado para descobrir Deus. O pecado é uma negação de Deus, mas se mesmo quando assistimos a Missa vivemos longe de Deus, então, como é possível evitar o pecado?” Então, ele especifica: “A liturgia é sagrada, divina e gloriosa; ela é vertical no sentido de tender em direção ao Alto, em direção à Beleza e ao Céu. Ela não é algo circular ou horizontal, algum tipo de estádio esportivo, assembléia ou festa. A idéia de uma liturgia frutuosa e criativa inevitavelmente perde o sentido do sagrado e, portanto, nos aliena de Deus e nos leva ao pecado. As pessoas, que são bem mais inteligentes do que lhes dão crédito, percebem onde está o sagrado. Ele não é algo abstrato, mas algo concreto. E isso é dito no Evangelho. “A mulher desejava tocar o manto de Cristo.” Para derrotar o pecado, é necessário determinados sinais inequívocos e firmes, não sinais flutuantes e instáveis.”

Portanto, a liturgia criativa cria um dano: “Muitos, especialmente, depois do Concilio, cederam a essa noção insalubre de criatividade. Porém, isso não foi culpa do Concílio, uma vez que o Concílio nunca abrrogou ou cancelou a liturgia de sempre. Uma Missa descuidada, manipulada e – pior ainda– violada é um obstáculo para o sagrado e aliena as pessoas da Igreja. Celebrar Missas criativas é uma profanação do sentido de sagrado porque isso nos afasta de Deus. O ministro do culto nunca deve ser um ator, mesmo um ator medíocre e uma fonte de escândalo, mas ele deveria pensar que seu dever principal é servir a Deus, nunca o seu próprio desejo irrefreado de representar o protagonista. Somente pela recuperação e restauração de uma liturgia vertical e correta, poderemos limitar em parte os efeitos do pecado e, desta forma, redescobrir Deus.”

Fonte: Rorate-Caeli

6 Responses to ““Liturgia criativa… nos aliena de Deus e nos conduz ao pecado.””

  1. Bom dia.
    Que bela relação entre o pecado e a liturgia. Nunca o tinha pensado.
    Que Deus abençoe o vosso trabalho.

  2. “Celebrar Missas criativas é uma profanação do sentido de sagrado porque isso nos afasta de Deus.”

    Com certeza essas palavras são um puxão de orelha em muitos padres superstar que faz da liturgia da missa o que bem querem.

    Fora com esses protestantes carismáticos disfarçados de padres e com essas missas que profanam o sagrado e nos afastam de Deus.

  3. Só um novo concílio ecumênico, em condições totalmente diversas das atuais (talvez depois de uma hecatombe universal), pode consertar esta situação enquistada na Igreja.

  4. Será que os membros da RC”C” (“carismáticos”) que se julgam mais fiéis a igreja do que os membros da FSSPX vão acabar com a sua criatividade em profanar a Santa Missa? Eu duvido, mas fica o desafio. Apenas pontuando:

    1) Oração em línguas (bla-bla-bla);
    2) Orações de cura e libertação não previstas;
    3) Músicas não condizentes com a Liturgia;
    4) Palmas ou aplausos não previstos;
    5) Inúmeros comentários e intervenções verbais não previstas no missal.

    Enfim, veremos se eles são obedientes mesmo.

    Um abraço.

    Francisco.

  5. Estes problemas é muito complicado.
    Hoje, também,li um ensinamento do Papa pedindo ao padres que actuam em nome do Senhor, em Sua representação, para terem compromisso com a verdade e ensinarem não aquilo que pensam, mas naquilo que é o que o Senhor nos ensinou.
    É o mesmo com a santa Missa. Os padres “inventam” por tr~es motivos: ou para darem na vista (orgulho, vaidade) ou porque julgam que estão a agir corretamente ou porque esperam que os fieis gostem mais e por isso ocorram em maior número às celebrações.
    E isto entronca num ponto chave das igrejas reformistas, obrigadas a aceitá-lo para se poderem justificar perante si mesmas e os outros: a livre interpretação.
    Hoje, na verdade, todos queremos ter a satisfação de pensar que o nosso pensamento é o verdadeiro, até porque, se não o pensamos,temos de mudar o nosso pensamento. É estúpido manter uma posição que sabemos não ser a verdadeira.
    Isso só se pode corrigir com ensinamento direto do Papa com palavras muito simples que não exijam uma interpretação muito complicada. O Santo Padre tem de falar como se estivesse a falar para meninos da primeira classe: “B” “A” “BA”. Isso, para impedir que os Padres queira fazer uma interpretação individual e para que todos possam saber a verdade e atuar junto dos seus padres para os levar a atuarem na verdade.

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