
O sacerdote representa Cristo. O que significa dizer isso? O que significa “representar” alguém? Na linguagem comum, significa dizer – geralmente – receber a delegação de uma pessoa para estar presente em seu lugar, falar e agir em seu lugar, porque aquele que é representado está ausente da ação concreta. Nos perguntamos: o sacerdote representa o Senhor do mesmo modo? A resposta é não, porque, na Igreja, Cristo nunca está ausente, a Igreja é o seu corpo vivo e a Cabeça da Igreja é ele, presente e operante nela. Cristo nunca está ausente […].
Hoje, em plena emergência educativa, o munus docendi da Igreja, exercido concretamente através do ministério de cada sacerdote, torna-se particularmente importante. Vivemos em uma grande confusão acerca das opções fundamentais da nossa vida, sobre o que é o mundo, de onde viemos, para onde vamos, o que devemos fazer para agir bem, como devemos viver, quais são os valores realmente pertinentes. Em relação a tudo isso existem tantas filosofias contrastantes, que nascem e se espalham, criando uma confusão acerca da decisão fundamental, como viver, porque não sabemos mais, geralmente, de quê e por quê somos feitos e onde andamos.
Nesta situação, realmente, realiza-se de novo a Palavra do Senhor: “Tenho compaixão do povo, são como ovelhas sem pastor”. O Senhor havia dito isso quando viu milhares de pessoas que o seguiam no deserto, porque, em meio à diversidade das correntes daquele tempo, não sabiam mais qual era o real significado das Escrituras. O Senhor, movido de compaixão, interpretou a Palavra de Deus – Ele próprio é a Palavra de Deus – e deu a orientação. E essa é a função in persona Christi do sacerdote, aquela de tornar presente, em meio à confusão, à desorientação de nosso tempo, a luz da Palavra de Deus, a Luz que é o próprio Cristo neste nosso mundo. Então, o sacerdote não ensina as suas próprias ideias. O sacerdote não fala “de si”, não fala “para si”, para criar para si, talvez, admiradores ou um partido próprio. Não fala de coisas próprias. O sacerdote ensina em nome de Cristo presente, propõe a Verdade que é o próprio Cristo, a Sua Palavra, o Seu modo de viver, e de andar adiante.
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Aquela do sacerdote, por consequência, não raro, poderia parecer com a “voz que clama no deserto” (Mc 1, 3), mas exatamente nisso consiste a sua força profética: no não ser mais aprovado, nem aprovável, por qualquer cultura ou mentalidade dominante, mas no mostrar a única novidade capaz de operar uma autêntica e profunda renovação do homem, isto é, que Cristo é o Vivente, é o Deus próximo, o Deus que opera na vida e pela vida do mundo e nos doa a Verdade, o modo de viver.
Queridos irmãos e irmãs, o Senhor confiou aos sacerdotes uma grande tarefa: serem anuciadores da Sua Palavra, da Verdade que salva; serem sua voz no mundo para trazer o que é útil para o verdadeiro bem das almas e o autêntico caminho de fé (cf. 1 Cor 6, 12). São João Maria Vianney sirva de exemplo para todos os sacerdotes. Ele era homem de grande sabedoria e força heroica no resistir às pressões culturais e sociais do seu tempo para poder conduzir as almas a Deus: simplicidade, fidelidade e objetividade eram as características essenciais da sua pregação, transparência de sua fé e de sua santidade. O Povo cristão dali era edificado e, como acontece com os verdadeiros mestres de todos os tempos, ali reconhecia a luz da Verdade. Ali reconhecia, em definitivo, aquilo que se deveria sempre reconhecer em um sacerdote: a voz do Bom Pastor.







"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mau humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey