A guerra só está no começo.

Prezados leitores,

no dia 24 de março de 2010, postamos aqui uma carta do Reverendíssimo Padre Michael Rodríguez, de El Paso, Texas, ao jornal local El Paso Times. Na carta, o sacerdote combatia bravamente um projeto de lei municipal que visava a concessão de benefícios sociais a “casais” de homossexuais. Seu artigo suscitou centenas de comentários furiosos de homossexuais e até mesmo de “católicos”.

Espantosamente, um outro sacerdote da mesma diocese, Pe. Roden Lucero, teve a audácia de escrever uma carta ao mesmo periódico atacando a postura do Pe. Rodríguez e defendendo a iniciativa da Câmara dos Vereadores.

Publicamos abaixo a resposta de Pe. Michael Rodríguez ao texto do Pe. Roden Lucero.

Peçamos a Nossa Senhora de Guadalupe que interceda a Deus por todos os sacerdotes sérios como o Pe. Michael Rodríguez.

* * *

Os Católicos devem mostrar uma fé verdadeira

Pelo Rev. Michael Rodriguez | colunista convidado

Meu objetivo ao escrever nesta coluna é apresentar os ensinamentos não adulterados da Santa Igreja Católica. Por quê? Porque somente a fidelidade a Jesus Cristo e a Sua amada Igreja trará felicidade e salvação às nossas pobres almas.

Tudo o que eu escrevi na primeira parte do meu artigo de 21 de março constitui, pura e simplesmente, o ensinamento da Igreja Católica. Por outro lado, as críticas do Rev. Roden-Lucero não são válidas nem precisas.

Comecemos.

(1) A Igreja Católica sem dúvida ensina infalivelmente que os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados, uma grave depravação, e mortalmente pecaminosos. Há duas maneiras em que o Magistério da Igreja exerce o carisma de infalibilidade: extraordinária e ordinária.

A primeira é exercida pelo papa sozinho (ex cathedra) ou em união com todos os bispos do mundo reunidos em um concílio geral; esse último modo é definido como “quando os bispos em suas dioceses, em unidade com o papa, promulgam unanimemente os mesmos ensinamentos sobre fé e moral.”

O ensinamento constante da Igreja sobre o mal dos atos homossexuais é um exemplo perfeito da infalibilidade desejada pelo Magistério ordinário universal. A infalibilidade deste ensinamento constante da Igreja não pode ser contestada. É absolutamente vinculativa a todos os católicos, e ponto final.

O caso de Galileu e da escravidão são irrelevantes, uma vez que a Igreja nunca exerceu o seu poder de infalibilidade em nenhum desses casos.

(2) A Igreja Católica ensina algum absoluto em termos de moral? Claro! Dentre tais absolutos estão aqueles que proíbem o aborto, o adultério, o roubo, a fornicação, os atos homossexuais, a contracepção e a opressão do pobre. Santo Tomás de Aquino, o grande doutor da Igreja, explica como e porque os Dez Mandamentos são qualificados como absolutos morais.

(3) Na teologia moral, o absoluto supremo é a lei de Deus, não a consciência individual. O Concílio Vaticano Segundo ensina que “A norma suprema da vida humana é a própria lei divina — eterna, objetiva e universal …” A consciência de alguém nunca é o autor da verdade, mas ao invés disso, a consciência da pessoa deve ser formada de acordo com os mandamentos de Deus e os ensinamentos da Igreja.

(4) A ação da Câmara dos Vereadores não é “simplesmente oferecer um benefício que a própria Igreja declara como um direito humano.” Não! A Sociedade estende os benefícios de assistência médica ao cônjuge de uma pessoa porque as duas pessoas são casadas. Será que os irmãos e amigos de um funcionário municipal deveriam receber tais benefícios? Sob que fundamentação um “parceiro doméstico” deveria receber os benefícios aos quais somente um cônjuge tem direito?

Meus amigos, a questão real é a existência de forças sinistras em nossa sociedade, que estão usando o subterfúgio de “assistência médica” para promover a legalização das uniões homossexuais. Assim, todos os católicos têm a obrigação moral de desfazer o erro perpetrado pela Câmara dos Vereadores. Uma cidade que justifica a violação flagrante do amor de Deus, conforme expresso em sua santa lei, é claramente nociva ao bem comum.

Esforcemo-nos para amar e respeitar uns aos outros aderindo fielmente a tudo o que o bom Senhor ordena. Cada um de nós — seja heterossexual ou homossexual – é chamado à santidade.

Precisamos orar uns pelos outros. Por favor, rezem pelos seus sacerdotes, para que sejamos homens santos de Deus, devotos, castos e puros.

Àqueles católicos que permanecem obstinados em sua discordância do ensinamento da Igreja ou dos pecados homossexuais, prometo rezar pela sua conversão porque nada menos do que a sua eterna salvação está em jogo.

Entretanto, não posso permitir que vocês pisem em nossa preciosa fé com impureza e escandalizem os católicos fiéis. Não, não sob o meu olhar. A Comunhão lhes será negada. Obviamente, esta medida está sendo tomada por motivos de solicitude paternal para a sua conversão.

Pe. Michael Rodríguez é pároco na Igreja Católica de San Juan Bautista.

Publicado no jornal El Paso Times em 02/05/2010

[Nota de Tradução: o jornal alterou Igreja para igreja. Utilizamos aqui a maneira escrita pelo Pe. Rodríguez]

7 Comentários to “A guerra só está no começo.”

  1. Parece que estamos diante de um novo cura D’Ars…

  2. Perfeita aula de catequese do Padre Michael Rodríguez!

    Deus queira que mais padres santos e fiéis a Santa Igreja Católica se posicionem firmemente em defesa da verdadeira fé e moral.

    Pax et bonum

  3. Naõ sei escrever o inglês e o castelhano suficientemente para escrever aqui. Mas julgo que o P.e Michael Rodriguez saberá entender o que digo
    Bendito seja Deus, porque nos momentos próprios Ele suscita a pessoa que apresenta a verdadeira doutrina. Neste caso foi o P.e Rodriguez que para isso teve a assistência especial do Espírito Santo e que a terá até o fim.
    Sabemos como é o mundo e sabemos que muitas vezes quem tem razão é derrotado, mas nunca é vencido, porque da sua “derrota” sobressai o suficiente para levar muitos à Luz e esta é a verdadeira vitória.
    Alegra-me imenso esta atitude do P,e Rodriguez; dá-me uma felicidade extraordinária. Mas não lha agradeço, porque agradecer-lhe seria diminuir o sentimento que o faz agir: o imenso e total Amor a Jesus Cristo. É verdadeiramente um P.e que vive por Cristo e em Cristo.

  4. Que NSJC defenda o Pe. Michael Rodríguez!
    Salve Maria! Mãe da Divina Graça!

  5. “Àqueles católicos que permanecem obstinados em sua discordância do ensinamento da Igreja ou dos pecados homossexuais, prometo rezar pela sua conversão porque nada menos do que a sua eterna salvação está em jogo.

    Padre Michael Rodriguez me fez lembrar Santo Afonso de Ligório.
    Que Deus defenda o Pe. Michael Rodríguez!

  6. Reforcem também que o adultério entre os heterossexuais e a relação entre namorados não é doutrina da Igreja. Na verdade pouco se ver padre nos dias de hoje pregar a moral sexual. Pois para eles o que importa, o fundamental é amor entre os irmãos “amor” que faz vista grossa para os pecados.

  7. Estive com o Padre Michael no bairro de Santa Tereza – RJ. Aprendi muito e em poucas horas.

    O que o padre falou, também falou o cardeal Dom Eugênio Salles: Nós não construimos a verdade, mas a ela estamos submetidos na apreciação de nossos atos. Não é a nossa consciência individual nossa juíza. Sim o Eterno.

    Reparei numa coisa. Pelo menos nos EUA o padre Michael teve direito de reposta. Fosse aqui no Brasil…