Pedem a cabeça de Sodano: “Todos dentro da Igreja devem saber que há consequências por erros escandalosos”.

Sodano deve ser removido e deve lhe ser dito que sirva a Igreja com a oração. Todos dentro da Igreja devem saber que há consequências por erros escandalosos”. É claríssimo e definitivo o distanciamento do decano do Colégio Cardinalício, o cardeal Angelo Sodano, assumido por Joseph Bottum, diretor da First Things, a revista de referência da área teológica conservadora norte-americana, fundada pelo ex-luterano, depois sacerdote católico, Richard John Neuhaus.

Depois da bofetada em Sodano dada pelo arcebispo de Viena, Christoph Schönborn – porque, em sua opinião, há 15 anos, ele acobertou o “caso Hans Hermann Groër” – é a revista em torno à qual gira um do grupos de intelectuais mais influentes dos Estados Unidos que abre fogo contra um príncipe da Igreja que, durante anos, na era Wojtyla, detinha as rédeas do governo da Cúria Romana.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal Il Foglio, 14-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A culpa atribuída a Sodano é explícita: encobriu, obtendo também diversos favores financeiros, os crimes de Marcial Maciel Degollado, “o corrupto vigarista que fundou a Legião de Cristo e a associação leiga Regnum Christi“.

Em torno da First Things, há personalidades ouvidas não só no mundo católico norte-americano, mas também no Vaticano, como: Michael Novak, o profeta do capitalismo democrático, e George Weigel, biógrafo do Papa João Paulo II e de Bento XVI, membro sênior do Ethics and Public Policy Center de Washington. Também Mary Ann Glendon, ex-embaixadora norte-americana junto à Santa Sé e professora de legislação na faculdade de direito de Harvard. Junto com eles, Robert Royal, presidente do Faith & Reason Institute da capital federal.

Na crítica veemente à forma como a Cúria Romana administrou o “caso Maciel”, a First Things se posiciona ao lado do National Catholic Reporter, o jornal semanal líder dos católicos progressistas dos Estados Unidos, no qual escreve a estrela dos vaticanistas norte-americanos, John Allen. Foi o National Catholic Reporter que, há alguns dias, publicou um artigo em duas partes sobre as imprudentes operações financeiras levadas adianta pelos Legionários sob a liderança de Maciel.

Mas, escreve Bottum, “o artigo surpreendentemente recebeu pouca atenção, talvez porque as conexões da Legião com Carlos Slim não tenham sido demonstradas”. O bilionário mexicano Carlos Slim, junto com outros apoiadores de peso, foi indicado nestes dias por alguns jornalistas como um dos principais financiadores da Legião. Dentre estes, também foi possível ler os nomes do produtor cinematográfico Steve McEveety, de Thomas Monaghan, fundador da rede Domino’s Pizza e da Ave Maria University da Flórida, do ex-governador da Flórida Jeb Bush e do ex-senador da Pensilvânia Rick Santorum.

Entre os financiadores, mais de uma vez se fez referência ao nome de Neuhaus. Em 2002, foi ele que escreveu que as acusações contra Maciel eram “falsas e maldosas”. Mas, explica Bottum, com tom amargo e melancólico, “Maciel enganou muitas pessoas, incluindo o criador desta revista”. Escreve Bottum: “A ironia é que o Pe. Neuhaus não assumiu essa defesa por ordem de Maciel, a quem ele nunca conheceu bem. Ele fez isso porque as pessoas que ele sim conhecia bem, os jovens padres norte-americanos da Legião, imploraram que ele fizesse isso, dizendo-lhe que seu fundador [Maciel] estava sofrendo um ataque falso e injusto”.

Alguém tem que pagar pelo caso Maciel. Para Bottum, Sodano é o bode expiatório: “Ele tem que ir embora”, escreve. É tudo “muito triste. Uma longa carreira na Igreja não está terminando bem, e seria mais gentil proteger o homem [Sodano] e deixar que tudo saia de modo despercebido. Mas o próprio cardeal Sodano não parece disposto a que seja assim”.

E pôde-se ver uma demonstração disso, segundo Bottum, na defesa de Bento XVI que Sodano fez no dia de Páscoa: “O povo de Deus está com o senhor e não se deixa impressionar pelas fofocas mesquinhas do momento”, disse o cardeal.

E depois o ataque mais duro de Bottum: “Com as coisas desse jeito, se (que Deus não o queira) o Papa Bento XVI morresse, as exéquias seriam celebradas pelo cardeal Sodano – e os noticiários, hora após hora, exibiriam coisas repetidas de tudo o que agora está associado ao seu nome”.

Fonte: IHU (destaques e links do original)

5 Comentários to “Pedem a cabeça de Sodano: “Todos dentro da Igreja devem saber que há consequências por erros escandalosos”.”

  1. Eu vejo como prudente a retirada de Sodano do poder mas eu deixo a decisão sabia do Santo Padre o Papa Bento XVI.Infelismente as evidencias são fortissimas contra ele.Digo “infelismente” pois é dificil ver um cardeal da santa igreja nesse estado.Espero e rezo para que o Sumo Pontificer Romano proceda da melhor forma possivel.

  2. isso tudo cheria a armação progressista….

  3. Não cheira armação progressista, Rafael, é pura armação progressista. O Arcebispo Christoph Schönborn quer minar Sodano da cúria. Sodano é Decano, assim como Ratzinger o foi. O Cardeal Sodano não comunga da cartilha modernista de Schönborn. O que Schönborn quer fazer é “matar” uma peça do Papa Bento XVI no tabuleiro de xadrez onde travam coombate S.S. Papa Bento XVI e quadrilha de hereges modernistas a exemplo do próprio Schönborn.

  4. Como bem disseram alguns leitores em relação a Schoborn e Sodano: “O roto falando do rasgado”. O Papa Bento XVI não pode contar com os dois, o bom seria que os dois fossem removidos. Rezemos para que haja prelados do quilate de Canizares, Pell, Burke, Ranjit, Rodé…
    Rezemos para que o Santo Padre encontre bons colaboradores. Que também o Cardeal Pell olhe com misericórdia para sofrida Igreja da Terra de Santa Cruz nomeie bons Bispos.

  5. Quem possui o direito único e exclusivo de definir e julgar o Magistério da Igreja é o Romano Pontífice juntamente com seu episcopado: esse é um ponto fundamental da verdadeira Tradição Católica. Os tradicionalistas caem na contradição de julgarem o Concílio e definirem juízo a seu respeito julgando-o incompátivel com a Tradição. Caem os tradicionalistas nesta contradição gigantesca a julgarem o Magistério da Igreja, coisa que cabe exclusivamente ao Papa. Agindo assim os tradicionalistas agem segundo os parametros do livre exame protestante!