O parecer de Monsenhor Brunero Gherardini sobre as discussões teológicas entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé.

Publicamos abaixo um excerto da entrevista concedida por Monsenhor Brunero Gherardini a Yves Chiron, em março deste ano:

Se não me engano, o senhor tinha sido sondado pela Santa Sé para participar das “conversações teológicas” que estão sendo realizadas, desde o outono de 2009, com a Fraternidade São Pio X. Por que o senhor não aceitou esta proposta?

Sinto muito, mas a discrição me impede de responder a esta pergunta.

Um acordo doutrinal entre a Santa Sé e a Fraternidade é possível? Sob que forma?

Sem dúvida alguma, e eu espero – e a Igreja também espera – que, para o bem das almas, chegue-se em breve a um acordo. Gostaria de responder adequadamente, mas não quero me afundar em detalhes. O Papa já fez muito para encontrar uma solução; devemos conceder isso. Mas é necessário trazer à tona o “quadro doutrinal” ao qual ele mesmo se refere. Este quadro, no entanto, não conduzirá a nenhum resultado se ele não permitir — como parece – mais que o confronto interminável de ponto contra ponto: as duas partes têm, cada uma, flechas apropriadas ao seu arco e a dialética, quando se quer, é capaz de colocar em evidência os motivos daquele que está errado.

Na minha opinião, não há mais que um argumento para se trazer à tona: João Paulo II o sugeriu quando, impondo a famosa excomunhão em 1988, reprovou a Fraternidade São Pio X por ter “uma incompleta e contraditória noção de Tradição”. Pessoalmente, eu tenho uma opinião totalmente diversa, mas é exatamente por isso que eu vejo na Tradição o único assunto doutrinal a ser tratado a fundo. Se conseguirmos esclarecer o conceito de Tradição sem se refugiar na escamoteação da tradição viva, mas também sem fechar os olhos para o movimento interno da tradição apostólica-eclesial “eodem tamen sensu, eademque sententia” [mantendo o mesmo sentido e o mesmo pensamento], o problema deixará de existir.

Objetivamente, a Fraternidade São Pio X não deveria, portanto, deixar de existir; ela poderia ser, no firmamento da Igreja, “uma sociedade de vida sacerdotal”, uma família de “Oblatos” ou claramente uma “Prelazia nullius”, visto que ela já tem vários bispos, mas, por caridade, afastemos os sonhos.

23 Comentários to “O parecer de Monsenhor Brunero Gherardini sobre as discussões teológicas entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé.”

  1. Olá, pax, gostaria de saber se eu poderia pegar este artigo para meu blog, claro colocando a assinatura do Fratres in Unum.com

    Desde já agradeço.

    Dominus Vobiscum

  2. Este monsenhor Gherardini…

    O que vou dizer é especulação pura, mas tenho quase a impressão que, se ele se sentasse junto do padre Morerod e a delegação da Santa Sé, no momento das discussões, seus colegas teriam que perguntar: “de que lado você está?”

    QUEM SABE se ele declinou um pouco por esse motivo?

    Se considerarmos a totalidade das postagens referentes a Monsenhor Gherdini, veremos que ele pende para o lado da FSSPX em suas conclusões.

    Agora, vejam só as pistas que ele lançou acima:

    “(…)O Papa já fez muito para encontrar uma solução; devemos conceder isso. Mas é necessário trazer à tona o “quadro doutrinal” ao qual ele mesmo se refere. Este quadro, no entanto, não conduzirá a nenhum resultado se ele não permitir — COMO PARECE – mais que o confronto interminável de ponto contra ponto(…)”

    Pelo que entendi – posso estar errado – me parece que, segundo monsenhor Gherardini, o Santo Padre não parece muito disposto a levar estes resultados às últimas consequências… Em algum ponto ele pareceria resistir…

    E, igualmente Monsenhor Gherardini e a FSSPX concordam que a consequência doutrinal deve ser tocada, ao invés de apenas desgastes em questões importantes, porém pontuais. Trocando em miudos: a FSSPX e monsenhor Gherardini concordam que deve-se chegar ao Xis da questão.

    Para monsenhor Gherardini, se chegaram a definir O QUE É A TRADIÇÃO, então o resto cai por si mesmo: é consequência…

    Entendi bem? João Paulo II disse que a FSSPX tem um entendimento contraditório e incompleto da Tradição, e o monsenhor discorda desse parecer?

    Chega então a pregar que se chegue a um resultado onde a Tradição não é vista como algo realmente petrificado (tal como se vê nas Igrejas Orientais, onde a Tradição já se confunde com costumes, com detalhes pequenos do dia a dia, repetidos simplesmente porque se fazia antigamente), e muito menos nessa tal de tradição viva, que é pretexto puro para se fazer atualizações diárias, desvalorizando hoje o que valia ontem…

    Quanto ao resultado da FSSPX, caso se chegue à Verdade dos fatos, pouco importa… A finalidade estará cumprida. A FSSPX não é a Igreja e nem deve necessariamente existir para sempre. Mas agora ela é necessária, e o horizonte nos mostra que ainda o será por muito tempo…

  3. Bruno, o próprio Yves Chiron dizia noutra coluna: “É justamente porque o objetivo final das discussões Santa Sé-FSSPX não está definido, que um teólogo romano, eminente, que tinha sido sondado para ser um dos representantes da Santa Sè na Comissão, recusou”

    https://fratresinunum.com/2009/10/31/objetivos-indefinidos-das-discussoes-teologicas/

  4. É notório que Monsenhor Gherardini pende para o lado da FSSPX. Ele parece até nos dar pistas das discussões doutrinárias, na minha opinião, mais escancaradas do que as “pistas” do Papa sobre o Terceiro Segredo de Fátima.

    No entanto, se o Papa ainda, suponhamos, não entendeu o conceito real da tradição..é um problema!! Mas acho que, do jeito que a coisa tá, discutir somente o conceito real da tradição não resolveria, se é que foi realmente isso que o Ilustrissímo Monsenhor Gherardini quis dizer.

    Rezemos pelo Papa, pela FSSPX e abandonemos as ilusões.

  5. Só para ficar bem entendido.. afirmando isso, não estou de maneira alguma me pondo acima do que pensa Monsenhor Gherardini, mas apenas me colocando na mesma posição da FSSPX, mesmo porque, só emiti minha opinião que não vale nada.

  6. Parece-me que a regularização da FSSPX está complicada e segundo monsenhor Brunero “… por caridade, afastemos os sonhos.”. Fica claro que o caminho correto é o da ADM , FSSP e IBP. O trabalho fantástico da ADM cada vez mais dão bons frutos como a missa pontifical em Brasília, isto é plena comunhão ! Não apenas criticar e criticar ,fácil jogar pedras quando se é vidraça. Claro que a FSSPX é importante para Santa Igreja Católica Apostólica Romana,assim como o retorno dos anglicanos,seria muito bom vê-los em plena comunhão para juntos combater a crise. Mas “Cum Petro et sub Petro ” O Santo Padre Bento XVI já mostrou sua benevolência no levantamento das excomunhões dos quatro bispos mas também deixou clara a situação da FSSPX no Ecclesiae Unitatem. Espero que o monsenhor Brunero esteja errado que “a questão doutrinal” seja logo esclarecido e o “sonho” em breve realizado !

  7. Lucas,

    Para Mons. Brunero, o conceito de tradição sobre o qual se baseou a condenação da FSSPX está errado. Imaginar, porém, que Roma cederá neste sentido é sonho, ao menos no curto prazo.

    A FSSPX está em comunhão com a Igreja Católica e admira-me que você insinue ou afirme o contrário. Eles apenas carecem de jurisdição (sem considerar aqui a suplência).

    Se insistir em usar o termo ‘plena comunhão’, apenas me explique como pode haver comunhão imperfeita, se a existência de imperfeição extingue a existência de comunhão. Ou há comunhão ou não. Não existe comunhão imperfeita.

    Os demônios crêem em Deus. Então, não seria lícito dizer que eles estão em, digamos, comunhão imperfeita conosco?

    Há uma enorme dificuldade para muitos em enxergar mais do que aquilo que está evidente. Bem, talvez não se enxergue nem o evidente!

  8. É bom lembrar que se não houvesse o Monsenhor Lefebvre, não haveria ADM, IBP nem FSSP. E antes que venham com as pedras na mão: não sou Lefebvrista. Penso apenas há algo de providencial na postura tomada pelo Lefebvre.

  9. Sem entrar em detalhes lembro de um ponto, que pra mim é claro e não sei se isso está incluido na discussão Roma-FSSPX, que é a questãos das separações, que até onde sei está muito fácil conseguir a anulação dos casamentos e essa facilidade seria fruto do CVII.

  10. Parabéns Luiz, até que enfim alguém entendeu, Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e para sempre seja louvado, pela sua inteligência, e sabedoria em saber se expressar e explicar, coisa que estou querendo dizer a anos p esse povo.

  11. Prezado Ricardo,

    O sr. colocou “se o Papa ainda, suponhamos, não entendeu o conceito real da tradição..é um problema!!”.

    Prezado sr. Ricardo, qual o Ensinamento/Conceito/Definição/Verdade de ‘Tradição Católica’ que vale para o Magistério da Igreja? O do sr., ou o da Constituição Dogmática Dei Verbum (que é este, do Magistério)? O do sr., ou o que os já vários Papas posteriores ao Vaticano II ensinaram?

    ————————————————————————————————————

    Repito, o problema deles (dos seguidores da FSSPX) é com o Magistério da Igreja e provavelmente origina-se do conceito errado de Tradição, como bem salientou Sua Santidade João Paulo II:

    “é sobretudo contraditória uma noção de Tradição que se opóe ao Magisterio universal da Igreja, do qual é detentor o Bispo de Roma e o Colegio dos Bispos. Não se pode permanecer fiel à Tradição rompendo o vinculo eclesial com aquele a quem o proprio Cristo, na pessoa do Apostolo Pedro, confiou o ministério da unidade na sua Igreja(Cf. Mt 16, 18; Lc 10, 16; Conc. Ec. Vat. I, Const. Pastor æternus, cap. 3: DS 3060).”(Motu Proprio Ecclesia Dei, n.4).

    O Mons. Gherardini, sobre a hipótese de João Paulo II a cerca da origem do ato cismático, declarou: “Pessoalmente, eu tenho uma opinião totalmente diversa”, mas o Santo Padre João Paulo II fundamentou-se na Dei Verbum e exerceu seu Poder de Magistério ao mostrar o correto conceito de Tradição, quando disse “‘que – como é claramente ensinado pelo Concílio Vaticano II – sendo transmitida pelos Apóstolos [a Tradição] … progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo. Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas, quer merce da contemplação e estudo dos crentes, que as meditam no seu coração, quer mercè da intima inteligencia que experimentam das coisas espirituais, quer merce da pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade'(Conc. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, n. 8. Cf. Conc. Ec. Vat. I, Const. Dei Filius, cap. 4: DS 3020)”(Ecclesia Dei, n.4), e então é o que o Magistério falou que vale, não as opiniões que Gherardini pudesse ter sobre Tradição. Mas o Mons. Gherardini também declarou: “mas também sem fechar os olhos para o movimento interno da tradição apostólica [mantendo o mesmo sentido e o mesmo pensamento]”, e aqui ele, ao menos, pendeu para o lado de João Paulo II, que interpelou aos teólogos para mostrarem melhor a continuidade do Vaticano II com a Tradição, dizendo que “a amplitude e a profundidade dos ensinamentos do Concilio Vaticano II requerem um renovado empenho de aprofundamento, no qual se ponha em relevo a continuidade do Concilio com a Tradição, do modo especial nos pontos de doutrina que, talvez pela sua novidade, ainda não foram bem compreendidos por alguns sectores da Igreja.”(Ecclesia Dei, n.5,b). É evidente que se João Paulo II chamou a atenção para a Continuidade do Concílio Vaticano II com a Tradição, a “novidade”, à qual ele (João Paulo II) faz referência, não pode ser contrária à Tradição.

    Aqui está o cerne da questão, o que João Paulo II viu como hipótese, [mas que para mim foi comprovado pela História, pelos fatos], é que a origem da posição da FSSPX na Crise Modernista é oriunda do conceito errado de Tradição, independente do Magistério da Igreja, que é Vivo.

    O Catecismo da Igreja Católica Ensina que:

    “‘É claro, portanto, que a sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, segundo um sapientíssimo desígnio de Deus, estão de tal maneira ligados e conjuntos, que nenhum pode subsistir sem os outros e, todos juntos, cada um a seu modo, sob a acção do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas’ (II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Dei Verbum, 10: AAS 58 (1966) 822.).”(n.95).

    Portanto, é ERRADA e CONTRÁRIA À TRADIÇÃO CATÓLICA a noção de Tradição independente do Magistério do Romano Pontífice e dos Bispos em comunhão com ele.

    Pelos argumentos da FSSPX, sobretudo quando cita a “Regra” de São Vicente de Lérins e os argumentos sobre Obediência – para se defender, dá a entender que a Tradição sustentada por Dom Lefebvre e pela FSSPX, [em que segundo eles, a Santa Sé poderia se desviar da Tradição Católica], é o Conceito Errado de Tradição, o independente do Magistério, logo condenável. Afinal, quando dizem (a FSSPX) que devem obedecer a Tradição, ainda que a Santa Sé se desvie dela, [e pior ainda, para manter a Fé], não estão SEPARANDO a Tradição, do Magistério da Igreja, do Magistério do Romano Pontífice??? Mas é claro! Dizem que a Santa Sé se desviou da Tradição Apostólica, então caem no “conceito contraditório de Tradição” (como bem disse João Paulo II), pois violam o Dogma da Impossibilidade de o Magistério da Igreja Ensinar Heresias e Erros Contra a Fé e Moral, pois este Dogma também faz parte da Tradição!

    E a Pastor Aeternus Ensina que:

    O Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro para que “conservassem santamente” “o depósito da fé, ou seja, a revelação herdada dos Apóstolos.” e que “na Sé Apostólica sempre se conservou imaculada a religião católica e santa a doutrina.”

    E por isso, tudo que é do Magistério do Romano Pontífice não pode falhar sendo herético ou perigoso à Fé e Moral, ou seja, não pode violar o Depósito da Fé, nem comprometer a Fé e Salvação dos fiéis. Ora, para se violar o Depósito da Fé, basta simplesmente que a Santa Sé ensine heresias e erros contra a Fé, mesmo Não Irreformavelmente, que o Depósito da Fé já é violado e a Salvação das almas já é comprometida pelo Magistério da Santa Sé.

    É bem sabido de todos que a Santa Sé inúmeras vezes declarou e declara que o Concílio Vaticano II, o Novus Ordo Missae, e os Ensinamentos Não Irreformáveis são expressões autênticas do Magistério do Romano Pontífice ou do Colégio dos Bispos (com o Romano Pontífice).

    E o Catecismo da Igreja Católica também Ensina que:

    “‘O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo’, isto é, foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma.”(n.85). Para se combater as interpretações errôneas sobre a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição, da qual o Vaticano II faz parte, conforme ensina o Santo Padre em “O êxito a que chegou o movimento promovido por Mons. Lefebvre, pode e deve ser motivo, para todos os fiéis católicos, de uma sincera reflexão sobre a propria fidelidade à Tradição da Igreja, autenticamente interpretada pelo Magistério eclesiástico, ordinário o extraordinário, de modo especial nos Concilios Ecuménicos desde o de Niceia ao Vaticano II.”(Motu Próprio Ecclesia Dei, n.5).

    A FSSPX, seus teólogos e seus fiéis estão questionando se os Ensinamentos Pastorais e Não Irreformáveis do Romano Pontífice são verdadeiramente do Magistério dele, ou seja, da Igreja. ISSO É GRAVÍSSIMO, POIS ESTÃO SUBESTIMANDO A SANTA SÉ, QUE JÁ DECLAROU VÁRIAS VEZES QUE TAIS ENSINAMENTOS SÃO VERDADEIRAMENTE DO MAGISTÉRIO DO ROMANO PONTÍFICE. E ASSIM, É PATENTE A VIOLAÇÃO POR PARTE DELES (da FSSPX) DO DOGMA:

    “1831. [Cânon] Se, pois alguém disser que ao Romano Pontífice cabe apenas o ofício de inspeção ou direção, mas não o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada por todo o mundo; ou disser que ele só goza da parte principal deste supremo poder, e não de toda a sua plenitude; ou disser que este seu poder não é ordinário e imediato, quer sobre todas e cada uma das igrejas quer sobre todos e cada um dos pastores e fiéis – seja excomungado.”(Pastor Aeternus).

    Quando o sr. Ricardo colocou “se o Papa ainda, suponhamos, não entendeu o conceito real da tradição”, violou o mesmo Dogma da Pastor Aeternus, pois o Papa EXPÔS, com o uso de seu Magistério, o correto conceito de Tradição. E isso é Em Matéria de Fé, e mesmo que fosse Em Matéria de Disciplina seria EXPRESSÃO AUTÊNTICA DA IGREJA, DO MAGISTÉRIO DELA. Rejeitar por opiniões pessoais ou julgamentos de outrem uma Determinação da Santa Sé, mesmo que seja Disciplina, é incorrer contra o Magistério do Papa. A maneira de falar de João Paulo II, quando disse “Não se pode permanecer fiel à Tradição rompendo o vinculo eclesial com aquele a quem o proprio Cristo, na pessoa do Apostolo Pedro, confiou o ministério da unidade na sua Igreja(Cf. Mt 16, 18; Lc 10, 16; Conc. Ec. Vat. I, Const. Pastor æternus, cap. 3: DS 3060).”, deixou claro que quem assim tenta proceder, atinge Dogmas. O sr. Ricardo admitiu a possibilidade de o Papa ter Ensinado um Conceito Errado de Tradição, quando o Papa ensinou o Correto. Se o Papa ensinou o Conceito Errado de Tradição, quem então ensina o Correto? A FSSPX? Dom Lefebvre?

    A simples suposição de que a Santa Sé possa se desviar da Tradição, é admitir a hipótese de que o Magistério da Santa Sé possa ensinar heresias.

    A simples suposição de que a Santa Sé se enganou ao declarar como do Magistério dela algo que não é do Magistério Dela, já é um pensamento cismático, que viola o Dogma da Pastor Aeternus sobre o Poder Pleno, Supremo e Imediato de Magistério do Romano Pontífice, aqui mostrado.

    Quando a Santa Sé DECLARA que algo é do Magistério Dela, esse algo é Verdadeiramente do Magistério Dela, e essa DECLARAÇÃO é inquestionável. Como esse algo é do Magistério Dela, se se admitir a hipótese de ser herético ou perigoso à Fé e Moral, é cair na outra heresia, a de que o Magistério da Igreja pudesse ensinar heresias ou erros contra a Fé e Moral, ou seja, não conservar o Depósito da Fé, que é desmentida pela Pastor Aeternus.

    É uma questão de lógica… se a Santa Sé Declarou ser algo do Magistério Dela, e alguém questiona a veracidade da existência do uso do Magistério Dela nesse algo, esse alguém incorre contra o Magistério do Romano Pontífice.

    Os Sedevacantistas defendem que “o Papa Aprovou e Promulgou Heresias e Erros Contra a Fé” [mesmo o Papa usando do e dizendo que usou do seu Poder de Magistério], “logo o Papa não é Papa”.

    Se alguém defender que “o Magistério Aprovou e Promulgou Heresias e Erros Contra a Fé” [mesmo o Magistério usando do e dizendo que usou do seu Poder de Magistério], “logo o Magistério não é Magistério”, não é também Sedevacantismo?

    Não tem saída para a FSSPX continuar sustentando que a Santa Sé, o Concílio Vaticano II e os Papas pós-conciliares Aprovaram e Promulgaram Heresias ou Erros contra a Fé e Moral. Não tem saída continuar sustentando que a recusa da Missa Nova é razão de consciência ou adequada ou necessária para se conservar a Fé.
    A única saída é humildemente reconhecer que tais coisas Aprovadas e Promulgadas pela Santa Sé não podem ser Heréticas ou Heretizantes, mas que ficam nos limites da Ortodoxia por serem do Magistério Autêntico.

  12. Luiz,
    “… Dom Marcel Lefebvre ilegalmente atribuídas a ordenação episcopal em quatro sacerdotes, em 02 julho de 1988 o Papa João Paulo II de venerada memória, estabeleceu o Pontifícia Comissão Ecclesia Dei: …a fim de facilitar a PLENA COMUNHÃO eclesial dos sacerdotes, seminaristas, comunidades religiosas ou religiosas individuais até agora ligados de diversos modos para a sociedade fundada pelo Arcebispo Lefebvre… diálogo e, assim, para convidar os Bispos e os “Sociedade de São Pio X” para redescobrir o caminho para a PLENA COMUNHÃO com a Igreja…Com esta decisão que eu desejei, em especial para mostrar solicitude paterna para a “Sociedade de São Pio X”, a fim de que redescobrir a PLENA COMUNHÃO com a Igreja.
    ” – Ecclesiae Unitatem
    Como vc viu não sou EU que uso este termo PLENA COMUNHÃO são palavras do Santo Padre Bento XVI.

    “Os demônios crêem em Deus. Então, não seria lícito dizer que eles estão em, digamos, comunhão imperfeita conosco?” ????????????????????????????????????…?????

    PLENA COMUNHÃO em maiúsculo para os que tem problemas visuais ,de evidencia, de enxergar o obvio, etc….etc…

  13. De fato: “Há uma enorme dificuldade para muitos em enxergar mais do que aquilo que está evidente. Bem, talvez não se enxergue nem o evidente!”

    Salve Maria Puríssima!

  14. Prezado Luis, seu raciocínio, pode ser interessante mas está fora da doutrina da Igreja. Por isso foi feito um aprofundamento destes termos na Lumen Gentium. E a congregação para a Doutrina da Fé deu atualmente explicações: “Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja, 29 de junho de 2007” no site do vaticano, na parte da curia romana cong. da Doutrina da Fé.
    Dizer que não está na plena comunhão, nao significa que alguem esteja mais ou menos dentro da Igreja.Você confunde Plena comunhão, com o estar ou não na Igreja.Com o desenvolvimento da Doutrina sobre o subsitit in, a Igreja explica que existe parcelas de verdade em outras religioes, estas parcelas de verdade, nao sao delas mas da Igreja católica.( Dom Mayer explica isso muito bem na sua pastoral sobre a aplicação dos documentos do Vaticano II) Por isso pode se estar em plena ou nao em plena comunhão com a Igreja, mas isso é quanto a doutrina. Mas por exemplo os ortodoxos não estão em plena comunhão com a Igreja, mas aceitam a Eucaristia por exemplo e o Sacerdocio. Isso é da Igreja Catolica e não deles, mas estão fora dela.

  15. O que o Luiz afirma

    “Para Mons. Brunero, o conceito de tradição sobre o qual se baseou a condenação da FSSPX está errado”

    Concorda com o que disse acima Monsenhor Gherardini:

    “Na minha opinião, não há mais que um argumento para se trazer à tona: João Paulo II o sugeriu quando, impondo a famosa excomunhão em 1988, reprovou a Fraternidade São Pio X por ter “uma incompleta e contraditória noção de Tradição”. PESSOALMENTE, EU TENHO UMA OPINIÃO DIVERSA,(…)”.

    O problema é que no Concílio Vaticano II adotou-se uma escola de pensamento moderna, que se choca com a doutrina de Santo Tomás e dos Santos Padres. Todas as terminações que a Igreja usava tradicionalmente foram RECRIADAS segundo uma terminologia nova, que não as entende da mesma forma que entendíamos tradicionalmente.

    O que a Igreja sempre encarou como Dogma, Tradição, Missa… Tudo isso passou pelo crivo das filosofias modernas, que dão um conceito novo e diverso dos conceitos tradicionais. Porque ainda hoje se fala em Tradição e se entende a mesma de formas diferentes? Ora, sempre houve um ensino constante da Igreja sobre o tema. Mas agora levantou-se uma nova concepção, e é o que monsenhor Gherardini clama: que se ajustem os ponteiros.

    Afinal de contas, o conceito de Tradição inequívoco e concordante com o que a Igreja SEMPRE ensinou é o conceito que a FSSPX defende (e que JP II erroneamente – segundo monsenhor Gherardini – criticou)?
    Ou seria talvez o conceito de Walter Kasper, que não faz muito tempo disse em outras palavras que a Tradição é algo dinâmico, que se atualiza o tempo inteiro, que é o aqui e agora, sem vínculos com o passado (ou seja: a tradição VIVA contra a nossa tradição “fossilizada, morta”)?

    Lucas,

    Esta análise sua carece de sentido. Não vejo nada no texto de monsenhor Gherardini exposto acima que tenha nexo com seu parecer. Note que ele expôs o problema central, que segundo ele seria o conceito definitivo do que vem a ser Tradição.

    No final é que ele menciona a FSSPX, mas todo o texto demonstra que a situação da Fraternidade seria consequência do resultado do fechamento da questão “O que é Tradição”.

    Primeiro resolver os problemas. Depois o encaixamento canônico da FSSPX.

  16. Escrevi o texto acima comentando o Luiz e o Lucas, mas depois que o moderador liberou as novas postagens, vejo que é necessário me manifestar mais uma vez, diante do que li.

    Afinal de contas, que babel é essa? Estamos falando do mesmo texto que de Monsenhor Gherardini, exposto acima?

    Em relação à pergunta de Yves Chiron

    “Um acordo doutrinal entre a Santa Sé e a Fraternidade é possível? Sob que forma?”

    Monsenhor Gherardini, trocando em miudos, responde:

    1- Que seria bom para todos um acordo Roma x FSSPX;
    2- Que o papa trabalha neste sentido;
    3- Mas que há um nó que dependerá muito do Santo Padre, que é o de definir o que é a Tradição

    Uma ressalva: segundo monsenhor Gherardini o papa reconhece a questão do “quadro doutrinal, como ele mesmo se refere”
    MAS QUE NÃO HAVERÁ RESULTADO FECUNDO se o Santo Padre, ao invés de insistir na tecla TRADIÇÃO, encerrando assim o problema,focar apenas em pontos importantes, mas que não são a RAIZ DA QUESTÃO.

    “Este quadro, no entanto, não conduzirá a nenhum resultado se ele não permitir — como parece – mais que o confronto interminável de ponto contra ponto:(…) – Monsenhor Gherardini”


    Notem que estou pegando o texto do início, parte por parte

    4- Que as duas partes tem argumentos, mas um dos lados está errado. “quando se quer, é capaz de colocar em evidência os motivos daquele que está errado.” (monsenhor Gherardini)

    5- ATENÇÃO! Monsenhor Gheradini argumenta o motivo de que o fio da meada, o problema central seria A TRADIÇÃO.

    a)Ele diz que o argumento a “se trazer à tona” já foi levantado por João Paulo II.

    b)Que João Paulo II colocou à baila o problema: É A QUESTÃO DA TRADIÇÃO.

    c)Que ele fez isso ao dizer que a FSSPX teria “uma incompleta e contraditória noção de Tradição”.

    6- RESPIRANDO.

    APÓS DIZER ISTO, EM SEGUIDA DIZ MONSENHOR GHERARDINI:

    ” Pessoalmente, eu tenho uma opinião totalmente diversa”.

    DE QUEM MONSENHOR GHERARDINI DIVERGE PESSOALMENTE?

    DE JOÃO PAULO II.

    Voltem ao texto. Leiam de novo. Não há como entender de outra forma.

    Monsenhor Gherardini discorda do parecer de João Paulo II, de que a noção de Tradição da FSSPX seria “incompleta e contraditória”…

    7 – PROSSEGUINDO E FINALIZANDO…

    a)Mas se Monsenhor Gherardini discorda do diagnóstico papal, contudo ele concorda que João Paulo II trouxe o TEMA CORRETO, mas deu um parecer errado. Foi João Paulo II quem falou que a questão gira em torno da Tradição.

    É o conceito de Tradição que João Paulo II, Monsenhor Gherardini e a FSSPX concordam: é nela que se deve focar!

    b)que, evitando-se os extremos de conceber a Tradição como uma fotografia do passado, que não tem ligação com o presente de um lado,
    ou o outro extremo de chamar de Tradição Viva uma Igreja que tem valores constantes o apenas AQUI e AGORA, uma tradição digna de Heráclito, onde tudo é fluxo, tudo é instável, tudo é dinâmico, consequentemente o passado ficou para trás, e só a moda do momento pode se chamar de Tradição, então, se chegaria a um resultado médio satisfatório.

    EM TEMPO: O Primeiro extremo jamais refletiu o posicionamento da Fraternidade. Se assim fosse, ela não poderia aceitar as reformas de João XXIII, de Pio XII… Quem atribui rigidez e fossilização à Freaternidade são os ignorantes ou cardeais do nível de Kasper…

    8- FINALMENTE, resolvida a questão, a FSSPX se ajustaria desta forma à normalidade canônica e jurídica da Igreja, e o que se poderia fazer da mesma (prelazia, administração apostólica) é o que menos importa…

    7-

  17. Expus ponto por ponto, do início ao fim do trecho da entrevista, e usando a sequência das palavras do monsenhor Gherardini, porque o Lucas e o Vitor José fizeram uma bagunça incrível.

    Vítor José mostra que discorda de Monsenhor Gherardini, é um direito dele… Monsenhor Gherardini, ao contrário de todos os comentaristas deste blog, é considerado o último representante da Escola Romana, do tempo que se ensinava teologia de verdade… Apesar de monsenhor Gherardini não ser da FSSPX, é inegável que ele escreve de forma imparcial, e a sua formação é inegavelmente SUPERIOR À DE JOÃO PAULO II, que foi formado segundo as filosofias modernas, e viveu num contexto de perseguição à Igreja, ao passo que Monsenhor Gherardini tem formação tradicional e anti-modernista, e não precisou estudar escondido de partidos comunistas…

    O argumento de que a FSSPX separa Tradição de Magistério, e teria em virtude disso degenerado não resiste a uma análise mais séria.

    Antes de tudo, porque deve se distinguir o próprio Magistério.

    1 – se é Ordinário, ou extraordinário;
    2 – se os pronunciamentos podem ser considerados magisteriais ou não;
    3 – se é possivel haver contradições entre magistério atual e magistério anterior
    4 – onde estão as citações comprovadamente magisterias.

    Lógico, pronunciamentos papais sempre devem ser ouvidos respeitosamente, mas qualquer um sabe que há graus e graus de autoridade, a depender do que diz o papa.
    Se o papa fala de futebol, a autoridade do mesmo pode ser comparável ao pronunciamento constante da impossibilidade das mulheres serem sacerdotisas?

    Enfim, haveria mais o que dizer, mas encerro por aqui… Espero…

  18. Prezado Bruno Luiz Santana,
    Parabéns pela lógica e coerência. Sem lógica que a colocação dos termos do debate é impossível odebate. Não há dúvidas que o Monns. Brunero Guerardini, que não é cismático nem excomungado, mas um grande teólogo da da tradicional escola romana, commo tantas vezes já salientado em outros posts neste blog, entende que o conceito modernista de tradição e o conceito genuinamente católico se contradizem. Que o conceito de João Paulo II, esse que venerava o fundador dos “Milionários de Cristo”, é um conceito modernista condenado na encíclica Pascendi X, por São Pio X. Enfiar a FSSPX neste balaio de gatos, é fruto do ódio do Victor José ( que não é senão o Pe. C. Silva Santos da AASJMV) à verdade católica.
    Confunde o conceito de tradição com o de magistério e adota a posição de Hans Kung sobre a indefectibilidade da Igreja. abandonando a posição correta quanto aos atos magisteriais ordinários e extraordinários e a infalibilidade dos mesmos.
    O Victor José, como todo aquele que quer reduzir o debate, resolbve acusando a FSSPX de cistmática, e curiosamente, cotrariando a posição do Santo padre Bento XVI.
    Repito: o ódio o cega, e mesmo com o levantamento das excomunhões continua a firmar, solenemente, do Parque Leopoldina, que ela – a FSSPX – continua cismática
    Como novo Catão, repete a esmo – delenda est FSSPX …
    rs! rs!rs! rs!

  19. A argumentação do sr. Vitor José é sempre a mesma. Isto é, sempre baseada nos documentos do Concílio Vaticano II (e seus desdobramentos) que a Santa Sé e FSSPX atualmente debatem para dar uma interpretação coerente com a Tradição porque contem deficiências.

    Ao texto do Mons. Gherardini nenhum comentário. É sua tática só responder aos comentários, não à postagem inicial.

  20. Penso que para o bem do catolicismo é impotante que a Fraternidade continue a existir, ppois não está maculada pelos erros do modernismo, e outros…

  21. Senhor Vitor José, por que o senhor não comenta o ridiculo comentário do “purpurado modernista” Cardeal Christoph Schönborn?

    Aquele que está em “plena comunhão” com a Santa Igreja Católica!

    https://fratresinunum.com/2010/05/20/mais-uma-vez-o-cardeal-schonborn-se-mostra-disposto-a-questionar-o-celibato-sacerdotal/

    Para o senhor não comentar nada sobre o escandaloso comentário do “purpurado”,é porquê o senhor deve concordar com o cardeal rebelde.

  22. “D. Marcel Lefebvre não tem nenhum erro doutrinário. Ele não nega absolutamente a infalibilidade pontifícia, nem tampouco defende idéias liberais dos Velhos Católicos, algumas delas adotadas na Igreja Conciliar. Ele constata sim o favorecimento da heresia e o caráter heretizante das novas reformas litúrgicas. É bom lembrar que o Concílio Vaticano II foi um Concílio Pastoral e portanto NÃO TEM A MESMA AUTORIDADE DOUTRINÁRIA QUE OS OUTROS CONCÍLIOS DOGMÁTICOS, e é em nome destes que SÃO REJEITADAS ALGUMAS TESES DO VATICANO II que os contradizem.”

    (“Caso Lefebvre” por Pe. F. A. R. in “Quer Agrade Quer Desagrade”, pp. 65-66).

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