(IHU) Quando a inocência de crianças é “espezinhada, quebrada, manchada, abusada e destruída”, então “a terra se torna árida, e o mundo todo, triste”, disse o principal promotor do Vaticano na questão dos abusos sexuais na manhã deste sábado em Roma.
A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 29-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Monsenhor Charles J. Scicluna criticou indiretamente a cultura clerical em que padres abusadores receberam uma segunda chance rotineiramente.
A amizade cristã, disse Scicluna, está “submetida à lei de Deus”. Por isso, se um membro da Igreja é uma “ocasião de pecado”, então um fiel “não tem outra escolha a não ser cortar esse laço”.
Eliminar os abusadores, defendeu Scicluna, é uma forma de “cirurgia divina”, destinada a proteger o corpo, amputando uma parte doente.
Scicluna, sacerdote maltês que atua como Promotor de Justiça da Congregação para a Doutrina da Fé, falou em uma celebração de reparação pelos abusos cometidos por padres e pela recuperação dentro da Igreja, organizado por estudantes de instituições pontifícias de Roma. O serviço ocorreu na manhã deste sábado na Basílica de São Pedro, no Altar da Cátedra de Pedro.
Scicluna fez a homilia. Considerado amplamente como o maior especialista do Vaticano acerca da crise dos abusos sexuais, Scicluna raramente fala em público – o que tornou seus comentários da manhã deste sábado ainda mais significativos.
Indicado pelo então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, para lidar com a resposta canônica às acusações de abusos sexuais contra sacerdotes, Scicluna, em geral, é visto como o arquiteto da atitude mais agressiva com relação à crise que surgiu na Congregação para a Doutrina da a Fé depois de 2001.
Na manhã deste sábado, Scicluna fez uma meditação mais espiritual sobre a relação entre Jesus e as crianças, dizendo que “a Igreja, a esposa de Jesus, sempre teve um cuidado e uma solicitude especiais para as crianças e os fracos”.
Segundo os Padres da Igreja, disse Scicluna, uma criança era “o ícone eloquente da inocência”. À essa luz, argumentou Scicluna, destruir a inocência de uma criança torna toda a terra “árida” e “triste”.
Citando São Gregório Magno, Scicluna sugeriu que esses pecados são especialmente hediondos quando cometidos por padres.
“Depois de ter feito uma profissão de santidade, seria melhor que os crimes de qualquer um que destrói os outros por meio de palavras ou ações lhe causassem a morte em vestes seculares, ao invés de, por meio de seu ofício sagrado, ser imposto como exemplo para os outros em seus pecados. Sem dúvida, se tivesse caído por si mesmo, seu sofrimento no inferno seria mais fácil de suportar“.
Scicluna contrastou a inocência das crianças com a arrogância e o carreirismo na Igreja. “Quantos pecados na Igreja ocorreram por causa da arrogância, da ambição insaciável, do abuso de poder e das injustiças cometidas por aqueles que abusam do seu ministério para avançar em sua carreira?”, perguntou Scicluna.
Ele denunciou os “motivos fúteis e miseráveis da presunção”.
O remédio para esses escândalos oferecido por Deus como “Divino Cirurgião”, de acordo com Scicluna, é “cortar [a doença], a fim de curar”, e “amputar, a fim de restaurar a saúde”.
Além dessas medidas drásticas, Scicluna também propôs a “medicina preventiva” da formação sólida para os futuros sacerdotes, exortando-os a ser ardentes na fé, tornando-se sal e luz do mundo.
A celebração de reparação da manhã deste sábado incluiu uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, um período de meditação e oração conduzido por Scicluna e concluiu com uma bênção solene. Os estudantes que organizaram o evento disseram que decidiram fazê-lo “por causa da atenção da mídia nos últimos meses dirigida a abusos cometidos por padres, e em resposta ao apelo do Santo Padre à penitência, em sua Carta à Irlanda”.







"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mau humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey