O legado do Cardeal Godfried Danneels.

As investigações da polícia belga após denúncias de abuso sexual de menores por integrantes da Igreja Católica daquele país desencadearam uma crise diplomática entre o Vaticano e o governo de Bruxelas. Depois de uma megaoperação de busca e apreensão, a Santa Sé convocou ontem o embaixador belga junto ao Vaticano, Charles Ghislain, para transmitir sua revolta sobre o que classificou de ataques, e ainda o chamou para uma reunião com o secretário das Relações Exteriores da Santa Sé, Dominique Mamberti.

A notícia é do jornal O Globo, 26-06-2010.

Na quinta-feira, policiais revistaram a arquidiocese da capital, o escritório que apura casos de abuso sexual em Louvain, e a casa de um cardeal  (Danneels) que deixou o posto de arcebispo em janeiro.

Eles ainda foram à cripta da catedral Saint Rombout, em Malines, onde procuravam dossiê sobre pedofilia que estaria escondido em uma tumba.

Arcebispo compara operação com cena de filme

Ontem, o Vaticano se disse “surpreso” e “indignado” com as incursões direcionadas a tumbas e arcebispos. Em nota, a Secretaria de Estado exprimiu “vivo espanto pela modalidade com a qual foram feitas algumas buscas conduzidas pelas autoridades judiciárias belgas, e seu ressentimento pelo fato de que as tumbas dos cardeais Jozef-Ernest Van Roey e Léon-Joseph Suenens — falecidos arcebispos de Malines-Bruxelas — tenham sido profanadas”. O Vaticano ainda disse que qualquer abuso pecaminoso e criminoso a menores por membros da Igreja deve ser condenado. A nota também enfatizava que há uma necessidade de Justiça e reparação dos danos.

Na cripta da catedral Saint Rombout, em Malines, investigadores abriram as duas tumbas à procura de documentos que poderiam incriminar a Igreja, disse o porta-voz do Ministério Público de Bruxelas, Jean-Marc Meilleur.

O atual arcebispo da Bélgica, Andre-Joseph Leonard, condenou a busca, afirmando que a batida policial teve ares de cenas de “livros sobre crimes e (o filme) ‘O Código da Vinci’”.

Durante a operação, a polícia revistou a casa do ex-arcebispo Godfried Danneels, apreendendo documentos e seu computador.

A Igreja belga é uma das atingidas pela onda de denúncias de pedofilia envolvendo religiosos.

Em abril, o ex-bispo de Bruges Roger Vangheluwe teve sua renúncia aceita pelo Vaticano após enviar à Santa Sé uma carta na qual admitiu ter abusado sexualmente de uma criança durante anos. Também houve suspeitas de que Danneels, que chefiou a Igreja do país entre 1979 e 2009, ficara sabendo dos abusos cometidos nos anos 1990 por Vangheluwe.

Separadamente, foram apreendidos cerca de 500 documentos de um painel independente que investiga casos de abuso sexual por padres. As vítimas têm hoje entre 60 e 70 anos. O Vaticano condenou a ação, dizendo lamentar a violação de privacidade dos que sofreram abuso.

Vaticano reage a processo nos Estados Unidos

A notícia sobre a batida policial foi bem recebida pela ONG americana Rede de Sobreviventes de Abuso Sexual por Sacerdotes (Snap, na sigla em inglês).

“Membros do Vaticano que criticam a operação da polícia belga à hierarquia da Igreja de Bruxelas deveriam se envergonhar”, afirmou uma nota do grupo.

“Enquanto membros da Igreja falam sobre um fim aos abusos, a polícia da Bélgica age para acabar com eles.” Em outro episódio sobre pedofilia, o Vaticano pediu a um juiz federal que rejeite uma tentativa de interrogar o Papa Bento XVI sobre um processo de abuso sexual nos Estados Unidos.

A Santa Sé alega que não há provas de ligação de funcionários da instituição, e afirma que forçar o Pontífice — um chefe de Estado — a dar um depoimento, violaria o direito internacional.

O processo acusa a Santa Sé de orquestrar uma operação para encobrir padres que abusaram sexualmente de crianças em todos os EUA. Em março, o advogado de Louisville William McMurry pediu a deposição de Bento XVI e de outros funcionários do Vaticano.

A ação desta semana foi uma resposta da Igreja.

Fonte e destaques: IHU

2 Comentários to “O legado do Cardeal Godfried Danneels.”

  1. É uma vergonha que cristãos se regozijem com a exposição à execração pública de um membro da Igreja, e não entendam que está em curso um movimento que visa destruir a Igreja; ninguém está sendo atingido porque é muito liberal (como Daneels) ou muito conservador; os tradicionalistas também tem seus problemas com as autoridades laicistas da europa, denunciados como antissemistas, racistas ou homófobos, já sofreram perseguições por causa disso (lembrem da expulsão de D. Williamson da Argentina, e do processo que o governo alemão lhe moveu); o que querem é silenciar e desmoralizar a Igreja; os custódios da moral encastelados na mídia estão se lixando para as vítimas de pedofilia, se não denunciariam outros casos que não envolvem a Igreja – nos EUA, na última década 290 mil menores teriam sofrido abusos em escolas públicas por parte de professores, e só um deles perdeu o emprego. No entanto, ninguém acusa o governo americano e os “board of education” de encobrimento.

  2. Coloco aqui este excelente artigo, claro e transparente, tirado do site “Montfort”, sobre o ocorrido com a Conferência Episcopal belga, campeã do liberlalismo devastador e luciferiano que devasta, há anos a Igreja na Bélgica, na Holanda e em outros campeões em destruir o patrimônio, bi-milenar da Igreja Católica e, diga-se de passagem, foram os campeões, com milhões de dólares rolando, aqui e acolá, em envenenar e jogar na lama a Assembléia conciliar do Vaticano II.

    (Análise do caso pelo combativo site italiano Messa in Latino).

    Sábado 27 de junho de 2010

    A Igreja progressista belga recebe sua recompensa

    Nesta história abjeta não há bons e maus. São todos maus ou, na melhor das hipóteses, menos que medíocres. Nos escalões superiores, o único que se salva é Dom Léonard, antigo Bispo de Namur e, há pouco tempo, Arcebispo de Malines Bruxelas e novo Primaz, cuja figura se agiganta sobre todas as outras, embora isso seja efeito, sobretudo, da pequena estatura dos outros.

    Já é notícia velha que a justiça belga – a mesma que na época do assustador caso Dutroux, pedófilo e serial killer, conduziu as investigações de modo a proteger os ambientes políticos atingidos pelo escândalo – montou uma chanchada mais do que grotesca: o “seqüestro” de toda a Conferência Episcopal Belga, reunida no Arcebispado de Malines-Bruxelas, mantendo os bispos retidos de manhã à noite, com o confisco de seus computadores e mesmo de seus telefones celulares; uma revista domiciliar na casa do Arcebispo Emérito, Cardeal Daneels e, principalmente – o que é realmente incrível – a profanação dos túmulos de dois cardeais, para procurar sabe Deus que documentos enterrados com eles – fatos gravíssimos que, diga-se de passagem, em outros tempos teriam comportado a “suspensão” das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o governo da Bélgica, com a retirada do Núncio e a convocação do Embaixador belga. E depois disso, os belgas ainda vão se queixar de passar pelos idiotas das piadas: não veio à cabeça dos policiais zelosos e de seus mandatários togados que, para fazer desaparecer documentos, há meios muito mais simples e eficazes que coloca-los em túmulos (o fogo, por exemplo, ou uma simples picotadora de papéis)? E, de fato, como é óbvio, eles só encontraram ossos nos túmulos, entre os quais os do grande protagonista do Concílio, o progressistissimo Cardeal Suenens. Mas, de resto, tudo foi estudado para produzir o máximo dano à imagem de uma Igreja, que em matéria de imagem já tem bem pouco a salvar: do nome da operação da polícia (“Operação Igreja”) à acusação de crime de “formação de quadrilha”. Ou seja, a Igreja está sendo, no fim das contas, oficialmente acusada de ser uma associação criminosa, cuja finalidade é o abuso de menores.

    O mundo secular crava seus dentes na jugular de uma Igreja que, no entanto, há quarenta anos não faz outra coisa além de cantar os louvores desse mesmo mundo, procurando bajula-lo e adula-lo a todo custo, e em particular, ao custo da Fé. É notório que o Episcopado belga, desde o Concílio, tem disputado com o da Holanda sobre qual deles se faz o intérprete mais audacioso do Espírito do Concílio – na Bélgica flamenga, a porcentagem dos padres contrários ao celibato é de 80%, 56% são a favor da ordenação de mulheres, sem contar o apoio às causas gays e divorcistas; pelo contrário, a prática religiosa da outrora católica Bélgica conheceu uma queda espetacular, pior mesmo que a da França. E agora os bispos belgas, servos infiéis e renegados de Nosso Senhor, recebem a justa recompensa do mesmo “mundo moderno” que indecorosamente cortejaram.

    Estaremos sendo pouco generosos e excessivos? Julguem por si mesmos, a partir de certos fatos que são apenas a ponta do iceberg:

    – Há poucas semanas atrás, teve que se demitir o Bispo de Bruges, Dom Roger Vangheluwe, que estava na direção daquela diocese desde 1984 (na foto: os trajes mostram já as idéias progressistas que ele tinha). Vinte e seis anos de ruína. Eis a confissão do próprio: “Quando era ainda um simples sacerdote e, por certo tempo, no início de meu episcopado , abusei sexualmente de um jovem de meu ambiente próximo”. Atenção, portanto: este aqui não é acusado, como muitíssimos de seus colegas, de ter irresponsavelmente transferido párocos pedófilos ou de tê-los encoberto. Este era ele próprio o sodomita abusador. E ainda por cima [afirma-se] que a vítima era seu próprio sobrinho. Uma pincelada a mais de incesto não destoa em tal quadro de horrores.

    – No Hospital Saint Adrien de Tielt, o capelão, durante vinte anos, abusou de mulheres com problemas psíquicos, e até mesmo em coma. Quase um necrófilo, em suma. Outro padre Norbert Bethune, o delatou anos depois… ao Bispo de Bruges. O qual, não estando sem pecado, como se viu, naturalmente não atirou nenhuma pedra ao culpado.

    – O sacerdote Rik Devillé, cujas acusações à Magistratura estão na origem desta tempestade, conta ter recolhido numerosíssimas testemunhas e denúncias, que comunicou ao Arcebispo Daneels, sem resultado. Ele afirma que, de 300 casos, só 15 foram devidamente investigados e todos foram concluídos com simples transferência dos culpados.

    – Foi em Liège que se instituiu, na Idade Média, a procissão do Corpus Christi, depois estendida a toda a Cristandade. Depois do Concílio, ela foi obviamente abolida: todas as procissões, especialmente no Norte da Europa, são consideradas como tipicamente pré-conciliares, supersticiosas, pagãs, obstáculo ao abraço ecumênico com nossos irmãos separados (os protestantes). Neste ano, porém, uma comissão espontânea quis exumar aquela antiga tradição, exatamente em Liège. Eis como reagiu o Bispo da cidade, Dom Jousten, que, naturalmente, recusou participar da procissão (atenção, as palavras seguintes são literais, por incrível que possa parecer) : “Eu me pergunto simplesmente se refletiram o suficiente sobre o significado que poderá ter tal procissão. Uma procissão exprime necessariamente nossa fé? Ou será que o que se quer é antes manifestar diante dos outros qual é a nossa fé? Então, para mim, o significado de uma procissão é em primeiro lugar uma profissão de fé de cristãos, entre cristãos […] A pergunta que me ponho é, precisamente, qual pode ser o impacto de tal procissão sobre a população, que vê desfilar os cristãos”. Estas afirmações, para nós, são ainda mais graves que as negligências na prevenção de comportamentos sexualmente desviantes: são a prova de que um bispo perdeu a fé ou, ao menos, todo senso da finalidade de seu cargo.

    – No mesmo tema: que dizer do fato de que, em Charleroi, a paróquia de Saint-Lambert se torna uma mesquita todas as sextas-feiras, autorizando os muçulmanos a rezarem a Alá, enquanto os símbolos cristãos são cobertos com panos? Sem, naturalmente, que ninguém encontre qualquer reparo a fazer?

    – E, para concluir: nos anos 90, o Cardeal Daneels fez adotar um abominável texto de catecismo chamado Roeach, escrito por um professor Jef Bulckens da Universidade Católica (!) de Louvain e pelo professor Frans Lefevre do Seminário (!) de Bruges. Este “catecismo” explica [aos adolescentes das escolas católicas] a “sexualidade das crianças” (que, aliás… que tem a ver com o catecismo?). [O texto emprega termos baixíssimos, e um incentivo a passar à ação. O caso provocou protestos repetidos por parte dos pais dos adolescentes expostos a essa doutrinação imoral. Mas o Cardeal Daneels recusou-se sempre desdenhosamente a atender aos solicitantes… A figura e o texto explicativo que seguem, no original, foram retirados na nossa tradução por serem absolutamente imorais e revoltantes].

    Esse era o Catecismo Católico da Igreja belga, ainda há dez anos atrás. Nada menos do que uma tentativa de corrupção de menores, uma apologia da pedofilia: ao invés de transmitir a Fé, servia a fazer crer aos adolescentes que certas coisas são belas e recomendáveis, mesmo na mais tenra idade.

    Quem agora ousa lamentar-se se a Justiça trata aqueles bispos como delinqüentes, visto que eles o são? E dado que a Igreja não parece encontrar em si mesma forças suficientes para reagir, haverá perseguições ainda muito mais graves que estas. Serão talvez uma ajuda externa para a obra de limpeza empreendida pelo Santo Padre Bento XVI. Mas contra ele, a parte corrupta do clero se une e o constrange a contínuas marchas à ré: por exemplo, para ficar só no caso da Bélgica, é de poucos dias atrás a nomeação para Bruges do arquiprogressista ex-bispo auxiliar do Card. Daneels, Dom De Kesel. E, no entanto, seria urgentíssimo limpar as imundas estrebarias de Augias: a partir do plano doutrinal, antes ainda que moral, porque tal degradação é filha legítima da autodenominada “nova eclesiologia”, que a aplicação de fato do Concílio Vaticano II, coerentemente, gerou.

    http://blog.messainlatino.it/2010/06/la-progressista-chiesa-belga-riceve-la.html
    via
    http://benoit-et-moi.fr/2010-II/0455009d6b0fa2a05/0455009da40f9040f.html