O Hábito não faz o monge… o santifica!

Padre Leonardo Holtz Peixoto

Certamente alguns dos que lêem este texto agora, irão lembrar-se de sua infância. Um grupo de crianças brinca na rua, sem perigo de violência ou preocupação com maldades. Canções de roda, ou de pular corda enchem o ar do bairro de uma alegria pura, inocente. Lá ao longe se avista aquele distinto senhor. Todos o identificam rápida e facilmente: um chapéu preto e redondo, nas mãos um breviário; vestindo sua batina preta e surrada; talvez cerzida em alguns pontos e até desbotada. Todos já sabem: “aí vem o ‘seu’ vigário!” A ele as crianças acorrem para pedir uma bênção e ganhar um ‘santinho’ ou um doce, sem risco de pedofilia.

Este sacerdote segue seu caminho e, certamente, o encontraremos visitando uma família, ou confortando um enfermo pela Extrema Unção, ou, quem sabe, na sua Paróquia de joelhos na nave central da Igreja, diante do Sacrário, ou ainda, dentro de um confessionário.

Onde estão estes padres hoje?

Sl 76(77)

–8 Será que Deus vai rejeitar-nos para sempre? *

E nunca mais nos há de dar o seu favor?

–9 Por acaso, seu amor foi esgotado? *

Sua promessa, afinal, terá falhado?

–10 Será que Deus se esqueceu de ter piedade? *

Será que a ira lhe fechou o coração?

–11 Eu confesso que é esta a minha dor: *

‘A mão de Deus não é a mesma: está mudada!’

“A mão de Deus não é a mesma: está mudada!” Está mudada porque aqueles que deveriam ser as mãos, os pés, os lábios, os braços de Nosso Senhor na terra, os padres, estão mudados.

Há quem diga esta famigerada frase: “O hábito não faz o monge”. Esta frase é profundamente tola, pois se trata de uma falácia! Certa vez, conversando com algumas daquelas pessoas que acham que o padre é um homem comum e que, por isso, deve se vestir como um homem comum para ‘dialogar’ com o mundo moderno, ouvi este absurdo: “A batina não é o mais importante, mas o sacerdócio que o padre recebeu. Ele vai ser mais padre ou menos padre por estar de batina?” Então eu respondi: “Mas é claro que não! O sacerdócio é muito maior que uma simples veste. E a Igreja NUNCA afirmou coisa em contrário. Mas, agora, permita-me fazer duas perguntas: a faca é um utensílio tão necessário em nosso dia-a-dia; utilizada para picar, descascar e cortar. Mas ela também é capaz de tirar uma vida. Você a deixaria de usar definitivamente por causa disso? Você deixaria de dirigir o seu carro, mesmo sabendo que ele, um dia, pode atropelar e matar alguém, ou, num acidente, matar a você mesmo?” Obviamente que a resposta foi “Não”. É claro que sabemos que a batina não é o fundamento da nossa fé, esperança e caridade; A batina não é o centro da vida da Igreja; Eu não vou ser mais padre por estar de batina. Tudo isso já sabemos. Contudo nada disso justifica o desuso da mesma. Da mesma forma que tenho que ter a consciência de utilizar uma faca ou dirigir o meu automóvel com sabedoria e prudência, devo saber utilizar a batina com a mesma sabedoria, prudência e, sobretudo, humildade. Não adianta ser um “cavalo de batina”!

A batina nos impõe um COMPROMISSO solene e terrível. Quando estou revestido do sagrado hábito devo agir com prudência. Devo medir minhas palavras e gestos. Não devo me sentar de qualquer forma. Não devo andar de qualquer forma. Não devo subir ou descer escadas de qualquer forma. Estando de batina devemos pensar muito sobre nossas atitudes e palavras! Não posso me esquecer que todos os olhos estarão voltados para mim. Devo ser um exemplo no agir, no falar, enfim, em tudo. Usando o sagrado hábito não posso me esquecer de que carrego comigo a responsabilidade de toda uma instituição, e não apenas de uma pessoa física! Tudo o que o padre faz, já dizem logo que é a Igreja que faz! Por isso não se deve usar a batina de qualquer forma. Aliás, este é o motivo pelo qual muitos padres hoje não querem usá-la. Sob uma FALSA modéstia dizem: “não uso para não chamar atenção”. Isso é uma desculpa esfarrapada! A VERDADE é que não querem usá-la (e nem ao menos o Clergyman) para não serem identificados e, portanto, não serem incomodados. SEMPRE que estou de batina na rua aparece alguém pedindo uma bênção, ou para tirar uma dúvida ou até para desabafar! Já ouvi inclusive uma confissão (literalmente auricular) na Linha 1 do Metrô! Mas, é claro, que é muito mais cômodo estar no meio da rua e não ser identificado. Conheci sacerdotes que me chamaram atenção porque eu os chamei de “padre” no meio da rua! Fui imediatamente repreendido (e não foi em nome de Jesus): “Por favor, na rua me chame pelo meu nome”. A questão é que revestido do Clergyman ou Batina ‘fica mal’ ele parar num bar e tomar uma cerveja; ‘fica mal’ ele fumar quase um maço de cigarro; ‘fica mal’ ele não controlar os seus olhares apetitosos para uma bela moça (ou, quem sabe, um rapaz) na rua. Há até padres que, movidos pela Passione, deixam de celebrar a Santa Missa e mandam um Ministro Extraordinário fazer uma celebração em seu lugar…

Certa vez, fazendo uma meditação, me perguntei por que a batina incomoda tanta gente. E logo – ironicamente – me veio uma antiga musiquinha à mente; claro que com as devidas adaptações não-pastorais:

“Um elefante incomoda muita gente.

Uma batina incomoda, incomoda, incomoda muito mais!”

Não sou um psicólogo, contudo minha meditação me fez chegar à seguinte conclusão: creio que exista aqui uma questão de CONSCIÊNCIA. Por isso a batina incomoda tanto.

  • Alguns não a usam porque tem consciência de que não possuem nem a força espiritual e nem a volitiva quer seja imanente ou emanente de se portarem como o hábito exigiria. Só de pensar, isso já causa neles certa repulsa.
  • Outros têm consciência de sua falta de disciplina e de ascese. Parece-me que quase não há mais hoje em dia a pré-disposição a “oferecer sacrifícios de amor a Nosso Senhor” como outrora faziam os santos. Hoje todos buscam o mais cômodo o mais confortável: é a busca incessante pelo bem-estar!

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.”

(Mt 7, 13-14)

  • Há aqueles sacerdotes que NÃO USAM o hábito, mas adoram comentar e criticar os que usam; estes senhores, bem no fundo de suas almas, sentem o incômodo da consciência, porque sabem que a presença daquele hábito é para eles uma constante lembrança de suas infidelidades e que deveriam viver a sua consagração com mais dedicação.

Mas a batina não atinge apenas a consciência dos ministros ordenados, mas igualmente a dos leigos. Vejamos alguns exemplos:

  • Um sacerdote que passa de batina nas ruas faz aquele que está afastado da Igreja há algum tempo lembrar que ele precisa se reconciliar com Deus; Às vezes a pessoa está em seus afazeres diários e nem está pensando em Deus; mas ao ver aquele padre passar, DUVIDO que dentro de sua cabeça e de seu coração a vozinha da consciência não diga “já faz tempo que você não vai à Igreja” ou “você tem tanto tempo pra tudo… precisa de um tempo para Deus também”.
  • Até mesmo os ateus ou os hereges sentem a consciência arder quando um sacerdote passa de batina. Nem que seja para dar-lhe um olhar de desdém ou cantarolar uma música pentecostal (que não é, em absoluto, para louvar a Deus, mas, antes, para ‘provocar’ o padre). Se eles REALMENTE não ligassem e não se importassem, ficariam em silêncio e ignorariam o sacerdote. Se fazem algum gesto, por menor que seja, é porque algo dentro deles diz: “você está errado e precisa de conversão!”

O irônico da história toda é que os que julgam ser o hábito eclesiástico somente uma exterioridade são, na sua maioria, pessoas superficiais. Se perguntarmos a eles qual é o significado do hábito talar, por certo não saberão dizê-lo. Pelo contrário vão logo dizer: “isso é coisa do passado” ou ainda “isso não se usa mais”. São Ignorantes da LEI de sua própria Igreja (Código de Direito Canônico) que diz:

Cân. 284 – Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pelas conferências dos Bispos e com os legítimos costumes locais.

Nota de rodapé do cânone 284: Após entendimentos laboriosos com a Santa Sé, ficou determinado que os clérigos usem, no Brasil, um traje eclesiástico digno e simples, de preferência o “clergyman” (camisa clerical) ou “batina”.

A batina é um sinal de consagração a Deus. Sua cor negra é sinal de luto. O padre morreu para o mundo, porque tudo o que é mundano não lhe atrai mais. Ela é ornada de 33 botões na frente, representando a idade de Nosso Senhor. São 5 botões nas mangas, representando as 5 chagas de Nosso Senhor. Também possui 2 presilhas laterais que simbolizam a humanidade e a divindade de Nosso Senhor. O padre a usa com uma faixa na cintura, símbolo da castidade e do celibato. Algumas possuem mais 7 botões na parte superior do braço, simbolizando os 7 sacramentos, com os quais o padre conforta os fiéis.

A batina é, também, um santo remédio contra a vaidade. Enquanto um homem comum precisa gastar tempo em frente ao seu guarda-roupas ou a um espelho verificando se este paletó combina com aquela camisa ou se a cor da gravata está adequada, o padre veste sua batina e pronto. Nem precisa perguntar “o que eu vou vestir hoje?”. Sua roupa é uma só! Por isso ela também é símbolo de fidelidade e constância. Nos batizados, o padre usa a batina. Se for um casamento: batina! Se for um aniversário: batina! E se for um funeral? Batina! Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença… é sempre a mesma coisa. E não podia ser diferente, uma vez que o padre é o representante de Nosso Senhor Jesus Cristo que é o mesmo: ONTEM, HOJE e SEMPRE!

Aprendi em filosofia que expressamos no exterior o que há no interior. Aliás, essa idéia foi expressa por Nosso Senhor: “a boca fala do que o coração está cheio” (Mt 12,34). Talvez esteja aí a resposta para o desleixo e o desmazelo que há hoje na Igreja e no clero. Perdoe-me, caro leitor, se “pego pesado” demais. Mas penso que se a Igreja tivesse mantido a rígida disciplina do passado, metade do nosso atual clero não seriam padres hoje. Jesus conta uma parábola no Evangelho de São Lucas sobre um administrador INFIEL, que, ao ser descoberto, está prestes a perder seu emprego:

“O administrador refletiu então consigo: Que farei, visto que meu patrão me tira o emprego? Lavrar a terra? Não o posso. Mendigar? Tenho vergonha.” (Lc 16,3)

Tenho a impressão de que muitos sacerdotes vivem hoje do mesmo modo que esse administrador infiel. Como não se sentem capacitados para realizar outra atividade, por isso, se servem da Igreja. Vão “empurrando com a barriga” o seu ministério. Em nome de uma “simplicidade” cometem as maiores atrocidades: Missas celebradas de qualquer maneira; desrespeito às coisas sagradas; paramentos terrivelmente feios ou sujos; igrejas que mais parecem caixotes e não expressam piedade, etc. Parece que nem sequer acreditamos mais naquilo que fazemos. Hoje, por exemplo, eu estava de batina caminhando pelas ruas do centro da cidade. Passei por um seminarista e ele me cumprimentou: “E aí, padre? Beleza?”. A menos de cinqüenta metros à frente, um mendigo que estava sentado à porta de uma loja também me saudou: “a bença seu padre…”.

Salmo 73 (74)

=2 Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes, † desta tribo que remistes para ser a vossa herança, * e do monte de Sião que escolhestes por morada!

–3 Dirigi-vos até lá para ver quanta ruína: * no santuário o inimigo destruiu todas as coisas;

–4 e, rugindo como feras, no local das grandes festas, * lá puseram suas bandeiras vossos ímpios inimigos.

–5 Pareciam lenhadores derrubando uma floresta, * 6 ao quebrarem suas portas com martelos e com malhos.

–7 Ó Senhor, puseram fogo mesmo em vosso santuário! * Rebaixaram, profanaram o lugar onde habitais!

–8 Entre si eles diziam: ‘Destruamos de uma vez!’ * E os templos desta terra incendiaram totalmente.

–9 Já não vemos mais prodígios, já não temos mais profetas,* ninguém sabe, entre nós, até quando isto será!

–10 Até quando, Senhor Deus, vai blasfemar o inimigo? * Porventura ultrajará eternamente o vosso nome?

–11 Por que motivo retirais a vossa mão que nos ajuda? * Por que retendes escondido vosso braço poderoso?

–18 Recordai-vos, ó Senhor, das blasfêmias do inimigo * e de um povo insensato que mal diz o vosso nome!

–19 Não entregueis ao gavião a vossa ave indefesa, * não esqueçais até o fim a humilhação dos vossos pobres!

Termino dizendo uma frase que há muito eu disse num sermão: Não tenho medo dos lobos que vêm em pele de cordeiros… tenho medo daqueles que vêm em pele de pastores!

“Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos” (2Cor 4,8)

Pe. Leonardo Holtz Peixoto

16 Comentários to “O Hábito não faz o monge… o santifica!”

  1. Belo texto,
    Lembrei de uma história sobre o exelente ator inglês Alec Guinness, que era anglicano mas durante a produção de um de seus filmes, em que fazia o papel de um padre católico, no interior da França.O povo local, sem saber que o mesmo era um ator, tratavam-no com muita confiança e respeito.
    Isso impressionou o ator e motivou seu estudo pela doutrina católica e sua conversão à verdadeira religião.

    Roberto F Santana
    robertofsantana@aol.com

  2. Caro Pe. Leonardo, pax!

    Que alegria poder ler o seu texto.
    Muito me surpreende a coragem que, certos sacerdotes têm, em defender a sã doutrina da nossa Igreja. Hoje, também como o senhor, o que mais me surpreende no meio do nosso clero, são padres que ridicularizam outros padre por causa do uso da batina.
    Já li muito a respeito deste uso, sobretudo um texto antiquíssimo, que infelizmente não o tenho pois só me foi emprestado para a leitura.
    Também como o senhor, amo a minha batina. Ela tem me ajudado a fortalecer em mim e a superar todas as crises pelas quais sempre somos acometidos. Ela tem me ajudado, a cada dia mais, a renovar a minha adesão e a minha consagração ao ministério sacerdotal. Já convivi com muito sacerdotes, mas sempre ouço as mesmas críticas, as mesmas brincadeiras sem graça. O que me deixa chateado, não é que críticas surjam do povo, pelo contrário, até as compreendo, mas me assusta quando vem de homens consagrados. Peço sempre a Deus que tire do meu coração o receio de usá-la, sempre e mais. Não tenho receio quando estou no meio do povo, mas me receio quando estamos nos meio dos nossos tantos irmãos no sacerdócio. Rogue a Deus por mim, meu caro irmão.
    Em Cristo Jesus,

    Pe. Michel

  3. Um dia um amigo me contou um fato de sua paroquia:

    “A unica vez em que vi meu paroco parecido mesmo com um padre foi em uma festa junina em q ele colocou uma batina para fazer o papel do que iria celebrar o casório.”

    Ou seja a unica vez que aquele padre se pareceu em seu exterior realmente com um padre foi quando fingia ser um padre….

  4. EXCELENTE!

    100% EXCELENTE!

    Parabéns! Maravilha de texto.

  5. Ótimo texto, meus parabéns ao Padre Leonardo! De fato o hábito não faz o monge, mas o santifica, o identifica e o distingue comp mpnge. A grande surpress da modernidade é que a ausêncis do hábito, é que faz o novo monge, não mais o servo e adorador de Deus, mas do homem…

  6. Este tópico merece ser imprimido e fixado em todos os murais das Igrejas.
    Façamos essa campanha? Coloquemos, leiotres do blog, este artigo nos murais das igrejas e NAS CAIXAS DE CORRESPONDÊNCIA das casas paróquiais, afim de que os leigos e os padres possam ler o que aí está escrito.

  7. Prezados, Salve Maria,

    Padre,

    Glória a Deus pela sua vocação. São sacerdotes como o senhor que não nos deixam desanimar no que tange a parte humana da Igreja.

    Parabéns!

    A sua benção.

    Francisco.

  8. Padre Manuel Albuquerque

    Com que alegria e juvenil transporte

    Eu te vesti, batina tão querida!…

    Nessa cor preta, que relembra a morte,

    Com voz tão clara, só me dizes – Vida!…

    O teu pesado e desejado porte

    À epopéia de Cristo me convida!…

    E eu, que era fraco, já me sinto forte;…

    Era medroso, e só desejo a lida!…

    Dentro de ti eu sinto-me guardado,

    Tal qual se fora intrépido soldado

    A combater de um forte baluarte!…

    E eu juro a Deus, perante os céus e a Terra,

    Pois que a batina o meu futuro encerra:

    Minha santa batina, eu juro honrar-te!…

    * A pedido de seus alunos (seminaristas) que a receberam, em 1948, no dia de São José, em Braga, Portugal.

  9. Parabéns, padre Leonardo!

    O Vat II, o CDC, e a própria CNBB, nunca autorizaram, nem os padres nem os religiosos(as) a abandonarem seus hábitos e batinas, permitiu o clarygman para os padres, nunca a veste civil. O Concílio, na “Optatam Totius”, pediu que os religios (as), simplificassem seus hábitos, aqueles que eram muito arcaicos, mas nunca abolir o hábito…

    “Nota de rodapé do cânone 284: Após entendimentos laboriosos com a Santa Sé, ficou determinado que os clérigos usem, no Brasil, um traje eclesiástico digno e simples, de preferência o “clergyman” (camisa clerical) ou “batina”.”

    Tanto assim que, nenhum Bispo nem nenhum padre é recebido pelo Papa sem suas vestes próprias.

    Quanto às freiras, quando não andam, absolutamente secularizadas, como verdadeiras madames da sociedade, ficam ridículas com umas roupas que, nem são o hábito nem a veste civil, fica uma coisa excêntrica.

    O sr. tem razão padre…
    “Hoje todos buscam o mais cômodo o mais confortável: é a busca incessante pelo bem-estar!”

    “A batina nos impõe um COMPROMISSO solene e terrível. Quando estou revestido do sagrado hábito devo agir com prudência. Devo medir minhas palavras e gestos. Não devo me sentar de qualquer forma. Não devo andar de qualquer forma. Não devo subir ou descer escadas de qualquer forma. Estando de batina devemos pensar muito sobre nossas atitudes e palavras! Não posso me esquecer que todos os olhos estarão voltados para mim. Devo ser um exemplo no agir, no falar, enfim, em tudo”.

    É uma responsabilidade grave, é um “peso” a batina ou o clarygman.

    Quanto mais agora, depois dessa febre de pedofilia que atingiu o clero,quem sabe, não seria uma salutar bofetada no mundo moderno e ateu, se os padres, para tirar essa nódoa que o atingiu, apesar de ser um número pequeno, em relação ao todo que cometeram tal abominação, usassem, com dignidade, suas batinas e seus clarygmans…

  10. Esse texto belíssimo e verdadeiro realmente deve ser salvo e passado adiante e fixado nos murais das igrejas.

    É lamentável essa realidade da Igreja do Brasil. Sacerdotes e Religiosos “principalmente os dominicanos aqui do brasil” sentem horror e vergonha de usar hábito e batina , raramente se encontra um que qeira usá-la, e aqueles que usam são ridicularizados.

    Graças a Deus o padre aqui do meu bairro usa o clarygman e pretende usar somente a batina de agora em diante.

  11. Não sacerdote, mas uso a batina. E por onde vou sempre escuto isso:
    http://sacerdotibus.blogspot.com/2009/07/sera-que-vou-ver-os-padres-de-batina.html

    E sempre escuto a cada dia mais.

    E agora, que estou em Barretos dando um curso de Espiritualidade para leigos, uma senhor me disse:
    – Você me fez lembrar minha infância! É tão lindo ver vocês usando esta roupa…

    In CHRISTO,
    Allan Lopes.

    LAVS DEO

  12. Parabéns Pe. Lenoardo!!
    Se eu tivesse e-mails de sacerdotes aqui de Niteroi, enviava uma cópia de seu brilhante e corajoso texto.
    O senhor é Padre como poucos hoje em dia…

  13. A pergunta é onde estão os padres vestidos de batina, certa,emte não estão fazendo shows nos palcos das cidades, mas com certeza estão diante do altar.

  14. “A unica vez em que vi meu paroco parecido mesmo com um padre foi em uma festa junina em q ele colocou uma batina para fazer o papel do que iria celebrar o casório.”

    Também já vi algo assim acontecer! Com um padre franciscano, pároco. A única vez que eu o vi vestido como religioso foi em uma festa junina de sua paróquia…fantasiado de frade… Que triste!

    A Paz!

  15. Salve Maria a todos! Estou profundamente comovido com os comentários e o apoio de todos. Chorei igual criança agora ao lê-los, principalmente o poema, que, por sinal, já está impresso em duas cópias: uma colada na minha sacristia e outra na porta do meu quarto na casa paroquial. Quantas vezes eu fiquei diante do Sacrário e perguntei a Nosso Senhor: “Será que a Tradiçaõ vai morrer?” e ainda “Por que é tudo tão difícil? Ajuda-me, Senhor, é difícil lutar sozinho”. Mas Nosso Senhor me respondeu. Ele me deu vocês como sinal. Sinal de que há esperança, de que vale a pena continuar lutando. Vivemos um martírio. Um martírio sem derramamento de sangue (como foi o de São Maximiliano kolbe), mas que vai nos matando aos poucos a cada dia. Mas, coragem meus filhos! Avante! O Senhor está conosco! Invoquemo-lo com toda confiança: MANE NOBISCUM, DOMINE!
    Pe. Leonardo (padreleoholtz@gmail.com)

  16. Padre, a sua benção.
    Não tenho muito a dizer, só peço a Deus que te conserve assim e que a Mãe Amantíssima te proteja.
    Salve Maria!