Relações Roma-Ecône. Visita do Superior Geral da FSSPX à Bahia.

Por Bruno Luís Santana

Dom Bernard Fellay e fiéis do mosteiro Nossa Senhora da Fé - Candeias, Bahia.

Dom Bernard Fellay e fiéis do mosteiro Nossa Senhora da Fé - Candeias, Bahia.

D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, visitou a Bahia entre os dias 08 e 09 de Julho de 2010, para conferir o Sacramento da Confirmação aos fiéis católicos frequentadores do Mosteiro Nossa Senhora da Fé (Candeias-BA).

Todos os bispos da Fraternidade, em ocasiões diversas, visitaram a comunidade, exceto D. Fellay, que veio à Bahia pela primeira vez.

Após a cerimônia, o senhor Bispo retornou à Sacristia e cingiu-se com os paramentos, rezando missa simples e posando para as fotos com os fiéis ao final.

Em seguida, iniciou-se uma conferência (em espanhol) com duração de duas horas, em que D. Fellay tratou de temas como as relações da FSSPX com Roma, sob o pontificado atual.

“O Papa é um homem que tem a cabeça progressista, mas é de coração católico, amante da Tradição”, ressaltou.

Citou também a situação desesperadora do clero europeu que entra em extinção de forma acelerada: “Há determinadas dioceses na França, onde um pároco chega a ficar à frente de mais de 60 paróquias. É estarrecedor”, disse.

Quanto aos entraves na Santa Sé, dão-se pela resistência do próprio Santo Padre em tirar as conclusões finais dos resultados do concílio. A tentativa de salvá-lo a todo custo se explica quando o mesmo de alguma maneira relativiza documentos como o Syllabus, que seria magistério, só que circunscrito ao seu período – o século XIX.

Contudo, todos os passos que o Santo Padre dá na direção da Fé Imutável, da Tradição e da Missa Tradicional são feitos num ambiente de extrema pressão, a começar por setores vaticanos como a Secretaria de Estado.

“Os trapistas de Mariawald, embora autorizados pelo Santo Padre a retornar à disciplina tradicional e ao rito de São Pio V, não obtiveram resposta, pois a Secretaria de Estado arquivou a autorização papal, sendo necessário que um novo pedido fosse feito e entregue em mãos ao Santo Padre por um prelado de confiança, que ouviu o Santo Padre dizer que já havia dado a autorização”.

A pressão também é forte nos episcopados mundiais, embora existam alguns bispos e sacerdotes honestos. A Cúria Romana também está mais habitada por prelados idôneos, e se rezam mais ou menos 20 missas tradicionais por dia na Basílica de São Pedro, em geral em momentos discretos, por secretários e outros clérigos próximos ao Santo Padre.

“Mas o motivo de Bento XVI rezar missa tridentina de forma privada em algumas circunstâncias, e o fato não ser tornado público, faz sentido quando me recordo que, numa conferência dada na Itália para 28 sacerdotes diocesanos, um deles me disse que ouviu de seu bispo que bastaria o Papa rezar a Missa Tradicional em público e o mesmo fecharia a Catedral, interditaria a diocese e romperia com a Santa Sé”, disse.

Espera-se também um aumento das perseguições a todo e qualquer movimento restaurador nos próximos anos, pois coincidirá com a saída dos últimos bispos outrora co-participantes do concílio Vaticano II, “e que tudo farão para bloquear ao máximo a onda de restauração que tem cada vez mais invadido a Igreja”.

Finalmente, diante do cenário dramático, fica-se com a Esperança Sobrenatural e a certeza de que, através da Santíssima Virgem, Deus reconduzirá todas as coisas aos seus lugares.

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32 Responses to “Relações Roma-Ecône. Visita do Superior Geral da FSSPX à Bahia.”

  1. “O Papa é um homem que tem a cabeça progressista, mas é de coração católico, amante da Tradição”. É a melhor e mais realista definição de Bento XVI que vi até agora. Parabéns e obrigado a D. Fellay e à FSSPX pelo combate corajoso e incansável em defesa da ortodoxia e tradição católicas.

    Parabéns e obrigado ao “Fratres” pelo belo – e muitíssimo necessário – trabalho de bem informar, unindo-nos através deste apostolado.

  2. Ferretti, não seria uma boa idéia divulgar esse texto também em inglês? Talvez o Rorate-Caeli se interessasse em publicar. Pareceu-me bastante interessante.

  3. Muito obrigado ao Bruno pelas excelentes notícias. Logo se vê o quanto D. Fellay difere da ala tradicionalista-brucutu da Fraternidade, que exige do “modernista” Papa Ratzinger soluções imediatas e autoritárias, como se estivéssemos no tempo da teocracia medieval. O Papa deve ser muito prudente, porque, da parte dele e da parte dos leigos, pouco pode ser feito humanamente. Como diza Vittorio Messori, o Papa é um general sem soldados. E sem soldados, não há guerra. A guerra que os tradicionalistas irresponsáveis pedem só resultaria em um cisma sem precedentes e uma confusão geral.
    A solução não virá dos movimentos tradicionais, porque a Igreja não se resume em suas Ordens e instituições. A solução não virá do Clero, que hoje é modernista e rebelde ao Papa. A solução virá apenas do Céu, porque um problema de ordem sobrenatural exige uma solução sobrenatural: a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, meio pelo qual a crise terá seu fim.
    Deste modo, a única atitude possível aos leigos, além de se esforçar ao máximo no seu apostolado pessoal de católicos batizados e crismados, é apoiar e rezar pelo Papa, para que, seja o Papa que for, ele venha a consagrar a Rússia e conseguir a vitória da Mãe de Deus contra a serpente infernal.
    A solução da crise não virá dos méritos e talentos pessoais de certos grupos orgulhosos, mas tão-somente da graça.

  4. Que ótimas notícias Dom Fellay nos dá através de Bruno Santana. Sinceramente não tinha conhecimento de que o Papa rezava a Missa Tridentina, ótima notícia!
    Isso me faz pensar que a maior afabilidade de Dom Fellay com o Papa seria devida aos melhores conhecimentos que ele tem das ações do Sumo Pontífice.
    Alguém gravou a palestra? Será coloca na internet?

  5. Seria interessante a tradução dessa matéria para o inglês. O Rorate Cæli certamente a publicaria.

  6. O site do Mosteiro onde Dom Fellay esteve traz fotos e o áudio da conferência:
    http://fbmv.wordpress.com/

  7. Parabéns ao Bruno Santana.
    Excelente cobertura do evento.
    Belas e tocantes fotos, me chamou a atenção em uma das fotos, o singelo improviso e adaptação na falta de um “umbraculum” original.
    A beleza na simplicidade.

  8. Gostaria de manter contato com o bruno Luiz Santana, como faço?

  9. Esse post é um complemento “oficial” do anterior.
    Sabe-se da calamidade que se assenhora da Igreja, mas os católicos comuns fazem vista-grossa para tudo isso; inclusive das atitudes do Papa – tanto as positivas, quanto as negativas…
    Que sirva de lição para todos: a luta está só começando!

  10. Nosso martírio está próxino!

  11. Estas palavras de Fellay são muito importantes. Confirmam, sem equívocos, que o Santo Padre celebra a Missa Tradicional em privado. Certamente Fellay não iria inventar uma coisas destas, pelo que esclarecemos essa dúvida em definitivo. Depois, reforça a ideia de que o Papa não se encontra sozinho em Roma, mas rodeado de um bom grupo de pessoas que, de algum modo, estão empenhadas e comprometidas com a Tradição.

    Concordo que, se esta matéria fosse traduzida para inglês, faria post no Rorate Caeli.

  12. Prezado, João Magro,

    O que você disse:

    “A guerra que os tradicionalistas irresponsáveis pedem só resultaria em um cisma sem precedentes e uma confusão geral.”

    Faz-me rir: A culpa é dos tradicionalistas? Isto é sério?

    Responda-me:

    1) Litúrgia deplorável: Clero em “plena comunhão”.
    2) Renovação Carismárica “Católica”: Apoiada e aceita pela hierarquia em “plena comunhão”.
    3) Casamento homossexual apoiado por alguns padres e bispos: Não punidos pela hierarquia em “plena comunhão”.
    4) Comunhão na Mão: Hierarquia em “plena comunhão”.
    5) CNBB (preciso comentar?): Todos em “plena comunhão”.
    6) Falso ecumenismo: Hierarquia em “plena comunhão”.
    7) Beijo no Corão do Papa JP II: Em “plena comunhão”.

    Não percebem que a grande maioria dos católicos estão em “cisma silencioso” dentro da própria Igreja? E sabe de quem é a grande culpa: Da hierarquia relaxada que temos hoje. Ensinam tudo, mesmo doutrina.

    UMA PAUSA: Engraçado é que com a seitas protestantes ecumenismo pode, pois elas tem 95% de coisas em comum com o catolicismo. Só 5% as separam da tão desejada unidade.E por que não aplicam o ecumenismo com a Tradição? E olha que a Tradição tem mais de 95% em comum com a ICAR.

    E aposto, se ( vejam bem: SE) Roma reconhecer que a Tradição não é cismática, a maioria deste grupos que fizeram acordos por medo, voltarão pra Tradição correndo. Só não estão na Tradição por medo do tal “legalismo”.

    Atenciosamente.

  13. “…bastaria o Papa rezar a Missa Tradicional em público e o mesmo fecharia a Catedral, interditaria a diocese e romperia com a Santa Sé”

    Danem-se!

    Ainda bem que a FSSPX Não mudou de posição…

  14. Prezado Alex Jerônimo
    Meu msn é brunosantanab@hotmail.com
    O problema é me encontrar lá…

    Quanto a traduzir a matéria para o inglês, bem, não posso fazê-lo, pois não seria tão preciso assim, a tradução ficaria comprometida. Sugiro que algum leitor (de preferência brasileiro que viva nos EUA) o faça.

    Lembrando que, segundo D. Fellay, a menos que haja uma intervenção no curso dos acontecimentos, não haverá uma mudança substancial da noite para o dia (a possível regularização canônica), pois a FSSPX não pretende ceder nos princípios. Mas diante das mudanças no Vaticano, a possibilidade de um termo feliz pode ser cultivada como uma esperança possivel… Só não esperada para agora. 10, 15, 20 anos? Quem sabe?

  15. Sr. Francisco,

    Talvez com uma figura o sr. entenda o que eu disse.

    Supunha um médico querendo curar um enfermo em estado grave.

    A culpa da doença é do médico? Completamente não, porque se o enfermo não cuidou de sua saúde, o médico é que não será o responsável.

    Porém, se o médico tratar mal do enfermo, o que poderia ser a cura tornar-se-á mal maior.

    É isto o que quis dizer. Não precisa me citar a lista de problemas e contradições da conjuntura atual da Igreja. Todos nós os sabemos de cor. A minha questão é que, quem age sem prudência, no intuito de resolver acaba piorando.

    E eu julgo que a questão não é “quem está dentro” ou “quem está fora da Tradição”, porque aí residem muitas ambiguidades conceituais. O que precisa ser dito, e da forma correta, é quem é católico e quem não é, quem está dentro e quem está fora do Corpo Místico de Cristo, porque fora DELA é que não há salvação, mesmo que certos setores da Igreja pareçam a alguns irresistivelmente necessários para a salvação.

  16. Essa notícia do Papa saiu, curiosamente, no dia que se comemora os 440 anos da promulgação do Missal Romano por São Pio V e da Quo Primum Tempore. Curioso.
    Estou mal informado ou a notícia é inédita para todos?

  17. Prezado Pedro,
    Fiquei sabendo hoje que a notícia já é velha, e pelo que você postou não sou só eu que não sabia.. Confira aqui:
    http://www.montfort.org.br/index.php?secao=imprensa&subsecao=igreja&artigo=20070716&lang=bra
    Em todo caso, que eu saiba, nunca foi dada a ênfase merecida.

  18. Caro João Magro, Salve Maria,

    Vamos analisar quem está fora e quem está dentro da Igreja, ou melhor que está em “plena comunhão”.

    Você afirma e eu concordo, que “Fora da Igreja não há salvação”, porém veja o texto abaixo, da UR, do CV II:

    “Por isso, as Igrejas (19) e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica.”

    O que significa “de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação” ?

    Você, eu e todos os Tradição entendemos muito bem o que está escrito, ou seja: O Espírito de Cristo pode se utilizar delas como meio de salvação. ESTÁ ESCRITO.

    E meio de salvação “meia-boca”, porque diz também: “embora creiamos que tenham defeitos”.

    E qual era o ensinamento anterior: “Fora da Igreja não há salvação” (exceto por ignorância invencível, que não cabe a mim julgar). Entretanto, a partir do CV II já tornou-se possível um cristão não-católico salvar-se, mesmo não estando em ignorância invencível.

    Você concorda com este trecho da UR, do CV II?

    a) Se você concorda, tem que assumir que a FSSPX (Tradição) também salva.

    b) Se você não concorda, está se recusando a aceitar ensinamento do CV II. Entretanto, se você se recusa a aceitar ensinamentos do CV II, estará curiosamente na mesma situação dos bispos da FSSPX, pois o que falta para eles estarem na chamada “plema comunhão” com Roma?

    Eu explico o que falta: Quando as excomunhões foram levantadas, o Papa colocou uma condição para que eles pudessem exercer suas funções de forma legítma na Igreja, e qual foi? ACEITAR O CONCÍLIO VATICANO II. Como eles não aceitaram até hoje, o impasse permanece.

    Então, onde você se situa?

    1) Aceita que fora da igreja pode haver salvação, conforme CV II, e ai tem que aceitar que a FSSPX também salva, ou

    2) Não aceita o ensinamento do CV II e fica na mesma situação dos bispos da FSSPX, fora da “plena comunmhão”?

    Um abraço.

  19. Ponto 153 do Catecismo Maior de São Pio X:

    “Então, não pertencem à Igreja de Jesus Cristo as sociedades de pessoas batizadas que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe?

    Todos os que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe não pertencem à Igreja de Jesus Cristo”.

    Ora, a FSSPX reconhece o Romano Pontífice como seu chefe. Logo, ela pertence à Igreja.

    Outro ponto do CMSPX:

    “158. Por que dizeis que a verdadeira Igreja é Santa?

    Chamo a verdadeira Igreja de Santa porque Jesus Cristo, a sua cabeça invisível, é Santo, santos são muitos dos seus membros santas são a sua Fé e a sua Lei, santos e os seus Sacramentos, porque FORA D’ELA NãO HÁ NEM PODE HAVER VERDADEIRA SANTIDADE”.

    Isso me parece estar em contradição flagrante com a passagem supracitada da UR.

  20. Por favor Guilherme, que erro de lógica básico: a falácia da falsa conversão!

    Se todos os que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe não pertencem à Igreja de Jesus Cristo, não segue que todos os que reconhecem o Romano Pontífice pertencem à Igreja de Jesus Cristo.

    Segue sim que todos os que pertencem à Igreja reconhecem o Papa. Mas não que todos os que reconhecem pertencem, tampouco que quem não pertence não reconhece.

  21. No que tange à ameaça do bispo, caso o Santo Padre rezasse publicamente a Missa Tradicional, o mesmo se referiu mais a sair da Igreja enquanto instituição. Isso é o significado da expressão que adotei “fechar a catedral…”

    Em outras palavras: peço perdão pela distração, terminei sem querer “desenvolvendo” o que havia dito o senhor bispo…

  22. Sr. Francisco,

    Não tome o status quo como a realidade objetiva. Se supostamente não aceitar o Concílio Vaticano II é estar em cisma, isto não é a verdade dos fatos. Disto eu tenho certeza que o Sr. já sabe, mas não se aproveite do discurso dos neo-conservadores e modernistas para justificar a idolatria de certas alas tradicionais que trabalham PARA a Igreja, mas não SÃO a Igreja.

    Posso muito bem ser CONTRA o Concílio Vaticano II sem ser positivamente pró-FSSPX. Aproveito e digo que rezo e ofereço minhas comunhões pela Fraternidade, o que não impede que eu tenha críticas a fazer sobre a atitude brucutu de certos Padres e até mesmo de alguns dos seus 4 Bispos. Afinal, todo o movimento humano está passível de falhas. Até mesmo as maiores ordens da Igreja hoje estão em posse do demônio, como os franciscanos, dominicanos e jesuítas.

    O dilema que o Sr. me impõe só existe para o Sr. Não queira me incluir nele. A FSSPX trabalha para a Igreja, mas não é a Igreja. Eu sou católico apostólico romano, na acepção plena do termo, sem reduções e interpretações a posteriori. E isto basta, pois foi esta a Igreja que Nosso Senhor fundou. Para se salvar, é necessário pertencer ao Corpo Místico de Cristo; portanto, do que adianta o clero modernista fulminar a FSSPX se eles jamais foram católicos? Este é o status quo na Igreja, mas a verdade dos fatos é bem diferente: os que excomungam estão fora da Igreja, e os excomungados é que estão dentro.

    Entretanto, não quero que me exijam–porque sei que isto é uma inversão da realidade–uma filiação necessária a movimentos tradicionais que não podem reivindicar uma absoluta identificação com a Igreja. Esta tem sido a atitude psicológica de muitos grupos, que costumam fulminar os que não lhe pertencem.

  23. Prezado João Magro, Salve Maria,

    Antes de continuar a exposição de meus pensamentos, quero agradecer o tom cordial de seu último comentário e lhe pedir desculpas se lhe fui ofensivo, afinal, tanto eu quanto o Sr. estamos de boa fé, expondo o que acreditamos ser a verdade.

    E por caridade e amor a verdade, é que quero voltar a desenvolver o pensamento de meu comentário anterior.
    Começo com uma pergunta:

    Por qual motivo Dom Rifan não é considerado cismático por Roma e os 4 bispos da FSSPX são considerados cismáticos, visto que a excomunhão foi suspensa/anulada? Ou seja, o que falta para estes 4 bispos não sejam considerados cismáticos por Roma?

    No meu entender, a resposta está na aceitação do Concílio Vaticano II e magistério pós conciliar.

    Se a resposta acima é verdadeira, ou seja, os religiosos que querem estar regulares (não cismáticos) com Roma tem que aceitar os ensinamentos do Concílio Vaticano II e magistério pós conciliar, isto certamente tem que ser aplicado a todos os religiosos, e no meu entender, por analogia aos leigos.

    Quanto a aceitação dos documentos Concílio Vaticano II e magistério pós conciliar, faço a seguinte distinção:

    a) Um grupo que aceita tais documentos e ignora a patente contradição com o magistério dos 1960 anos anteriores. Estes, ao meu ver, aparentemente, não estão em cisma, porém, devido a aceitação do CV II, tem que aceitar que há meios de salvação fora da Igreja Católica, inclusive na FSSPX. (vide UR, do CV II)

    b) Um grupo que não aceita os documentos do CV II, mas também não os criticam e não criam “atrito” com Roma. Neste caso, uma comparação é necessária: Se os 4 bispos da FSSPX estão em cisma justamente por não aceitarem os documentos do CV II, como fica a situação deste grupo que não aceita e não critica? Veja: ambos se recusam a aceitar o CV II, um de forma radical e outro de forma discreta.

    c) Um último grupo, os 4 bispos da FSSPX e seu rebanho, que recusa obediência ao CV II e demais documentos pós conciliares que estão em contradição com a Tradição de mais de 1960 anos de Igreja. Veja, estes são considerados cismáticos porque não aceitam o CV II.

    Mas outra questão surge de um ensinamento da Igreja:

    “Devemos resistir ao Papa, quando este ensina “verdades” em clara contradição com a sã doutrina.”

    Suponhamos que o CV II expõe doutrina que contradiz todo o magistério anterior e o Papa passe a excomungar e tornar cismáticos todos os que se recusam a aceitar o CV II? Qual o valor destas “penalidades” aplicadas?

    Não estaríamos sendo punidos pelos que na verdade deveriam estar “excomungados”?

    Não temos o direito de resistir a estes ensinamentos heréticos?

    Um abraço fraternal.

  24. Circula pela rede a notícia de que o Padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, teria retificado a informação de que o Papa Bento XVI celebra a missa tradicional privadamente (http://www.leforumcatholique.org/print.php?num=559526).

    É importante notar que a notícia veiculada no Forum Catholique data de 17 de julho de 2007! http://www.catholicnews.com/data/stories/cns/0704072.htm

    Portanto, Padre Lombardi não se apressou em corrigir Dom Fellay, mas sim uma notícia do CWNews que levantou o assunto pela primeira vez: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=imprensa&subsecao=igreja&artigo=20070716&lang=bra

    “Esclarecimento” que deve ser visto à luz da grande repercussão das polêmicas suscitadas pela promulgação do motu proprio Summorum Pontificum e, por esse simples fato, deve ser considerado “cum grano salis”.

  25. Sr. Francisco,

    O seu último comentário volta ao meu primeiro.

    Há uma gritante contradição entre o Concílio e toda a tradição da Igreja, de modo que um católico consciente certamente pode perceber e se recusar a aceitar.

    Mas a situação tem um agravante: a nossa época está idiotizada. Saiamos às ruas e perguntemos sobre o assunto aos transeuntes. Se der sorte, talvez algum comunista da Teologia da Libertação entenda do que falamos e dê algum parecer. Do contrário, a ignorância é geral e calamitosa.

    É por isso que o Papa deve ser muito prudente, para conduzir os fiéis à verdade sem que o cisma velado torne-se cisma manifesto. E aí sim muitíssimas almas se perderiam, e as chances de salvá-las se esgotariam.

    Foi por esta razão que Cristo, no início de seu apostolado, proibia aos demônios de dizer Quem Ele era, como também exigia silêncio daqueles a quem curava. Ao fim, entretanto, Ele já dizia publicamente que é Deus. Neste processo, Cristo foi aos poucos preparando o duro coração do povo para uma verdade dificilmente aceita–de tal modo que o crucificaram por isso. É pela mesma razão que Ele ensinava em parábolas: para que os humildes e puros entendessem, e os maus e obstinados não se escandalizassem.

    Do mesmo modo, o Papa–e todos os fiéis católicos tradicionais e seus respectivos movimentos e apostolados–devem agir com prudência. E tudo por uma questão de caridade com o próximo.

    A FSSPX tem o direito de resistir, e todos os católicos que amam a verdade. Não será o Concílio que tomará para si o direito de legitimar o ecumenismo quando ele é contra a Fé.

    Porém, numa situação tão grave como a nossa, o retorno será doloroso. Por isso a minha crítica inicial era contra a atitude brucutu de certos Padres da Fraternidade, ou então a de D. Tissier, por exemplo. Exigir de um Papa sem Tiara, sem súditos e sem sacerdotes que haja como na teocracia medieval. Veja que estrago seria–paradoxalmente–se o Papa celebrasse uma Missa no Rito Gregoriano em público, conforme nos conta D. Fellay.

    Louvável é a atitude de clérigos como D. Brunero, que sabiamente discute o Concílio e põe à claro as divergências. O mesmo podemos pensar de D. Calderón e seu famoso e importante livro. Veja que, há alguns anos, discutir o Concílio–e em Roma–era impensável. Hoje já é possível encontrar até em Padres pró-Vaticano II ouvir críticas sérias e honestas, que já não o acham mais um “super-Concílio”.

    E aí entra outro problema. Os modernistas produziram o Concílio, mas muitos bons Padres o acreditaram um Concílio católico. Uma condenação imediata do Vaticano II geraria muita confusão e causaria muitos males. O Papa precisa andar devagar–mas sempre em direção à Fé.

    É ESTA a minha crítica. Não estou duvidando de que o ostracismo da FSSPX seja injusto. Só não admito como prudente e caridosa a atitude de determinados elementos da FSSPX, querendo resolver tudo num passe de mágica.

    Ademais, este problema não depende diretamente de nós. Nossa Senhora já deu o diagnóstico: consagrar a Rússia a Seu Imaculado Coração, mas até para isso será necessário esperar, porque Nossa Senhora pediu para que isto seja feito com os Bispos do mundo todo. Atualmente, quantos adeririam?

  26. Certos elementos que nem frequentam o Priorado da FSSPX, falam como se fossem instruídos por eles a ficar por ai com lerolero na net.

    Daí cresce uma legião de gente xingando a FSSPX e dizendo que fora dela n há salvação.

    Engraçado, n é o que vejo no Priorado quando vou lá!!!

    Há de se tomar muito cuidado, com o juízo que se faz da FSSPX, por causa desses FIÉIS VIRTUAIS.

    Domingo estive lá, e vi uma homilia sensata e gente normal. Aliás, se fossem eles os monstros que uns e outros pintam, n teria dentro da Capela assistindo a Missa duas senhoras, de calça e usando véu, sentadas na minha frente.

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