A ideologia pára-conciliar e suas conseqüências na Igreja.

La Buhardilla de Jerónimo

Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”, proferiu recentemente uma conferencia à Fraternidade de São Pedro sobre os “aspectos da eclesiologia católica no acolhimento do Concílio Vaticano II”. Apresentamos a parte conclusiva da referida conferência, particularmente interessante, uma vez que Mons. Pozzo se refere a um assunto de grande atualidade na vida da Igreja: o da interpretação do Concílio Vaticano II em continuidade com a Tradição doutrinal católica (um tema que está incluído entre aqueles que a Fraternidade São Pio X tratará com a Santa Sé nas atuais conversações doutrinais). Com grande clareza e lucidez, Mons. Pozzo denuncia a existência e as conseqüências do que chama “ideologia pára-conciliar”.

* * *

O que está na origem da interpretação da continuidade ou ruptura com a Tradição?

Está o que podemos chamar a ideologia conciliar ou, mais exatamente, pára-conciliar, que se apoderou do Concílio desde o princípio, sobrepondo-se sobre ele. Com esta expressão não se entende algo que diz respeito aos textos do Concílio, nem muito menos à interpretação dos sujeitos, mas sim o marco de interpretação global em que o Concílio foi colocado e que atuou como uma espécie de condicionamento interior na leitura sucessiva dos feitos e dos documentos. O Concílio não é, de fato, a ideologia pára-conciliar, mas na história dos acontecimentos da Igreja e dos meios de comunicação de massa logrou-se em grande medida a mistificação do Concílio, quer dizer, a ideologia pára-conciliar. Para que todas as conseqüências da ideologia pára-conciliar fossem manifestadas como evento histórico, foi necessário verificar a revolução do ano 1968, que assume como princípio a ruptura com o passado e a mudança radical da história. Na ideologia pára-conciliar, o ano de 1968 significa uma nova figura de Igreja em ruptura com o passado, embora as raízes desta ruptura estivessem presentes já desde algum tempo em determinados ambientes católicos.

Este marco de interpretação global, que se sobrepôs de modo extrínseco ao Concílio, pode ser caracterizado principalmente por esses três fatores:

1) O primeiro fator é a renúncia ao anátema, quer dizer, a contraposição entre ortodoxia e heresia.

Em nome da assim chamada ‘pastoralidade’ do Concílio, faz-se passar a idéia de que a Igreja renuncia à condenação do erro, à definição da ortodoxia em contraposição à heresia. Se contrapõe à condenação dos erros e ao anátema pronunciado pela Igreja no passado, sobretudo, aquele que é incompatível com a verdade cristã ao caráter pastoral do ensinamento do Concílio, que já não queria mais condenar ou censurar, mas sim exortar, ilustrar ou testemunhar.

Na realidade, não há contradição alguma entre a firme condenação e a refutação dos erros em matéria doutrinal e moral e a atitude de amor para quem cai no erro e de respeito à sua dignidade pessoal. Todavia, precisamente porque o cristão tem um grande respeito pela pessoa humana, empenha-se além de todo limite para libertá-la do erro e das falsas interpretações da realidade religiosa e moral.

A adesão à pessoa de Jesus Filho de Deus, a sua Palavra e a seu mistério de salvação, exige uma resposta de fé simples e clara, como a que se encontra nos símbolos da fé e na regra fidei. A proclamação da verdade da fé implica sempre também a refutação do erro e a censura das posições ambíguas e perigosas que difundem incerteza e confusão nos fiéis.

Portanto, seria errôneo e infundado considerar que, depois do Concílio Vaticano II, o pronunciamento dogmático e censurador do Magistério teve que ser abandonado ou excluído, assim como seria também equivocado considerar que a índole expositiva e pastoral dos Documentos do Concílio Vaticano II não implica também uma doutrina que exige o nível de assentimento por parte dos fiéis segundo o grau diverso de autoridade das doutrinas propostas.

2) O segundo fator é a tradução do pensamento católico às categorias da modernidade. A abertura da Igreja às instâncias e às exigências da modernidade (ver Gaudium et Spes) é interpretada pela ideologia pára-conciliar como necessidade de uma conciliação entre Cristianismo e o pensamento filosófico e ideológico cultural moderno. Trata-se de uma operação teológica e intelectual que volta a propor na substância a idéia do modernismo, condenado no início do século XX por São Pio X.

A teologia neomodernista e secularista tem buscado o encontro com o mundo moderno precisamente às vésperas da dissolução do “moderno”. Com a queda do assim chamado “socialismo real” em 1989, caíram aqueles mitos da modernidade e da irreversibilidade de emancipação da história que representavam os postulados do sociologismo e do secularismo. O paradigma da modernidade, de fato, foi sucedido hoje em dia pelo paradigma da pós-modernidade do “caos” ou da “complexidade pluralista”, cujo fundamento é o relativismo radical. Na homilia do então Cardeal Joseph Ratzinger, antes de ser eleito Papa, por ocasião da celebração litúrgica “Pro eligendo Pontifice” (18/4/2005), encontra-se em destaque o centro da questão: “Quantos ventos de doutrina temos conhecido durante estas últimas décadas, quantas correntes ideológicas!, quantas modas de pensamento!… A pequena barca de pensamento de muitos cristãos foi sacudida com freqüência por essas ondas, levada de um extremo a outro: Do marxismo ao liberalismo, até a libertinagem, do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo, etc. Cada dia nascem novas seitas e se realiza o que diz São Pedro sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro (cf. Ef 4, 14). A quem tem uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, freqüentemente se aplica a etiqueta de fundamentalismo. Ao passo que o relativismo, quer dizer, deixar-se “levar à deriva por qualquer vento de doutrina”, parece ser a única atitude adequada nos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida só o próprio eu e seus antolhos”.

Frente a este processo é necessário, antes demais nada, recuperar o sentido metafísico da realidade (cf. Encíclica Fides et ratio do Papa João Paulo II) e uma visão de homem e da sociedade fundada sobre valores absolutos, meta-históricos e permanentes. Esta visão metafísica não pode prescindir de uma reflexão sobre o papel na história da Graça, quer dizer, do sobrenatural, da qual a Igreja, Corpo Místico de Cristo, é depositária. A reconquista do sentido metafísico com o lumen rationis deve ser paralela ao sentido sobrenatural com o lumun fidei.

Pelo contrário, a ideologia pára-conciliar considera que a mensagem cristã deve ser secularizada e reinterpretada segundo as categorias da cultura moderna extra e anti-eclesial, comprometendo sua integridade, talvez com o pretexto de uma “oportuna adaptação” aos tempos. O resultado é a secularização da religião e a mundanização da fé.

Um dos instrumentos para mundanizar a religião constitui-se pela pretensão de modernizá-la, adequando-a ao espírito moderno. Esta pretensão tem levado o mundo católico a comprometer-se em um “aggiornamento”, que constituía em realidade em uma progressiva e às vezes inconsciente homologação da mentalidade eclesial com o subjetivismo e o relativismo imperantes. Isto levou a uma desorientação nos fiéis, privando-os da certeza da fé e da esperança na vida eterna, como fim prioritário da existência humana.

3) O terceiro fator é a interpretação do “aggiornamento” querido pelo Concílio Vaticano II.

Com a expressão “aggiornamento”, o Papa João XXIII quis indicar a tarefa prioritária do Concílio Vaticano II. No pensamento do Papa e do Concílio este termo não expressava, sem dúvida, o que por sua vez ocorreu em seu nome na recepção ideológica do pós-Concílio. “Aggiornamento”, no significado papal e conciliar, queria expressar a intenção pastoral da Igreja de encontrar os modos mais adequados e oportunos para conduzir a consciência civil do mundo atual a reconhecer a verdade perene da mensagem salvífica de Cristo e da doutrina da Igreja. Amor pela verdade e zelo missionário pela salvação dos homens estão na base dos princípios da ação de “aggiornamento” querida e pensada pelo Concílio Vaticano II e pelo Magistério pontifício sucessivo.

Por outro lado, desde a ideologia pára-conciliar, difundida, sobretudo, pelos grupos intelectualistas católicos neomodernistas e pelos centros mediáticos do poder mundano secularista, a expressão “aggiornamento” é entendida e proposta como a derrocada da Igreja frente ao mundo moderno: do antagonismo à receptividade. A Modernidade ideológica – que certamente não deve ser confundida com a legítima e positiva autonomia da ciência, da política, das artes, do progresso técnico – fixou como princípio o rechaço ao Deus da Revelação cristã e da Graça. Portanto, ela não é neutra em face à fé. O que fez pensar em uma conciliação da Igreja com o mundo moderno levou assim, paradoxalmente, ao esquecimento de que o espírito anticristão do mundo continua atuando na história e na cultura. A situação pós-conciliar foi descrita deste modo já por Paulo VI em 1972:

“A fumaça de Satanás entrou por alguma fissura no templo de Deus: E assim entraram a dúvida, a incerteza, a problemática e a inquietude. A dúvida entrou em nossas consciências e entrou por janelas que deveriam estar abertas à luz. Também dentro da Igreja reina este estado de incerteza. Pensava-se que depois do Concílio viriam dias de Sol para a história da Igreja. Em troca, veio um dia de nuvens, tempestade, escuridão, busca e incerteza. Como isso ocorreu? Confiamos-lhes nosso pensamento: Houve a intervenção de um poder adverso. Seu nome é diabo, este misterioso ser a que se faz alusão também na carta de São Pedro” (Paulo VI, homilia na Missa por ocasião do IX aniversário da coroação de Sua Santidade na solenidade de São Pedro e São Paulo, 29 de junho de 1972).

Por desgraça, os efeitos assinalados por Paulo VI não desapareceram. Um pensamento estranho entrou no mundo católico, semeando confusão, seduzindo a muitas almas e desorientando os fiéis. Há um “espírito de autodemolição” que infiltra o modernismo, que se apoderou entre outras coisas, de grande parte do periodismo católico. Este pensamento alheio à doutrina católica pode ser constatado, por exemplo, sob dois aspectos.

Um primeiro aspecto é uma visão sociológica da fé, quer dizer, uma interpretação que assume o social como chave de valoração da religião e que comportou uma falsificação do conceito de Igreja segundo um modelo democrático. Se observarmos as discussões atuais sobre a disciplina, sobre o direito, sobre o modo de celebrar a liturgia, não se pode evitar perceber que esta falsa compreensão da Igreja se difundiu entre os leigos e teólogos segundo o slogan: Nós somos o povo, nós somos Igreja (Kirche von unten). O Concílio, na realidade, não oferece nenhum fundamento a esta interpretação, uma vez que a imagem do povo de Deus referida à Igreja está sempre ligada à concepção da Igreja como Mistério, como comunidade sacramental do corpo de Cristo, composto por um povo que tem uma cabeça e por um organismo sacramental composto por membros hierarquicamente ordenados. A Igreja, portanto, não pode converter-se em uma democracia, na qual o poder e a soberania derivam do povo, já que a Igreja é uma realidade que provém de Deus e foi fundada por Jesus Cristo. Ela é intermediária da vida divina, da salvação e da verdade, e depende da soberania de Deus, que é uma soberania de graça e de amor. A Igreja é, ao mesmo tempo, dom de graça e estrutura institucional porque assim o quis o seu Fundador: chamando aos Apóstolos, “Jesus instituiu doze” (Mc. 3, 13).

Um segundo aspecto, sobre o qual peço a vossa atenção, é a ideologia do diálogo. Segundo o Concílio e a Carta Encíclica de Paulo VI Ecclesiam suam, o diálogo é um importante e irrenunciável meio para o colóquio da Igreja com os homens do próprio tempo. Porém, a ideologia pára-conciliar transforma o diálogo de instrumento em objetivo e fim primário da ação pastoral da Igreja, esvaziando cada vez mais de sentido e obscurecendo a urgência e o chamado à conversão a Cristo e à pertença a Sua Igreja

Contra tais desvios, é necessário reencontrar e recuperar o fundamento espiritual e cultural da civilização católica, quer dizer, a fé em Deus, transcendente e criador, providente e juiz, cujo Filho Unigênito se encarnou, morreu e ressuscitou para a redenção do mundo e infundiu a graça do Espírito Santo para a remissão dos pecados e para fazer aos homens partícipes da natureza divina. A Igreja, Corpo de Cristo, instituição divino-humana, é o sacramento universal da salvação e da unidade dos homens, da qual é sinal e instrumento, no sentido de unir aos homens a Cristo mediante seu Corpo, que é a Igreja.

A unidade de todo o gênero humano, da qual fala LG 1, não deve ser entendida, portanto, no sentido de alcançar a concórdia ou a reunificação das diversas idéias ou religiões ou valores em um “reino comum e convergente”, mas que se obtém reconduzindo a todos à única Verdade, da qual a Igreja Católica é depositária porque Deus mesmo a confiou. Nenhuma harmonização das doutrinas “estranhas”, mas um anúncio integral do patrimônio da verdade cristã, no respeito da liberdade de consciência, e valorizando os raios de verdade esparsos no universo das tradições culturais e das religiões do mundo, opondo-se ao mesmo tempo às visões que não coincidem e não são compatíveis com a Verdade, que é Deus revelado em Cristo.

Concluo voltando às categorias interpretativas sugeridas pelo Papa Bento no Discurso à Cúria Romana, mencionado no início. Estas não fazem referência ao esquema ternário habitual e obsoleto (conservadores, progressistas, moderados), mas se apóiam sobre um binário estranhamente teológico: duas hermenêuticas, a da ruptura e a da reforma na continuidade. É necessário seguir esta última direção ao afrontar os pontos controversos, liberando, por assim dizer, o Concílio do pára-Concílio que se mesclou a ele, e conservando o principio da integridade da doutrina católica e da plena fidelidade ao depósito da fé transmitido pela Tradição e interpretado pelo Magistério da Igreja.

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28 Comentários to “A ideologia pára-conciliar e suas conseqüências na Igreja.”

  1. Monsenhor Guido Pozzo não está sendo capaz de enxergar o óbvio. Como então seguir essa proposta de linha de raciocinio? Devemos então considerar que o azul é vermelho e que dois mais dois são cinco?

  2. Ecclesia Dei sempre tentando defender o Concílio.

    Se o Concílio é ambíguo e depois de 40 anos ele não é compreendido, então ele não foi um bom Concílio, ele causa dúvida, ele não ajuda a fé nem a Igreja, muito pelo contrário, é uma soda corrosiva.

    A maneira com que Sua Reverendíssima tenta defender o Concílio é igual à CNBB defendendo a Mata Atlântica ou a justiça social.

  3. Não Senhor bispo! O problema são os textos mesmos do CVII ambíguos e sem definição que permitem quaisquer interpretações.Isso é o que os neo-modernistas queriam é o conseguiram. Que Roma defina e acaba o problema.

    PS1:Dos documentos pré-conciliares, apenas ficou 1 depois da primeira seção.O que ficou foi o da liturgia que tinha por autor o Pe Bugnini. O resto foi criado de zero.CONCLUSÃO = O CVII é a ideologia para-conciliar colocada nos textos.

    PS2: um pequeno esclarecimento: o que esta sendo discutido em Roma não é como achar essa continuidade do CVII com a tradição senão o mesmo CVII.Isso é o que Roma aceitou. Em outras palavras, o CVII não serve para argumentar senão que é julgado a partir da doutrina anterior, certa e infalível da Igreja.

  4. ESTOU BOBO E DE QUEIXO CAÍDO:
    “…A teologia neomodernista e secularista tem buscado o encontro com o mundo moderno precisamente às vésperas da dissolução do “moderno”…”

    Uma autoridade eclesiástica de dentro da Cúria Romana falar dos perigos do modernismo…
    Nunca pensei que eu fosse viver para ouvir.
    Nada mais me tira a certeza do triunfo do Coração Imaculado de Maria.

  5. Reverendo Pe. Alejandro, sua bênção!

    Continuarei rezando para que o Papa Bento, do alto da Sé de Pedro, esclareça para os católicos sobretudo o seguinte: o que vem a ser “pastoral” (assim se definiu o CVII) e o conceito de Tradição (negativamente, sabemos que não é o espírito de Assis).

  6. Monsenhor Pozzo foi impecável, pena que muitos não queiram ver isso…

  7. Confiram as contradiçoes:

    DISCURSO DE SUA SANTIDADE PAPA JOÃO XXIII
    NA ABERTURA SOLENE DO SS. CONCÍLIO

    11 de Outubro de 1992

    I Sessão

    Veneráveis irmãos

    I. Alegra-se a Santa Mãe Igreja, porque, por singular dom da Providência divina, amanheceu o dia tão ansiosamente esperado em que solenemente se inaugura o Concílio Ecumênico Vaticano II, aqui, junto do túmulo de São Pedro, com a proteção da Santíssima Virgem, de quem celebramos hoje a dignidade de Mãe de Deus.

    II. Os Concílios Ecumênicos na Igreja

    1. Todos os Concílios celebrados na história, tanto os 20 Concílios Ecumênicos, como os inúmeros Provinciais e Regionais, também importantes, testemunham claramente a vitalidade da Igreja Católica e constituem pontos luminosos da sua história.

    2. O gesto do mais recente e humilde sucessor de são Pedro que vos fala, de convocar esta soleníssima reunião, pretendeu afirmar, mais uma vez, a continuidade do magistério eclesiástico, para o apresentar, em forma excepcional, a todos os homens do nosso tempo, tendo em conta os desvios, as exigências e as possibilidades deste nosso tempo.

    3. É bem natural que, inaugurando o Concílio Ecumênico, nos apraza contemplar o passado, para ir recolher, por assim dizer, as vozes, cujo eco animador queremos tornar a ouvir na recordação e nos méritos, tanto dos mais antigos, como também dos mais recentes Pontífices, nossos predecessores: vozes solenes e venerandas, elevadas no Oriente e no Ocidente, desde o século IV até à Idade Média, e desde então até aos nossos dias, que transmitiram desde aqueles Concílios o seu testemunho; vozes a aclamarem em perenidade de fervor o triunfo da instituição divina e humana, a Igreja de Cristo, que recebe dele o nome, a graça e o significado.

    4. Mas, ao lado dos motivos de alegria espiritual, é também verdade que sobre esta história se estende ainda, por mais de 19 séculos, uma nuvem de tristeza e de provações. Não é sem motivo que o velho Simeão manifestou a Maria, Mãe de Jesus, aquela profecia, que foi e permanece verdadeira: « Este menino está posto para ruína e para ressurreição de muitos, e será sinal de contradição » (Lc 2, 34). E o próprio Jesus, chegando à idade adulta, fixou bem claramente a atitude que o mundo havia de continuar a tomar perante a sua pessoa através dos séculos, ao pronunciar aquelas palavras misteriosas: « Quem vos ouve, a mim ouve » (Lc 10, 16); e com aquelas outras, citadas pelo mesmo evangelista: « Quem não está comigo, está contra mim; e quem não recolhe comigo, desperdiça » (Lc 11, 23).

    5. O grande problema, proposto ao mundo, depois de quase dois milênios, continua o mesmo. Cristo sempre a brilhar no centro da história e da vida; os homens ou estão com ele e com a sua Igreja, e então gozam da luz, da bondade, da ordem e da paz; ou estão sem ele, ou contra ele, e deliberadamente contra a sua Igreja: tornam-se motivo de confusão, causando aspereza nas relações humanas, e perigos contínuos de guerras fratricidas.

    6. Os Concílios Ecumênicos, todas as vezes que se reúnem, são celebração solene da união de Cristo e da sua Igreja, e por isso levam à irradiação universal da verdade, à reta direção da vida individual, doméstica e social; ao reforço das energias espirituais, em perene elevação para os bens verdadeiros e eternos.

    7. Estão diante de nós, na sucessão das várias épocas dos primeiros 20 séculos da história cristã, os testemunhos deste magistério extraordinário da Igreja, recolhido em vários volumes imponentes: patrimônio sagrado dos arquivos eclesiásticos, tanto aqui em Roma como nas bibliotecas mais célebres do mundo inteiro.

    III. Origem e causa do Concílio Ecumênico Vaticano II

    1. No que diz respeito à iniciativa do grande acontecimento que agora se realiza, baste, a simples título de documentação histórica, reafirmar o nosso testemunho humilde e pessoal do primeiro e imprevisto florescer no nosso coração e nos nossos lábios da simples palavra « Concílio Ecumênico ». Palavra pronunciada diante do Sacro Colégio dos Cardeais naquele faustíssimo dia 25 de janeiro de 1959, festa da Conversão de são Paulo, na sua Basílica. Foi algo de inesperado: uma irradiação de luz sobrenatural, uma grande suavidade nos olhos e no coração. E, ao mesmo tempo, um fervor, um grande fervor que se despertou, de repente, em todo o mundo, na expectativa da celebração do Concílio.

    2. Três anos de preparação laboriosa, consagrados a indagar ampla e profundamente as condições modernas da fé e da prática religiosa, e de modo especial da vitalidade cristã e católica.

    3. Pareceram-nos como um primeiro sinal, um primeiro dom de graça celestial.

    4. Iluminada pela luz deste Concílio, a Igreja, como esperamos confiadamente, engrandecerá em riquezas espirituais e, recebendo a força de novas energias, olhará intrépida para o futuro. Na verdade, com atualizações oportunas e com a prudente coordenação da colaboração mútua, a Igreja conseguirá que os homens, as famílias e os povos voltem realmente a alma para as coisas celestiais.

    5. E assim, a celebração do Concílio torna a ser motivo e singular obrigação de grande reconhecimento ao supremo dispensador de todos os bens, por celebrarmos com cânticos de exultação a glória de Cristo Senhor, Rei glorioso e imortal dos séculos e dos povos.

    IV. Oportunidade de celebrar o Concílio

    1. Há ainda um argumento, veneráveis irmãos, que não é inútil propor à vossa consideração. Para tornar mais concreta a nossa santa alegria, queremos, diante desta grande assembléia, notar as felizes e consoladoras circunstâncias em que se inicia o Concílio Ecumênico.

    2. No exercício cotidiano do nosso ministério pastoral ferem nossos ouvidos sugestões de almas, ardorosas sem dúvida no zelo, mas não dotadas de grande sentido de discrição e moderação. Nos tempos atuais, elas não vêem senão prevaricações e ruínas; vão repetindo que a nossa época, em comparação com as passadas, foi piorando; e portam-se como quem nada aprendeu da história, que é também mestra da vida, e como se no tempo dos Concílios Ecumênicos precedentes tudo fosse triunfo completo da idéia e da vida cristã, e da justa liberdade religiosa.

    3. Mas parece-nos que devemos discordar desses profetas da desventura, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo.

    4. No presente momento histórico, a Providência está-nos levando para uma nova ordem de relações humanas, que, por obra dos homens e o mais das vezes para além do que eles esperam, se dirigem para o cumprimento de desígnios superiores e inesperados; e tudo, mesmo as adversidades humanas, dispõe para o bem maior da Igreja.

    5. É fácil descobrir esta realidade, se se considera com atenção o mundo hodierno, tão ocupado com a política e as controvérsias de ordem econômica, que já não encontra tempo de atentar em solicitações de ordem espiritual, de que se ocupa o magistério da santa Igreja. Este modo de proceder não é certamente justo, e com razão temos de desaprová-lo; não se pode, contudo, negar que estas novas condições da vida moderna têm, pelo menos, esta vantagem de ter suprimido aqueles inúmeros obstáculos, com os quais, em tempos passados, os filhos do século impediam a ação livre da Igreja. De fato, basta percorrer mesmo rapidamente a história eclesiástica, para verificar sem sombra de dúvida que os próprios Concílios Ecumênicos, cujas vicissitudes constituíram uma sucessão de verdadeiras glórias para a Igreja Católica, foram muitas vezes celebrados com alternativas de dificuldades gravíssimas e de tristezas, por causa da intromissão indevida das autoridades civis. Elas, é certo, propunham-se, às vezes, proteger com toda a sinceridade a Igreja; mas, as mais das vezes, isto não se dava sem dano e perigo espiritual, porque eles procediam segundo as conveniências da sua política interesseira e perigosa.

    6. A este propósito, confessamo-vos que sentimos dor vivíssima pelo fato de muitíssimos Bispos, que nos são tão caros, fazerem hoje sentir aqui a sua ausência, por estarem presos pela sua fidelidade a Cristo, ou detidos por outros impedimentos; a sua lembrança leva-nos a elevar fervorosíssimas orações a Deus. Porém, não sem grande esperança e com grande conforto para a nossa alma, vemos que a Igreja, hoje finalmente livre de tantos obstáculos de natureza profana, como acontecia no passado, pode desta Basílica Vaticana, como de um segundo Cenáculo Apostólico, fazer sentir por vosso meio a sua voz, cheia de majestade e de grandeza.

    V. Fim principal do Concílio: defesa e difusão da doutrina

    1. O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz.

    2. Essa doutrina abarca o homem inteiro, composto de alma e corpo, e a nós, peregrinos nesta terra, manda-nos tender para a pátria celeste.

    3. Isto mostra como é preciso ordenar a nossa vida mortal, de maneira que cumpramos os nossos deveres de cidadãos da terra e do céu, e consigamos deste modo o fim estabelecido por Deus. Quer dizer que todos os homens, tanto considerados individualmente como reunidos em sociedade, têm o dever de tender sem descanso, durante toda a vida, para a consecução dos bens celestiais, e de usarem só para este fim os bens terrenos sem que seu uso prejudique a eterna felicidade.

    4. O Senhor disse: « Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça » (Mt 6, 33). Esta palavra « primeiro » exprime, antes de mais, em que direção devem mover-se os nossos pensamentos e as nossas forças; não devemos esquecer, porém, as outras palavras desta exortação do Senhor, isto é: « e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo » (Mt 6, 33). Na realidade, sempre existiram e existem ainda, na Igreja, os que, embora procurem com todas as forças praticar a perfeição evangélica, não se esquecem de ser úteis à sociedade. De fato, do seu exemplo de vida, constantemente praticado, e das suas iniciativas de caridade toma vigor e incremento o que há de mais alto e mais nobre na sociedade humana.

    5. Mas, para que esta doutrina atinja os múltiplos níveis da atividade humana, que se referem aos indivíduos, às famílias e à vida social, é necessário primeiramente que a Igreja não se aparte do patrimônio sagrado da verdade, recebido dos seus maiores; e, ao mesmo tempo, deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida introduzidas no mundo hodierno, que abriram novos caminhos ao apostolado católico.

    6. Por esta razão, a Igreja não assistiu indiferente ao admirável progresso das descobertas do gênero humano, e não lhes negou o justo apreço, mas, seguindo estes progressos, não deixa de avisar os homens para que, bem acima das coisas sensíveis, elevem os olhares para Deus, fonte de toda a sabedoria e beleza; e eles, aos quais foi dito: « Submetei a terra e dominai-a » (Gn 1, 28), não esqueçam o mandamento gravíssimo: « Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás » (Mt 4, 10; Lc 4, 8), para que não suceda que a fascinação efêmera das coisas visíveis impeça o verdadeiro progresso.

    VI. Como deve ser promovida a doutrina

    1. Isto posto, veneráveis irmãos, vê-se claramente tudo o que se espera do Concílio quanto à doutrina.

    2. O XXI Concílio Ecumênico, que se aproveitará da eficaz e importante soma de experiências jurídicas, litúrgicas, apostólicas e administrativas, quer transmitir pura e íntegra a doutrina, sem atenuações nem subterfúgios, que por vinte séculos, apesar das dificuldades e das oposições, se tornou patrimônio comum dos homens. Patrimônio não recebido por todos, mas, assim mesmo, riqueza sempre ao dispor dos homens de boa vontade.

    3. É nosso dever não só conservar este tesouro precioso, como se nos preocupássemos unicamente da antiguidade, mas também dedicar-nos com vontade pronta e sem temor àquele trabalho hoje exigido, prosseguindo assim o caminho que a Igreja percorre há vinte séculos.

    4. A finalidade principal deste Concílio não é, portanto, a discussão de um ou outro tema da doutrina fundamental da Igreja, repetindo e proclamando o ensino dos Padres e dos Teólogos antigos e modernos, que se supõe sempre bem presente e familiar ao nosso espírito.

    5. Para isto, não havia necessidade de um Concílio. Mas da renovada, serena e tranqüila adesão a todo o ensino da Igreja, na sua integridade e exatidão, como ainda brilha nas Atas Conciliares desde Trento até ao Vaticano I, o espírito cristão, católico e apostólico do mundo inteiro espera um progresso na penetração doutrinal e na formação das consciências; é necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo. Uma coisa é a substância do « depositum fidei », isto é, as verdades contidas na nossa doutrina, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e dever-se-á usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao magistério, cujo caráter é prevalentemente pastoral.

    VII. Como se devem combater os erros

    1. Ao iniciar-se o Concílio Ecumênico Vaticano II, tornou-se mais evidente do que nunca que a verdade do Senhor permanece eternamente. De fato, ao suceder uma época a outra, vemos que as opiniões dos homens se sucedem excluindo-se umas às outras e que muitas vezes os erros se dissipam logo ao nascer, como a névoa ao despontar o sol.

    2. A Igreja sempre se opôs a estes erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações. Não quer dizer que faltem doutrinas enganadoras, opiniões e conceitos perigosos, contra os quais nos devemos premunir e que temos de dissipar; mas estes estão tão evidentemente em contraste com a reta norma da honestidade, e deram já frutos tão perniciosos, que hoje os homens parecem inclinados a condená-los, em particular os costumes que desprezam a Deus e a sua lei, a confiança excessiva nos progressos da técnica e o bem-estar fundado exclusivamente nas comodidades da vida. Eles se vão convencendo sempre mais de que a dignidade da pessoa humana, o seu aperfeiçoamento e o esforço que exige é coisa da máxima importância. E o que mais importa, a experiência ensinou-lhes que a violência feita aos outros, o poder das armas e o predomínio político não contribuem em nada para a feliz solução dos graves problemas que os atormentam.

    3. Assim sendo, a Igreja Católica, levantando por meio deste Concílio Ecumênico o facho da verdade religiosa, deseja mostrar-se mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade também com os filhos dela separados. Ao gênero humano, oprimido por tantas dificuldades, ela diz, como outrora Pedro ao pobre que lhe pedia esmola: « Eu não tenho nem ouro nem prata, mas dou-te aquilo que tenho: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda » (At 3, 6). Quer dizer, a Igreja não oferece aos homens de hoje riquezas caducas, não promete uma felicidade só terrena; mas comunica-lhes os bens da graça divina, que, elevando os homens à dignidade de filhos de Deus, são defesa poderosíssima e ajuda para uma vida mais humana; abre a fonte da sua doutrina vivificante, que permite aos homens, iluminados pela luz de Cristo, compreender bem aquilo que eles são na realidade; a sua excelsa dignidade e o seu fim; e mais, por meio dos seus filhos, estende a toda parte a plenitude da caridade cristã, que é o melhor auxílio para eliminar as sementes da discórdia; e nada é mais eficaz para fomentar a concórdia, a paz justa e a união fraterna.

    VIII. Promover a unidade na família cristã e humana

    1. A solicitude da Igreja em promover e defender a verdade, deriva disso que, segundo o desígnio de Deus « que quer salvar todos os homens e que todos cheguem ao conhecimento da verdade » (1Tm 2,4), os homens não podem sem a ajuda de toda a doutrina revelada conseguir uma completa e sólida união dos espíritos, com a qual andam juntas a verdadeira paz e a salvação eterna.

    2. Infelizmente, a família cristã, não atingiu ainda, plena e perfeitamente, esta visível unidade na verdade. A Igreja Católica julga, portanto, dever seu empenhar-se ativamente para que se realize o grande mistério daquela unidade, que Jesus Cristo pediu com oração ardente ao Pai celeste, pouco antes do seu sacrifício. Ela goza de paz suave, bem convicta de estar intimamente unida com aquela oração; e muito se alegra depois, quando vê que essa invocação estende a sua eficácia, com frutos salutares, mesmo àqueles que estão fora do seu seio. Mais ainda, se consideramos bem esta mesma unidade, impetrada por Cristo para a sua Igreja, parece brilhar com tríplice raio de luz sobrenatural e benéfica: a unidade dos católicos entre si, que se deve manter exemplarmente firmíssima; a unidade de orações e desejos ardentes, com os quais os cristãos separados desta Sé Apostólica ambicionam unir-se conosco; por fim, a unidade na estima e no respeito para com a Igreja Católica, por parte daqueles que seguem ainda religiões não-cristãs.

    3. Quanto a isso, é motivo de tristeza considerar como a maior parte do gênero humano, apesar de todos os homens terem sido remidos pelo sangue de Cristo, não partilhem daquelas fontes da graça divina que existem na Igreja Católica. Por isso, à Igreja Católica, cuja luz tudo ilumina e cuja força de unidade sobrenatural beneficia toda a humanidade, bem se adaptam as palavras de São Cipriano: « A Igreja, aureolada de luz divina, envia os seus raios ao mundo inteiro; é, porém, luz única, que por toda a parte se difunde sem que fique repartida a unidade do corpo. Estende os seus ramos sobre toda a terra pela sua fecundidade, difunde sempre mais e mais os seus regatos: contudo, uma só é a cabeça, única é a origem, uma é a mãe copiosamente fecunda; por ela fomos dados à luz, alimentamo-nos com o seu leite, vivemos do seu espírito » (De Catholicae Ecclesiae unitate, 5).

    4. Veneráveis irmãos, isto se propõe o Concílio Ecumênico Vaticano II, que, ao mesmo tempo que une as melhores energias da Igreja e se empenha por fazer acolher pelos homens mais favoravelmente o anúncio da salvação, como que prepara e consolida o caminho para aquela unidade do gênero humano, que se requer como fundamento necessário para que a cidade terrestre se conforme à semelhança da celeste « na qual reina a verdade, é lei a caridade, e a extensão é a eternidade » (Cf. Santo Agostinho, Epist. CXXXVIII, 3).

    IX. Conclusão

    1. E agora, « dirige-se a vós a nossa voz » (2Cor 6, 11), Veneráveis Irmãos no Episcopado. Eis-nos, finalmente, todos reunidos nesta Basílica Vaticana, onde está o eixo da história da Igreja: onde o céu e a terra estão estreitamente unidos, aqui junto do túmulo de Pedro, junto a tantos túmulos dos nossos Santos Predecessores, cujas cinzas, nesta hora solene, parecem exultar com frémito arcano.

    2. O Concílio, que agora começa, surge na Igreja como dia que promete a luz mais brilhante. Estamos apenas na aurora: mas já o primeiro anúncio do dia que nasce de quanta suavidade não enche o nosso coração! Aqui tudo respira santidade, tudo leva a exultar! Contemplemos as estrelas, que aumentam com seu brilho a majestade deste templo; aquelas estrelas, segundo o testemunho do Apóstolo são João (Ap 1, 20) sois vós mesmos; e convosco vemos brilhar aqueles candelabros dourados à volta do sepulcro do Príncipe dos Apóstolos, isto é, as igrejas a vós confiadas (Ap 1, 20).

    Vemos, ao vosso lado, em atitude de grande respeito e de expectativa cheia de simpatia, essas digníssimas personalidades aqui presentes, chegadas a Roma dos cinco continentes, para representarem as nações do mundo.

    3. Pode dizer-se que o céu e a terra se unem na celebração do Concílio: os santos do céu, para proteger o nosso trabalho; os fiéis da terra, continuando a rezar a Deus; e vós, fiéis às inspirações do Espírito Santo, para procurardes que o trabalho comum corresponda às esperanças e às necessidades dos vários povos. Isto requer da vossa parte serenidade de espírito, concórdia fraterna, moderação nos projetos, dignidade nas discussões e prudência nas deliberações.

    4. Queira o céu que as vossas canseiras e o vosso trabalho, para o qual se dirigem não só os olhares de todos os povos, mas também as esperanças do mundo inteiro, correspondam plenamente às aspirações comuns.

    5. Deus todo-poderoso, em vós colocamos toda a nossa esperança, desconfiando das nossas forças. Olhai benigno para estes Pastores da vossa Igreja. A luz da vossa graça sobrenatural nos ajude a tomar as decisões e a fazer as leis, e ouvi todas as orações que vos dirigimos com unanimidade de fé, de palavra e de espírito.

    6. Ó Maria, auxílio dos cristãos, auxílio dos Bispos, de cujo amor tivemos recentemente uma prova especial no vosso templo de Loreto, onde tivemos o prazer de venerar o mistério da Encarnação, disponde todas as coisas para um feliz resultado, e, juntamente com o vosso esposo são José, com os santos apóstolos são Pedro e são Paulo, com são João Batista e são João Evangelista, intercedei por nós junto de Deus.

    7. A Jesus Cristo, amabilíssimo Redentor nosso, Rei imortal dos povos e do tempo, amor, poder e glória pelos séculos dos séculos. Assim seja! (AAS 54 (1962), pp. 785-795).

    Copyright © Libreria Editrice Vaticana

  8. Saudações, Padre Alejandro Rivero!
    Alguma luz há de brilhar no nosso horizonte, não é possível que esta noite pós-conciliar dure para sempre.
    A sua benção, Padre.

  9. Santíssima Virgem, não consegui seguir adiante na leitura já no meio do segundo fator, devido à confusão em afirmar algo numa frase, para negar na seguinte, por exemplo: “Trata-se de uma operação teológica e intelectual que volta a propor na substância a idéia do modernismo, condenado no início do século XX por São Pio X.”

    É fato que a Igreja dá os motivos para condenarmos o modernismo, mas a “ideologia para-conciliar” resolveu o contrário?

    Outra dúvida insanável para mim: há outra espécie de “pessoa” além da humana?!

    E nem vou abordar, à luz do pouquíssimo que eu já estudei, sobre o que significa “A adesão à pessoa de Jesus Filho de Deus”. Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

  10. Mais um jargão: agora temos o para-concílio.

    Parece-me mais uma tentativa de provar a quadratura do círculo.

    Monsenhor Pozzo é definitivamente um ratzingeriano típico: reconhece o desastre e ama a Igreja, mas não aceita chegar às consequências últimas de sua mesma constatação. Então, para salvar o Concílio, faz as mais estranhas acrobacias.

    Monsenhor Pozzo, estou longe de ser teólogo, mas, sabendo que a verdade católica já iluminou a Igreja desde o século XIX e início do século XX, através das encíclicas e bulas dos Santos Padres, e também através de documentos do Concílio Vaticano I, então pergunto:

    – Porque não reassumir estes mesmos textos infalíveis como remédio contra os erros atuais, visto que são os mesmos problemas do passado, com o diferencial de que estão apenas em outra época, mas essencialmente são os mesmos (refiro-me aos erros do liberalismo, do socialismo, do modernismo, do relativismo, das “liberdades”…)?

    – O senhor mesmo reconhece a recusa que o “para-concílio” tem em anátemas, definições claras, dogmas, etc. E porque então não se parte do essencial, da base teórica que, ao contrário do que vossa excelência diz, tem origem dos textos do concílio escritos por modernistas, conforme “advinharam” eminências do calibre do bispo de Albenga-Imperia?

    – Se é para falar clara e inequivocamente, porque então não seguir os passos de Pio VI, diante de textos ambíguos? O que fez Pio VI diante de textos simplesmente ambíguos, no Sínodo de Pistóia? E porque não reconhecer oficialmente a ambiguidade destes mesmos textos, ou fazê-los internamente, e tomar atitudes silenciosas para reverter este quadro, sem causar sensasionalismo e atrair a fúria dos modernistas?

    O sinal do apego ao Concílio é que, apesar de dar uma conclusão católica, em um certo momento ao fim do texto, Monsenhor Pozzo torna a tratar a Igreja como Sacramento, o que demonstra a recusa dos seguidores da hermeneutica da continuidade de se livrarem de termionologias dúbias e desnecessárias, que tanta celeuma trouxeram. Esqueçam, pela Graça de Deus, esqueçam, apaguem estes conceitos de Igreja “como que sacramento”, etc, etc!

    Espero que, daqui há 20 anos, estejamos finalmente diante de uma situação onde a Santa Sé possa arrumar a casa sem temor dos episcopados, visto que os padres conciliares podem ficar velhos, mas não são eternos…

  11. Concílio Vaticano II , ambíguo porque ninguém entendi ou ninguém o entendi porque ele é ambíguo ?

  12. “Monsenhor Pozzo é definitivamente um ratzingeriano típico: reconhece o desastre e ama a Igreja, mas não aceita chegar às consequências últimas de sua mesma constatação. Então, para salvar o Concílio, faz as mais estranhas acrobacias.”

    É a mais pura verdade! Há um evidente progresso em Roma quanto à constatação de que existe uma crise (vide “a primavera” da Igreja de 1970 a 1980 e a posterior diminuição no ânimo das autoridades, chegando hoje a concordar que a coisa está péssima e aceitando até discustir o CVII), no entanto não querem debelar a crise em sua raiz. O apego sentimental dos eclesiásticos ao CVII permanece e isso, creio eu, só se resolverá com o passar das gerações, com novos bispos que não tiveram participação ou contato com aqueles que participaram no CVII.

    Por outro lado, quando muitos dizem que a FSSPX vive isolada e fechada em si mesma, é sintomático ver um Padre seu não saber que MONSENHOR Pozzo NÃO é bispo, justamente ele que é, assim digamos, aquele quem a FSSPX deveria mais conhecer na cúria romana, aquele que é seu interlocutor principal em Roma!… Dom Lefebvre deve estar se revirando no túmulo ao notar a “romanitá” de seus filhos.

  13. Só uma dúvida de um fiel católico tradicional… Quem é o Sumo Pontífice, Bento XVI ou Lefebvre? Quem é infalível, o magistério extraordinário da Igreja (ex-cathedra e um Concílio Ecumênico..ah! que D. Lefebvre e Mayer participaram e assinaram) ou o ensinamento dos bispos de Êcone?
    Então poderiam parar de palhaçada que D. Lefebvre não está se revirando no túmulo coisa alguma. Deve estar muito feliz de ver suas ovelhas caminhqando para o redil da Santa Madre Igreja, sendo conduzidos peloPastor Supremo da Cristandade, o Papa, o “nosso doce Cristo na Terra”.
    Em Xto., fidelíssimo a Tradição da Igreja,
    Frederico

  14. Sobre o discurso de João XXIII que o Genderson enviou,

    Para dar continuidade no processo de destruição da Missa, tinha que ser convocado esse concílio, sem ele não seria possível, ou melhor,não será possível.
    Esse processo teria sido interrompido.
    Penso que é perda de tempo querer entender o CVII, basta estudar a história anterior a 1962 e ver, sem fazer muito esforço, a anatomia de um desastre.
    Enquanto João XXIII fazia esse discurso, Carlo Braga, Bugnini, Jungmann e o resto da turma já estavam em suas posições.

    Roberto F Santana
    robertofsantana@aol.com

  15. Salve Maria.

    Se o Papa da visão do terceiro segredo de Fátima aparece “cambaleante” – rumo à restauração, mas em meio a “tropeços” de idéias – o que dizer então de vários de seus aliados?

    Sobre a defesa que D. Pozzo faz da “correta interpretação da letra” do Concílio Vaticano II, das duas, uma:

    1) É mais uma estratégia para “acalmar” o clero modernista – que parece já se dar conta de sua futura anatematização – e para converter, “sem golpes bruscos” e no sentido de evitar um cisma formal de grandes proporções, os incautos que insistem em enxergar no CV2 um magistério válido, ainda que meramente prudencial;

    2) É sua convicção pessoal, e, trabalhando guiado por ela, quer na verdade “salvar o Concílio”. É a hipótese mais provável, a considerar que, desde o início, se vê, ao menos aparentemente, que D. Pozzo fala muito discretamente dos problemas do Concílio.

    Como quer que seja, bem se vê que Bento XVI está nas mãos dos “menos piores” para iniciar (e não concluir ainda) o combate ao modernismo. Combate este que, ao que parece, começa com paliativos sob forma da “hipótese da ideologia pára-conciliar”.

    É um sonho – e nada mais que um sonho – aventar a hipótese de o Papa confiar à FSSPX uma missão “formal” de encabeçar o combate ao modernismo. Primeiro, porque estando a FSSPX repleta de padres contrários a receberem qualquer status canônico de Roma (uns por prudencial medo de serem engolidos pelo modernismo, e outros porque desdenham mesmo da hierarquia romana), naturalmente recusaria tal liderança. Segundo, porque o clero modernista já tem se mostrado pronto a deflagrar uma reação em cadeia no caso de o Papa esboçar atitudes mais claramente combativas ao modernismo (a enxurrada de abusos e de desobediências desta fração do clero com a qual deparamos quase diariamente já tem servido de aviso).

    Enfim, resta-nos manter a esperança, não abandonar o combate e prosseguir na oração, no ensino da sã doutrina, na denúncia das heresias e na luta pela Missa de sempre. A vitória, como Nossa Senhora prometeu em Fátima, é certa, mas não virá de uma vez (basta perceber os sinais no milagre do sol: ele “ziguezagueou” ao alto, mas lentamente, por três vezes antes de voltar a se firmar no céu).

  16. Caro amigo Roberto Santana,

    esse discurdo de abertura è o sinal verde para os Padres conciliares dispensarem os esquemas preparados pela cúria romana. Quando se considera que os esquemas preparatórios foram rejeitados pela atuação das Conferências Episcopais francesa e alemã, então pode se dizer que o próprio Concílio Vaticano II, é um para-concílio. Fora isso existem muitas contradições entre o que Mons. Pozzo diz e o discurso de abertura. Principalmente no que diz respeito a questão das anatematizações e condenações de erros. João XXIII, fala em aplicação da misericórdio ao erro (dialética hegeliana) e renúncia a condenação dos erros no Concílio, “hoje os homens parecem inclinados a condená-los, em particular os costumes que desprezam a Deus e a sua lei, a confiança excessiva nos progressos da técnica e o bem-estar fundado exclusivamente nas comodidades da vida.”

    Claro que como observou nosso querido Padre Alejandro (a quem peço a benção!), os problemas são os textos conciliares, não uma ideologia para-conciliar. Mas depois de tanto tempo, ouvir um prelado falando que a Igreja não renúnciou a condenar os erros e as anatematizações, é algo surpreendente. Trovões prenunciam tempestades, esperemos que as coisas se afunilem cada vez mais, até chegarem nos textos.

    Fique com Deus.

    Abraço

  17. Frederico, então quer dizer que o Concílio Vaticano II, foi um evento realizado pelo magistèrio extraordinàrio da Igreja, um pronunciamento ex-cathedra?

  18. Caro Gederson,

    PAX!

    O CVII não é um ex-chatedra, mas um Concílio Ecumênico convocado e promulgado por um Papa legítimo e válido e aceito pelos seus sucessores, constituindo, um Magistério Extraordinário e, portanto, infalível. Todo Concílio Ecumênico convocado e promulgado pelo Papa, no qual os prelados em comunhão com o Papa deliberam sobre a Igreja (mesmo que tenha um cunho pastoral), é, assim como o ex-cathedra, Magistério Infalível.
    . Mesmo que seus textos sejam fracos ou dúbios, assim como foi Niceia, Constantinopla… O grande são Gregório Nazianzo, doutor da Igreja, virou as costas para o concílio de Constantinopla, pq não explicitava como deveria o dogma trinitário. Mesmo assim, professamos até hoje como profissão da verdade de fé revelada o credo niceno-constantinopolitano. Por que mesmo não expressando como deveria a fé na Trindade, recitamos o credo? Muito simples, o inserimos dentro da Tradição da Igreja. Se o CVII tem seus textos fracos, se os prelados que dele participaram não eram santos, basta interpretá-lo na grande Tradição da Igreja como continuador de Niceia, Constantinopla… Latrão, Trento, Vaticano I. Em uma palavra: hermenêutica da Continuidade.
    Meu caro, recomendo um estudo mais acurado sobre a história dos concílios e verás que Trenta só foi Trento pq houve 18 concílios ecumênicos e tb infalíveis antes. Assim, devemos entender o CVII na continuidade eajudar o Papa no trabalho de restauração da Igreja, de modo a expuldar a fumaça de satanás.

  19. ” Se o CVII tem seus textos fracos, se os prelados que dele participaram não eram santos, basta interpretá-lo na grande Tradição da Igreja como continuador de Niceia, Constantinopla… Latrão, Trento, Vaticano I. Em uma palavra: hermenêutica da Continuidade.”

    Hummm… então seria como querer que o óleo, por ser líquido, se misture com a água???

    É, Frederico, acho que não dá pra ter uma ‘hermenêutica da continuidade’ no VII, visto que muito do que foi deliberado nele já havia sido condenado pelos papas anteriores. De Lubac, Von Balthazar, Küng, Rahner… essa turma que vc já conhece, já estava sob censura e, de repente, não mais que de repente, foram os ‘condutores teológicos’ do Vaticano II… Olha aí o óleo misturado, ou melhor, querendo se misturar à água!!!

  20. Caro Frederico,

    Viva Cristo Rei! Salve Maria!

    Mas os próprios Papas Conciliares em um pronunciamento extraordinário, disseram que a modalidade de autoridade do Concílio Vaticano II, é pastoral. No entanto, o que é pastoral? Qual a definição magisterial, para esta modalidade de autoridade?

    Auto lá com as comparações! Os Concílios de Nicéia e Constantinopla, reproduzem em seus textos os esquemas de anatematizações e cânones. Você esta querendo dizer então, não que os textos de um e outro Concílio sejam fracos, mas sim que seus cânones e anatematizações são fracos, isso é diferente. Pelo que seu os cânones e anatematizações do Concílio de Nicéia, são claros, mas os do Concílio de Constantinopla tem algum problema, pois a princípio este Concílio foi convocado para ser um Concílio Regional, só depois com a aprovação papal, veio se tornar um Concílio Ecumênico. O Vaticano II, pelo que eu sei, é o primeiro Concílio Ecumênico de que se tem o conhecimento de não ter utilizado os cânones e anatematizações. Além disso, se dermos crédito a sua teoria (ou do Padre Paulo Ricardo?), temos que considerar que os Padres de Nicéia e Constantinopla, possuíam uma filosofia clara, forte e inequívoca, como a filosofia de Santo Tomás de Aquino. Filosofia que foi utilizada no Concílio Vaticano I que tem em seus textos uma linguagem clara, forte e inequívoca, ao contrário do Concílio que se apresenta como seu continuador, que parece até mesmo anti-tomista. São Gregório de Nazianzo, é grande, mas maior do que ele é o Papa. Eu não conheço a história de São Gregório Nazianzo, mas não parece que ele abraçaria sua concepção particular, em detrimento do juízo da Igreja. Além dessas considerações, ainda deve se considerar que os textos não tinham tanta importância para os Pais da Igreja, como o ensinamento oral. Justamente por isso, o primeiro Concílio convocado para definir o cânon biblico, só foi realizado em 363 e os Concílios subsequentes, foram todos regionais. Agora, em um período em que nem mesmo os textos da Sagrada Escritura tem a importância que tem hoje, os textos dos Concílios Ecumênicos, seram tão importantes quanto aquilo que neles se ensinou oralmente?

    Mas se a solução é tão simples, porque não se inseriu o latrocínio de Éfeso, na “grande tradição” da Igreja?

    Você esta defendendo que o que fez os Concílios da antiguidade darem certo, foi a hermenêutica da continuidade?

    A maioria dos participantes do Concílio Vaticano II, são membros da Nova Teologia. Os documentos do Vaticano II e os documentos magisterias produzidos após o encerramento conciliar, são produção desta nova teologia. Os membros dessa Nova Teologia, brincavam de contrapor a escolástica a patrística, assim, a mim me parece natural a contraposição entre o “subsist in” da nova teologia e o “est” da filosfia tomista para se definir a Igreja. Como também é natural a contraposição entre todo o Concílio Vaticano II e a Humani Generis. Nesta contraposição começa a hermeneutica da ruptura!

    Não sou eu que preciso de um estudo mais acurado, mas você meu caro. As teses que você defende são indefensáveis, pelas razões expostas acima. Nenhum dos 20 Concílios Ecumenicos da Igreja se declararam pastorais, porque pastoral é uma invenção moderna para qual não existe definição magisterial. Com todo respeito, só um liberal pode defender a passagem do “Est” para o “subsist in”, através da hermenêutica da continuidade. Aliás, se você observar do primeiro ao último homem darwiniano, existe uma NOVIDADE NA CONTINUIDADE.

  21. Muito bem observado Jorge Luis! O Concílio de Nicéia, não se encerrou com os posicionamentos Ariano, semi-ariano e Trinitário, da mesma forma o Concílio de Constantinopla, não se encerrou com três posicionamentos. Mas o Vaticano II, se encerrou com o modernismo, semi-modernismo e com o tradicionalismo católico. Mas na Igreja não existe lugar apenas para o joio (semi-modernistas) e o trigo (tradicionalistas), então o que fazem na Igreja, os três posicionamentos da Igreja?

    Quanta a restauração sr. Frederico, o dia que o Papa celebrar publicamente a Missa Tridentina, estará restaurado o princípio da autoridade na Igreja. Não há como ajudar o Papa, em algo que compete apenas a ele fazer sozinho.

    Fiquem com Deus.

    Abraços

  22. PAX!

    Pois bem, meu caro Jorge, mas o Espírito santo é a alma da Igreja e sabe, mesmo em meio a tudo, manter a fidelidade da Igreja a Cristo. Não esqueça que esses teólogos influenciaram o CVII, mas não promulgaram os documentos. todos foram assinados pelo Papa e pelos prelados, inclusive D. Lefebvre e D. Antonio – seus nomes constam na aprovação, por exemplo da Sacrosanctum Concilium. O que se percebe, portanro, que a problemática não está tanto nos textos, mas nas suas aplicações e interpretações no pós 1968, quando a mentalidade revolucionária se instarou na Igreja (fumaça de Satanás) . Neste momento entra o magistério ordinário da Igreja dando a explicação correta dos textos conciliares, como por exemplo a Dominus Iesus, explicitando a natureza da Igreja Católica e afirmando a verdadeira fé da Igreja bimilenar de Croisto que É a Santa Madre Igreja Católica, diante da interpretação herética do dúbio “subsist in”…., etc. Portanto, meu caro, é até bíblico: o joio sempre vai estar com o trigo até o juizo final; na barca de pedro vai ter peixes bons e doentes, uma vez que dentro do próprio colégio apostólico escolhido pelo Cristo havia um traidor, tomado por Satanás. Mas, as forças do inferño não prevalecerão!

  23. “Não esqueça que esses teólogos influenciaram o CVII, mas não promulgaram os documentos. todos foram assinados pelo Papa e pelos prelados, inclusive D. Lefebvre e D. Antonio – seus nomes constam na aprovação, por exemplo da Sacrosanctum Concilium.”

    Há algumas coisas que devemos considerar neste seu ‘testemunho’, Frederico:

    1) Realmente não foram eles (os teólogos) que promulgaram os documentos do VII, mas sem dúvida eles tiveram participação ativa na confecção dos documentos e, com o apoio de seus ‘discípulos’ (os bispos simpáticos a suas ‘novas’ idéias), passaram o rolo compressor sobre os demais. É pública a história de bispos mais conservadores que eram ‘amordaçados’ pelos entusiastas da Nova Teologia, quando estes se pronunciavam contrários a certas ‘novidades’ que surgiam nos documentos conciliares. É pública a intervenção de Dom Helder Camara, um dos que introduziram os ‘hereges’ e suas idéias no Concílio.

    2) Talvez vc esteja se confundindo, caro Frederico. Pois, como noticiado em inúmeros sites insuspeitos, sem ligação com a FSSPX, que me permita reproduzi-los:

    a) Rádio Vaticana: “Cidade do Vaticano, 10 jan (RV) – Dom Marcel Lefèbvre, o arcebispo francês já falecido, que originou o cisma tradicionalista, assinou apenas alguns dos documentos do Concílio Vaticano II, do qual havia participado, mas se negou a subscrever os dois mais relevantes: a constituição pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo de hoje, e a declaração Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa.Foi o que precisou Pe. Fausto Buzzi da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada pelo próprio Dom Lefèbvre, desmentindo a notícia divulgada pela revista italiana “Panorama”.

    b) Veritatis Splendor: “Marcel Lefebvre (1905-1991) se opôs, durante o mesmo Concílio Vaticano II, à colegialidade episcopal, à relação da Igreja com o mundo, à liberdade religiosa. Não assinou a Constituição Dogmática Gaudium et Spes nem a Dignitatis Humanae.”

    E vc afirma categoricamente que ele e Dom Castro-Mayer assinaram a aprovação da Sacrossantum Concilium… quando a Rádio Vaticana afirma: “assinou apenas alguns dos documentos do Concílio Vaticano II, do qual havia participado”. Seria você então capaz de afirmar veementemente que um destes ‘alguns documentos’ seria a Sacrossantum Concilium? Estaria você presente ao evento, ou teria fac-símile destas assinaturas???

    Para não ficar nas discordâncias, você tem total razão em afirmar que o joio habita com o trigo. Sim, mas não nos devemos deixar influenciar pelo joio, nem tampouco se alimentar dos peixes podres.

    Não é por ser bíblico que devemos ser condescendentes, complacentes com a hereisa e o erro. Aliás, se a linguagem fosse clara, com certeza seria impossível dar-lhe interpretações heréticas. Este foi o legado dos ‘teólogos’ que influenciaram a ambiguidade e ainda hoje tentam fazer de um concílio ‘pastoral’ um ‘superconcílio’, superior a todos os demais.

    Pax Christi!!!

  24. Caro Jorge Luis,

    o testemunho de Dom Lefebvre, na nota 63 do trabalho “A Declaração “Dignitatis Humanae” é compatível com a doutrina católica tradicional? Vejam:

    Possuímos algumas cartas de Mons. Lefebvre a esse respeito. Eis alguns trechos:

    “Que ela (a santíssima Virgem) confunda aqueles que, por suas mentiras e malicia, tentam por todos os meios nos humilhar e nos fazer passar por mentirosos ou “gagás”! (…) Se nós dois tivéssemos morrido, Mons. De Castro Mayer e eu, seria fácil nos fazer passar por mentirosos, mas enquanto estamos vivos, é um pouco temerário. Eles podem pensar o que quiserem, jamais poderão convencer que votamos no Concílio diversos documentos junto com os demais, e não poderão jamais provar que “non placet” significa “placet”. Os Padres do Concílio não teriam jamais aceitado que a maneira de votar seja de tal modo ambígua, que se possa depois fazer que aqueles que disseram “não” pareçam ter dito “sim”. Não se tratava de uma reunião de imbecis!

    … É preciso uma forte dose de desonestidade para se lançar a tarefa de provar que o ”non placet” dos Padres do Concílio terminou por se tornar um “placet”. Por que não o contrário? É preciso muita convivência com espíritos tão desviados como os do Pde. * e do Pde. De *, que provam por sua própria atitude que o seu ”placet” pode vir a tornar-se um “non placet”, ou inversamente”. (14 de junho de 1990). —

    “A lista e as assinaturas dos Padres cujos nomes se encontram no volume IV, parte VII, pág. 804 dos documentos do Concílio indicam apenas os Padres que estavam presentes (ou representados N. de Le Sel de la Terre) em São Pedro quando foram sucessivamente apresentados os 4 decretos (sobre a Liberdade religiosa, sobre a Atividade missionária, o Ministério dos padres, a Igreja no mundo). É necessário má-fé para interpretar essas assinaturas como se fossem aprovações ao conjunto dos 4 decretos. É absurdo pensar que se possa assinar, aprovar ou recusar 4 decretos a um só tempo. (…)

    É evidente, e nós sempre afirmamos, que Mons. de Castro Mayer, Mons. Sigaud e eu mesmo votamos contra a Liberdade religiosa e a Igreja no mundo.

    Ao nos fazer passar por mentirosos, ao falsear os documentos, pode-se julgar a desonestidade do P. de… e dos que se apressaram em reproduzir estas mentiras.. (1 de junho de 1990). —

    “Deus é testemunha de que sempre recusamos assinar estes dois decretos. Se alguém pode lembrar-se disso, este alguém sou eu e não estes jovens que mal haviam nascido nos tempos do Concílio…!. (20 de abril de 1990).

    http://www.permanencia.org.br/drupal/node/974#footnote63_63rrsfz

  25. Caro Bruno,

    suas colocações me fizeram pensar uma coisa interessante. Os documentos magisteriais pré-conciliares, não são compostos por textos fracos ou obscursos, são documentos que transmitem a doutrina católica de forma clara, forte e inequívoca. Assim, porque os textos do Concílio, não seguiu esta precisão linguistica dos documentos que o precederam? Em si mesmo, o abandono da linguagem magisterial clara, forte e inequivoca, não é, uma ruptura?

    Fique com Deus.

    Abraço

  26. Frederico,

    Um concílio só pode constituir Magistério Extraordinário quando é convocado ou apoiado pelo papa, e quando seus decretos são publicados de forma definitiva, encerrando uma questão através do ensino claro da verdade combinado aos anátemas contra os que se opõem à mesma.

    A autoridade dos ensinamentos do Vaticano II jamais envolveram infalibilidade, pois Paulo VI, falando acerca do grau de autoridade dos ensinamentos conciliares, deixou claro que houve uma recusa consciente de se proferir dogmas e condenações – coisas típicas de concílios dogmáticos, coisa que o Vaticano II sempre se jactou de não o ser.

    Logo, Magistério Extraordinário nunca foi o resultado do Vaticano II. Nunca foi porque jamais envolveu dogma, nunca envolveu obrigação absoluta de acatamento de seus ensinamentos (já que não é doutrina, mas exortação, proposta…) e nunca condenou coisa alguma…

    Sendo assim, não há nem sequer magistério, quanto mais Magistério Extraordinário!

    Hoje em dia tentam insinuar que seria uma espécie de Magistério Ordinário… Mas o problema é que em vários pontos o mesmo concílio entra em conflito com o magistério ordinário anterior.
    Até mesmo teólogos como D. Estevão Bettencourt em um dado momento reconheceram que o Syllabus, por exemplo, era um documento que exprime um típico caso de Magistério Ordinário.

    Então, o que fazer diante de dois ensinamentos contrários? Rejeitar os ensinamentos pré-conciliares como obsoletos? Mas fazer isso é admitir que o Magistério Ordinário é descartável, que mudam de acordo com as circunstâncias.

    Manter-se apegado ao Magistério pré-conciliar, magistério de 1960 anos parece mais sensato, pois basta comparar o que foi dito em 1960 anos. O que destoar do Concílio para cá, rejeitamos. O que concordar, acolhemos.
    Isto é o que faz a FSSPX, que prefere, diante de duas realidades que clamam por um partido, ficar do lado da mais de 200 papas, santos e teólogos…

    A terceira posição – a de se aceitar simultaneamente os dois ensinamentos, é justamente a da hermeneutica da continuidade, que não quer abrir mão nem dos ensinamentos de sempre, e nem das declarações pastorais, que infelizmente em certos pontos mostra que só têm razão de ser de acordo com a lógica modernista.

    Só uma observação: a indisposição de São Gregório Nazianzeno em relação ao Concílio que o mesmo participou se deu por mentirem contra a Trindade, ou por terem dito ou escrito algo de duplo sentido contra a mesma, ou por ter considerado que não se tratou do assunto de forma mais perfeita (como a Santíssima Trindade mereceria)? A depender da resposta, faz toda a diferença…

  27. Gostaria de chamar a atenção para uma notícia passada veiculada no Fratres in Unum:

    https://fratresinunum.com/2010/02/24/monsenhor-guido-pozzo-a-exclusividade-do-rito-tradicional-e-o-concilio-vaticano-ii/

    Nela, mons. Pozzo ao menos detalha um pouco mais os tais diversos graus de autoridade dos documentos do Vaticano II, e reconhece que nenhum eles obriga a consciência ou a adesão de nenhum católico. Mas, infelizmente, o cambaleante e diplomático Pozzo é o mesmo. Muito oportunos também os comentários em sede esse artigo, sobretudo aquele primeiro, da lavra do Sr. Marcus Pimenta.

  28. Lembrando – oportunamente – a alguns as sábias palavras de uns santos sobre o papa:

    “Nem devem alegar — como fazem com incrível leviandade — que o Papa, quando não fala ex cathedra, é um simples doutor privado sujeito a erro. É já arrogância desmedida julgarem que o Papa se engana e eles não.” São Josemaria Escrivá

    “Como hei de saber se um Bispo, se um Padre são na verdade, os representantes do Sumo Pontífice e os depositários da autoridade católica? Perguntando simplesmente ao Bispo: Fostes nomeado pelo Papa? Estais unidos ao Papa? Trabalhais com o Papa? Se a resposta for afirmativa, então ele será para mim o Papa ensinando, santificando, governando a Igreja – será a própria Igreja. Perguntando ao Pároco: Fostes nomeado pelo Bispo? Trabalhais com ele? -Sim. Então este é o pastor legítimo, que tem a Fé da Igreja e a graça de Jesus Cristo…”. (A DIVINA EUCARISTIA – Vol.5, Parte III, pag.103-105).