A bússola e o ímã.

DICI – No fim de agosto, vários eclesiásticos, ex-alunos do Professor Joseph Ratzinger, encontrar-se-ão em Castel Gandolfo para refletir sobre a hermenêutica do Vaticano II, em outras palavras, para discutir a maneira correta de interpretar os documentos daquele Concílio. Em março passado, as conferências quaresmais na Catedral de Notre-Dame de Paris descreveram o Vaticano II como “uma bússola para o nosso tempo”. Isso levanta uma questão inocente: é possível interpretar a direção indicada por uma bússola? Se ela indica ao norte, como toda boa bússola sabe fazer, que comentário é necessário? Ela fornece uma informação precisa que deve silenciar toda discussão: aqui está o norte e todo o resto é supérfluo!

E daí uma segunda pergunta inocente: por que, por quase cinquenta anos, o Concílio Vaticano II tem sido objeto de tantas leituras ou releituras divergentes ou mesmo contraditórias? Elas falam sobre descontinuidade e ruptura, sobre renovação na continuidade e continuidade na mudança… As opiniões se chocam e os espíritos parecem desorientados!

A resposta é dada pelo fato de que a agulha da bússola não aponta mais ao norte quando se submete a uma atração externa: um ímã pode fazê-la desviar-se ou até comportar-se de maneira descontrolada. Enquanto pretende ser aberto ao espírito do mundo moderno, o Concílio Vaticano II sujeitou-se à força de uma atração externa à Igreja. A fim de reencontrar o norte, teria de ser libertado da influência desse ímã. E, para isso, não há necessidade, de modo algum, de uma hermenêutica; São Paulo o disse de maneira francamente suficiente: “Não vos conformeis a este mundo” (Romanos 12:2)

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16 Comentários to “A bússola e o ímã.”

  1. É o papa que deve apontar o norte.
    E, lembrando o amigo Genderson:
    “… o dia que o Papa celebrar publicamente a Missa Tridentina, estará restaurado o princípio da autoridade na Igreja…”
    O dia que acontecer isso, modernistas e sedevacantistas irão afundar com suas bússolas tortas e sextantes enferrujados.

    Roberto F Santana
    robertofsantana@aol.com

  2. Lembrei-me de imediato das palavras de Nosso Senhor:
    “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.”

    E quanto à argumentação de reencontrar o norte através de hermenêutica, é patente que isto é uma manobra para dissimular e criar vãs expectativas. O que se deve mesmo fazer é extirpar, desarraigar, extinguir, extrair esse iníquio imã.

    Na mesma leitura acima, precede a fala de Nosso Senhor sobre a imeadiata consequência do Seu Santo Sacrifício: “agora será lançado fora o príncipe deste mundo.”

    Portanto, continuemos e revigoremos o ânimo na luta pela restauração da Santa Missa…

    …quare tristis es anima mea, et quare conturbas me?

  3. CVII: O pulso, ainda pulsa!

    O Concílio Vaticano II no contexto de toda a Igreja Católica choca-se com a Tradição. Mesmo após o tempo preconizado, ainda surgem releituras e discussões acerca do problema.
    Uma coisa é certa, o Espírito Santo agiu no CVII e de maneira muito sábia: não permitiu que o mesmo fosse dogmático!!! Caso contrário estaríamos perdidos.
    A fé católica nunca sofreu tantos abalos como nos últimos 50 anos. As grandes heresias não foram capazes de rachar as paredes da Igreja, como os derivados do concílio. Essa situação, mesmo sendo resolvida no médio prazo deixará sequelas e sicatrizes profundas na nossa fé!
    Manter a fé católica é hoje um desafio muito maior do que discutir e interpretar o Concílio Vatico II. Vivemos uma época em que a tecnologia da informação nos torna mais próximos e atualizados, além de sermos considerados “a geração do conhecimento”. Meu Deus, quão difícil é entender que o CVII não tem jeito… Não adianta insistir!!!
    Devemos entender que logo ele morrerá, já está em fase terminal! Não precisamos desligar os equipamentos, mas suspendam os medicamentos sedativos deste que é o pior concílio entre todos!
    Agonie vampiros modernistas, o sol está prestes a raiar! Logo amanhecerá!!! A escuridão e as trevas darão lugar à luz da Igreja!
    Viva a Tradição!

  4. Um concílio que dá margem a diversas interpretações, uma mais absurda que a outra não merece ser levado à sério! Ou ele mostra e reafirma com fidelidade aquilo que a Igreja ensina desde os tempos apostólicos ou é apenas uma reunião de senhoras para jogar baralho, com direito a cházinho, biscoitos e fofocas, descompromissadamente.
    Essa mania de querer atribuir ao concílio do Papa João uma autoridade e peso que não tem, justamente por ser pastoral, num tempo em que pastores já não tem preocupação com o rebanho, é dar murros em ponta de faca.
    Nos seus extertores ainda querem lhe dar uma sobrevida. No seu desespero mandam o moribundo para o SUS. Morte que será nada gloriosa para quem quis obscurecer a glória da Igreja.

  5. http://indexbonorvm.blogspot.com/2010/08/nao-nos-deixemos-enganar-nao.html

    A bússola ainda precisa se afastardas interferências exógenas, isto é, um certo espírito de conformismo – mesmo que as palavras digam ma coisa, vejamos o que os atos nos indicam.

  6. Caro Marcus,

    É de nos entristecer a foto do link disponibilizado por vc. Ruim em si, e péssimo porque dá um ar de autorização para coisas semelhantes, como dá conta a nona nota do seguinte link:

    https://fratresinunum.com/2009/04/29/curtas-da-semana-6/

    Convicção de Bento XVI ou ciladas diplomáticas às quais o papa seria submetido por modernistas infiltrados na cúria romana? Não se pode saber ao certo. De qualquer forma, como o Fran citou:

    “…quare tristis es anima mea, et quare conturbas me?”

    Já sobre a hermenêutica da continuidade, ainda que algumas ambigüidades possam ser eliminadas ou mitigadas com notas católicas de autoridade suprema, nem tudo se pode salvar com elas (como foi o caso da Dominus Jesus). Sobre isso, monsenhor Ignácio Barreiro resumiu com maestria: que se mantenha o que seja [na letra Vaticano II] ortodoxo, que se reformule o que seja ambíguo, e que se estirpe o que seja errôneo.

    Abraços,

    Antonio

  7. Isso aconteceu também com outros Concílios.

  8. Para começar, e”x”tirpemos o erro ortográfico acima.

  9. Antonio, meu amigo, não leve este falastrão aqui a mal, mas D. Lefebvre definiu a questão de forma definitiva – algo + ou – assim: O que querem nos oferecer (o CV-II) é uma sopa com uma gota de veneno; e querem que digamos que continua sopa!
    Ora, a gota de veneno alterou a essência da sopa: ela não é mais sopa, mas veneno apesar das aparências.
    Acho que o CV-II, impregnado como está de modernismo, não pode ser “aproveitado”; somente em caráter negativo: tudo aquilo que um concílio NÃO pode ser e fazer.

  10. Rafael,

    Você poderia, por favor, dar as fontes das obras que relatam situação semelhante?

    Um abraço.

  11. Na verdade se não tivesse acontecido tanta barbaridade através de um Concílio mal interpretado não estaríamos aqui gastando nosso latim. Não usaram a bússola quando deveriam por isso a liturgia ficou à deriva.

  12. Nos outros Concílios ainda tinham grandes santos para ir lá, meter o pé e resolver. O que temos hoje?

    A “beleza” de botox de um, rap dos bispos, ameaçam o Papa se celebrar a Missa verdadeira vão fechar a diocese… troca logo essa bússula por um GPS, ai pega endereços de lojas maçônicas e essa gente da plena comunhão acorda…

  13. Ferreti,
    E aí, tá sabendo do artigo da FSSPX?
    http://www.fsspx-brasil.com.br/

    Roberto F Santana
    robertofsantana@aol.com

  14. Prezado Morse

    Não foi a “bussola” que foi mal usada, mas, sim, deixou-se aproximar do imã do liberalismo o que a descontrolou. Somente quando se retomar o leme da Tradição é que a bússola terá seu norte normalizado e guiado pelo Papa entrará em águas que, mesmo turbulentas, serão seguras. Nosso Senhor é aquele que dorme no fundo da barca e aguarda Pedro pedir no meio da tempestade: “Senhor, salvai-nos, porque perecemos”

  15. A Biblia atè hoje è a bussola dos seguidores de Lutero…

  16. A grande questão da bússola, é que a tradição esta voltada para o oriente, mas eles querem ir para o norte em direção a ciência ou oeste em direção ao homem nas celebrações da Missa pré-fabricada…