Os radicais.

“Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.” (Mateus 5,37)

Por Marcela A. de Castro

Mater boni consílii, ora pro nobis.

Mater boni consílii, ora pro nobis.

– Estive com ele recentemente num encontro de bispos da Regional Noroeste, um sujeito simpático e agradável. Gostei muito da maneira como ele se portou durante o encontro. Ele não é como aqueles radicais que ficam o tempo todo criticando o Papa, a reforma litúrgica e atacando os bispos. – comentou Dom Januário.

– Eu também ouvi falar muito bem dele. É verdade que o senhor vai convidá-lo para celebrar uma Missa Solene aqui em Pato Dourado, Dom Januário? – indagou o padre Márcio Cordeiro de Farias.

– Ah, sim. Estive pensando no assunto. É bom que o chamemos para que esse grupinho da Missa Tridentina saiba exatamente como devem ser as coisas. Dom Valentino Martins Pereira é um exemplo pra essa garotada com mania de missa antiga que fica criticando a reforma litúrgica.

– Um amigo meu me contou que no ano passado ele participou do Festejai 2009 e que o achou muito bem humorado.

– É, mas ele mudou muito, há uns quinze anos ele ainda era padre e falava muito mal da Missa Nova e do Concílio. – interveio Irmã Beatriz, que acabara de entrar no gabinete de Dom Januário com alguns cheques para ele assinar. – Eu conheci o bispo dele na época. Dom Carlos de Albuquerque era um homem muito sério e correto. Infelizmente, teve uns problemas com o Papa. Acho que foi porque ele era durão demais.

– Irmã Beatriz, as pessoas mudam com o tempo. – explicou Dom Januário. – Felizmente, algumas mudam para melhor, percebem que não podem manter uma postura muito rígida e que os tempos são outros. E esse foi o caso de Dom Valentino. De que adianta ficar batendo de frente com tudo mundo?  O diálogo é a melhor solução.

– Concordo. – aquiesceu padre Márcio. E, além disso, temos que estar com o papa. Roma locuta, causa finita!

* * *

– Bom, meus filhos, isso não me surpreende tanto assim, pois, afinal de contas, ele já vinha dando sinais de mudança há muito tempo. Não podemos dizer que ele mudou da noite para o dia. – comentou o Sr. Rogério Augusto empurrando os óculos acima do nariz.

– Eu tô pasmo! – exclamou Silvio. – Ele fala da Missa Nova com a maior candura do mundo, como se não tivesse problema algum com ela. Parece que ele se esqueceu completamente dos escritos de Dom Carlos de Albuquerque e do que ele mesmo costumava defender de maneira tão destemida há apenas uma década.

– Por falar em nota de rodapé, tive a impressão que ele as pegou todas como faz um pizzaiolo com o queijo ralado e saiu espalhando indistintamente por sobre a massa do texto. A grande maioria delas vem de motu proprios recentes. Nem uma vezinha ele mencionou os estudos do Cardeal Ottaviani. E por mais incrível que pareça, ele menciona Dom Carlos de Albuquerque para corroborar a posição contrária. O coitado deve estar se revirando na tumba. – acrescentou João Marcos.

– O famigerado Bugnini só foi mencionado de raspão numa nota de rodapé mixuruca. – lembrou Ricardo franzindo a testa.

– Tudo bem que todo mundo sabe que ela é válida. Não precisava ele passar o livro todo repetindo essa lenga-lenga de validade, o problema é bem outro. – disse Silvio.

– Fiquei bolado com esse papo de “paz litúrgica” prá lá e pra cá. Isso me dá nos nervos. – disse José Marcos. – Parece que agora temos que dizer o tempo todo que somos bonzinhos e que não vamos nos zangar com quem acha que somos fundamentalistas.

– O que me chocou é que ao falar da Missa Nova ele se deteve exclusivamente no aspecto canônico. Parece que só se pode falar da Missa Antiga e da própria Missa Nova depois do Summorum Pontificum. Ele simplesmente ficou mudo quanto aos problemas teológicos da missa nova. O Concílio então virou tabu. Para ele, especular se houve uma rupturazinha com a Tradição em um ou outro documento conciliar virou pecado mortal. Parece que ele quer ficar bem com todo mundo. E a tal da missa nova celebrada corretamente conforme desejou o Concílio? Será que alguém sabe onde podemos encontrá-la? – indagou Rubinho com uma risada sarcástica. – Aqui em Pato Dourado certamente que não.

– Bom, meus filhos. Temos que considerar que ao falar da Missa Antiga Dom Valentino se expressa de maneira muito correta sobre a preservação da sã doutrina. O capítulo da Comunhão na boca é muito bom. Ele fala da reverência para com Nosso Senhor e que esta é uma maneira de impedir profanações. Ele diz que a missa antiga é odiada pelos protestantes e que nesta o aspecto do sacrifício está mais bem enfatizado. Talvez se possa ver aí uma crítica velada à Missa Nova. – disse o Sr. Rogério contemporizando.

– Então, por que ele não falou o contrário ao abordar a recepção da Comunhão na missa nova e ficou só nos aspectos histórico e jurídico de se receber a Comunhão na mão e de pé? Achei isso muito estranho. – concluiu Silvio.

– Bom, não sei se vocês repararam, mas ele engoliu direitinho essa estória de duas formas do mesmo rito romano. Tudo bem que o nosso amado Papa se saiu com essa na carta para os bispos. Nós até entendemos que o Papa pisa em ovos ao se dirigir aos modernistas, mas é estarrecedor que um clérigo que celebra a Missa Antiga há tantos anos fique repetindo essa estória. Mais um nome para confundir as pessoas. – lembrou Catarina.

– O que, cá pra nós, eu achei um pouco estranha foi a explicação para a famosa frase de Paulo VI, de que a fumaça de Satanás havia entrado na Igreja por uma fresta. – disse o senhor Rogério.

– E, afinal, qual seria a explicação dele? – indagou Catarina.

– Ele cita um prelado que interpretou a frase como sendo os clérigos que celebram mal a Missa, fora dos conformes.

– Essa não! – exclamou João Marcos. – Eu nunca tinha ouvido essa explicação antes. Eu sempre pensei que se tratasse do contexto geral de modernismo depois do concílio.

– Epa! Alguém tá tocando a campainha, deve ser o padre Florêncio. – disse Silvio, levantando-se para ver quem era.

O novo livro de Dom Valentino Martins Pereira, “Novas Perspectivas Litúrgicas”, certamente, estava causando perplexidade entre os católicos tradicionais, e o grupo de Pato Dourado não escapava. Naquela tarde morna de sexta-feira lá estavam eles reunidos na casa do senhor Rogério para tentar entender as mudanças ideológicas do bispo de Pintangueiras. Reuniam-se ao menos a cada quinze dias para rezar o Terço e partilhar alguma leitura da vida dos Santos, escritos dos Papas ou algum tema litúrgico.

Padre Florêncio, um padre idoso que amava o Rito Antigo, e, por isso mesmo, colocado no freezer pelas autoridades diocesanas, era o participante mais distinto. Todos o aguardavam ansiosamente para saber o que ele achava de tudo aquilo. Depois da reza do Terço uma chuva de perguntas cairia sobre a cabeça do bondoso sacerdote.

* * *

Os primeiros raios de sol refulgem sobre a lagoa de Pato Dourado. Corredores e ciclistas inalam o ar fresco da manhã e o devolvem à atmosfera através de sorrisos e expressões de contentamento.

É preciso pedalar, pedalar, pedalar, e ajeitar o turbilhão de pensamentos que lhe vem à mente, obter clareza e equilíbro. Silvio ficara acordado na cama até tarde da noite pensando nos comentários feitos na casa do senhor Rogério. Sentia-se frustrado e perplexo com a mudança de postura do bispo de Pitangueiras. Há dois anos começou a cogitar a possibilidade de entrar para um seminário. Pensava que talvez Nosso Senhor o estivesse chamando para uma vida consagrada e de total entrega a Deus e a Sua Igreja. Sabia que se entrasse para o seminário de Pato Dourado ou até mesmo da diocese vizinha suas chances de desenvolver um apostolado verdadeiramente católico redundariam num tremendo ostracismo, tal como ocorrera com o pobre padre Florêncio.

“Todo mundo curtindo a manhã ensolarada ao redor da lagoa e eu aqui embatucado com o modernismo do seminário de Pato Dourado, com a diocese de Pitangueiras e as ambigüidades do Concílio. O mundo é bizarro! Melhor seria se eu fosse apenas um católico comum, freqüentador feliz e despreocupado da missa nova. A essa hora não estaria esquentando a minha cabeça”, refletiu Silvio.

“Mas o que será que Deus quer que eu faça? Se for para o seminário de Pitangueiras, não poderei contradizer Dom Valentino. E se eu for para a França? Lá, pelo menos, haveria três possibilidades. Mas eu não falo francês tampouco tenho grana para viajar e pagar o dote do seminário. O salário da loja de autopeças mal dá para pagar as despesas básicas. Tô lascado! Será que teria que ir para a Argentina?” indagou-se.

“O padre José Leite, de Taboão da Serra, consegue ser diocesano e celebrar a Missa Gregoriana todos os dias. Mas deixa estar que o pobre sofre um bocado; é criticado até pelos outros padres. E eu não sou nem de longe forte, santo e corajoso como ele. Ai, meu Pai!”

A realidade é que Silvio, um belo rapaz de 20 anos, que morava com seus pais e irmão mais novo na periferia de Pato Dourado, estava cada vez mais preocupado com a sua vocação; indagava-se como poderia concretizá-la. Terminara o ensino médio há dois anos e trabalhava como vendedor em uma modesta loja de autopeças. Sentia-se isolado e sem saber a quem recorrer. Freqüentara uma ou duas reuniões do serviço vocacional diocesano e saíra apavorado e perplexo com a declaração do coordenador, frei Ambrósio de Oliveira, que dissera em alto e bom som que, “depois do Concílio Vaticano II, a sua ordem compreendera que não devia mais rezar pela conversão dos judeus, mas sim para que fossem bons judeus”. Acompanhava atentamente os acontecimentos e discussões sobre a Missa Tridentina nos blogs de notícias católicas e participava fielmente das reuniões quinzenais na casa do senhor Rogério. Por ora, buscava apoio em seu piedoso mentor, o padre José Leite Prado da Silva, que celebrava a Missa Gregoriana na diocese vizinha. Este aconselhara-o a rezar o Terço todos os dias, a fazer Adoração Eucarística e se recomendar aos cuidados daquela que era a Mãe do Bom Conselho.

* * *

Os nomes dos personagens e os fatos narrados neste conto são fictícios, qualquer semelhança é mera coincidência.

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47 Responses to “Os radicais.”

  1. Excelente!
    Tinha que pegar tudo e fazer um filme.
    Uma tremenda carapuça que serve na cabeça de muita gente.
    Parabéns!
    Continue!

    Roberto F Santana
    robertofsantana@aol.com

  2. [“Os nomes dos personagens e os fatos narrados neste conto são fictícios, qualquer semelhança é mera coincidência”]…

    Bota coincidência nisso… não digo dos nomes, mas dos fatos… uau…

  3. Paz e Bem!
    Alguém aqui conhece Dom Valentino Martins Pereira Rifan? Ele lançou um livro recentemente sobre a Missa.
    E Dom Carlos de Albuquerque de Castro Mayer?! Esse sim um grande bispo!!
    Opa, qualquer semelhança é mera coincidência…

  4. Com razão a advertência final de qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
    Como dei gargalhadas !!!!!!! E olha que eu não li o livro de D. Valentino. Perder tempo pra que ???
    Depois que inventaram o copiar e colar tem muito pouco livro sério no mercado, que mereça atenção.

  5. Ah! Esqueci de acrescentar: cuidado Sr. Ferreti, o Sr. pode ser excomungado por D. Valentino, não só o Sr. mas todos aqueles que ousarem opor-se a sua santa vontade.

  6. Sobre o recente livro de D. Rifan sobre a Missa, acredito que vale a pena ser lido.
    Bem diferente do primeiro sobre o magistério vivo, vejo este como um trabalho mais sério, com passagens que realmente merecem análise.
    Nele, D. Rifan procura refutar, a partir do próprio Ratzinger, a posição e o livro da FSSPX sobre a Missa e faz uma abordagem teologica sobre o problema da promulgação, por parte da Igreja, de um rito que fosse protestantizado.

  7. Caro Renato,

    Recomendo a leitura do livro do Padre Calderón da Candeia, em espanhol, na parte em que trata da promulgação da reforma litúrgica. Podes adquiri-lo em http://www.fsspx-sudamerica.org no menu Librería.

    leia tb na seção de FAQ’s a pergunta sobre a Reforma Litúrgica e o Novus Ordo no site http://www.sspx.org. Na seção ARTICLES desse mesmo site há tb artigos úteis e instrutivos neste assunto.

    Convido-o apenas à seguinte reflexão, de minha parte: A questão da promulgação simpliciter pela Igreja é justamente o que está em discussão, porque é a iniquidade da lei que está em discussão. Se é iniqua, não é lei, e muito menos titularizada pela Igreja, mas pelos homens. Pode ter aparencia de lei universal da Igreja, mas não é; assim como o besteirol que João Paulo II escreveu na encíclica Ut Unum Sint não é Magistério da Igreja simpliciter, mas é contrário a esse Magistério e só tem aparência de Magistério e o sujeito deste ensinamento heterodoxo do Papa não é a Igreja.

    Outros argumentos mais inteligentes do que esse e discussão histórica sobre a questão estão em grandes linha sno livro do padre Calderón.

    Leia tb o livro da Editora permanência sobre o Pensamento de Dom Antônio de Castro Mayer, no item dedicado à coletânea de seus artigos sobre a reforma litúrgica.

  8. Acredito que por todo o Brasil haja situações semelhantes a essas, principalmente com relação ao jovem que deseja ir para o seminário.

    Mais uma vez parabenizo a Sra. Marcela pelos seus escritos. São muito agradáveis! Deverei ter uma frequencia maior.

    As circunstâncias são muito parecidas…

  9. Desde o início da leitura o texto fictício é muito próximo da realidade. Ao contrário do que dizia Nosso Senhor Jesus Cristo de São João Batista é um verdadeiro caniço agitado ao vento.

  10. Caro Leonardo,

    Permita-me apontar, após ter relido a FAQ do site da Fraternidade, como é curioso que os argumentos da FSSPX sejam idênticos aos dos Vétero-Católicos do cisma de Utreque!

    De todo modo, é muito bom saber que o sr. lê inglês! Assim posso recomendá-lo eu mesmo algumas leituras também, em particular porque a FSSPX é cismática e como o Mons. Lefebvre não se assemelha a Santo Atanásio apesar do que afirma a Fraternidade.

    Convido-o, por minha vez, à seguinte reflexão: como bem nos lembrou o “pe. Márcio” as palavras de Santo Agostinho “Roma locuta, causa finita!” Se o próprio Papa Paulo VI conferiu ao Concílio Vaticano II a autoridade do Magistério Ordinário, a causa está encerrada. Os argumentos do pe. Calderón de nada valem contra a definição papal da autoridade do CVII assim como os argumentos de São Boaventura, de São Bernardo de Claraval e de São Tomás de Aquino de nada valem contra a Imaculada Conceição. Repare bem, no entanto, “Magistério Ordinário“, portanto só é infalível se repetir o que sempre foi ensinado (o que não é o caso em sua maior parte, mas continua sendo magisterial). Portanto, por mais que não deva ser seguido por sua heterodoxia, deve ao menos ser reconhecido (coisa que a Fraternidade não faz e se nega e negará a fazer, motivo pelo qual nunca entrará em comunhão com, como diz Dom Williamson com seu linguajar anglicano, “os romanos”).

    Permita-me finalizar citando o Papa São Pio X:

    “Não vos deixeis serdes enganados pela astúcia dos que clamam desejar estar junto da Igreja, amar a Igreja e lutar para que o povo não A deixe; julgai-os porém pelas suas obras. Se desprezam os pastores da Igreja e o Papa até, se procuram esquivar-se de toda maneira da sua autoridade a fim de despistar suas diretivas e julgamentos, então de qual Igreja estes homens pretendem falar? Certamente não da instituída nas fundações dos Apóstolos e Profetas, com o próprio Cristo Jesus como pedra angular.”

  11. Prezado Renato,

    o livro refuta o próprio Dom Rifan; me parece que ele deveria esclarecer os motivos da drástica mudança de posicionamento em relação ao CVII, ocorrida em tão pouco tempo. Ele deve isso, sim, pois o fato de ser bispo não muda o fato dos fiéis merecerem ser tratados com coerência e respeito à inteligência – coisa que, definitivamente, é raro em nossos dias.

    Como bem expressa a estória contada no post, ficar repetindo que “a missa é válida” não esclarece nem põe fim à questão…

    Acho curioso que se ache um absurdo “ignorar e criticar” o magistério pós-conciliar; mas, ao mesmo tempo, não haja escândalo que este mesmo magistério (E todas as suas emanações) contradiga tudo o que veio antes… Olha, eu sei ler direitinho; e, o que está escrito nos documentos do CVII é diferente do que consta nos documentos anteriores a ele. Se um documento é tão difícil para o entendimento de alguém com inteligência mediana, que exija interpretação de alguns “teólogos modernos”, então não é católico…

    Atc,
    André

  12. “Portanto, por mais que não deva ser seguido por sua heterodoxia, deve ao menos ser reconhecido…”

    Se não me engano, o Pe. Calderón afirma que o Magistério Pós-Conciliar é autêntico, ou seja, ele o reconhece como Magistério legítimo da Igreja (pp. 109 a 136 de A Cadeia…). Se há pessoas da FSSPX que dizem que não é, ao menos estão indo contra o que pensa seu principal teólogo.

  13. Prelados falam sobre o “cisma” da FSSPX:

    http://www.santotomas.com.br/blog/?p=28

    Jucken, esse site que você indicou é escrito por leigos ou por sacerdotes e/ou bispos?

  14. Mais uma coisa:

    Até mesmo Brunero Gherardini discorda da noção de Tradição da qual partiu o papa João Paulo II para afirmar que houve cisma na atitude de Lefebvre. É claro que a opinião dele não tem peso doutrinal, mas é um sinal de que essa questão é bastante complicada e ainda parece não haver uma resposta clara e definitiva para ela.

  15. Caro Guilherme, aprendi bem cedo que a FSSPX não é nada homogênea e que muitas vezes ela é de discurso duplo, exibindo aos demais uma opinião branda porém internamente beirando o sedevacantismo. Não é de se chocar, haja vista a “catequização” efetuada por Dom Lefebvre anteriormente ao cisma e que um dos bispos por ele “eleitos” foi abertamente um sedevacantista no seminário.

    Os textos indicados são de autoria de leigos.

  16. Caro Jucken,

    Você se refere a Dom Williamson? Ele de fato escreve coisas muito estranhas no que se refere ao papado. As afirmações dele me parece muitas vezes inconsequentes. A crise é brava. Rezemos.

  17. Jucken, o texto que você enviou está de fato bem interessante, mas destaco um problema nele. Tentar justificar o encontro de Assis é um absurdo. Aquilo é injustificável.

  18. Caros Leonardo, Andre, Jucken,

    Leonardo,

    Obrigado pelas indicações. Tenho o livro do Pe. Calderon, mas só comecei a lê-lo.

    O problema de fundo que vejo é o seguinte: se para a declaração de um dogma de Fé ou moral é necessário o uso da autoridade, isso, parece-me, não ocorre para a promulgação de uma disciplina universal. Para esta, basta a promulgação para estar atrelado a ela a autoridade, ou seja, sua infabilidade está garantida, pois a Igreja não pode estabelecer uma disciplina qualquer (um culto por exemplo) que seja perigosa a fé.

    Por causa disso, D. Rifan sustenta a ortodoxia da Missa Nova, assim como a sustentou Michael Davies.

    Andre,

    D. Rifan realmente mudou de posição e já cansou de falar isso. Ele sustenta que não há nada demais em mudar caso se constate um erro. Também não vejo o menor problema em se mudar de posição. A questão que deve ser colocada é: D. Rifan estava certo antes ou agora?

    Juncken,

    O CV II faz parte do magistério meramente autentico cujo grau de autoridade é quase nulo, portanto, passível de erros. Ademais, tem-se que nele existem realmente contradições com o magistério anterior da Igreja. Mosenhor Guerardini vê claramente isso, a FSSPX vê isso. O debate com Roma visa mostrar exatamente isso. Quem não o faz são os neoconservadores que teimam em fechar os olhos para a realidade, infelizmente.

    Além do mais, gostaria de saber quem é este bispo sedevacantista? Pois D. Willianson com certeza não é. Ele é o pai da tese do Pe. Calderon. Este inclusive o agradece em seu mais novo livro. Além disso, não tem muito tempo, ele escreveu contra o sedevacantismo de novo. Ele só não sustenta a posição de alguns tradicionalistas que se recusam a conversar e levantar o problema sobre aquela posição, e ainda por cima os acusam de heresia ou cisma.

    Saudações em Cristo!

  19. O problema é o seguinte. A noção de Magistério que Paulo VI coloca em Ecclesiam Suam e em outros documentos já não é o mesmo conceito de Magistério como define a Tradição. A questão está em aberto justamente, porque esse ´”magistério” dialogado nada define. É o ânimo de definir que está em discussão.

    Supondo que a citação de São Pio X seja verdadeira, pois não é mencionada a fonte, deve ser aplicado seu espírito quando a plicação ao pé-da-letra é impossível. Não pode tb essa citação contradizer aquela sobre a ortodoxia dos escritos de São Roberto Bellarmino, entre os quais está a discussão sobre a resistência a um Papa de doutrina heterodoxa.

    Porque como se submeter às diretivas e ao ensino de João Paulo II se esse contradiz e visa implementar na prática essa contradição à Pio XI por exemplo (Ut Unum Sint X Mortalium Animos). Quererá Deus que ajudemos na demolição da Igreja por causa de “dia de sábado”, de caso pensado, sabemos que estamos cooperando numa destruição, heterodoxia, para cumprir a literalidade de um comando geral normativo, mesmo contra o espírito que presidiu à sua redação ?

    A opinião que atribui erro completo e total (é o que acontece com as novidades do Magistério conciliar, a contradição não é acidental) a um Magistério, mesmo ordinário, que tenha por sujeito a Igreja Católica, que é Santa e Incorruptível é muito grave. A Igreja Católica não pode ser sujeito de uma heterodoxia assim.

    Isso sim seria digno de um vétero-católico, atacar a própria santidade da Igreja. Que eu saiba, eles não aceitam dogmas, garantidos por anátemas de um Concílio Ecumênico. Não aceitaram o dogma da infalibilidade papal.

    Acessei o site enviado pelo “Juncken” e vi cheiro d e muita má-fé. Por exemplo: inventam boatos delirantes sobre o que se teria passado nas negociações de 1988, colocando na boca de D. Lefebvre exigências absurdas e acusando gravemente padres católicos, sem provas…
    Para quem acha q D. Williamson é sedevacantista, ele distribuiu um Kyrie Eleison recentemente em que fica claro que ele não é sedevacantistas. Vou procurar este link para postar aqui ao menos o numero de qual kyrie eleison foi.

    Conheço a FSSPX muito bem e não existe duplicidade de discurso. Aliás, uma coisa que me surpreende é a homogeneidade de pensamento teológico sobre as questões da Crise na Igreja.

  20. O Eleison Comment de D. Williamsom é o de nº154.

    É muito grande para postar aqui, e, a fonte que conheço não tem link em internet.

  21. Renato,

    Não vou me alongar aqui. No final do livro “A Candeia” e não do novo “Prometeo”, essa relação entre
    autoridade e a disciplina universal.

    Lembro dois detalhes: 1) Paulo VI mesmo disse que as rubricas do Missal não eram dogmáticas e o e´spírito de promulgação é o deinculturação e diálogo;
    2)O Codigo Canonico teria no seu raciocínio esse status universal e obviamente você não aderiria às normas de “hospitalidade interconfessional” que lá estão. O racicínio aí teria um problema, porque as noções de ecumenismo de Vaticano II estão juridicizadas ali. Não há como poder negar adoutrina e aceitar a disciplina que visa sua implementação.

    Bem, leia o livro a “A Candeia” até o final, que vc certamente verá essa relação da autoridade tb na disciplina universal.

    Até breve em outro post.

  22. Pois é, o site indicado pelo Jucken “impressiona” porque afirma muitas coisas de forma peremptória. Há muitas informações, muitas das quais – como disse – parecem bem interessantes. Mas, também como disse, algo depõe contra o autor do texto que li (um dos indicados pelo Jucken): tentar defender Assis. Aquilo é indefensável.Vai de encontro à Mortalium Animos, que, mesmo não sendo infalível, possui elevadíssimo grau de certeza. Ademais, que autoridade têm os autores desse site? São leigos. Quem são eles? Em que se baseiam? As fontes – quando citadas – o são pela metade, sem referências mais detalhadas (geralmente cita-se a data). Ademais, o que eles têm a dizer sobre o levantamento das excomunhões e sobre a seguinte afirmação contida no decreto:

    “Conforme as faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, revogo dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfons de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação em 1 de julho de 1988 e declaro privado de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o Decreto então publicado”.

    Todos os efeitos jurídicos do decreto de 1988 não mais existem a partir de 2009. Então, a FSSPX ainda é um cisma?

  23. Enquanto tiver gente que acha que o espirro de um Papa é infalível e n tem bactérias, micróbios e afins vai ficar nisso.

  24. Guilherme, também discordo em tentar justificar o encontro de Assis. Mas dele concluir que a Santa Sé não é mais católica e que o Papa formou uma máfia maçônica…

    Caro Leonardo, se essas afirmações foram colocadas pelo autor do artigo na boca de Dom Lefebvre, então devem ter sido colocadas também pelos autores da revista “Guarde a fé”, publicação da própria Fraternidade, na edição de junho de 2002.

    Ademais, Dom Williamson em sua “Carta aos benfeitores” de fevereiro de 2001 afirma que a Igreja Católica perdeu o Depósito da Fé e que Roma não se mantém na Verdade.

  25. Claro, Jucken! Jamais pensaria dessa forma. Fazê-lo seria tentar formular um silogismo absurdo!

    De qualquer modo, obrigado pelos esclarecimentos e pelos textos.

  26. Jucken,

    Não me refiro a nada que está no Guarde a Fé; mas às outras acusações estapafúrdias de coisas que D. Lefebvre teria pedido a portas fechadas como vantagens canônicas ao Cardeal Ratzinger. O que é uma calúnia grave.

    Como o autor ANÔNIMO do texto poderia saber ou provar isso, se não aponta nenhuma testemunha de suspostos eventos que lhe tenha revelado ????

    Roma neomodernista ou Roma Conciliar é uma metáfora irônica que não se refere à Sé Romana simpliciter; mas às autoridades romanas atuais, pessoas físicas e associação cancerigena dessas pessoas no processo de autodemolição.

    Quem criou o termo Roma Conciliar foi o Cardeal Benelli, em 1976, em reprimenda à FSSPX. Daí, a FSSPX começou a usar esse termo para designar os sabotadores ocupantes de postos na Sé Romana não como uma outra Igreja no sentido heterodoxo que João Paulo II e Bento XVI aplicam aos cismáticos gregos; mas como um câncer dentro das próprias estruturas da Igreja, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão jamais. Ña Declaração de 1974, a frase final deixa fora de dúvida que o sentido é esse mesmo.

    Essa explicação se encontra em vários textos da FSSPX, inclusive numa palestra antigona do Padre ~Michel Simoulin, publicada como o Caderno nº 02 pelo Distrito Italiano “Un scisma introvabile”.

    E se algum Bispo ou padre da FSSPX alguma vez tivesse dito uma coisa ambígua ou reprovável ou imprecisa se analisada à luz do vocabulário propriamente teológico, não compromete em nada a posição da FSSPX, que está nos faq’s de seus sites oficiais, o resto é especulação e fofoca. Afinal, infalível só o Papa em certas circunstâncias e a própria Igreja Católica, Corpo Mistico de Cristo. E reafirmo, em poucos lugares, vi tanta homogeneidade de pensamento e na caridade cristã como na FSSPX. Isso não é uma testemunha anônima ou um amigo imaginário que me disse; mas eu vi e testemunhei.

  27. Prezado Renato,

    creio que não há problema nenhum em mudar de opinião; eu já fui da RCC e da TL, e, após bastante reflexão, mudei drasticamente de posição… Escrevi de maneira apressada que o bispo não explicou as razões; obrigado por esclarecer a questão.

    Atc,
    André

  28. Leonardo,
    Muito bom.Parabéns pelos cometários.

    Roberto F Santana
    robertofsantana@aol.com

  29. Peço mais atenção sua Leonardo, por favor. Primeiro o autor do texto não é anônimo. Segundo que Dom Williamson não usou nenhuma metáfora, ele foi claro: Roma não está com a Verdade. Terceiro que é fácil encontrar citações similares dos outros bispos e de clérigos da Fraternidade – o que só reforça o que já falei: a FSSPX tem língua dupla (fala brando nos textos públicos e guarda o “melhor” para as cartas internas).

    Guilherme, o cisma permanece. Definição do CDC (cânon 751): “Chama-se cisma a recusa de sujeição ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos.” Não basta reconhecer o Papa ou “rezar” pelo Papa. É preciso submeter-se a ele e a seus sujeitos. Tome como exemplo o Santo Pe. Pio, que foi diversas vezes perseguido pelos prelados e no entanto sujeitou-se a todas as suas ordens apesar de estar sempre certo e de seus estigmas serem verdadeiros.

    O cisma permanece também porque foi levantada somente a excomunhão, mas não a suspensão a divinis da Fraternidade pela desobediência de Marcel Lefebvre ao Papa Paulo VI. Portanto confissões e casamentos feitos por padres e bispos da Fraternidade são inválidos. Eu não disse ilícitos, eu disse inválidos. Assistir à Santa Missa oferecida por um padre ou bispo da FSSPX não satisfaz a obrigação dominical (e é até pecado mortal segundo a Comissão Ecclesia Dei).

    Se restam dúvidas da validade das excomunhões de 1988, recomendo ler o estudo realizado pelo canonista Peter John Vere.

  30. Caro Leonardo e demais, Salve Maria!
    Indico aqui o link para o Eleison Comments n° 154 de Dom Williamson: http://tradicaocatolicaes.wordpress.com/2010/06/28/comentarios-eleison-154-equilibrio-catolico/

  31. Volto a perguntar:
    Não se pode provar o estado de necessidade pela hermenêutica da ruptura?

    Estou acessando do celular… O veritatis splendor publicou os estudos canonicos indicados pelo Jucken. Se são os que estou pensando, são fracos.

  32. “Assistir à Santa Missa oferecida por um padre ou bispo da FSSPX não satisfaz a obrigação dominical (e é até pecado mortal segundo a Comissão Ecclesia Dei).”

    Caro Jucken,

    Dom Castrillon Hoyos disse o contrário, que satisfaz sim. Algumas pessoas já escreveram para a Ecclesia Dei sobre isso reclamando que o ambiente em suas dioceses era pavoroso e perguntando se podiam assistir missas nas capelas da FSSPX, e tiveram resposta positiva, embora com cautelas e sem incentivos (o que não poderia ser diferente, pois eles não vão dizer: “tudo bem, large sua paróquia modernista e se mude para uma capela da FSSPX).

    Um amigo meu escreveu perguntando se ele e seus entes queridos (onde eu me incluo) podiam assistir missa na FSSPX, assegurando que amavam o Papa e que queriam estar unidos ao mesmo. A resposta a sua longa carta foi: ‘O Santo Padre ficou muito contente com a sua carta e manda sua benção apostólica”. Ora, se fosse algo terrível e cismático assistir a Santa Missa em uma capela da FSSPX você não acha que a reposta seria outra bem diferente do que dizer que o santo padre ficava feliz com a carta dele?

    Até o padre Z, liturgista famoso, que é bem moderado em suas posições, mas que conhece bem as questões da Tradição, já se manifestou quanto a válidade e possibilidade de comprir preceito dominical em capelas da FSSPX.

  33. Mas o que se ouve dizer é que a Ecclesia Dei recebe muitas e muitas cartas nesse sentido e que tentam ser prudentes, advertindo as pessoas a não a frequentarem em caráter exclusivo.

  34. Eu estou enganado ou o sr. Jucken quer fazer passa a tese que a FSSPX foi excomungada por cisma e não pela sagração dos Bispos?

  35. Alguėm se lembra da tese do Pe Camel aprovada pela Pontíficia Universidade Gregoriana?

  36. Cara Maria, você deve estar correta. Revi minhas fontes e o protocolo da comissão Ecclesia Dei que afirma que é moralmente ilícito assistir a uma Missa da Fraternidade (ao qual me referi) é de 1995 e muita coisa mudou desde então.

    Todavia insisto que as confissões e casamentos realizados pelos clérigos da Fraternidade são inválidos devido à suspensão a divinis.

  37. Inúmeras pessoas, dentre elas os prelados que enviei numa lista, com certeza estão mais autorizados a falar sobre a possibilidade de se assistir a uma Missa da FSSPX do que o tal Peter John Vere. Eu confio mais em Dom Castrillon Hoyos e nos outros que estão na lista abaixo:

    Cardeal Castillo Lara, Presidente da Pontifícia Comissão para a Interpretação Autêntica do Direito Canônico: “O ato de consagrar um bispo (sem a autorização do Papa) não é em si um ato cismático” (La Reppublica, 7-Oct.-1988)

    Conde Neri Capponi, Doutor e Professor de Direito Canônico da Universidade de Florência, explica que o simples feito de consagrar um bispo sem mandato pontifício não constitui em si um ato cismático: “É necessário que se faça outra coisa; por exemplo, se ele criasse sua própria hierarquia, isto sim seria um ato cismático. O feito é que Dom Lefebvre se contentou com dizer: «eu consagro estes bispos para que a Fraternidade Sacerdotal que fundei continue. Eles não tomarão o lugar dos outros bispos. Não quero fazer uma Igreja paralela». Este ato, então, não há sido em si cismático”. (The Latin Mass, maio–junho de 1993).

    Cardeal Alfonso Stickler, salesiano, então Prefeito dos Arquivos do Vaticano e da Biblioteca Vaticana, perito em quatro comissões do Vaticano II. Disse: “O Papa João Paulo II, em 1986, formulou duas perguntas a uma comissão de nove Cardeais: 1ª.) «A celebração solene da Missa tridentina foi proibida legalmente pelo Papa Paulo VI ou por qualquer outra autoridade competente?». A resposta dada por oito destes cardeais em 1986 foi que não, a Missa de São Pio V jamais foi supressa. Posso afirmá-lo: eu era um destes cardeais. Um somente foi de parecer contrário. Todos os outros estavam a favor de uma livre permissão: que cada qual possa escolher a antiga Missa. Houve uma outra pergunta muito interessante: Será que um bispo pode impedir qualquer sacerdote que seja, desde que em situação regular, de recomeçar a celebrar a Missa tridentina? Os nove cardeais responderam unanimemente que um bispo não podia impedir um sacerdote católico de celebrar a Missa Tridentina. Nós não temos uma proibição oficial e eu penso que o Papa jamais pronunciaria uma proibição oficial.” (The Latin Mass, 5 de maio de 1995).
    Professor Geringer, Licenciado em Direito Canônico pela Universidade de Munique, afirma: “Dom Lefebvre não criou em absoluto um cisma com as consagrações episcopais”.

    Cardeal Edward Cassidy, Presidente do Conselho Pontificio para a Unidade dos Cristãos, ante uma pergunta sobre o status da Fraternidade São Pio X escreveu, em 3 de maio de 1994, a seguinte resposta: “Para responder a sua pergunta (25 de março de 1994) quisera antes de tudo assinalar que o Diretório sobre Ecumenismo não concerne a Fraternidade São Pio X. A situação dos membros desta Fraternidade é um assunto interno da Igreja Católica. A Fraternidade não é outra igreja ou comunidade eclesial, no sentido utilizado pelo Diretório. Com efeito, a Missa e os Sacramentos administrados pelos sacerdotes da Fraternidade são válidos. Seus bispos estão ilicitamente, mas validamente consagrados…”.

    Então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, no ano de 1993, ante a tentativa de Dom Ferrario de excomungar em 1991 a alguns fiéis por terem seguido a Fraternidade no Hawaí e terem assistido às suas missas, declarou: “Após examinar o caso sobre a base das leis da Igreja, não aparece que os feitos aos quais se faz alusão no decreto antes citado sejam atos formalmente cismáticos no sentido estrito do termo, porque estes não constituem o delito de cisma; e por isso, esta Congregação julga que o Decreto de 1° de maio de 1991 carece de fundamento e, em conseqüência, de validez”. (Nunciatura Apostólica, Washington DC).

    Padre Gerald Murray, da Arquidiocese de Nova York, em junho de 1995 obteve sua Licenciatura em Direito Canônico na Universidade Gregoriana de Roma com uma tese intitulada “O estatuto canônico dos leigos que seguiram ao falecido Arcebispo Marcel Lefebvre e a Fraternidade São Pío X: estão excomungados porque são cismáticos?”. Em uma entrevista declarou: “Obtive a Licenciatura em Direito Canônico e elegi como tema de minha tese doutoral a excomunhão de Dom Lefebvre… Por tanto, que eu saiba, eles não estão excomungados porque sejam cismáticos, porque o Vaticano nunca disse que estiveram… Cheguei a conclusão de que, canonicamente falando, ele (Dom Lefebvre) não é culpável de nenhum ato cismático que recaia sobre o Direito Canônico; ele é culpável de um ato de desobediência ao Papa, mas o realizou de maneira tal que se pode beneficiar com uma cláusula da lei, que lhe permite não estar automaticamente excomungado (latæ sententiæ) por este ato”… “No caso dos sacerdotes e os fiéis da Fraternidade São Pio X, o Vaticano não disse jamais que eles se tenham tornado cismáticos”… “Por tanto, que eu saiba, a Santa Sé não declarou nunca que o simples ato de assistir a uma Missa rezada por um sacerdote da Fraternidade São Pio X constitua um ato cismático… Suponhamos que você sabe que o sacerdote de sua paróquia ensina coisas contrárias a lei moral ou a doutrina católica. Suponhamos que você sabe que nega o inferno ou pensa que os divorciados voltados a “casar” podem receber a Comunhão, pode então você ir a uma capela da Fraternidade São Pio X para receber uma boa doutrina? Isto me parece melhor que escutar sermões francamente heréticos”. (The Latin Mass, 1995).

    Ademais, prefiro confiar nas palavras do Santo Padre, que neste ano, em audiência privada com um dos organizadores da famosa peregrinação Paris-Chartres, afirmou o caráter positivo dessa iniciativa, que é organizada pela FSSPX e tem Missa Tridentina e confissões durante todo o percurso.

  38. Jucken,
    Não esquece de pedir para ser enterrado junto com seu
    CPF
    RG
    PIS
    Certificado de Reservista
    Título de Eleitor
    Passaporte

    Você vai precisar deles.
    Leve também sua carteirinha de legalista.

    P.S.Tô me sentindo tão avontade no Frates.

    Roberto F Santana
    robertofsantana@aol.com

  39. No livro “Complô contra a Igreja, distribuído aos participantes do Concílio Vaticano II, em 1962, já se alertava sobre a infiltração da Sinagoga de Satanás no clero e da possível vitória de suas teses no referido concílio.

  40. Não vou discutir com quem insiste em criticar por criticar.

    Essa comunhão do artigo 751 supõe e sempre supos na história da Igreja a comunhão em coisas lícitas e a comunhão com os Papas de todos os tempos na mesma Fé.
    Senão, não se explicam os juízos de perfeita ortodoxia doutrinal de escritos de Cardeal Cajetano, São Roberto Bellarmino e Torquemada e do próprio Santo Tomás de Aquino sobre a resistÊncia ao Papa.

    E, segundo, É Dom Fellay e não D. Williamsom que escreve as Cartas aos Benfeitores, que são todas públicas e traduzidas em vários idiomas. Roma ali quer dizer as autoridades romanas, e não a Igreja Romana, porque a FSSPX não acredita que o dujeito de erro seja a Igreja, mas sim os homens da Igreja.

    Sobre a validade das confissões e casamentos, claro que são válidos, porque o próprio ódigo de Direito Canonico novo diz que a “confissão” na Igreja Ortodoxa, que se diz separada da Igreja de Roma, é válida. Nunca Roma questionou a validade dos casamentos e das confissões.

    Há dois precedentes: NO Gabão, o arcebispo recebeu resposta positiva se d3everia registrar os casamentos feitos nas capelas da FSSPX pela forma extraordinária do direito canonico e teve resposta positiva.
    Segundo: Em Campos, todos os casamentos de 1982 a 2001 não tiveram que ser refeitos depois do acordo.

    Por amor aos que nos lêem, deixo o link d eum estudo sobre a validade das confissões e dos casamentos na FSSPX e o link para adquiri-lo em papel.

    http://www.sspx.org/miscellaneous/validity_of_confessions_1.htm

    http://www.sspx.org/SSPX_FAQs/q9_jurisdiction.htm (JURISDIÇÃO)

    http://www.sspx.org/discussions/sspx_update.htm#rome_approves (GABÃO)

    http://www.sspx.org/miscellaneous/canonical_study_kaschewsky.htm (EXCOMUNHÕES)

    http://www.sspx.org/articles_index.htm
    (ARTIGOS)

    Para adquirir em papel:

    http://www.angeluspress.org/oscatalog/default.php?quicklist=0&searchcat%5b1%5d%5b0%5d=26

    http://www.angeluspress.org/oscatalog/default.php?quicklist=0&searchcat%5b1%5d%5b0%5d=2&searchcat%5b2%5d%5b1%5d=6

  41. Reflexão: Foi anulado algum casamento feitos em Campos de 1982 até 2001 ? Não FOI

    Roma reconheceu os casamentos no Gabão ? SIM

    O CDC diz que o sacramento da penitência é válido entre os cismáticos ortodoxos ? SIM, ver Canons 844, 2 and 1117 NOvo codigo.

    o art 751 supõe ordens ilícitas ou pertinácia injustificada (pleonasmo) ? Pertinácia injustificada, pq foram aprovados os escritos de Santo Tomás, de São Roberto Bellarmino, de Cardeal Cajetano, de Torquemada que tratam da resistÊncia ao Papa.

    Cito brevemente as fontes:

    http://www.sspx.org/MISCELLANEOUS/validity_of_confessions_1.htm (VALIDADE DE CONFISSÕES E CASAMENTOS)

    http://www.angeluspress.org/oscatalog/default.php?quicklist=0&searchcat%5b1%5d%5b0%5d=2&searchcat%5b2%5d%5b1%5d=6

    http://www.angeluspress.org/oscatalog/default.php?quicklist=0&searchcat%5b1%5d%5b0%5d=26

    http://www.sspx.org/SSPX_FAQs/q9_jurisdiction.htm

    http://www.sspx.org/discussions/sspx_update.htm#rome_approves (GABÃO)

    http://www.sspx.org/SSPX_FAQs/q12_sspxschismatic.htm EXCOMUNHÕES- especialmente artigos sugeridos no anexo)

  42. Cumprir o preceito Dominical, afinal o que é?
    É apenas “ir à Missa”, desde que seja “válida”?
    E o que é uma Missa válida?
    O que é a Missa?

    Cumprir o preceito Dominical não deve ser assim tão simples.
    Não basta “ir à Missa”, a qualquer Missa e depois “gozar” o restante dia (na praia etc.).
    Cumprir o preceito Dominical é, acima de tudo, dedicar o dia (o Domingo) a Deus, Uno e Trino através de “boas acções”.
    E qual é a “boa acção” que mais agradará a Deus?

    É a Missa!

    É a nossa presença na Missa, unidos às intenções da Igreja e do Sacerdote que oferece a Deus Pai os Méritos da Paixão e Morte do Seu Único Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, para Salvação da Sua Criatura (o homem).
    Mas “ir à Missa” não chega. É preciso “ir à Santa Missa”.
    “Missas” há muitas, para todos os gostos (do homem).
    Mas acima de tudo, a Missa deve ser ao gosto de Deus e não do homem.

    E na dúvida, quem nos garante uma Santa Missa “ao gosto” de Deus, senão a FSSPX?

    Façamos um exercício. Recuemos no tempo até ao Calvário, até Pedro e restantes Apóstolos.
    Quem mais, além da FSSPX, nos permite retroceder no tempo até à primeira (e única) Missa.
    Quem mais, além da FSSPX “transporta” consigo a Tradição que vem desde os Apóstolos?

    A FSSPX não inventou nada, não alterou nada. “Apenas” transporta pelo tempo fora, a “Missa de Sempre”, protegida pela Bula De S. Pio V.

    Outra coisa é a pessoa de Monsenhor Marcel Lefebvre e as suas acções. Deus já o julgou certamente e, acredito eu, o tem na Sua Presença.

    Cumprir o preceito Dominical fora da FSSPX (e outras raras excepções), é que é arriscado; e até “temerário” em muitos casos da Missa Nova.

    Deixemos a Alma de Dom Marcel Lefebvre em Paz e cumpramos o preceito Dominical “ligados pelo tempo fora”, aos Méritos da Paixão e Morte de Jesus Cristo, nosso Salvador, através das “Santas Missas” oferecidas a Deus pelos Sacerdotes da FSSPX.

    A Missa renova a Paixão e Morte de Jesus Cristo, mas as Missas da FSSPX transportam-nos lá (espiritualmente), ao Calvário.
    Com a FSSPX é possível fazer esse caminho… porque o caminho existe, a estrada continua INTACTA (contra a vontade de muitos).

    « Meu Senhor e meu Deus, dai-nos muitos a Santos Sacerdotes; e protegei a FSSPX!
    S. Pio X, rogai por nós! »

  43. ” Assim como é lícito resistir a um Pontífice que ataque o corpo, também é lícito resistir a um que ataque a alma, ou, que perturbe a ordem civil, ou, acima de tudo, a um que pretenda destruir a Igreja. Eu digo que é lícito resistir (i) não fazendo o que ele ordena e (ii) impedindo a execução daquilo que ele deseja. NÃO é lícito, com tudo isso, (i) julgá-lo, (ii) impor-lhe uma punição, nem (iii) depô-lo, pois essas ações são reservadas a Um que é Superior ao Papa”

    traduzi: are accorded por são reservadas. Minha fonte está em inglês.

    SÃO ROBERTO BELLARMINO, DOUTOR DA IGREJA, CUJA CANONIZAÇÃO É INFALÍVEL, EM CUJO PROCESSO ERAM, NA SUA EPOCA, AVALIADOS MINUCIOSAMENTE TODOS OS ESCRITOS PRIVADOS E PÚBLICOS.

    FONTE: OBRA DE ROMANO PONTIFICE, II, 29

    P.S: A definição que consta no artigo 751 do Código atual já era conhecida antes deste escrito e era colocada em seu devido contexto de resistência ilícita, porque deve haver subjetiva PERTINÀCIA.

  44. E, para os escribas neoconservadores de alma, contra a pusilanimidade de quem enterra o talento no solo do legalismo, que condenarem alguém por num contexto não propriamente teológico ou de separação da Igreja Romana ou de linguagem técnica, falarem em Roma modernista ou que os romanos perderam a fé ou para quem condena a Declaração de 21.11.74 de D. Lefebvre, vai meu alerta de um amigo católico romano:

    Quem diz que isso é prova de cisma comete indireta blasfêmia (pelo menos incorre na matéria grave) contra Nossa Senhora de La Salette (1846), que, foi venerada por São Pio X e por Pio IX.

    O Magistério da *MÃE* da Igreja disse:

    “Roma perderá a fé”, o que é muito mais de dizer “os romanos”, Roma neomodernista ou Roma Conciliar.

    Não garanto que o que ocorre hoje em Roma seja já o cumprimento desta profecia da Virgem Santíssima;

    mas QUEM condena o modo eloquente de D. williamsom e D. lefebvre se manifestarem com a palavra ROMA só pela letra da palavra ( enão pelo espírito da mensagem), INCLUI entre os cismáticos sua própria Mãe.

    Melhor é ler as coisas segundo o seu próprio contexto e não desejar ardentemente o fogo do inferno em companhia de um Papa de preferência à companhia da Virgem de La salette e da Igreja Triunfante ( que tb é católica e romana) no Céu.

    Abram os olhos !!!

    P.S: Peter Vere é um leigo que saiu da FSSPX americana po ruma briga pessoal. No meu entender está muito longe de ser um canonista.

  45. Caro Jucken
    “D. Marcel Lefebvre não tem nenhum erro doutrinário. Ele não nega absolutamente a infalibilidade pontifícia, nem tampouco defende idéias liberais dos Velhos Católicos, algumas delas adotadas na Igreja Conciliar. ELE CONSTATA SIM O FAVORECIMENTO DA HERESIA E O CARÁTER HERETIZANTE DAS NOVAS REFORMAS LITÚRGICAS. É bom lembrar que o Concílio Vaticano II foi um Concílio Pastoral e portanto não tem a mesma autoridade doutrinária que os outros Concílios dogmáticos, e é em nome destes que são rejeitadas algumas teses do Vaticano II que os contrazem”.

    (Caso Lefebvre por Pe. F. A. R. in Quer Agrade Quer Desagrade, pp. 65-66)

  46. Senhores, simplesmente não temos condições de administrar debates acalorados e que não dizem respeito ao correspondente post.

    Sr. Jucken, relembrando: este não é o local adequado para expôr seu juízo — em completa antecipação à Igreja — sobre Dom Lefebvre e sua obra. Não deveria ser tão difícil perceber, não é mesmo? Então…

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