“O Papa está sozinho contra os cruzados da desinformação”.

(IHU) Foi publicado nesta quarta-feira, na Itália, o livro “Attacco a Ratzinger. Accuse e scandali, profezie e complotti contro Benedetto XVI” [Ataque a Ratzinger. Acusações e escândalos, profecias e complôs contra Bento XVI] (Ed. Piemme, 322 p.), escrito pelo vaticanista do jornal Il Giornale, Andrea Tornielli, e pelo vaticanista do jornal Il Foglio, Paolo Rodari, dedicado às crises dos primeiros cinco anos do pontificado do Papa Ratzinger.

Publicamos aqui o prefácio dos autores, publicado no jornal Il Giornale, 25-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

“Ainda lembro, como se fosse hoje, as palavras que ouvi de um cardeal italiano, então muito poderoso na Cúria Romana, no dia seguinte à eleição de Bento XVI. ‘Dois-três anos, durará só dois-três anos…’. E fazia isso acompanhando as palavras com um gesto das mãos, como para minimizar… Joseph Ratzinger, aos 78 anos, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, recém eleito sucessor de João Paulo II, devia ser um Papa de transição, passar velozmente, mas principalmente devia passar sem deixar muitos rastros de si mesmo… Certamente, uma indicação sobre a duração do pontificado foi feita pelo próprio Ratzinger, na Sistina. Ele disse que escolhia o nome Bento por aquilo a figura do grande santo padroeiro da Europa significava, mas também porque o último Papa que havia assumido esse nome, Bento XV, não tivera um pontificado muito longo e havia se empenhado pela paz. Mas um pontificado não longo, em razão da idade já avançada, não significa que passe sem deixar rastros. O de João XXIII também devia ser – e do ponto de vista meramente cronológico foi – um pontificado de transição. Mas como ele mudou a história da Igreja… Pensei nisto muitas vezes: visto que não passou tão velozmente como alguns esperavam, e visto que o seu pontificado está destinado a deixar uma marca, multiplicaram-se os ataques contra Bento XVI. Ataques de todos os tipos. Uma vez, diz-se que o Papa se expressou mal; outra vez, fala-se de erro de comunicação; outra ainda, de um problema de coordenação entre os escritórios curiais; uma outra, de inadequação de certos colaborados; outra, da tentativa concordante por parte de forças adversas à Igreja, intencionadas a desacreditá-la. Quer saber a minha impressão? Mesmo que o Santo Padre, na realidade, não esteja sozinho, mesmo que, em torno dele, haja pessoas fiéis que buscam ajudá-lo, em tantas ocasiões ele foi deixado objetivamente sozinho. Não há uma equipe que previna o acontecimento de certos problemas, que reflita sobre como responder de modo eficaz. Que busque fazer passar, expandir a sua autêntica mensagem, muitas vezes distorcida. Assim, a pergunta mais frequente tornou-se esta: quando será a próxima crise? Também me surpreende o fato de que, às vezes, essas crises levam depois a decisões importantes… Estou me perguntando, por exemplo, o que acontecerá agora que Bento XVI proclamou corajosamente a heroicidade das virtudes de Pio XII junto com as de João Paulo II“.

Quando essa confidência foi feita a um de nós, na véspera do Natal de 2009, por um notável purpurado que trabalha há muitos anos nos Sagrados Palácios, o grande escândalo dos abusos de menores perpetrados pelo clero católico ainda não havia explodido em todo o seu porte. Havia, sim, o gravíssimo caso irlandês. Mas nada ainda pressagiava que, como por contágio, a situação objetivamente peculiar da Irlanda – que revelou a objetiva incapacidade de diversos bispos de governar as suas dioceses e de enfrentar os casos de abusos sobre menores, tendo presente a necessidade de assistir sobretudo às vítimas, evitando de todos os modos que as violências pudessem se repetir – acabasse se replicando, pelo menos midiaticamente, em outros países. E envolveu a Alemanha, a Áustria, a Suíça e, novamente, nas polêmicas, os Estados Unidos, onde o problema já havia surgido, e de maneira muito devastadora, no início deste milênio.

Só ao ler rapidamente as notas de imprensa internacionais, é preciso admitir a existência de um ataque contra o Papa Ratzinger. Um ataque demonstrado pelo preconceito negativo pronto para surgir sobre qualquer coisa que o Pontífice diga ou faça. Pronto para enfatizar certos particulares, pronto para criar “casos” internacionais. Esse ataque concêntrico tem origem do lado de fora, mas frequentemente do lado de dentro da Igreja. E é (inconscientemente) ajudado pela reação às vezes escassa de quem, em torno do Papa, poderia fazer mais para prevenir as crises ou para administrá-las de modo eficaz.

Este livro não pretende apresentar uma tese pré-constituída. Não pretende confirmar de partida a hipótese do complô idealizado por alguma “cúpula” ou Spectre [do inglês, Special Executive for Counter-Intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion, nome de uma organização fictícia presente nos livros e filmes do agente secreto inglês James Bond].

Porém, é inegável que Ratzinger tenha estado e esteja sob ataque. As críticas e as polêmicas levantadas pelo discurso de Regensburg; o caso clamoroso das renúncias do neo-arcebispo de Varsóvia, Wielgus, por causa de uma antiga colaboração sua com os serviços secretos do regime comunista polonês; as polêmicas por causa da publicação do Motu proprio Summorum Pontificum; o caso da revogação da excomunhão aos bispos lefebvrianos, que coincidiu com a transmissão em vídeo da entrevista negacionista sobre as câmaras de gás concedida a uma TV sueca por um deles; a crise diplomática por causa das palavras papais sobre o preservativo durante o primeiro dia da viagem para a África; a propagação do escândalo dos abusos de menores, que ainda não dá sinais de acalmar.

De tempestade em tempestade, de polêmica em polêmica, o efeito foi o de “anestesiar” a mensagem de Bento XVI, esmagando-o sobre o clichê do Papa retrógrado, despotencializando seu porte.

Mas esse ataque nunca teve uma única direção. Teve, pelo contrário, uma ausência de direção. Embora não se possa excluir que, em mais de uma ocasião, assim como ao longo da crise dos escândalos por causa da pedofilia do clero, se verificou uma aliança entre ambientes diversos, aos quais pode ser útil reduzir a voz da Igreja ao silêncio, diminuindo a sua autoridade moral e o seu ser fenômeno popular, talvez com a secreta esperança de que, em uma década, ela acabe contando na cena internacional tanto quanto uma seita qualquer.

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7 Comentários to ““O Papa está sozinho contra os cruzados da desinformação”.”

  1. Espetacular!!!

    Raciocinio e lógica clarissima.
    O Papa está sob a ataque intenso, contudo não tem se intimidado e suas ações tem sido lentas porém firmes e profundas.

    Deus saberá proteger o Papa e fazer de nós instrumentos, embora imperfeitos, de oração para sua defesa.

    Viva o Papa!

  2. “Esse poder ganhou, com o tempo, formas cada vez mais totalitárias e até tirânicas, especialmente a partir do Papa Gregório VII que em 1075 se autoproclamou senhor absoluto da Igreja e do mundo. Radicalizando, Inocêncio III (+1216) se apresentou não apenas como sucessor de Pedro mas como representante de Cristo. Seu sucessor, Inocêncio IV(+1254), deu o último passo e se anunciou como representante de Deus e por isso senhor universal da Terra que podia distribuir porções dela a quem quisesse, como depois foi feito aos reis de Espanha e Portugal no século XVI. Só faltava proclamar Papa infalível, o que ocorreu sob Pio IX em 1870. O circulo se fechou.

    Ora, este tipo de instituição encontra-se hoje num profundo processo de erosão. Depois de mais de 40 anos de continuado estudo e meditação sobre a Igreja (meu campo de especialização) suspeito que chegou o momento crucial para ela: ou corajosamente muda e assim encontra seu lugar no mundo moderno e metaboliza o processo acelerado de globalização e ai terá muito a dizer, ou se condena a ser uma seita ocidental, cada vez mais irrelevante e esvaziada de fiéis. O projeto atual de Bento XVI de “reconquista” da visibilidade da Igreja contra o mundo secular é fadado ao fracasso se não proceder a uma mudança institucional. As pessoas de hoje não aceitam mais uma Igreja autoritária e triste como se fosse ao próprio enterro. Mas estão abertas à saga de Jesus, ao seu sonho e aos valores evangélicos.

    (…)

    O Concílio Vaticano II (1965) procurou curar este desvio pelos conceitos de Povo de Deus, de comunhão e de governo colegial. Mas o intento foi abortado por João Paulo II e Bento XVI que voltaram a insistir no centralismo romano, agravando a crise.

    O que um dia foi construído pode ser num outro, desconstruído. A fé cristã possui força intrínseca de nesta fase planetária encontrar uma forma institucional mais adequada ao sonho de seu Fundador e mais consentânea ao nosso tempo”…

    Essas são palavras do sr. Genésio Boff que, descaradamente, safadamente, usa o nome de quando era frade. É tão ordinário, é tão covarde, que nem assinar o próprio nome, o bicho tem coragem…
    Como pode haver uma pessoa tão descarada, tão vil, que seja capaz de usar do estudo que adquiriu graças à Igreja, graças a essa instituição que esse sr. tem o gosto de difamar, para tentar desacreditá-la?
    O pior e mais terrível é que existe, ainda, desgraçadamente, Seminários, “teólogos (as)”, Bispos, padres, “religiosos (as)” “seminaristas” em grande número, que idolatram esse sr. Genésio Boff em putrefação. É só lembrar do recente episódio onde queriam que, na Puc de Petrópolis, esse sr. desse uma conferência. Se não fosse a firmeza de D. Filippo Santoro em proibir, o descarado estaria lá para alegria da esquerda agonizante e asquerosa…
    Meu Deus…
    Esse sr. Boffentoooo e fididoooooo, não se contenta em viver com sua amásia e como apóstata de primeira categoria. Insite em denegrir a imagem daquela na qual ele mamou, mamou, atéee se fartar, e depois cuspiu na cara…
    Quem não sabe que Bento XVI está sob fogo cruzado de todos os lados???
    E isso não é de hoje, desde que era cardeal, Ratzinger era odiado e temido pelos hereges e companhia, especialmente pelos loucos e abjetos adeptos da tl ltda, e pelos liberais do tipo H. Kung…
    Ele tem inimigos dentro do próprio Vaticano, de vermelho, que não suportam a ordem que o Papa está colocando na Igreja.
    Imaginemos…
    Bento XVI ousou tocar no “intocável”, no até mais “dogmático” Vat II, como muitos consideravam e consideram. Isso é um escândalo, causa o uivo e o ódio dos “lobos”, como ele próprio declarou no início de seu Pontificado. Mostrar, sem medo, que o que se fez e faz em nome do Concílio foi, muitas vezes, sobretudo na Liturgia, totalmente o oposto do que pediu o próprio Concílio??? Isso é gravíssimo para os defensores irracionais e cegos que colocam o Concílio como o início da Igreja e como um “super concílio
    É claro que esses estão furiosos e desejando o fim deste Papa, o quanto antes.
    Bento XVI está reunido com alguns ex-alunos para discutir a verdadeira hermenêutica que deve ser aplicada ao Concílio, imagine isso para muitos antístetes de nossa Terra de Santa Cruz e alhures???
    Que paulada de mau jeito…
    Tenhamos a certeza que nosso Papa tem as rédeas nas mãos e não está temendo os lobos ferozes e uivantes…
    Pra ele serve uma letra antiga de um hino que se ensinava no Catecismo às crianças…
    “VIVA O PAPA DEUS O PROTEJA, O PASTOR DA SANTA IGREJA…
    DE ROMA DAS COLINAS, DO TRONO DE SÃO PEDRO, O PAPA NOS ENSINA, O BEM, AMAR JESUS…
    EMBORA FERVAM IRA, DAS SERPES INFERNAIS, NÃO TEMAS A MENTIRA E VENCES COM A CRUZ”…

    S. Agostinho e S. Mônica, rogai por nós!

  3. Corrigindo…ANTÍSTITES… e não antístetes…

  4. “VIVA O PAPA DEUS O PROTEJA, O PASTOR DA SANTA IGREJA…
    DE ROMA DAS COLINAS, DO TRONO DE SÃO PEDRO, O PAPA NOS ENSINA, O BEM, AMAR JESUS…
    EMBORA FERVAM IRA, DAS SERPES INFERNAIS, NÃO TEMAS A MENTIRA E VENCES COM A CRUZ”…

    Amém !!!

  5. O nosso Papa segue sem dúvida os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto das Oliveiras quando Ele se encontrou sozinho e angustiado.

    Faço minhas as palavras da pequena Vidente Jacinta de Fátima: Coitado do Santo Padre!

    Que Nossa Senhora de Fátima o proteja!

  6. O Papa não está sozinho: está com Cristo Jesus, Nosso Senhor. Isso já basta.

  7. “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós…” (Jo 15, 18-21)

    Nosso Senhor abençõe, proteja e console o Seu Vigário na terra, S.S Bento XVI!

    Pro Christo et Ecclesiae!