Um novo livro sobre Dom Marcel Lefebvre. As relações entre Fraternidade São Pio X e Franciscanos da Imaculada.

Relatamos a gravação em áudio de uma conferência de apresentação do livro “Monsignor Lefebvre. Nel nome della verità” [Dom Lefebvre. Em nome da verdade], edições Sugarco, realizada pela autora Cristina Siccardi, em San Sicario (Turim), em 15 de agosto último. A importância deste documento está no fato que dele emerge, de forma claríssima e concisa, a posição atual da Fraternidade São Pio X e as suas perspectivas de desenvolvimento e ações futuras, bem como sua estratégia a médio prazo.

Dom Marcel Lefebvre

Dom Marcel Lefebvre

Tudo isso não só não desmente, mas demonstra, com autoridade, o apoio dos próprios altos expoentes atuais da Fraternidade; apoio tornado mais evidente pelo fato de que esta gravação foi publicada no site italiano dos filhos de Monsenhor Lefebvre (http://www.sanpiox.it/ ). Muito comovente e praticamente inédito, pois, é o modo como trata a relação entre o bispo francês e Paulo VI.

Entre outras coisas, ouvindo atentamente as palavras de encerramento da conferência, proferida pelo Pe. Emmanuel Du Chalard, tomamos conhecimento de que está previsto, para os próximos meses, um encontro entre o Padre Mannelli, fundador e superior dos Franciscanos da Imaculada, e Dom Bernard Fellay.

Na verdade, os contatos entre estas duas ordens religiosas remontam já há tempos e traçam algumas convergências significativas que, à primeira vista, podem surpreender.

Dentro da FSSPX, de fato, em geral, ouve-se opiniões positivas sobre os Franciscanos da Imaculada, ao contrário do que acontece com as congregações chamadas “Ecclesia Dei”. Freqüentemente são louvadas a profunda espiritualidade e vida de penitência desses religiosos.

Não nos esqueçamos, além disso, que foi a própria editora dos Franciscanos da Imaculada que publicou o livro “Concilio Vaticano II, um discorso da fare”, de Monsenhor Brunero Gherardini, texto comentado com tom quase entusiasta na última edição de “La Tradizione Cattolica”, revista oficial da FSSPX na Itália.

Acrescentamos a este respeito que vozes críticas (de “direita”) dentro da Fraternidade São Pio X contra o texto de Gherardini foram refreadas pelo próprio Dom Fellay numa das últimas edições de Cor Unum, a publicação interna da Fraternidade.

Com efeito, enquanto as outras ordens “Ecclesia Dei” nasceram, algumas mais outras menos, de fraturas internas da FSSPX, e fraturas, infelizmente, sempre deixam feridas difíceis de cicatrizar, o mesmo não se pode dizer com relação aos Franciscanos da Imaculada.

O tempo dirá. Certamente, para o bem da Tradição, será necessário procurar algum tipo de harmonização dentro do mundo católico tradicionalista. Não é justo que as divisões e rivalidades internas, por vezes, pesem mais do que os próprios ataques dos modernistas. Mas ao mesmo tempo, uma certa concorrência ‘intrabrand’ é um sinal de vitalidade e riqueza e não se pode esquecer, a esse respeito, as ácidas disputas que – testemunha Dante Alighieri – opunham franciscanos e dominicanos.

Acrescente-se a isso que a autora do texto sobre Lefebvre, Cristina Siccardi, é próxima à Alleanza Cattolica (outra entidade cujas relações com a Fraternidade São Pio X tem sido historicamente difíceis), não podemos senão nos alegrar com estes sinais de ‘tradi-ecumenismo’ .

É possível ouvir a gravação nos site Sanpiox.it ou Maranatha

Esta, por sua vez, é a apresentação da edição de Siccardi, que recomendamos e à qual nos referimos neste post:

Dom Marcel Lefebvre (1905-1991), um nome que quase sempre faz estremecer, impronunciável, exceto em alguns ambientes restritos, onde é muito amado e reverenciado. Boa parte da opinião pública, católica e não-católica, o pintou como um “herege”, como um “cismático”, alguém que desejava criar uma igreja inteiramente sua…

Quantos erros, quantas fábulas se construíram em torno de pessoas que pensam, que raciocinam, que alegam verdades incômodas e por isso tornam-se elas mesmas incômodas. Incômodas como Lefebvre.

Conhecido na maior parte das vezes como o Bispo rebelde, Dom Lefebvre foi até agora colocado sob um faixo de luz difamatório, não pela sua conduta de vida, exemplar e altamente virtuosa, por todos verificável, mas pela sua forte tomada de posição contra um Concílio pastoral, o Vaticano II, cujos ditames via e denunciava as conseqüências descristianizantes e relativistas que dele surgiam.

Hoje, após quase vinte anos após sua morte e quarenta e cinco do encerramento do próprio Concílio, podemos nos aproximar historicamente dele com maior serenidade e sem ressentimentos, considerando este homem, melhor, este sacerdote, não como o inimigo de alguém, mas como um soldado corajoso e perspicaz de Cristo, paladino da integridade da Fé e da Santa Igreja Romana, do Primado Petrino e da Eucaristia.

Dom Lefebvre, graças também aos filhos que deixou, os padres da Fraternidade São Pio X, ainda está aí para indicar que a tradição, na doutrina Católica, na celebração do Santo Sacrifício da Missa de Sempre, na santidade sacerdotal, são as respostas aos problemas de um mundo que se perdeu em seu orgulho e em sua vaidade, destronando Cristo Rei.

Fonte: Messa in Latino

26 Comentários to “Um novo livro sobre Dom Marcel Lefebvre. As relações entre Fraternidade São Pio X e Franciscanos da Imaculada.”

  1. Dom Lefebvre um herói !!!
    Analisando hoje a realidade do clero católico modernista e liberal observando a lamentável realidade de muitos seminários verdadeiras gaiola de loucas… é preciso muita má fé para não reconhecer que Dom Lefebvre estava certíssimo. Ou a Igreja se volta para a tradição ou se volta para a tradição não tem outra saída.

  2. Aos poucos, vai-se fazendo JUSTIÇA a esse grande bispos. As vozes raivosas, que preteden denegrir a imagem e a figura do santo arcebispo non praevalebunt!!

  3. E pensar que os documentos todos do CVII foram assinados pelo arcebispo que depois saiu por aí “acusando o concílio”…

  4. Cidade do Vaticano, 10 jan (RV) – Dom Marcel Lefèbvre, o arcebispo francês já falecido, que originou o cisma tradicionalista, assinou apenas alguns dos documentos do Concílio Vaticano II, do qual havia participado, mas se negou a subscrever os dois mais relevantes: a constituição pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo de hoje, e a declaração Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa.

    http://storico.radiovaticana.org/bra/storico/2009-01/257841_dom_lefebvre_assinou_ou_nao_os_documentos_conciliares.html

  5. Pedro,
    D. Lefbvre, quando assinou os documentos do CVII, sabia sobre modernismo o mesmo que você quando tinha dois anos de vida. Ou seja: NADA.
    Ele e 99% dos bispos conciliares foram enganados pela linguagem rocanbolesca da Gandium et Spes manipulada pela “Aliança Européia” do Cardeal Frings.
    Aliás, sugiro que leia o livro “O Reno se lança sobre o Tibre-o concílio desconhecido”.

  6. o livro “Reno” se consegue em Português na editora Permanência

    http://www.editorapermanencia.com

    e-mail: capela@capela.org

    A tradução é do Padre Jahir da BFMV de Bahia.

  7. FAQ sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum do Papa Bento XVI

    http://www.sspx.org/SSPX_FAQs/q10_motu_proprio.htm

  8. Christiano, agradecido pelo envio da matéria, sugiro que continue lendo até o parágrafo seguinte ao que você copiou para sua mensagem…

  9. Existem aí duas coisas

    1) Pode ser a lista de presença à sessão e não de “placet”

    2) Como fala em “um” documento sobre o assunto pode se tratar do esquema conciliar sobre a tolerância religiosa, perfeitamente conforme à Doutrina Católica, do Cardeal Ottaviani, que foi jogado no lixo e que está na edição da Permanência de “Liberalismo e Apostasia” ou pode ser em alguma versão intermediária e não na versão final.
    Lembremos que Dom Lefebvre participou das comissões preparatórias.

    No site da Permanência há um artigo que traz o depoimento de Dom Lefebvre sobre o assunto.

    E, por fim, trago um exemplo para reflexão de vocês: o que importava mais para um fariseu não era a cura, mas o dia de sábado e a letra da lei contra o espírito; não era a santidade atual de Maria Madalena, mas seu passado de prostituição e adultério.
    Para Nosso Senhor, não.

  10. Mais uma vez recomendo vivamente a leitura do livro: O Concílio do Papa João de Michael Davies,que pode ser encontrado no site http://www.statveritas.com.ar sem esta leitura, toda observação, crítica ou análise do CVII quedará prejudicada e/ou incompleta.
    Salve Maria

  11. Pedro,

    As assinaturas exibidas pelo site panorama foram a tentativa canalha de criar uma notícia retumbante escondendo um fato essencial.

    Segundo o próprio Dom Lefebvre – falo por alto, não me recordo dos detalhes – havia pelo menos DUAS assinaturas para cada documento conciliar: uma que meramente indicava a PRESENÇA do bispo nas discussões e a outra propriamente ratificando o documento. Exibiram a lista de presença do bispo nas sessões – coisa que não era nenhuma novidade – simulando assentimento.

    O Arcebispo, entretanto várias vezes negou ter assentido formalmente à Gaudium et Spes e à Dignitatis Humanae. Estaria ele mentindo? Você sabia disto? Em qual dos dois devo acreditar?

    Ademais, nunca entendi o porquê dessa celeuma toda do assinou-ou-não-assinou. O próprio Arcebispo lamenta ter sido vítima de um injustificado otimismo no Concílio; é bem conhecida a sua afirmação de que “O Magistério, a Cúria Romana ainda não aceitou, nem vai aceitar, a Nova Teologia”, feita ainda com a Quarta Sessão aberta. Isso só prova que ele era exatamente o que a FSSPX diz que era – um homem em que estava ausente todo espírito de rebeldia, com uma confiança e fidelidade inquebrantáveis a Roma, que evitou qualquer medida extrema até ver fecharem-se diante de si todas as outras saídas.

    O que haveria de espantoso se ele tivESSE (uso o condicional porque isso não aconteceu!) assinado documentos ambíguos por um senso de confiança e submissão filial que o pressionou moralmente, como tantos outros bispos fiéis ali presentes? A estratégia dos Bispos do Reno era precisamente esta e graças a isso o Concílio conseguiu causar o estrago que causou.

    De qualquer modo, procurarei a referência exata do episódio da (não) assinatura, para encerrar o assunto por aqui.

  12. Será que o Fratres in Unum não traduziria o texto de La Tradizione Cattolica que fala de Mons. Gherardini?

    O último número está aqui:
    http://www.sanpiox.it/public/images/stories/PDF/TC/TC_75.pdf

  13. Prezado Pedro,

    A serpente se enconde por trás dos arbustos e no caso do CVII se esconde por trás dos documentos ambíguos..

    Se Dom Lefebvre assinou os documentos foi enganado por essa linguagem rocambolesca; não somente ele mas muitos outros, inclusive o Cardeal Ratzinger, que após terminar o Concílio já criticava na Universidade que ele lecionava o documento Gaudium et Spes.

  14. D. Lefevbre certamente será um dos maiores nomes de personalidades católicas do século XX. A posteridade constatará isso. Agora mesmo, 19 anos depois de sua morte, seu nome está mais atual do que nunca!
    E quanto mais o tempo passa, mais ridículo se torna criticá-lo, e mais católicos estão sendo obrigados a dizer: “Lefevbre estava certo!”.

  15. Se não fosse dom Lefebvre – e dom Castro Mayer também – com as Sagrações de 88, não existiria Missa Tradicional, nem Summorum Pontificum … e também este blog não teria razão de existir.
    Eu os considero autênticos herois.

  16. [2] Se não fosse dom Lefebvre – e dom Castro Mayer também – com as Sagrações de 88, não existiria Missa Tradicional, nem Summorum Pontificum … e também este blog não teria razão de existir.
    Eu os considero autênticos herois.

  17. [3]Se não fosse dom Lefebvre – e dom Castro Mayer também – com as Sagrações de 88, não existiria Missa Tradicional, nem Summorum Pontificum … e também este blog não teria razão de existir.
    Eu os considero autênticos herois.

  18. Desinformação e bizarrice acerca do CVII, por favor, leiam e comentem, é de dar dó!
    http://mundoestranho.abril.com.br/religiao/pergunta_287270.shtml

  19. Henrique,
    Parabéns pela lúcida postura. Se assinou ou não assinou não é a questão. É falsa a questão. A questão: tais documentos continuam ou não a tradição da Igreja? Qualquer pessoa pode ser enganada! Errare humanun est, ser perseverare …
    O modernismo é o esgoto de todas as heresias.

  20. Sobre a assinatura da Gaudium Et Spes e da Dignitatis Humanae, leiam:

    Possuímos algumas cartas de Mons. Lefebvre a esse respeito. Eis alguns trechos: “Que ela (a santíssima Virgem) confunda aqueles que, por suas mentiras e malicia, tentam por todos os meios nos humilhar e nos fazer passar por mentirosos ou “gagás”! (…) Se nós dois tivéssemos morrido, Mons. De Castro Mayer e eu, seria fácil nos fazer passar por mentirosos, mas enquanto estamos vivos, é um pouco temerário. Eles podem pensar o que quiserem, jamais poderão convencer que votamos no Concílio diversos documentos junto com os demais, e não poderão jamais provar que “non placet” significa “placet”. Os Padres do Concílio não teriam jamais aceitado que a maneira de votar seja de tal modo ambígua, que se possa depois fazer que aqueles que disseram “não” pareçam ter dito “sim”. Não se tratava de uma reunião de imbecis! … É preciso uma forte dose de desonestidade para se lançar a tarefa de provar que o ”non placet” dos Padres do Concílio terminou por se tornar um “placet”. Por que não o contrário? É preciso muita convivência com espíritos tão desviados como os do Pde. * e do Pde. De *, que provam por sua própria atitude que o seu ”placet” pode vir a tornar-se um “non placet”, ou inversamente”. (14 de junho de 1990). — “A lista e as assinaturas dos Padres cujos nomes se encontram no volume IV, parte VII, pág. 804 dos documentos do Concílio indicam apenas os Padres que estavam presentes (ou representados N. de Le Sel de la Terre) em São Pedro quando foram sucessivamente apresentados os 4 decretos (sobre a Liberdade religiosa, sobre a Atividade missionária, o Ministério dos padres, a Igreja no mundo). É necessário má-fé para interpretar essas assinaturas como se fossem aprovações ao conjunto dos 4 decretos. É absurdo pensar que se possa assinar, aprovar ou recusar 4 decretos a um só tempo. (…) É evidente, e nós sempre afirmamos, que Mons. de Castro Mayer, Mons. Sigaud e eu mesmo votamos contra a Liberdade religiosa e a Igreja no mundo. Ao nos fazer passar por mentirosos, ao falsear os documentos, pode-se julgar a desonestidade do P. de… e dos que se apressaram em reproduzir estas mentiras.. (1 de junho de 1990). — “Deus é testemunha de que sempre recusamos assinar estes dois decretos. Se alguém pode lembrar-se disso, este alguém sou eu e não estes jovens que mal haviam nascido nos tempos do Concílio…!. (20 de abril de 1990).

    Trata-se da nota 63 do artigo “A declaração “Dignitatis Humanae é compatível com a doutrina tradicional?”. O artigo completo pode ser lido no endereço:

    http://www.permanencia.org.br/drupal/node/974#footnote63_xxsex7n

  21. [4]Se não fosse dom Lefebvre – e dom Castro Mayer também – com as Sagrações de 88, não existiria Missa Tradicional, nem Summorum Pontificum … e também este blog não teria razão de existir.
    Eu os considero autênticos herois.

  22. Gederson,

    Deus lhe pague.

  23. Amigo Gederson.

    Agradeço a divulgação desse texto.
    Tenho lido que Mons. Lefebvre TERIA assinado esses documentos do CV II.
    Mas também tenho lido que Mons. Lefebvre NÃO TERIA assinado os referidos documentos.

    Agora compreendo. Mons. Lefebvre NÃO assinou, isto é: ele esteve presente na discussão mas não concordou.

    Como não conhecia este texto, fico agora mais convicto que foi preciso uma grande coragem de Mons. Lefebvre, para enfrentar os “lobos”.

    Invoquemos também nós, o Santo que certamente ajudou Mons. Lefebvre no combate pela Tradição e pelo Santo Sacerdócio.

    Sanctae Pio X, ora pro nobis.

  24. [5]Se não fosse dom Lefebvre – e dom Castro Mayer também – com as Sagrações de 88, não existiria Missa Tradicional, nem Summorum Pontificum … e também este blog não teria razão de existir.
    Eu os considero autênticos herois.

  25. Caros amigos Henrique e Josè Costa,

    realmente a història dessas assinaturas è muito controversa, mas o testemunho do pròprio Dom Lefebvre desfaz qualquer tentativa de aplicar o evolucionismo, neste caso (rs). Outra història similar a esta, è a do abaixo assinado pela condençao do comunismo. Pelo que parece houve um grande nùmero de assinaturas, mas inexplicàvelmente o abaixo assinado sumiu. Daì da para se ver que nao havia maldade, porque se fosse hoje, fariam em duas, tres ou quatro vias…

    No mais, è um prazer poder servi-los na verdade, ainda mais em defesa do nosso heròi, Dom Marcel Lefebvre.

    Fiquem com Deus.

    Abraço