Na festa de São Pio X.

São Pio X, rogai por nós!

São Pio X, rogai por nós!

O padre deve realizar todas as suas ações, todos seus passos, todos seus hábitos em harmonia com a sublimidade de sua vocação. O padre que no altar celebra os mistérios eternos, assume, como fosse, uma forma divina; assim,  não deve ceder quando desce do Alto Monte e sai do Templo do Senhor. Onde quer que esteja, ou em qualquer trabalho que realize, nunca deve deixar de ser padre, acompanhado pela dignidade, sobriedade e decoro de um padre.  Deve, portanto, ser santo; deve ser sagrado, de forma que suas palavras e trabalhos expressem seu amor, enfatizem sua autoridade e imponham respeito. A dignidade exterior é mais poderosa do que eloqüentes palavras… Por outro lado, se ele esquece a dignidade de seu caráter, se não mostra em seu comportamento exterior mais sobriedade do que os leigos, incorre no descontentamento daquelas próprias pessoas que aplaudem sua frivolidade mas não demoram em desprezar tanto a ele como aquilo que representa.

Giuseppe Melchiorre Sarto, bispo de Mántua – futuro São Pio X

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Em 1º de setembro de 1910, Sua Santidade, o Papa São Pio X, através do motu proprio Sacrorum Antistitum, promulgou o famoso Juramento Anti-modernista, a ser proferido obrigatoriamente por todos os padres, bispos, catequistas e seminaristas;  juramento este abolido por Paulo VI, em 1967 :

Eu, N., firmemente aceito e creio em todas e em cada uma das verdades definidas, afirmadas e declaradas pelo magistério infalível da Igreja, sobretudo aqueles princípios doutrinais que contradizem diretamente os erros do tempo presente.

Primeiro: creio que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza e pode também ser demonstrado, com as luzes da razão natural, nas obras por Ele realizadas (Cf. Rm I 20), isto é, nas criaturas visíveis, como [se conhece] a causa pelos seus efeitos.

Segundo: admito e reconheço as provas exteriores da revelação, isto é, as intervenções divinas, e sobretudo os milagres e as profecias, como sinais certíssimos da origem sobrenatural da razão cristã, e as considero perfeitamente adequadas a todos os homens de todos os tempos, inclusive aquele no qual vivemos.

Terceiro: com a mesma firme fé creio que a Igreja, guardiã e mestra da palavra revelada, foi instituída imediatamente e diretamente pelo próprio Cristo verdadeiro e histórico, enquanto vivia entre nós, e que foi edificada sobre Pedro, chefe da hierarquia eclesiástica, e sobre os seus sucessores através dos séculos.

Quarto: acolho sinceramente a doutrina da fé transmitida a nós pelos apóstolos através dos padres ortodoxos, sempre com o mesmo sentido e igual conteúdo, e rejeito totalmente a fantasiosa heresia da evolução dos dogmas de um significado a outro, diferente daquele que a Igreja professava primeiro; condeno semelhantemente todo erro que pretenda substituir o depósito divino confiado por Cristo à Igreja, para que o guardasse fielmente, por uma hipótese filosófica ou uma criação da consciência que se tivesse ido formando lentamente mediante esforços humanos e contínuo aperfeiçoamento, com um progresso indefinido.

Quinto: estou absolutamente convencido e sinceramente declaro que a fé não é um cego sentimento religioso que emerge da obscuridade do subconsciente por impulso do coração e inclinação da vontade moralmente educada, mas um verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora pela pregação, pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente veraz, nós cremos tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

Submeto-me também com o devido respeito, e de todo o coração adiro a todas as condenações, declarações e prescrições da encíclina Pascendi e do decreto Lamentabili, particularmente acerca da dita história dos dogmas.

Reprovo outrossim o erro de quem sustenta que a fé proposta pela Igreja pode ser contrária à história, e que os dogmas católicos, no sentido que hoje lhes é atribuído, são inconciliáveis com as reais origens da razão cristã.

Desaprovo também e rejeito a opinião de quem pensa que o homem cristão mais instruído se reveste da dupla personalidade do crente e do histórico, como se ao histórico fosse lícito defender teses que contradizem a fé o crente ou fixar premissas das quais se conclui que os dogmas são falsos ou dúbios, desde que não sejam positivamente negados.

Condeno igualmente aquele sistema de julgar e de interpretar a sagrada Escritura que, desdenhando a tradição da Igreja, a analogia da fé e as nosmas da Sé apostólica, recorre ao método dos racionalistas e com desenvoltura não menos que audácia, aplica a crítica textual como regra única e suprema.

Refuto ainda a sentença de quem sustenta que o ensinamento de disciplinas histórico-teológicas ou quem delas trata por escrito deve inicialmente prescindir de qualquer idéia pré-concebida, seja quanto à origem sobrenatural da tradição católica, seja quanto à ajuda prometida por Deus para a perene salvaguarda de cada uma das verdades reveladas, e então interpretar os textos patrísticos somente sobre as bases científicas, expulsando toda autoridade religiosa, e com a mesma autonomia crítica admitida para o exame de qualquer outro documento profano.

Declaro-me enfim totalmente alheio a todos os erros dos modernistas, segundo os quais na sagrada tradição não há nada de divino ou, pior ainda, admitem-no, mas em sentido panteísta, reduzindo-o a um evento pura e simplesmente análogo àqueles ocorridos na história, pelos quais os homens com o próprio empenho, habilidade e engenho prolongam nas eras posteriores a escola inaugurada por Cristo e pelos apóstolos.

Mantenho, portanto, e até o último suspiro manterei a fé dos pais no carisma certo da verdade, que esteve, está e sempre estará na sucessão do episcopado aos apóstolos¹, não para que se assuma aquilo que pareça melhor e mais consoante à cultura própria e particular de cada época, mas para que a veradde absoluta e imutável, pregada no princípio pelos apóstolos, não seja jamais crida de modo diferente nem entendida de outro modo².

Empenho-me em observar tudo isso fielmente, integralmente e sinceramente, e em guardá-lo inviolavelmente, sem jamais disso me separar nem no ensinamento nem em gênero algum de discursos ou de escritos. Assim prometo, assim juro, assim me ajudem Deus e esses santos Evangelhos de Deus.

12 Comentários to “Na festa de São Pio X.”

  1. É impressionante como João XXIII, Paulo VI e outros trataram de alterar, abolir e destruir o que a Igreja tem de melhor.
    A Igreja, como uma fortaleza inexpugnável, teria que ser atingida por dentro. O estrago foi grande.
    Jesus Cristo sabia quem era o inimigo e quando ele ia agir, São Pio X também.
    Giuseppe Sarto imitava e agia como Nosso Senhor na terra.
    É assim que um papa deve ser.
    São Pio X rogai por nós.

    Roberto F Santana
    robertofsantana@aol.com

  2. Modelo de Papa para muitos outros! Bastante esquecido por muitos bispos brasileiros. O Seminário de Belém do Pará chama-se S.Pio X e talvez por isso tenhamos por lá até pontifical agora. Que São Pio X do céu interceda por Bento XVI e por aqueles que amam a tradição.

  3. É muito triste ver o que João XXIII, Paulo VI e os teólogos modernistas, condenados pelas encíclicas Pascendi e pelo decreto lamentabili, conseguiram fazer com a Igreja Católica e a liturgia da Santa Missa.

    São Pio X rogai por nós

  4. São Pio X é inesquecível!!!! Na Igreja N.S. da Glória, no bairro do Cambuci (minha paróquia de origem)tem uma pintura, na parede direita do átrio, de Pio X ainda como beato. Seus ensinamentos e obras não hão de ficar no passado!!!!!

  5. “A dignidade exterior é mais poderosa do que eloqüentes palavras… Por outro lado, se ele esquece a dignidade de seu caráter, se não mostra em seu comportamento exterior mais sobriedade do que os leigos, incorre no descontentamento daquelas próprias pessoas que aplaudem sua frivolidade mas não demoram em desprezar tanto a ele como aquilo que representa”.
    Como isso é verdade…
    Os padres secularizaram-se até nos trajes com a desculpa, esfarrapada, de aproximarem-se do povo…Que mentira mais diabólica!!!
    O que aconteceu?
    Fizeram dele um zé ningúem…
    Fizeram das Paróquias, a “casa da mãe Joana”, onde todo mundo mete o bedelho, todo mundo “sabe” tudo e ninguém obedece nada. O padre tornou-se um palhaço nas mãos de certas “párocas” e “lideranças” da Comunidade, onde é um pandemônio só…Ninguém se entende e cada um quer mostrar mais poder…
    São Pio X, rogai por nós!

  6. É a S. Pio X que deveríamos chamar de “Magno” ou “Grande”, não qualquer outro dos Papas dos últimos 40 anos.

    Qualquer católico (ou mesmo não-católico) que se dedique, com sincero propósito de busca da verdade, a ler o que fizeram e ensinaram S.Pio X e seus sucessores até Pio XII, consegue ver claríssimamente em que barafunda nos meteram os papas e (pseudo)teólogos modernistas do séc. XX.

    Sancte Pie X – Ora pro Nobis.

  7. Conclamos todos a usarem a expressão “São Pio X, Magnum”, quando se referirem ao Grande São Pio X.

    São Pio X Magnum, rogai por nós!

  8. como dizia o nosso querido pe fábio de melo: “o dogma evolui!!!”

  9. Após vaticano II é no mínimo vergonhoso chamar algum Papa de Magno a não ser que apareça um que coloque a IGreja novamente nos eixos da tradição de onde ela nunca deveria ter saído.
    São Pio X MAGNO rogai por nós!

  10. A sentença do P. Fábio de Melo é digna daqueles que S. Pio X fulminou com a Encíclica Pascendi.

    Junto com a Encíclica Pascendi há outra de vital importância para os dias de hoje. Aquela que S. Pio X escreveu no início de seu pontificado: E Supremi Apostolatus. Nela, o Santo Padre explicava e delineava as diretrizes do seu pontificado com seu lema “Instaurare omnia in Christo”.

  11. Reitero: Sancte Pie X, Magnum, ora pro nobis.

  12. Hoje a corriola de bispos e padres modernistas quando se referem ao grande Papa da Pascendi, São Pio X, dizem simplesmente: Pio X. Agora quando falam do “bom”(urgh!) papa João XXIII eles dizem: o Beato João XXIII!
    Pois é, aos amigos marmelada, aos inimigos paulada!
    Nestes tempos atribulados, São Pio X teria muito trabalho! Que falta nos fazem papas assim, destemidos e abnegados como este amado pontíficie!

    São Pio X, ora pro nobis!