Jornal Vaticano examina a crise na música sacra.

(Catholic Culture) Numa conferência pronunciada em 6 de outubro e impressa no L’Osservatore Romano, o Padre Uwe Michael Lang debateu as visões dos Papas Bento XIV e Bento XVI sobre a música sacra.

Lang, consultor do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontifíce, recordou uma conferência de 1977 do Cardeal Ratzinger em que analisava as raízes teológicas da crise contemporânia da música sacra. O Cardeal Ratzinger acreditava que um “funcionalismo puritano” levou as paróquias a interpretar de modo incorreto o chamado do Concílio Vaticano II a uma “participação ativa”, resultando que scholas, corais e instrumentos de música clássica foram subestimados e os cantos da assembléia exaltados como a única música válida.

Ao mesmo tempo, o Cardeal Ratzinger viu um “funcionalismo de adaptação” que deu surgimento à música de igreja inspirada pelo jazz e pop — formas de música que, ironicamente, eram tão “elitistas” como os coros de outrora.

Lang também recordou a encíclica Annus Qui, do Papa Bento XIV, de 1749, que descreveu como o texto papal mais importante sobre a música sacra antes do papado de São Pio X. O Papa Bento XIV louvou o canto e permitiu a polifonia e a música orquestral — em contraste com a tendência de sua época de usar a música do teatro na sagrada liturgia.

10 Responses to “Jornal Vaticano examina a crise na música sacra.”

  1. O Ultrapapista traduziu o texto da conferência do Cardeal Ratzinger sobre música sacra em 1977 citada na matéria. Creio que é a única versão em português. Eu não coloco o link aqui porque estou navegando do celular, mas é só clicar na tag de música sacra que está lá.

  2. A música é apenas um reflexo daquilo que foi feito na teologia e na filosofia. Neste sentido, o Vaticano II foi antes no campo teológico e filosófico também um “funcionalismo de adaptação”, então como desautorizar e deplorar que o mesmo se sucedesse, na música ?

    Parece que com o abandono do tomismo, também se abandonou a analogia, que aparece como a responsável pela comunicação entre a música, a teologia e a filosofia. Considerando de um outro modo, qual música poderia “hospedar” a filosofia e a teologia do vaticano II, se não a própria música moderna?

  3. São Pio X disse no seu Motu Proprio TRA LE SOLLICITUDE sobre a Música Sacra:

    “Por tais motivos, o canto gregoriano foi sempre considerado como o modelo supremo da música sacra, podendo com razão estabelecer-se a seguinte lei geral: uma composição religiosa será tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproxima no andamento, inspiração e sabor da melodia gregoriana, e será tanto menos digna do templo quanto mais se afastar daquele modelo supremo.”

    A regra de São Pio X é clara. Por que ainda insistem em fazer músicas de péssima qualidade (melódica, harmônica e textual) ao ritmo de baião, axé, baladinha e coisas do gênero (ritmos nada cristãos)?

    Música Sacra de qualidade é Canto Gregoriano e Polifonia Clássica ao estilo de Palestrina!

  4. Pois é ouvir aquela música dos hereges:como zaqueu eu quero estar…. isso que eu chamo de “revolução do amor” kkkkkkkkk

    A Melissa do blogue Mulher Católica, pode postar aqui com propriedade de conhecimento. Vai que é sua Melissa! :)

  5. Curiosamente saiu um texto na Zenit dizendo que o CVII, entende a Igreja Particular como Rito. Veja o texto da Zenit:

    Que é um rito? Zenit
    Para conhecer melhor as igrejas orientais
    Por Hani Bakhoum Kiroulos
    ROMA, quarta-feira, 6 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – Às vésperas da assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a Terra Santa, apresentamos uma série de artigos de fundo para contribuir para um melhor conhecimento das igrejas do Oriente, seus ritos, sua liturgia e sua vida eclesial. Os textos são assinados pelo padre Hani Bakhoum Kiroulos, doutor em direito canônico, e foram publicados originalmente pela edição árabe de ZENIT.
    * * *
    O termo “rito” não é uma inovação da cristandade, mas foi retomado pela Igreja e tem sido utilizado com toda sua riqueza e ambiguidade.
    Rito e liturgia
    O termo “rito” sempre teve um sentido religioso ligado à esfera litúrgica que permanece até nossos dias. Já a Vulgata fazia deste termo um sinônimo de cerimônia, de prescrições e de costumes ligados à liturgia.
    Com o “rito”, a Igreja indicava no início a praxis de uma certa liturgia, como rito da aspersão da água ou o rito de acrescentar a água no vinho, na Santa Missa. Depois começa a indicar uma cerimônia de culto, quer dizer, toda a função litúrgica, como o rito do batismo e o rito da missa, por exemplo: ou inclusive indicava-se com o termo “rito” o próprio conjunto da liturgia, como o rito romano, ou o rito ambrosiamo em Milão [1].
    Rito entre lei e disciplina
    A finais do século XII, com Celestino III (1191- 1198), o termo “rito” foi usado para indicar o conjunto de leis ou de costumes que se devem respeitar e observar atentamente. Celestino III, de fato, aos bispos gregos que tentavam impor a observância de seus ritos e costumes ao clero latino, ele impedia de mesclar os diversos ritos.
    Em seguida, o rito começou a indicar toda a comunidade que observa estas leis, disciplina e liturgia. Aparece, portanto, o sentido de “igreja particular”.
    Rito e igreja particular
    Desde o século XVII, começa-se a falar do rito Latino, do rito Armênio e do rito Grego. Aparece, portanto, este novo significado do termo “rito”, como igreja particular. A primeira codificação oriental seguia usando o termo “rito” em seus diversos significados, seguindo o código de 1917. Por exemplo, o Motu Proprio Cleri Sanctitati [2], de Pio XII, no can. 200, utiliza o termo “rito” no sentido de cerimônia litúrgica. O Motu Proprio Crebrae Allatae [3], em contrapartida, no can. 86 § 1. 2°, com o termo “rito” indica os fiéis que pertencem a uma igreja particular.
    Do Vaticano II ao Código dos Cânones das Igrejas Orientais
    O Concílio utiliza o termo “rito” de duas formas diferentes – ou para dizer melhor – de duas formas complementares [4]. Na primeira, o Concílio Vaticano II abre uma nova dimensão ao termo “rito”, dando-lhe uma nova definição. Na segunda forma, o Concílio utiliza o termo “rito” com o significado já recebido no passado.
    Por uma parte, o decreto conciliar Orientalium Ecclesiarum [5], que é um decreto sobre as Igrejas Orientais, no número 3, dá uma definição bem precisa do termo “rito”: “Tais igrejas particulares, tanto do Oriente como do Ocidente, embora difiram parcialmente entre si em virtude dos ritos, isto é, pela liturgia, disciplina eclesiástica e património espiritual, são, todavia, de igual modo confiadas o governo pastoral do Pontífice Romano, que por instituição divina sucede ao bem-aventurado Pedro no primado sobre a Igreja universal” [6]. Observa-se, portanto, que com o termo “rito” indica-se o conjunto do patrimônio litúrgico, disciplinar e espiritual de uma igreja particular. Definindo assim o termo “rito”, o Concílio prolonga seu sentido recebido já desde o passado e lhe atribui um sentido canônico.
    O Concílio Vaticano II segue utilizando o termo “rito” indicando também o conjunto dos atos litúrgicos ou a própria função, por exemplo, no número 71 de SC [7] utiliza a expressão “rito da Confirmação”; no número 19 de PO [8], “rito da Ordenação”, etc.
    Por outro lado, o Concílio Vaticano II utiliza o termo “rito” como sinônimo de “igreja particular”. De fato, o decreto conciliar Orientalium Ecclesiarum, nos números 2, 3, 4 e também no título do parágrafo utiliza esta expressão: “As Igrejas Particulares ou os Ritos”. Para o Concílio Vaticano II, portanto, o termo “rito” é uma expressão com a qual se entende também a “igreja particular”.
    Em seguida, o Codex Iuris Canonici [9] de 1983 simplifica a terminologia, dando um só e único sentido ao termo “igreja particular”. Como igreja particular, no Codex Iuris Canonici se entende só a diocese. Enquanto que com o termo “rito”, entendem-se as celebrações litúrgicas, como se afirma no can. 2.
    Para as Igrejas orientais que estão em comunhão com Roma, o Codex Iuris Canonici, em diversos cânones, usa o termo “iglesia ritual sui iuris”. Observa-se também que o Codex Iuris Canonici segue utilizando o termo “rito” para indicar uma igreja oriental.
    O Código dos Cânones das Igrejas Orientais, no can. 28 § 1, dá uma definição muito precisa da noção de “rito”: O rito é o patrimônio litúrgico, teológico, espiritual e disciplinar, diferente por cultura e circunstâncias históricas dos povos, que se expressa no modo de viver a fé que é próprio de cada Igreja sui iuris.
    Observa-se deste cânon que o rito converte-se no patrimônio de um grupo. Este patrimônio não é comum, portanto, a todas as Igrejas orientais: cada uma tem o seu. O rito é um patrimônio que tem quatro elementos essenciais: litúrgico e teológico, espiritual e disciplinar. Este é depósito e totalidade de uma comunidade religiosa em seu conjunto.
    A noção de “rito”, desta forma, recebe uma riqueza e clareza pela primeira vez na história da Igreja. Converte-se na maneira em que um povo vive sua própria fé.
    O Codex Canonum Ecclesiarum Orientalium não fica sozinho em definir a noção de “rito”, ao contrário, para evitar qualquer ambiguidade, estabelece seu nascimento e origem:
    28 § 2. Os ritos dos que se trata no Código são, a menos que não conste o contrário, os que têm origem nas tradições Alexandrina, Antioquena, Armênia, Caldeia e Constantinopolitana.
    Cinco são as tradições, as matrizes, de todos os ritos. A tradição é a origem do rito. A própria tradições, inclusive, poderia ser a origem de vários ritos diferentes.
    Concluindo, observa-se que no Codex Canonum Ecclesiarum Orientalium a noção de “rito” toma o sentido de patrimônio e com ela se expressa a maneira de um grupo viver sua própria fé em sua totalidade litúrgica, espiritual, cultural e disciplinar.
    — — —
    1) Cfr. E. EID, Rite, Église de Droit Propre e Juridiction, en L’année canonique, 40 (1998), 7.
    2) AAS, 49 (1957) 433- 600.
    3) AAS, 41 (1949) 89- 117.
    4) Cfr. E. EID, Rite, Église de Droit Propre e Juridiction, 9.
    5) CONCILIUM OECUMENICUM VATICANUM II, Decretum de Ecclesiis Orientalibus Catholicis, Orientalium Ecclesiarum, (21.XII. 1964), in AAS, 57 (1965), 76- 89.
    6) OE 3.
    7) CONCILIUM OECUMENICUM VATICANUM II, Constitutio de Sacra Liturgia, Sacrosanctum Concilium, (4. XII. 1963), in AAS, 56 (1964) 97- 138.
    8) CONCILIUM OECUMENICUM VATICANUM II, Decretum de Presbyterorum Ministerio et Vita, Presbyterorum Ordinis, (7. XII. 1965), in AAS, 58 (1966) 991- 1204.
    9) I. PAULI II PP., Codex Iuris Canonici, in AAS, 75 (1983), pars II, 1– 317.

  6. Não é só a música sacra que está em crise, em crise também ficamos nós quando ouvimos essas músiquinhas chulé que impesteiam as paróquias Brasil afora.

  7. Amanhã na TVESCOLA, passará um documentário “Música Sacra” , às 22:00, que abordará Palestrina…, é algo diferente na/da televisão….o primeiro episódio foi interessante…não tenho nada a reclamar…embora, não eu não conheça o assunto profundamente, todo o ciudado deve ser tomado. Mas fica aqui a dica.

  8. Correção:
    O documentário Música Sacra, que eu havia falado acima, passará hoje, 11/10, às 22:00 na TVESCOLA.

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