O “alto clero” na corte da comendadora Dilma.

Por Padre João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

Um dos jargões mais batidos da esquerda católica foi sempre acusar a Igreja de antes do VII [Vaticano II] de ter sido aliada dos poderosos, defensora das classes privilegiadas, distante dos pobres e omissa na luta pela dignidade dos oprimidos. Dizem até que a Igreja demorou a abandonar o discurso legitimista na esperança de um dia ver restaurados os tronos e as cortes européias onde o alto clero vivia, ao lado da nobreza palaciana, de forma parasitária.

Essa é a caricatura que eu mesmo tive várias vezes a oportunidade de ouvir da boca dos demagogos da esquerda festiva ligados à Igreja pós-conciliar. Lembro-me de uma abade premonstratense  que teve a petulância de assacar essa acusação contra mons. Lefèbvre, o santo bispo que passou a maior parte da sua vida tão sacrificada como missionário entre os pobres deserdados do continente africano.

Que tenha havido clérigos áulicos, ninguém nega. Que tenha havido  homens da Igreja oportunistas e maquiavélicos querendo estar sempre de bem com os poderosos é fato histórico. Mas daí a dizer que essa seja a nota predominante e característica da Igreja de antes do VII vai uma grande diferença.

Quem lê os sermões do padre Vieira, articulador maior da restauração do trono português em 1640 e amigo próximo do rei dom João IV, logo se admira da liberdade e franqueza do notável pregador em denunciar mazelas e injustiças da parte dos grandes. Quem lê os Discursos sobre a História Universal de Bossuet também logo se convence da retidão do célebre prelado do Antigo Regime. Aqui poderíamos multiplicar os exemplos, sem falar da coragem dos papas de antes do Vaticano II em combater o perigo comunista que ameaçava todo Ocidente, sem medo de represália, sem nenhuma tentação de um acordo indigno com o inimigo. Isso só ocorreu durante o malfadado VII.

Mas agora vemos um clero oportunista e velhaco vendendo-se para a Dona Dilma. Ignomínia maior é impossível imaginar.  Agora vemos religiosos prepotentes punindo o padre José Augusto, um sacerdote humilde e nobilíssimo, por ter alertado os católicos quanto à gravidade do momento político que vivemos.

Realmente, causa nojo ver o sr. Gabriel Chalita, pseudo-intelectual católico que não passa de um mascate da auto-ajuda pentecostal, defendendo o PT; na verdade, querendo engabelar os pobres carismáticos com a idéia de que é boato o fato incontestável de que o referido partido é anticristão por prever em seu programa a legalização do aborto e da união civil entre homossexuais. E tudo isso sob a égide da cúpula da Canção Nova e da CNBB.

Estou convencido de que a Canção Nova hoje adota os mesmos métodos da Rede Globo e do falecido Roberto Marinho no tempo da ditadura militar.

Esses homens, sim, áulicos e impostores. Meu Deus! Que falta nos faz um Dom Gastão Liberal Pinto! Um prelado digno sob todos os aspectos que por muito menos não se curvou diante do ditador Getúlio Vargas que queria tripudiar sobre a terra dos bandeirantes!

Esses homens, sim, são uns venais, porque, em troca de uns favores do governo Lula, renegam princípios sagrados. Não tolerei ver aquele bispo que, para formular uma pergunta à comendadora Dilma sobre o que previa o seu projeto de governo para as crianças, teceu primeiro rasgados elogios ao governo Lula pelo que teria feito em favor da infância. O governo Lula distribui camisinha nas escolas e esses homens têm coragem de prestigiá-lo!

Como estamos longe do tempo em que um padre do interior de São Paulo recusou-se a receber o imperador Pedro II no átrio da igreja por haver o monarca sido conivente com a injustiça cometida contra Dom Vital e Dom Macedo Costa, os heróicos bispos que combateram a  maçonaria. Indagando do motivo da atitude do sacerdote, o imperador admirou-se da sua altivez e dirigiu-se à sacristia para saudá-lo.

Hoje, tudo ao contrário. Salvo raras e honrosas exceções, parece que no Brasil muitos bispos reencarnam aqueles inquisidores que condenaram Joana D’ Arc por estarem vendidos ao inimigo da pátria. Agora estão vendidos para a Venezuela, para Cuba, quem sabe, para as Farcs! Suprema humilhação!

Tudo porque querem ter em Brasília uma corte. Querem ser áulicos da Dona Dilma Rousseff, a quem vão talvez condecorar com a comenda da Ordem de Dom Helder Câmara, o bispo vermelho, se é que não vão obrigar a própria Santa Sé a conferir-lhe uma honraria pontifícia.

Realmente, só falta o circo pegar fogo. Só falta chover enxofre sobre a Sodoma da América do Sul.

12 Comentários to “O “alto clero” na corte da comendadora Dilma.”

  1. Por que será que toda vez que se referem a Santa Joana d´Arc esquecem o título de santa? Já que ela foi canonizada merece usa-lo. E santa ela foi durante toda a sua vida.

  2. +

    Lindo o texto, Rev. Padre João.

    Mas um tanto quanto oportunista. Quando o senhor estava em La Reja não chamava Dom Lefebvre de santo… agora que Roma dá passos na direção dele, tece elogios sem fim.

    Realmente, que o enxofre caia sobre o Brasil e que Nossa Senhora Aparecida salve os inocentes perseguidos.

  3. Falta uma denúncia mais efetiva em meios de comunicação mais abertos e diretos que a Internet.

  4. Excelente!!! O Rev. Padre João Batista Ferraz sempre nos oferece uma reflexão madura e verdadeiramente católica!
    Que Deus o ilumine sempre!

  5. Reenvio o comentário com alguma correção de digitação. Peço considerar este texto. Grato!

    É claríssima a proposta anti-cristã do PT exposta no PNDH3, como muitos sabem disso, mas o povo, o povo simples e desinformado, não tem alcance para entender as sutilezas dos discursos eleitoreiros, ainda mais com a sofisticação da retórica hollyhoodiana que apresenta agora a maoísta Dilma como mãe do Brasil. E então, transformam a ex-guerrilheira, ex-terrorista, comunista, marxista e atéia Dilma Roussef como devota de Nossa Senhora, que vai ao principal santuário mariano do País, pela primeira vez em sua vida, somente para posar para as câmaras fotográficas e televisivas como boa cristã e católica. Ela que faz descaso da fé, que despreza a Igreja, e que vai agir feito rolo compressor contra os cristãos em nosso País, busca com desespero os votos do povo católico. O próprio Hugo Chávez já alertou a todos dizendo alto e em bom tom: “Ela é da linha dura do PT”. Com ela, vão implantar o socialismo no Brasil.
    E o mais triste da foto estampada hoje na Folha de São Paulo, é que ao lado de Dilma, está o deputado federal eleito Gabriel Chalita, sorridentíssimo, pois está conseguindo – ao que parece – estancar a sangria de votos entre o rebanho católico – obcecado que ele está pelo Ministério da Educação num provável Governo Dilma, confirmando assim, sem remorso algum, o seu pacto faustiano.
    O Ministério da Educação será peça-chave para a lavagem cerebral que se prepara com o governo Dilma, para minar de vez a influência cristã em nosso País. O que já aconteceu na Alemanha nazista é o que se prepara para ocorrer no Brasil. E mais uma vez, a Igreja Católica é chamada a ser protagonista, voz profética e “sinal de contradição” à ideologia perversa que aí está. A História, a exemplo do que já aconteceu no passado, vai cobrar daqueles que hoje podem e devem se posicionar. A Igreja Católica é chamada hoje a ser coerente com sua doutrina moral e social, daí que não pode aprovar candidatos que sejam declaradamente a favor do aborto.

  6. O PT e seus simpatizantes ja estao ameaçando de tirar sites catolicos da internet.
    Temos que divulgar este tipo de atitude.

    Vejam este link

    http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/9504/Leia-e-Divulgue-Eleicoes-2010-sobre-as-ameacas-que-este-site-vem-sofrendo

  7. belissimo texto.

  8. Bravo! Bravíssimo!!
    Parabéns, Padre João Batista. Excelente texto!

  9. Pe. Paulo Ricardo sobre o aborto.
    O vídeo mais esperado do momento:
    http://padrepauloricardo.org/blog/em-defesa-da-vida/
    Resta saber se a Canção Nova vai dispensá-lo também.

  10. Sr. José Roberto.
    Não nos conhecemos. Não fomos contemporâneos no seminário de La Reja.
    Seu comentário me parece maldoso, uma intriga, um mexerico de comadre, próprio de uma eleitora da Dilma.
    Não fui expulso do seminário de La Reja. Tenho grata lembrança de meus professores, Pe. Calderon, Pe. Olmedo, Pe. Devillers, entre outros.
    Sempre defendi o mons. Lefebvre e a Fraternidade São Pio X. Lá por 1999, bem antes da atual aproximação, escrevi ao papa em defesa da Fraternidade. Lembro-me de que na ocasião o pe. Rifan me disse que minha carta tinha chegado ao conhecimento de mons. Fellay e tinha sido bem apreciada. Que ele então disse numa reunião em Ecône: bis!
    Só saí da Fraternidade, movido realmente por uma decisão pessoal, porque não era da minha índole ficar envolvido 24 hs. ao dia em ambiente de polêmica. Prefiro ocupar-me de outras coisas a ficar o dia todo falando de Vaticano II, missa nova etc. A Fraternidade não compreendeu minha atitude, parece até magoada. Paciência.
    Por fim, quero esclarecer que se engana quem pensa que o atual processo de aproximação entre a Santa Sé e a Fraternidade é unilateral. Basta ler a edição de Si Si No No italiana para inteirar-se que as coisas estão adquirindo nova tonalidade.
    Peço desculpa ao responsável deste blog por ocupar este espaço em defesa pessoal. Mas é um assunto irritante, que volta e meia vem à baila.
    Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

  11. Que Deus tenha misericórdia e resguarde os justos ainda presentes no Brasil dessa ‘chuva de enxofre’, ou mesmo, do tiroteio ditaduresco que vem aí…

  12. Nosso Senhor prometeu no Evangelho que sua Igreja triunfará no final, mas não disse nada sobre o Brasil: este país já era…

    Não concordo (porque a Fé católica não se coaduna) com as crenças neopentecostais do Padre José Augusto, mas precisamos na Igreja de mais sacerdotes como ele, de mais padres e cristãos DISPOSTOS A MORRER como no início. Padre João Batista, como sempre, está de parabéns!