Jesus Cristo Rei?

Neste triste dia para a Terra de Santa Cruz, quando se vê assegurada mais uma vitória dos inimigos de Deus e de Sua Lei, apresentamos um artigo de Dom Antonio de Castro Mayer que vai ao cerne do problema de nossa época.

Embora seja dever de todo católico se levantar contra as hostes demoníacas, inclusive com seu voto, os males que assolam o mundo só poderão ser curados quando o Reinado de Jesus Cristo for reconhecido pelas nações; quandos os governantes deixarem de espezinhar Sua Santa Lei; quando os homens da Igreja tornarem a cumprir seu múnus de ensinar e converter os povos a Jesus Cristo, para que a seu nome “se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos” (Fl. 2, 10).

Ao silêncio do clero, a Divina Providência parece ter desejado exclamar esta verdade em alta voz com a felicíssima coincidência entre a festa de Cristo Rei e as eleições no Brasil.

Que Nosso boníssimo e misericordioso Senhor, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, tenha piedade deste povo conquistado por Seu preciosíssimo Sangue: “se tiverdes em conta nossos pecados, Senhor, quem poderá subsistir?” (Sl 129, 3)

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Jesus Cristo Rei?

Monitor Campista, 11 de março de 1984.

Para perpetuar a memória, e assegurar os frutos salutares do Ano Santo de 1925, o Santo Padre então reinante, Pio XI, instituiu a Festa de Jesus Cristo Rei. Justificou sua decisão na memorável encílica Quas Primas de 11 de dezembro daquele ano.

Depois de recordar “(…) que a aluvião de males sobre o universo provém de a maior parte dos homens terem removido, assim da vida particular como da vida pública, a Jesus Cristo e sua lei sacrossanta (…)”, e que baldado será esperar paz duradoura entre os povos, enquanto os indivíduos e as nações recusarem reconhecer e proclamar a Soberania de Nosso Salvador, Pio XI expõe os argumentos da Escritura e da Teologia que exigem a realeza do Divino Redentor.

A implantação desta suave e fecundíssima soberania é frontalmente contrastada pelo laicismo — a praga de nossos tempos, na palavra do Papa — que afirma a autonomia dos indivíduos e dos Estados, nas relações com Deus. Não pode — assim declara o laicismo — o Poder Público impor à sociedade o culto verdadeiro e o ensino da doutrina católica nas escolas oficiais.

No entanto, Jesus Cristo, como Filho de Deus, é, por direito inato, o Soberano dos homens e das nações, uma vez que estas têm também a Deus por autor.

A Festa de Jesus Cristo Rei deveria alimentar nos fiéis a adesão inabalável a esta verdade, e levá-los a se empenharem por que, nas famílias e na sociedade, a realeza social de Jesus Cristo viesse a ser uma realidade.

Foi o que, pessoalmente, visou Pio XI, quando, quatro anos depois, em 1929, firmou o chamado Pacto de Latrão que pôs termo ao dissídio entre a Santa Sé e o Reino da Itália. Nesse ato público oficial, a Itália se proclama Estado Católico, e o ensino da Doutrina Católica se torna obrigatório nas escolas oficiais, a não ser que o responsável pelo aluno, no ato da matrícula, requeira dispensa.

Encerrou assim o Ano Santo de 1925, com uma afirmação pública e oficial da Realeza Social de Jesus Cristo.

Estamos em vésperas de clausurar outro Ano Santo, este extraordinário, comemorativo do 1950° aniversário da Redenção, na qual Jesus Cristo selou com seu Sangue Divino, sua soberania sobre os homens e os povos.

Paralelamente, reúne-se também os plenipotenciários da Itália e do Vaticano para uma revisão do tratado firmado em 1929.

— Resultado?

A revisão anulou a soberania social de Jesus Cristo, solenemente estabelecida em 1929. A Itália já não é oficialmente um Estado Católico: o ensino em si deve ser leigo. Será católico se os responsáveis o pedirem (L’Os. Rom., ed. semanal em port. 26/02/1984).

Tudo de acordo com o Segundo Concílio do Vaticano!

— Terá a Igreja reformado sua doutrina? – Não.

Cabe a pergunta: pode-se ainda falar em Jesus Cristo Rei?

(O pensamento de Dom Antonio de Castro Mayer, p. 51, ed. Permanência, 2010)

3 Comentários to “Jesus Cristo Rei?”

  1. Caros Ferretti e demais leitores,

    Eis abaixo uma ligação de uma postagem que demonstra a “catolicidade” da nova presidente do Brasil no dia de ontem no seu pronunciamento.

    http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2010/dilma-e-deus/

    Na minha opinião, seria um bom tema para uma nova postagem neste blog.

    Domingo, ontem, foi o Dia do Senhor.

    E vós sabeis disso também.

    Porém, quem sabeis que dia foi o de ontem, segundo uma tradição pagã vinda nos Estados Unidos que agora virou moda neste país?

  2. O Apóstolo São Paulo escreveu em sua carta aos Romanos 11, 33 “Ó profundidade das riquezas e da sabedoria de Deus! Quão incompreensíveis são os seus desígnios. Quão imperscrutáveis os seus caminhos!” Isto me leva a refletir sobre o resultados das eleições no Brasil para presidente. Venceu um partido que em seu programa defende e pretende implantar leis iníquas. Mas se foi vencedor, Deus o permitiu. E como disse também São Paulo “Todas as coisas concorrem paro bem daqueles que ama a Deus…”Romanos 8,28 É melhor lutar com um inimigo já conhecido do que surpreender-se com um inimigo disfarçado. A Candidata vencedora foi forçada a mudar o discurso devido a reação de parte da Igreja e de movimentos em defesa da vida por sua postura favorável ao aborto. Seus comparsas vieram em seu socorro tentando afirmar o que ela nunca teve a intenção de dizer ou fazer. Alardearem que ela era cristã; Ela mesma foi a missa no santuário de Maria, a Rainha do Brasil, para não perder votos.E fez declarações contrárias a sua postura anterior no caso do aborto. Talvez Deus permitiu sua vitória para que os verdadeiros católicos ficassem alertas. Não baixemos a guarda! É preciso combater em nome de Deus, para que ele nos dê a vitória, como disse Santa Joana d´Arc aos guerreiros franceses.Se o outro houvesse ganhando quem sabe houvesse da parte dos católicos uma sensação de alivio e acomodação. A sua ação contrária as expectativas, implantando ou permitido a mesma agenda do governo da situação, deixaria muitos perplexos e outros escandalizados e quem sabe até lideres da Igreja, fervorosos defensores um partido tido como defensor do pobres se voltasse contra aqueles que o elegeram. Agora a situação é outra. A que foi eleita sentiu que tinha que recuar em seu discurso. Será mais cautelosa. Compete aos católicos fiéis ficar vigilantes. O futuro a Deus pertence, mas nossa fé e nosso amor à sua lei nos pertence por nosso livre arbítrio que ele nos deu. Estejamos atentos e na oração com na determinação de nos voltarmos para denunciar e desmascarar as pretensões de um partido anti-católico caso nossas suspeitas e temor se confirmarem. De uma coisa tenho certeza. O outro lado também deverá ter mais cautela, pois sentiu que ainda não era a hora para assumir o seu programa de morte e destruição das familias, de incentivo a permissividade sexual. Deus é a sabedoria Eterna. A Cristo estão submetidas todas as autoridades e tudo se faz segundo a sua vontade. Estejamos certos como disse São Paulo: “Nada nos separará do Amor de Cristo.” Nada!

  3. Como o bispo de São José dos Pinhais “interpretou” o discurso do Papa:

    S.J dos Pinhais: “A Igreja não tem partido”, diz bispo

    Nem todos os bispos brasileiros tiveram o mesmo entendimento do discurso do Papa sobre o aborto. O bispo de São José dos Pinhais (PR), dom Ladislau Biernaski, afirmou ontem, por exemplo, que a posição de Bento XVI não é nova e que não quer dizer que os sacerdotes devam orientar os fiéis a votarem ou não em um candidato. “A Igreja não tem um partido. O que tem é uma posição em defesa da vida. É claro que não existe neutralidade, mas isso não quer dizer escolha de candidatos”, resumiu.

    Dom Ladislau ressaltou ainda que o aborto não pode ser o único critério de defesa da vida a ser levado em conta pelo cidadão na hora do voto. De acordo com ele, o fato de o candidato defender “honestidade, transparência, a luta pelos direitos humanos e pela justiça” também é fundamental. “O aborto é uma questão importante. Mas há outros grandes temas, também relevantes, que acabaram ficando de fora da discussão nas eleições deste ano”, afirmou o bispo. (RWG, com agências)

    http://www.gazetadopovo.com.br/votoconsciente/conteudo.phtml?tl=1&id=1062442&tit=Orientacoes-de-Bento-XVI-vao-ser-divulgadas-nas-missas