Relembrando Zielinski.

O Padre Michael John Zielinski, OSB, abade de Nossa Senhora de Guadalupe, em Pecos, Novo México (EUA), foi nomeado, em maio de 2007, vice-presidente da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra e da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja. Hoje, acaba de ser nomeado, pelo Papa Bento XVI, consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (entre outros nomeados, encontra-se também o Padre Nicola Bux).

Nada mais oportuno, portanto, que recordar o pensamento do reverendo Padre Abade (entrevista de fevereiro de 2007):

Qual é o seu relacionamento com o mundo lefebvrista?

Dom Zielinski em conferência de "Si, Si, No, No", revista ligada à Fraternidade São Pio X, em Paris, em 2007.

Dom Zielinski em conferência de "Si, Si, No, No", revista ligada à Fraternidade São Pio X, em Paris.

Abade: Encontrei Dom Bernard Fellay, superior da Fraternidade São Pio X, há mais de cinco anos. Naquela época, vim a conhecer muitos outros padres, e também monges e religiosos ligados à Fraternidade. Fui convidado a falar no recente congresso de “Si, Si, No, No”, em Paris. E lá, falei sobre minha experiência da Missa Tridentina como uma redescoberta da natureza sacrificial da Missa. O Rito Tradicional tem um papel de muito importância a desempenhar na Igreja. Ele pode acentuar a reverência e o sentido de mistério e de temor perante a ação de Deus.

Fico honrado pela amizade e também pela confiança deles. Pude ouvir e penetrar profundamente não apenas nas suas preocupações e temores, mas também em seu imenso amor pela Igreja e pelo Santo Padre. Suas palavras, artigos e cartas podem parecer muito fortes para alguns, e, portanto, causar muita aflição; no entanto, o que eles dizem sobre liturgia e teologia não deve ser ignorado ou descartado. Até que haja a plena unidade e a plena caridade mútua, não se pode ficar escandalizado se há alguma “intemperança verbal”.

Mas alguns bispos afirmam que os lefebvristas deveriam reconhecer a legitimidade do Papa.

Abade: Infelizmente, mesmo nas altas fileiras na Igreja, nem sempre há pleno conhecimento da Fraternidade. A Fraternidade sempre reconheceu o legítimo sucessor de São Pedro. Há grupos tradicionalistas que não reconhecem os últimos Papas depois de Pio XII. São os chamados “sedevacantistas”. Visitando algumas das casas da Fraternidade, fiquei impressionado em ver a foto de Bento XVI e também de saber que eles rezam diariamente por ele e pela Igreja.

O senhor acredita que o possível motu proprio ajudaria os lefebvristas a retornar a Roma?

Abade: Acredito que um motu proprio seria o primeiro passo em direção à plena comunhão. Todavia, a Fraternidade não procura apenas a simples restauração da Missa Antiga. Eles estão fazendo questões teológicas e litúrgicas muito sérias, que devemos tratar. De outra forma, reduzimos toda a questão de Dom Fellay e dos membros da Fraternidade a uma questão de coreografia e não de questões substanciais de fé. O motu proprio, portanto, é um começo. Mas, também, é o possível começo de uma reforma e de uma renovação do caráter sacramental da liturgia; e, logo, o começo de um movimento litúrgico que quer para o Povo de Deus um novo despertar da fé.

7 Comentários to “Relembrando Zielinski.”

  1. Minha primeira impressão foi que o Santo Padre acertou na mosca. Ótima nomeação.

  2. Ferreti, o link sobre o Padre Bux está indo para esta mesma postagem.

  3. “O Rito Tradicional tem um papel de muito importância a desempenhar na Igreja. Ele pode acentuar a reverência e o sentido de mistério e de temor perante a ação de Deus.”

    Principalmente para os próprios sacerdotes. O papa ou mesmo os bispos poderiam dar sugestões imperativas para que todos os padres celebrassem na forma extraordinária ao menos em privado (muito mais viável nos dias que correm que fazê-los celebrar desta forma com concurso do povo, talvez até por esta falta de contato dos padres com o rito e sua espiritualidade) para que pudessem se familiarizar e obter os frutos interiores que a ‘mística’ toda especial desse rito proporciona. Com certeza seria uma enorme porta de entrada para o Espírito Santo no coração dos sacerdotes.
    Poderia falar muito mais dessa minha ideia mas para não me estender demasiado, encerro aqui.

  4. André,

    Cliquei no link e tive a mesma impressão mas descobri que o link leva a uma série de artigos em que o Padre Nicola Bux é mencionado. O primeiro é este mesmo artigo que estamos comentando.

    Um abraço,

    Salve Maria

  5. D. Zielinsk celebrou missa privada em 2007 em Saint Nicholas du Chardonnet, a famosa igreja tomada pela FSSPX em Paris. Atitude muito diferente de certos fiéis de Campos que, ao viajar pela Europa, preferem ficar sem missa dominical que assistir missas da FSSPX!

  6. Foi o que acontece comigo também (risos)…

    Obrigado, Neto.

    Salve Maria!

  7. O espírito com que era rezada a missa tridentina encontra em Bento XVI um PAPA que sem dúvida admira e compreende o imenso valor deste rito milenar.
    Acredito que se Ele pudesse faria de imediato um série de mudanças na missa atual.

    Contudo devemos entender que há toda uma ” diplomacia ” que deve ser seguida para que não haja mais perda de fiéis com novas mudanças na missa.
    Talvez tenhamos que conviver com a missa atual reformulada e o velho e querido rito tradicional.
    C.Márcio Ferreira.

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