“Como mensageiro do Evangelho que Pedro e São Tiago marcaram com o proprio sangue, desejo voltar meu olhar para a Europa…”

Desde aqui, como mensageiro do Evangelho que Pedro e São Tiago marcaram com o proprio sangue, desejo voltar meu olhar para a Europa que peregrinou a Compostela. Quais são suas grandes necessidades, temores e esperanças? Qual é o contributo específico e fundamental da Igreja para esta Europa, que percorreu no último meio século um caminho para novas configurações e projetos? Seu trabalho se centra em uma realidade tão simples e decisiva como esta: que Deus existe e que é Ele quem nos têm dado a vida. Somente Ele é absoluto, amor fiel e imutável, meta infinita que transparece através de todos os bens, verdades e belezas admiráveis deste mundo; admiráveis, porém insuficientes para o coração do homem. Bem compreendeu isto Santa Teresa de Jesus quando escreveu: “Só Deus basta!”

É uma tragédia que na Europa, sobretudo no século XIX, se afirmasse e divulgasse a convicção de que Deus é o antagonista do homem e o inimigo de sua liberdade. Com isto se queria colocar na sombra a verdadeira fé bíblica em Deus, que enviou ao mundo o seu Filho, Jesus Cristo, a fim de que ninguém pereça, mas que todos tenham a vida eterna (cf. Jo 3,16).

O autor sagrado afirma diante de um paganismo para o qual Deus está com inveja do homem ou o despreza: “Como Deus teria criado todas as coisas se não as tivesse amado, Ele que, em sua infinita plenitude, não precisa de nada?” (cf. Sab 11,24-26). Como teria se revelado aos homens, se não queria protegê-los? Deus é a origem de nosso ser, fundamento e ápice de nossa liberdade. Não seu oponente.

Como o homem mortal pode criar-se a si mesmo e como o homem pecador vai se reconcilar consigo mesmo?  Como é possível que se tenha feito silêncio público sobre esta realidade primeira e essencial da vida humana? Como o que é mais determinante nela pode ser trancada na mera intimidade ou colocados na penumbra? Nós homens não podemos viver às escuras, sem ver a luz do sol. E então, como é possível que se negue a Deus, sol das inteligências, força das vontades e imã de nossos corações, o direito de propor essa luz que dissipa toda treva?

Por isso, é necessário que Deus volte a ressoar alegremente sobre os céus da Europa; que essa palavra santa não se pronuncie jamais em vão; que não a pervertam fazendo servir aos fins que não lhe são próprios. É mistério que seja pronunciado santamente. É necessário que a percebamos desse modo, na vida de cada dia, no silêncio do trabalho, no amor fraterno e nas dificuldades que anos trazem consigo.

A Europa deve abrir-se a Deus, sair ao seu encontro sem medo, trabalhar com sua graça por aquela dignidade do homem que as melhores tradições descobriram: Além da bíblica, fundamental nessa ótica, também as de época clássica, medieval e moderna, das quais nasceram as grandes criações filosóficas e literárias, culturais e sociais da Europa.

Esse Deus e esse homem são aqueles que se manifestaram concreta e historicamente em Cristo. A esse Cristo que podemos encontrar nos caminhos que conduzem a Compostela, pois ainda existe uma cruz que acolhe e orienta nas encruzilhadas. Essa cruz, supremo sinal do amor levado até o extremo e, por isso, dom e perdão ao mesmo tempo, deve ser nossa estrela guia na noite do tempo.

Cruz e amor, cruz e luz tem sido sinônimos em nossa história, porque Cristo se deixou cravar nela para nos dar o testemunho supremo do seu amor, para nos convidar ao perdão e a reconciliação, para nos ensinar a vencer o mal com o bem. Não deixe de aprender as lições desse Cristo, das encruzilhadas dos caminhos e da vida, Nele Deus vem ao nosso encontro como amigo, Pai e guia. “Óh Cruz bendita, brilha sempre nas terras da Europa!”

Deixe-me que proclame daqui a glória do homem, que percebe ameaças à sua dignidade com a expoliação de seus valores e riquezas originários, com a marginalização e morte infligidas aos mais fracos e pobres. Não se pode cultuar a Deus, sem velar pelo homem seu Filho e não se serve ao homem sem perguntar-se por quem é seu pai e responder a pergunta por si mesmo.

A Europa das ciências e das tecnologias, a Europa da civilização e da cultura, tem que ser a Europa aberta a transcedência e a fraternidade com os outros continentes, ao Deus vivo e verdadeiro a partir do homem vivo e verdadeiro. Isto é o que a Igreja deseja trazer à Europa: velar por Deus e velar pelo homem, a partir da compreensão que Jesus Cristo nos oferece de ambos.

Excerto da homilia do Papa Bento XVI na Plaza del Obradoiro, Santiago de Compostela, 6 de novembro de 2010.

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3 Comentários to ““Como mensageiro do Evangelho que Pedro e São Tiago marcaram com o proprio sangue, desejo voltar meu olhar para a Europa…””

  1. Não só a Europa mas o mundo todo esta se afastando de Deus, principalmente a juventude. Primeiro as decisões políticas de legalização do aborto e união de pessoas do mesmo sexo em países que se dizem católicos já nos mostram isso.
    Segundo, na juventude, o abusivo uso de drogas lícitas e ilícitas, sexo desregrado e musicas de tons errados.
    Falo isso por que sou jovem e veo de perto essa realidade, e as vezes estou inserido nela! Por pura apostasia
    abraços
    valeu

  2. “Ativistas homossexuais dão ‘beijaço’ na passagem do Papa”
    Bandidos, homossexuais do inferno, pederastas inveterados… Enquanto uma minoria podre, digna do esgoto, sem vergonha, nojentos, se beijava, grotescamente, bestialmente, durante a passagem do Santo Padre, uma multidão ovacionava e dava boas vindas ao Papa. Coisa ridícula para esses vermes, coisa esdrúxula para esses cães e cadelas raivosos e infelizes… Pretenderam ofender o Santo Padre, mas, o tiro saiu pela culatra; esses infames foram uma formiga dentro de uma multidão carinhosa e desejosa de saudar o “doce Cristo na terra”…
    Continuem com sua fúria, diabos…
    Não se convertam não, infelizes do inferno, enquanto é tempo, e vocês verão onde vão parar grudadinhos, abraçadinhos ao príncipe das trevas, esse mesmo que vos incita e vos confirma nas suas torpezas carnais…
    Mais uma vez o Santo Padre passa radiante diante das hordas malignas e furiosas que vomitam seus venenos tentando, em vão, atingi-lo.
    Acabou de visitar uma obra caritativa e benzeu a pedra fundamental da nova construção que levará o seu nome. Foi saudado pelas crianças com deficiências às quais abraçou e manifestou seu carinho de Pai e Pastor Universal.
    É sempre bom repetir: “Enquanto a carruagem solene e majestosa da Santa Igreja, guiada pelo Papa Bento XVI, passa, o cães furiosos, bravos, raivosos, ladram e vomitam em seu encalço”.
    VIVA BENTO XVI,
    Ad multos annos!!!

  3. VIVA BENTO XVI !!!