A morte das nações católicas acarreta o desaparecimento das minorias cristãs.

Comunicado do Padre de Cacqueray, Superior do Distrito da França (FSSPX)

Suresnes, 8 de novembro de 2010

Imagens duras do martírio de Sacerdotes e Fiéis católicos em Bagdá, no Iraque

Nesse domingo, 31 de outubro de 2010, enquanto celebrávamos entre nós a Festa de Cristo Rei, nossos irmãos do Oriente sofreram uma perseguição muito sangrenta. Quando a catedral siríaca católica de Bagdá estava cheia para a missa dominical, soldados irromperam no santuário, e mataram, em nome de Alá, dois sacerdotes, os Padres Athir y Wassim, e cerca de cinquenta de seus fiéis foram tomados como reféns. Altares profanados, explosão de granadas, rajadas seguidas, derramamento de sangue, corpos despedaçados, famílias espalhadas não devem parecer-nos lugares-comuns de uma atualidade afastada.

Os historiadores informam que os discípulos de São Tomé evangelizaram a Mesopotâmia nos primeiros séculos de nossa era. Os campanários das igrejas cristãs do Oriente elevavam-se para o Céu antes de se dar a irrupção dos minaretes, e essas comunidades que são hoje condenadas, pelo silêncio de nossos contemporâneos, seja a sofrer o exílio, seja a curvar a cerviz ante o avanço do islã, estavam implantadas naquelas terras muito antes do nascimento de Maomé. Hoje, elas estão destinadas a um desaparecimento próximo em grande número de países; e quer-se explicar esse funesto avanço como obra apenas de um fanatismo minoritário, quando é antes de tudo resultado de uma renúncia covarde.

Se, apesar da difusão do islã, tais comunidades puderam sobreviver naqueles países, manter ali os primeiros lares da Cristandade durante séculos, foi essencialmente graças à proteção dos estados católicos do Ocidente, que nunca deixaram de apoiá-los. Seu desaparecimento programado, em prol de uma bandeira surgida no século XX a liberdade religiosa — deixou tais comunidades cristãs vulneráveis às perseguições, enquanto a nova prática do diálogo se mostrou uma proteção demasiado débil àquela presença cristã, que se vai reduzindo cada dia no Oriente Médio. Paralelamente, é essa mesma igualação das religiões o que faz com que, longe de se limitar a certos lugares, a difusão do pensamento de Maomé ganhe doravante os antigos países católicos apostatados, tornando as comunidades muçulmanas cada vez menos minoritárias.

Há oitenta e cinco anos, Pio XI, na encíclica Quas primas, recordava a doutrina católica quanto a este assunto, doutrina que ele recebera de seus predecessores e que muito estranhamente desapareceu há quarenta anos. O Papa profetizava as consequências desastrosas do desaparecimento das nações católicas em termos sociais, culturais e geopolíticos em escala planetária. Ao contrário, explica ele, “se os homens viessem a reconhecer a autoridade real de Cristo na vida privada e na vida pública, incríveis benefícios — uma justa liberdade, a ordem e a tranquilidade, a concórdia e a paz — se difundiriam infalivelmente por toda a sociedade”.

Assim, depende muito da profissão de fé dos chefes de estado a sorte dos católicos em todo o mundo. Nenhuma instância internacional laica ou inter-religiosa, nenhuma negociação globalista poderá estabelecer uma paz que não se funde em Jesus Cristo.

Rezemos, pois, e não poupemos nenhum sacrifício por esses irmãos cristãos que sofrem martírio e cujo sangue, pela graça de Deus, fará a Igreja renascer naquelas terras do Oriente.

Padre Régis de Cacqueray,

Superior do Distrito da França.

Suresnes, 8 de novembro de 2010

Fonte: FSSPX-Brasil

7 Responses to “A morte das nações católicas acarreta o desaparecimento das minorias cristãs.”

  1. Vejam o sentido que o padre da a Festa de Cristo Rei.
    “A solenidade deste último domingo do ano litúrgico da Igreja nos coloca frente à realeza de Jesus. Criada em 1925, pelo Papa Pio XI, esta festa litúrgica pode parecer pretensiosa e triunfalista. Afinal, de que realeza se trata?
    Para superar a ambigüidade que permanece, precisamos ir além da visão do Apocalipse, cujo hino na segunda leitura canta que “Jesus é o soberano de todos os reis da terra”. Ora, reis e rainhas não servem de modelo para a representação gloriosa de Jesus. Mesmo que seja para colocá-lo acima de todos os soberanos. Riquezas, palácios, criadagem e exércitos não são elementos que sirvam para exaltar a entrega de Jesus por nós. Jesus está na outra margem. Ele é a antítese da realeza da riqueza e do poder. Não é por acaso que os evangelhos da liturgia de hoje, nos ciclos litúrgicos A, B, e C da Igreja, sempre nos colocam no contexto da paixão de Jesus para contemplar sua realeza.
    Jesus foi Rei durante sua vida, em apenas dois momentos, ao entrar em Jerusalém como um Rei pobre, montado em um jumento emprestado e ao ser humilhado na paixão, revestido com manto de púrpura-gozação e capacete de espinhos; rei ao morrer despido e com o peito traspassado na cruz. Rei da Paz e Rei do Amor-sem-limite até a morte. A realeza de Jesus é a realeza do Amor Ágape de Deus por toda a Humanidade e por toda a criação.
    Esta festa é ocasião propícia para podermos reconhecer, mais uma vez, que na cruz de Jesus o poder-dominação, o poder opressor, criador de desigualdades e exclusões, espalhador de sofrimento por todos os lados, está definitivamente derrotado. Isto se deu pelo seu modo de viver para Deus e para os outros. O fracasso na cruz é a vitória de Jesus sobre o mal, o pecado e a morte, por meio de sua Ressurreição.
    Esta festa se torna então reveladora de um tríplice fundamento para a nossa Esperança, de que as Promessas de Deus serão cumpridas até o fim.
    O surgimento da matéria e sua evolução, desde o big-bang ─ quando toda a energia do Universo se concentrava em um único ponto menor do que o átomo ─ são o primeiro fundamento de nossa Esperança.
    Deus é criador respeitando as leis daquilo que criou. Nós nos damos conta de que a soberania de Deus vem se cumprindo num Universo em expansão, uma vez que a evolução da matéria atingiu seu ponto Ômega ao dar à luz Jesus de Nazaré, por meio de Maria, porque nele está a Humanidade humanizada para todos os homens e mulheres, de todas as gerações.
    O segundo fundamento é a pessoa de Jesus de Nazaré. O sonho de uma Humanidade humanizada ─ tornada aquilo que ela é ─ vem expresso na primeira leitura do livro de Daniel, na figura de um Filho de Homem ─ figura antitética dos filhos de besta, filhos da truculência, dos povos pagãos que oprimiram Israel com seus exércitos. O sonho tornou-se realidade em Jesus Cristo. Jesus nos humaniza com a sua divindade: nunca Deus esteve tão perto de nós, sendo um de nós e sem privilégios; mas também sem crimes e pecados (cf. epístola aos Hebreus). Jesus nos diviniza com a sua humanidade, tão humano que é, que só pode vir de Deus e ser Deus mesmo.
    O terceiro fundamento de nossa esperança é a comunidade eclesial de fé, dos amigos e discípulos de Jesus. Olhando essa grandeza, entendemos o sentido último de nosso Batismo, pois na realeza de Jesus fomos batizados para ser reis e rainhas; no Sacerdócio de Jesus, para sermos sacerdotes e sacerdotisas; no Profetismo de Jesus, para sermos profetas e profetisas, para viver segundo o imperativo da Palavra de Deus, revelada em seu Filho.
    A soberania dessa realeza consiste no serviço da cultura da Paz e da solidariedade, da compaixão e da fraternidade. O poder que corresponde a essa realeza é o do exercício da autoridade que serve, para fazer o milagre da diversidade tornar-se unidade.
    No Sacerdócio de Jesus nos unimos à sua missão de gastar a vida pelos demais. Sabemos por Ele qual o modo de existir que nos conduz à Vida verdadeira; qual a religião que agrada a Deus. A Esperança posta no Sacerdócio de Jesus é também certeza de que a vida gasta por compaixão e solidariedade é a vida feliz e bem vivida.
    Nossa Esperança é profética, pois a força da Palavra inaugura o Futuro. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia…” cantava Chico Buarque nos anos da ditadura. Era a palavra do poeta vencendo a força bruta. Vivendo o tempo presente no coração da comunidade de fé, que é a Igreja, sentimos que uma força maior se move em nós, nos co-move, para abrir-nos em direção ao futuro, pois nossa esperança não se funda somente em Deus, sentido radical do futuro, ou, como diz o provérbio, que “o futuro a Deus pertence”. Mas é Deus mesmo a quem esperamos e quem nos espera no futuro. Isso é que é ter Esperança: esperar Deus mesmo!
    A festa de hoje nos faz contemplar a existência do Universo, necessária para que surgisse o grande presente de Deus oferecido a toda a Criação, que é Jesus. Desta forma, nossa esperança se sustenta também nos cantos dos bem-te-vis e sabiás; nas rosas e margaridas; nas crianças e nas borboletas; nos homens e mulheres de boa vontade; nas pedras e nos vulcões; nas nuvens, na lua e nos planetas; nas estrelas e nas galáxias. Se existe tudo isso e não o nada, nossa esperança tem pé, tem cabeça e tem coração.
    Assim, como São Paulo, vivemos na Esperança, mas hoje sabendo de seu tríplice fundamento: aquele da evolução do Universo que culminou em Jesus, pelo dom de Maria; aquele que é Jesus, que por nós se doou na cruz, abrindo para nós um modo de viver para Deus e para os outros que é verdadeira salvação; e aquele que é a Igreja, a nossa comunidade de fé, que nos lança e sustenta na abertura radical ao futuro, esperando Deus que vem e que nos acolhe com amor infinito, por meio do seguimento de seu Filho, por quem recebemos a Vida e Plenitude da graça de Deus. Amém.
    “http://blog.cancaonova.com/padreanderson/2009/11/22/34-domingo-d-tempo-comum-%E2%80%93-solenidade-de-cristo-rei-do-universo/#comment-18372

  2. “Deus é criador respeitando as leis daquilo que criou. Nós nos damos conta de que a soberania de Deus vem se cumprindo num Universo em expansão, uma vez que a evolução da matéria atingiu seu ponto Ômega ao dar à luz Jesus de Nazaré, por meio de Maria, porque nele está a Humanidade humanizada para todos os homens e mulheres, de todas as gerações.”

    O que é isto mesmo? Evolução da matéria culminou com a encarnação do Verbo? Então foi um fenômeno natural?

  3. Gostaria sinceramente que os chefes de governo Europeus fossem tão enfáticos e objetivos ao protestar energicamente contra a perseguição dos cristãos no Oriente Médio como quando insistem na liberdade dos muçulmanos na Europa.
    Algum movimento já começa a acontecer para que esta tragédia não se repita. Talvez seja insuficiente, ou tímido, mas é um começo:

    http://www.ilsussidiario.netarticolo.aspx?articolo=126556

  4. por favor, não interpretem o meu comentário como apoio ao regime de Sadam Hussein, ou como anti americanismo tosco; mas vamos aos fatos.
    na época do tio Saddam havia quase um milhão de cristãos no Iraque, que iam muito bem obrigado; faziam parte da elite intelectual e financeira do país. Alguns membros do próprio governo iraquiano eram cristãos,como o vice-primeiro ministro Tariq Aziz e o ministro das comunicações.
    hoje, depois da bela caca do tio Bush, são menos de duzentos mil cristãos e diminuindo a cada dia, quer seja pelo êxodo, ou por massacres abominareis como esse. sem contar que na última repartição do governo entre curdos, sunitas e xiitas, os cristãos ficaram de fora.
    como disse, não estou querendo afirmar nada, mas esses são os fatos.

  5. Uma nova cruzada poderia ser convocada, mas o espirito “paz e amor” e adocicado do CVII não deixa, só nos resta o rosáio na mão e o joelho no chão.

  6. Quanta diferença entre os pronunciamento do Padre Régis de Cacqueray, para os pronunciamentos do Padre Lombardi e do Cardeal Bertone!

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